Parta Da Grandeza Do Criador
Pergunta: Em nome do progresso, devemos imaginar artificialmente o sofrimento do Criador, que Ele é tão infeliz e sofredor, e que através da nossa atitude supostamente sentimos pena Dele e o consolamos?
Resposta: Este não é o nosso caminho. Devemos avançar com base no positivo, na grandeza do Criador. Se você começar a imaginar o sofrimento do Criador, o sofrimento da Shechina, algum tipo de miséria, você avaliará essas coisas em seus vasos de recepção.
Afinal, segundo os conceitos dos vasos da recepção, aquele que sofre lhe aparece como infeliz, miserável, digno de pena. Mas se você possui vasos da doação, verá algo sublime e grandioso em um desejo não realizado. Em outras palavras, se estou em vasos de doação e quero doar e lamento minha incapacidade de fazê-lo, isso significa que sou superior.
Por outro lado, se estou em um vaso e não consigo satisfazer meus desejos, estou pior, inferior. Portanto, enquanto estivermos em vasos, não seremos capazes de imaginar corretamente o sofrimento da Shechina. Parecerá lamentável e miserável para nós. Não nos relacionaremos com o Criador com o devido respeito, amor e reverência, o que, em última análise, nos aproximará Dele. Portanto, todo tipo de “jogo” nessa direção é indesejável e prejudicial.
Em diversas correntes do judaísmo, observam-se tendências semelhantes: como se devêssemos sentar, lamentar, derramar lágrimas e chorar. Mas os Cabalistas têm uma opinião diferente, a tal ponto que, na véspera do jejum do dia 9 de Av, organizavam refeições fartas que incluíam até carne.
Na Polônia, por exemplo, era costume comer carne durante os nove dias que antecediam o jejum do dia 9 de Av. Todos esses costumes visam à adesão com perfeição, não com deficiência. A deficiência só se revela na medida em que a pessoa consegue percebê-la, e esse desejo não realizado se torna seu vaso.
Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com ele’ na Obra?”