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O Que Distingue A Família Do Futuro?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a força final da natureza que vai agir na família do futuro? Ela está relacionada com a religião?

Resposta: Não se trata de religião, mas do fato de que estamos todos conectados uns aos outros acima do nosso egoísmo. Está escrito que a Shechina (presença divina) habita entre o marido e a mulher.

O futuro da família se encontra na ação da força superior da natureza sobre ela, a força do amor, unidade e doação mútua. Em tal família nós estaremos conectados pelos laços que estão acima do nosso nível animal.

Devido à família, a pessoa vai ter mais do que um ninho familiar acolhedor e confortável onde ela se sente segura e recebe ajuda em caso de doença e velhice. Nós vamos construir uma rede de relacionamentos entre nós, dentro da qual vamos revelar a força de doação e amor que existe acima da nossa natureza.

Pergunta: Por que existem famílias que aparentemente desfrutam completa prosperidade material, mas sentem que carecem de calor familiar?

Resposta: É por esta razão que as pessoas se divorciam. Elas sentem um vazio que não pode ser preenchido por nada. A família não tem o que eu quero. E o que eu quero, eu não sei.

As pessoas sentem que precisam de uma nova forma de laços familiares, mas não sabem onde procurar ou como encontrá-los. E, assim, elas se divorciam.

A família do futuro terá uma nova conexão que leva um casal a um propósito mais elevado para o qual é vantajoso estar junto. Na verdade, se não fosse por isso, qual a razão de se ter uma família?

Você pode comprar alimentos preparados num supermercado, lavar a sua roupa numa máquina de lavar automática, de modo que pode convidar uma mulher por mais uma noite. As crianças podem ser visitadas uma vez por semana e, na verdade, nós não as vemos muitas vezes, porque trabalhamos muito. Quais os benefícios que a família acrescenta à nossa vida totalmente organizada e confortável?

Pergunta: O que está faltando na família de hoje?

Resposta: A família não tem um propósito maior que não seja um bem-estar animal convencional, material. Nós somos obrigados a revelar o grau humano em nossa família, a fim de descobrir a Shechina entre nós, revelar a força superior, e ter uma vida eterna e perfeita. E isso realmente pode ser alcançado através da conexão dentro da família, com outras famílias e, finalmente, com o mundo inteiro.

A força superior é a força de amor e doação. É chamada de “superior” porque está acima de nós, acima dos egoístas, que são opostos a ela, amam apenas a si mesmos, e não amam os outros.

Pergunta: O que vamos sentir na família do futuro que não temos hoje?

Resposta: Nós vamos sentir uma vida sem restrições e preenchida com todos os sabores. Vamos precisar de todo o mundo. Nossa família vai estar em tal conexão com as outras famílias que nos sentiremos confiantes, alegres, sem restrições. As crianças vão crescer neste ambiente e serão criadas de acordo com ele. Nós devemos chegar a isso.

De KabTV “Uma Nova Vida” 15/02/15

O Mundo Vindouro, Aqui E Agora!

Dr. Michael LaitmanPergunta: De que forma o mundo, que eu estou vendo agora na minha vida, difere do mundo vindouro, sobre o qual é dito: “Você vai ver o seu mundo em sua vida” (17-A Berachot)?

Agora eu estou vivo e vejo o que todo mundo vê, um mundo cheio de ódio. Que tipo de benefício eu obtenho desse “imenso” computador que você fala, que leva todo o sistema a um estado de separação, ódio e desconfiança em nossos relacionamentos mútuos?

Resposta: Eu vejo todo esse gigantesco mecanismo superior e como ele joga conosco para nos fazer desenvolver de modo que nos tornaremos semelhantes a Ele subindo ao Seu nível. É dito: “E as crianças vão voltar para seu pai no céu (o Criador)”(Vayicrá Rabá 1:3). Então, eu começo a justificá-Lo, entendê-Lo, e vejo de que maneira preciso me comportar para viver nesse nível em todos os momentos e não ter que esperar!

No momento em que eu começo a estudar a sabedoria da Cabalá, eu tenho a possibilidade de subir ao nível da força que gere isso.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 12/04/15

O Efeito Placebo Reside No Poder Da Crença

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (The Mind Unleashed): “Uma pesquisa sobre o efeito placebo está revelando algumas descobertas surpreendentes sobre o poder da crença. Placebos foram criados para controlar a sugestão, a imaginação e o viés em ambos os investigadores e pacientes em estudos clínicos. Quando os placebos foram introduzidos pela primeira vez na pesquisa médica, os investigadores não sabiam como eles produziam seus efeitos. Como o campo da neurociência evoluiu, está se tornando claro que a crença induzida dentro do contexto que envolve o placebo produz efeitos fisiológicos muito específicos e poderosos.

“A pesquisa mostra que, na verdade, existem vários efeitos placebo. Em outras palavras, existem várias maneiras do placebo influenciar o corpo e a mente para curar, dependendo da terapia ou da condição a ser tratada. Esse estudo mostra que o efeito placebo é mediado pela liberação de neurotransmissores, impactando de forma consistente certas áreas do cérebro, e inclusive se espelha na ação de fármacos sobre a fisiologia humana.

“Ensaios randomizados controlados por placebo duplo-cego são o padrão de ouro para provar a eficácia de uma medicação. O efeito placebo fornece insights sobre a complexidade da consciência e quão pouco nós realmente sabemos sobre a mente e sua capacidade de curar. Mas a evidência científica está acumulando e aponta para a possibilidade de que a mente tem uma capacidade ilimitada de cura.

“A pesquisa mostra que o placebo imita exatamente o efeito de uma droga quando o paciente foi exposto à droga antes do placebo. Isso foi demonstrado com medicamentos para a dor, uma medicação de supressão imunitária, um agente anti-Parkinsoniano, e uma droga para ansiedade. O que é ainda mais surpreendente é que o efeito placebo pode até mesmo ser quantificado com base no que é dito ao paciente quanto à probabilidade dele estar recebendo uma droga.

“O efeito placebo enfatiza a importância da crença na saúde e bem-estar. Seja positivo no que você diz e tenha discernimento sobre o que você acredita. Seu corpo-mente está escutando”.

Meu Comentário: Não se trata de crença em poderes superiores, mas no poder de autohipnose, a autoridade do médico, e o poder da medicação. Vários aumentos dessa força são possíveis durante a influência de um grupo sobre os participantes e o impacto do grupo sobre cada participante.

Nós geralmente negligenciamos os efeitos intangíveis numa pessoa, mas o ser humano é uma criatura complexa e composta que pode ser influenciado de várias maneiras.

A Cabalá acredita que os efeitos intangíveis são mais eficazes na forma como o mundo interior de uma pessoa pode ser alterado, além de seu comportamento e saúde.

Amanhecer Sobre Fiordes Escuros

laitman_942Pergunta: Se eu preciso ver o mundo inteiro na forma de desejos, como devo me relacionar com as pessoas que encontramos quando disseminamos a sabedoria da Cabalá?

Resposta: Todas essas pessoas são seus desejos. Se você se relacionar com uma pessoa desse jeito, ela vai começar a sentir que você é seu parente, que está conectado a ela. Isto leva a uma conexão entre vocês que a une ao seu sistema de uma forma que ela não entende. Tente tratar uma pessoa desse jeito e você vai ver como você neutraliza todas as ações, pensamentos e planos que ela possa ter contra você.

Pergunta: O que significa se relacionar com os outros como a meus próprios desejos?

Resposta: É como você se relaciona com os seus próprios desejos, que podem ser muito desagradáveis, porque você sofre e não gosta deles, mas é forçado a viver com eles. É exatamente assim que você deve se relacionar com as outras pessoas. Você as percebe como estranhos, a fim de superar essa percepção para se conectar com elas como um homem em um só coração, para que o corpo físico não seja uma barreira entre vocês.

Isso significa que a sua abordagem deve ser que você queira sentir os outros como parte de você. É exatamente assim que devemos ver o mundo. Quanto mais você anseia por conexão, mais começa a sentir a ajuda dentro de você, como se alguma coisa mudasse. Essa é a ação da Luz. Você não sente o raio de Luz, mas sente as mudanças. Como está escrito: “Por Suas ações Lhe conheceremos”. Você deve orar e exigir que seus desejos se conectem num desejo, embora seus desejos sejam basicamente diferentes.

Cada parte em Malchut é diferente das outras partes, e a quebra enfatiza isso. Por conseguinte, quando as partes quebradas que estão separadas entre si se conectam, elas atingem uma intensidade que é 620 vezes mais forte. A separação que sentiam antes intensifica o desejo agora, e por isso, nós voltamos ao estado de um homem em um só coração, e a intensidade do ódio entre nós fortalece a conexão entre nós.

Suponha que você mora em Nova York e eu vivo em Israel. Tudo estaria bem, e nós seríamos bons amigos até que nos aproximássemos e começássemos a viver juntos num quarto. Quão difícil seria permanecer bons amigos agora, quando vivemos juntos e sentimos os constantes atritos entre nós?

A distância que antes ocultava as diferenças entre nós deve se tornar a conexão entre nós agora. Esse é o nosso trabalho. O ódio – Monte Sinai, Faraó – é entre nós, e nós o transformamos numa conexão que é 620 vezes mais forte do que a conexão que sentíamos antes.

Não se trata da conexão em si, mas de conhecer o Criador. A Luz que penetrou os desejos, como a água do mar que preencheu os vales entre montanhas e criou fiordes, causou a separação e o ódio. A Luz veio, mas nós a recebemos a fim de receber e, por isso, aumentamos nossos vasos em 620 vezes e trouxemos ódio e separação com isso, preenchendo todas as lacunas entre os desejos que não eram sentidos antes.

A Luz nos dá a sensação de separação em todos os nossos desejos. Eu não concordo com você de forma alguma, e minha opinião é oposta à sua com relação a qualquer assunto, e é o mesmo com todos os outros. Agora, nós podemos corrigir esse ódio. O ódio é a parte posterior da Luz; não é um vaso. Se eu trabalhar com esse ódio e transformá-lo em amor, eu descubro o que é a Luz, a sua propriedade, e o que isso significa. É assim que eu descubro o Criador.

O desejo de receber foi criado de uma maneira que não pode ser alterado. Todo o nosso trabalho é com a parte posterior da Luz, com a quebra que ela causou. Quando eu descubro o meu egoísmo, o ódio, as rejeições, que pertencem a espiritualidade, eu descubro a parte posterior da Luz, a sua oposição. Em vez da Luz, eu descubro Orta (escuridão, noite).

É assim que eu adquiro o atributo da Luz por mim mesmo e me torno uma pessoa da Luz. A Luz penetrou o desejo de receber durante a quebra. A Luz é a mesma, mas nós a sentimos como escuridão, separação e ódio.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/03/14, O Zohar

De Gênesis A Israel

Dr. Michael LaitmanCada uma das cinco partes da Torá representa um nível totalmente novo no desenvolvimento de uma pessoa ou no desenvolvimento de um grupo de pessoas que querem cumprir as condições da Torá, a fim de subir ao nível do Criador.

A Torá é como um elevador espiritual que eleva nossas propriedades para um novo nível. Aqueles que entram nela e fecham as portas estão prontos para trabalhar em si mesmos contra o seu ego. Eles passam por cinco fases egoístas, que são cada vez maiores em sua intensidade e Aviut (espessura), porque o egoísmo é ardiloso.

Ao estudar cada uma das cinco partes da Torá, o ego cresce não só em quantidade, mas também em qualidade. Este é um processo muito difícil e complicado. Mas, ao mesmo tempo, a pessoa fica mais sábia e começa a entender sua natureza egoísta. Além disso, ela penetra as conexões entre todas as partes da natureza, assim como alguém que entra em certa organização e descobre como as pessoas estão conectadas entre si, as políticas da organização e os laços de conexões mútuas entre diferentes departamentos, etc.

No trabalho espiritual, no entanto, a pessoa esclarece a natureza humana e a natureza da alma. Seu avanço é num nível superior, dá uma maior penetração no indivíduo e na conexão geral de todas as partes da alma e de toda a criação.

No início, ela percebe a criação geral de uma forma simples, como uma criança pequena. Depois, ela é dividida, atualizada e separada em partes, para que, por suas conexões e sua divisão, ela penetre mais profundamente neste sistema. Ela descobre novos obstáculos, novas conexões mútuas, leis individuais, etc., e por isso estuda e analisa-o do início (Gênesis) até o fim.

Ela cresce na transição de uma parte da Torá para outra e pode aprender sobre as leis da criação e ser responsável por mantê-las. Há um desejo egoísta numa pessoa de descobrir o Criador, que ocorre apesar da unidade com os outros. Certa fórmula tem que agir nela: eu me conecto e uno com os outros a fim de descobrir o Criador na conexão entre nós, porque é assim que posso preenchê-Lo com alegria, assim como Ele quer me preencher. É neste estado que eu me uno com Ele.

Quando nós começamos a nos relacionar corretamente com nossas condições, diferentes forças de ajuda, apoio e resistência aparecem em nós. Elas são reveladas gradualmente: primeiro no nível zero de desejo e, depois, nos níveis um, dois, três e quatro, de um total de cinco níveis. Há os cinco livros da Torá. Nestas fases, nós avançamos da primeira palavra no Gênesis, “Bereshit” (“No princípio”), até a última palavra, “Israel”.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 17/12/14

A Diferença Entre A Sabedoria Da Cabalá E As Outras Ciências

Dr. Michael LaitmanPergunta: Todas as ciências estão geralmente envolvidas com a descoberta da natureza, ou seja, o Criador. Então, de que forma a sabedoria da Cabalá difere do resto das ciências, ainda que também se chame uma ciência?

Resposta: A sabedoria da Cabalá é uma ciência para a descoberta do poder superior, o único diretor, que é chamado de Criador. Mas, ao contrário do resto dos métodos que falam sobre o que uma pessoa deve fazer para aproximar o Criador de si, a sabedoria da Cabalá explica que a descoberta do Criador acontece na medida em que a pessoa se aproxima do Criador.

A sabedoria nos diz que a pessoa deve descobrir o Criador num grau cada vez maior até a Sua completa revelação. Isso significa que toda a sabedoria da Cabalá é um método para mudar e corrigir a pessoa de ser oposta e contra o Criador para ser completamente semelhante ao Criador.

O Valor Do Desejo

A Torá, “Levítico”, 27: 1 – 27: 4, 27: 7: E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando um homem expressa um voto [comprometendo-se a] valorizar a vida para o Senhor, o valor [fixo] de um homem deve ser o seguinte: A partir de 20 anos de idade até 60 anos de idade, o valor é de cinqüenta shekels de prata , de acordo com o santo shekel. E se ela é uma fêmea, o valor é de trinta shekels;

E se [a pessoa tem] 60 anos de idade ou mais, se for um macho, o valor será de quinze shekels, enquanto que para uma fêmea, ele será de dez shekels.

Valor refere-se ao tamanho do desejo, a sua intensidade, o que uma pessoa deve expressar na sua relação com o Criador. O significado de “Quando um homem expressa um voto [comprometendo-se a] valorizar a vida para o Senhor” está de acordo com esse valor.

A shekel simboliza o desejo que é exigido de uma pessoa chamada um homem ou uma mulher, de uma certa idade. Isso é determinado de acordo com a intensidade com que trabalham em prol de doar e, portanto, são semelhantes ao Criador e conectados a Ele.

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De KabTV de “Segredos do Livro Eterno” 10/12/14

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O Poder Ilimitado Da Mente

Dr. Michael LaitmanO geneticista Bruce Lipton afirma que uma pessoa pode superar qualquer doença usando o poder da mente, e que um efeito mental concentrado pode alterar o código genético do corpo.

Os médicos já conhecem há séculos o efeito placebo: que pela crença no poder de um determinado medicamento, uma pessoa pode mudar os processos fisiológicos no seu corpo, mesmo até o nível molecular, alterando assim o seu código genético. Isto pode ser conseguido de diferentes maneiras: por uma dieta especial, pela influência de um meio poderoso ou por certos exercícios físicos. Mas Lipton acredita que o efeito mais poderoso sobre a nossa saúde é, na verdade, a mente.

A principal diferença entre o homem e as outras criaturas vivas é que o homem pode mudar seu corpo e se curar de doenças hereditárias e terminais, instruindo mentalmente o corpo. O problema é que apenas poucos dos que acreditam no poder de autocura usando o poder da mente realmente acreditam nele e são, portanto, bem-sucedidos. A maioria das pessoas inconscientemente nega essa opção. A fim de alcançar a autocura, nós temos que superar a barreira que é colocada por nosso inconsciente, de modo que sejamos capazes de influenciar nossa mente e, assim, os processos celulares e o código genético.

Meu Comentário: Eu acredito que nada é mais forte do que o poder da mente, e que é mais fácil controlar esse poder num coletivo, quando uma pessoa se anula, reduz sua barreira psicológica, e permite que outros a influenciem.

Como A Pessoa Se Torna Independente?

Dr. Michael LaitmanA independência é um conceito muito vago e problemático. O que significa ser independente num mundo onde estamos todos conectados juntos? Como é possível ser independente se eu estou conectado com milhares de fios a todos os tipos de instituições governamentais, empresas e pessoas?

Uma questão muito mais profunda está escondida aqui. Como a sabedoria da Cabalá diz, uma pessoa é um desejo de receber, um desejo de prazer, e em cada momento de sua vida, ela procura como atingir o maior número possível de confortos: sentar-se, levantar-se, mover-se, deitar-se, tentar algo, comer, olhar para algo, ouvir algo. Se eu tiver que fazer alguma coisa, como posso fazer da maneira mais confortável e fácil, gastando menos energia?

Em última análise, nós somos geridos pelas leis da natureza. Nós queremos desfrutar e extrair o máximo, dando e sofrimento minimamente. Se eu sou construído assim, o que significa ser independente? Como eu posso ser independente? Está escrito: “Os mortos são livres”. Portanto eu só vou me tornar livre depois que morrer e meu corpo não exigir mais nada?

Como é possível tornar-se livre? Como uma pessoa saudável vivendo neste mundo se torna independente se eu dependo de milhares de fontes de prazer, comida, ar, trabalho, meus filhos e minha esposa, basicamente de tudo. Cada um destes pode exercer pressão sobre mim e me afetar. Eu não posso ser independente. Talvez só se eu fugir para outra galáxia vou me tornar livre, mas isso não é chamado de independência.

Nós temos que entender que não pode haver independência enquanto a pessoa não abandonar seu desejo de receber, a sua natureza. Na minha natureza egoísta eu nunca posso ser independente, porque dependo de tudo e de todos. Eu não posso viver sem filhos, sem uma esposa, sem amigos, sem todas as pessoas. Hoje eu não posso viver sem toda a humanidade, pois tudo o que tenho na minha casa tem incorporado dentro de si uma partícula do trabalho de todo o mundo. Assim, a independência é impossível se eu pensar em como satisfazer a mim mesmo, pois assim eu necessito de todos e dependo de todos.

Teoricamente, uma pessoa pode ser independente quando deixa de se preocupar com si mesma e começa a desfrutar a doação aos outros. Se eu posso viver assim, não recebendo prazer ao tomar de todos o tempo todo, mas ao dar e doar aos outros, então eu me torno independente. Eu preciso de todos para que possa doar e dar a eles e receber prazer ao doar. Então eu sou independente e livre, já que não dependo deles da mesma maneira que dependia, a fim de receber prazer deles.

Em última análise, eu não tenho nenhuma possibilidade de desfrutar por meio da recepção, mas apenas através da doação. Pois com a recepção, eu dependo dos outros, enquanto que com a doação, eles dependem de mim. Portanto, eu posso ser superior a todos, posso me tornar verdadeiramente independente. Eu posso me sentir como seu senhor, no sentido de que sou superior a eles, mas amo-os. E como eu doo e dou a eles, satisfazendo-os, eu desfruto sem qualquer restrição de sua parte. Nós alcançamos um estado tal que a sabedoria da Cabalá descreve como o futuro da humanidade, quando todo mundo doa e dá aos outros e sente-se independente.

Do Programa da Rádio israelense 103FM, 19/04/15

Como Alcançar A Verdadeira Democracia

Dr. Michael LaitmanExperiência de Cingapura: A Ditadura Correta

Pergunta: Em março deste ano, Lee Kuan Yew, um dos fundadores do “milagre econômico de Cingapura”, morreu. Num local vazio na fronteira de uma Malásia pantanosa, com nada ao redor, exceto uma base militar inglesa, dentro de um curto período de 50 anos, a nação mais próspera do mundo foi estabelecida. Mas neste país, não há um grão de democracia no sentido em que a entendemos nas nações desenvolvidas. Como é que esta nação teve sucesso em fazer o que grandes nações como os Estados Unidos e Inglaterra fizeram, mantendo a liderança mais estrita e a ditadura da lei?

Resposta: Eu não percebo a democracia da mesma forma como ela existe em todos os lugares, ou que mereça ser chamada de democracia. Este não é o governo do povo, mas sua imitação: um punhado de pessoas assume o controle sobre todos os recursos econômicos, políticos, sociais e militares; elas dizem que há uma democracia, e que operam em nome do povo.

Enquanto estivermos sob a influência do egoísmo interno sem a força da natureza altruísta para equilibrá-lo, não poderá haver uma democracia. A democracia é construída em contraste, um contrapeso e um equilíbrio entre duas forças, que são positiva e negativa: o nosso ego e a força de doação e amor. Há a força do ódio e da rejeição, e o poder da atração e conexão, que devem ser equilibrados mutuamente. Se o ego é equilibrado por uma força positiva, então não pode ser mau. Inversamente, o amor e a doação sem o ego podem levar a um extremismo ainda pior do que o ego.

Em outras palavras, nós fomos criados num sistema que está num equilíbrio de mais e menos, entre os quais o que resta é apenas inflamar algum tipo de tensão que dá a orientação certa para todo o trabalho do sistema. E se a força positiva não existe ou é mínima e existe apenas no medo da aniquilação, então não temos as condições para uma democracia. Nós “caímos” do sistema onde as duas forças são reveladas. Portanto, quando existimos apenas num sistema egoísta, o mais adequado para nós é a ditadura correta.

Se um rei governa uma nação, ele cuida de sua nação, de seus súditos, não os aniquila, e eles consideram que ele é ótimo! Ele é o mestre! Mas, numa nação democrática, não há mestre. Nós deixamos uma eleição decidir quem opera o volante por dois, três ou quatro anos, e depois? De que modo a elite se importa com o que virá depois disso?! Eles não vão ser eleitos novamente, então precisam pegar tudo o que podem enquanto estão no controle.

Assim, a ditadura em Cingapura é um maravilhoso sistema de governo. A democracia na forma de um Sinédrio.

Pergunta: Eu ouvi dizer que o correto chefe de Estado deve ser um Cabalista, que conhecendo as leis da natureza, vai gerenciá-lo no interesse de toda a sociedade. Qual será a base da unidade moral de seu comportamento? Será que ele não será infectado pela cobiça; ele não vai querer ficar rico depois que atingir o controle?

Resposta: Há um conceito como o Sinédrio (Grande Assembleia), onde 120 sábios Cabalistas se reúnem, se conectam num círculo, e discutem todos os temas da agenda. A discussão não é baseada em diferenças de opinião, o que é típico do nosso mundo, onde se acredita que a verdade nasce do debate. Não há verdade no debate, porque desde o início ele nos mantém num nível bestial e não podemos subir acima disso. E nós temos que subir acima de nós mesmos, porque o nosso estágio só pode levar a um nível superior. Parece que subimos ao nosso próximo nível, a partir do qual é possível ver como alcançá-lo.

Isso acontece quando as pessoas se unem numa única unidade completa, apesar de todas as diferenças de opinião, e ao aniquilar o seu ego, elas atingem um coração e uma mente comum. Essa é uma tensão interna única e um trabalho prático. A partir de um estado de unidade, e só com isso, elas se complementam; elas começam a chegar a uma opinião comum. Mas esta não está conectada a opiniões pessoais; em vez disso, é sentida através de uma unidade comum. É nessa forma que o sistema de governança para a nação e o povo deve se manifestar.

Como a luta e a discórdia podem ser evitadas?

Pergunta: Hoje muitas nações estão tentando recriar esse modelo de uma forma ou de outra. Tomemos por exemplo a Turquia, onde o governo se tornou progressivamente concentrado nas mãos de uma pessoa, ou a Rússia, que nem sequer esconde que vive e prospera graças a uma pessoa. Há também uma infinidade de outros exemplos em nações menos desenvolvidas. Segue-se que a formação de pirâmides governamentais como essa é o único caminho possível para a humanidade seguir? Portanto, onde é possível tomar pessoas como essas que estão satisfeitas com tal método de governo? E, por fim, em Cingapura, que não era originalmente corrompida, todos os lugares-chave foram ocupados por parentes de Lee Kuan Yew. Em última análise, uma espécie de casta foi criada.

Resposta: Certamente esse modelo não pode existir para sempre num estado ideal, uma vez o suborno, as lutas pelo poder, e assim por diante, começam. Por algum tempo ele pode manter sua posição em algum ideal, mas depois disso, tudo se deteriora ao longo das trilhas egoístas habituais.

Pergunta: Como os Cabalistas evitariam chegar a esta situação no governo da nação?

Resposta: O fato de que eles estão unidos entre si, os 120 maiores sábios do povo evitariam conflitos e diferenças de opinião. Especificamente nesta situação, eles começariam a discutir algum assunto e da sua unidade, eles receberiam uma resposta. Afinal de contas, a unidade entre eles é o seu próximo objetivo, que eles devem alcançar e incluir todas as pessoas com eles.

Pergunta: Será que as discussões em círculos, que seus estudantes organizam, constituem uma pequena versão desta forma de unidade?

Resposta: Sim. As discussões na forma de mesas redondas são organizadas em todo o mundo, não apenas em Israel. Nós criamos ativamente uma reunião, um círculo de discussão de homens e mulheres, que implementam a unidade, desprendendo e subindo acima de si mesmos. Cada um investe em todos os outros e todos anseiam em ser absolutamente iguais, sem maior ou menor, de forma alguma. Nós aspiramos a encontrar um sistema preciso de equilíbrio interno entre nós e procuramos fazê-lo de modo a que todos sejam iguais e integrados com o outro, percam-se na nossa unidade, e do “Eu” chegará o estado de “nós”. Depois, partir do estado de “nós”, chega-se ao estado de “um”, como um homem com um coração.

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 01/04/15