Textos na Categoria 'Torá'

Quando O Estudo É Abençoado?

209A Torá contém luz porque o Criador se veste nela. Dessa luz universal, podemos receber uma certa porção no desejo de doar, ou seja, no Kli (vaso) da fé. Há também uma vestimenta externa chamada sabedoria, e o vaso para alcançá-la é o intelecto humano.

Assim, para alcançar a Torá, uma pessoa deve adquirir um Kli (um vaso espiritual). Mas se alguém estuda a Torá sem a intenção de extrair dela a luz que reforma, na qual está contido todo o poder da Torá (o próprio propósito para o qual ela foi dada), tal estudo não é abençoado. Isso porque a natureza da luz que vem do Criador é nos reconduzir à fonte.

A Torá é chamada de Torá da vida. Isso significa que devemos sentir a vida na luz que revelamos. A vida é o que se alcança no grau do Criador nos desejos de doação. E isso só é possível trabalhando com a intenção de extrair da Torá a força que servirá de combustível para adquirir o Kli de doação.

Existe o Criador e o ser criado, e a manifestação do Criador para o ser criado chama-se luz. A revelação da luz assume diversas formas. A manifestação mais externa do Criador para o ser criado é a vida corpórea. Uma manifestação mais interna é a sabedoria; ainda mais interna é a luz que reforma, e mais interna ainda é a luz que preenche o Kli espiritual que retornou à fonte.

Uma pessoa que inicia o caminho espiritual deve primeiro “abençoar a Torá”, com a intenção de alcançar a verdadeira Torá, ou seja, sua luz mais íntima. Se ela não se esforça para revelar a luz interior, mas estuda apenas a parte externa da Torá com o objetivo de adquirir conhecimento, tal pessoa é considerada entre as nações do mundo. Afinal, ela deseja realizar a obra do Criador com a intenção de se beneficiar e, portanto, recebe da Torá, dessa luz, apenas conhecimento e sabedoria.

Mas se a pessoa pretende alcançar a equivalência de forma com o Criador, ela é chamada de Israel e, consequentemente, exige-se primeiramente a correção de sua intenção para doação da luz. Após a correção, ela deseja realizar ações com o objetivo de doar, isto é, receber a luz para, por meio dela, poder doá-la, através de uma tela e da luz refletida dentro do Kli da fé.

A luz que se revela no Kli da fé é chamada de luz de Chochma (a luz da sabedoria). Mas esta não é mais a sabedoria externa recebida em desejos egoístas; em vez disso, é a luz da sabedoria, ou seja, a revelação da governança do Criador sobre uma pessoa.

Da Lição Diária de Cabalá 18/01/26, Rabash, “O que são Torá e Trabalho no Caminho do Criador?”

A Torá Da Vida

563A fé é um meio para alcançar a luz interior da Torá. A fé é um Kli de doação, a qualidade de Bina. Ela deve ser o fundamento, e por isso se diz: “O justo viverá pela sua fé”.

A fé acima da razão é um meio de se voltar ao Criador a fim de obter qualidades semelhantes às Suas. Mas esse não é o objetivo final. De fato, a fé acima da razão é o objetivo do estudo, pois desejamos alcançar a correção, as qualidades de doação. Mas, na realidade, é apenas um meio.

Afinal, a Torá é chamada de Torá da vida, e deve-se estudar com a intenção de Lishma, em prol da Torá, e não Lishmo, em prol do Criador. Ou seja, quero não apenas me tornar como o Criador construindo um Kli, mas também preencher este Kli exatamente com o conteúdo que corresponde ao Criador, para que este conteúdo se torne minha “vida e longevidade”.

Da Lição Diária de Cabalá 18/01/26, Rabash, “O que são Torá e Trabalho no Caminho do Criador?”

Níveis De Estudo Da Torá

276.05Segue-se, portanto, que devemos fazer vários discernimentos na Torá : 1) aquele que estuda a Torá para conhecer as regras, para saber como observar as Mitzvot da Torá  (Rabash, “O que são a Torá e o trabalho no caminho do Criador?”)

Ou seja, por que se estuda? Para saber o que deve ser feito no mundo material. Então a pessoa estuda e cumpre os mandamentos.

2) aquele que estuda a Torá para observar a Mitzva de estudar a Torá, como está escrito (Josué 1): “Este livro da Torá não se afastará da tua boca; antes, medita nele dia e noite”. Rashi interpreta “medita nele” como “olhar para ele”, pois cada pensamento na Torá está no coração, como ele disse: “A contemplação do meu coração está diante de Ti” (Ibid.).

Aqui se fala sobre “estudar a Torá para conhecer as leis, como observar os mandamentos da Torá”, o que significa que há algo mais do que apenas cumprir mandamentos. Há valor no próprio estudo quando se dedica a ele de coração. Há correções que a Torá opera no coração. Essas correções visam nos aprimorar, pois o Criador deseja que a Torá nos apoie e, por meio dela, sejamos fortalecidos.

3) Ele estuda a Torá para ser recompensado com a luz da Torá, como está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal; (ibid.)

Este é o nível em que a pessoa já sabe que a Torá não foi dada meramente para corrigir seu coração animal, para que ela simplesmente se torne melhor e, assim, cumpra o mandamento de estudar a Torá, mas que há algo especial na Torá: luz.

Eu criei a Torá como um tempero porque a luz nela o reforma”. Por meio disso, ele será recompensado com fé e se apegará ao Criador, e se tornará “Israel”, pois crê no Criador com fé completa (ibid.).

Ou seja, a pessoa já se considera má, e a Torá a corrige para que ela se torne melhor.

4) Uma vez que ele tenha sido recompensado com a fé, ele é recompensado com a “Torá, como nos nomes do Criador” (ibid.).

Em outras palavras, ele já recebe a luz de Hochma dentro da luz de Hassadim. Essa luz de Hochma, que ele recebe de acordo com o nível de sua correção, é chamada de nomes do Criador.

No Zohar, isso é chamado de “A Torá, Israel e o Criador são um”. Nesse momento, Ele é recompensado com o propósito da criação, que é fazer o bem às Suas criações, quando as criaturas recebem o que o Criador deseja dar às criaturas  (ibid.)

Da Lição Diária de Cabalá 20/01/26, Rabash, Artigo 12, “O que são Torá e Trabalho no Caminho do Criador?”

Duas Manifestações Do Criador

276.02O que está incluído no conceito de “Torá”? Existem apenas duas coisas no universo: o Criador e a criação. Mas, de repente, descobrimos tantos nomes, características e conexões que ficamos confusos.

A criação é o desejo de receber, e o Criador é o desejo de dar, de doar prazer. A manifestação do Criador à criação é, em essência, tudo o que acontece. O Criador ou se revela à criação ou se oculta dela, e assim provoca diversos fenômenos na criação. Estamos falando desses fenômenos; eles são toda a nossa vida, todas as nossas preocupações. Este é o vaso (Kli) em relação à luz, e nada mais há a acrescentar aqui.

A manifestação do Criador às criaturas tem milhares de nomes, pois se relacionam não apenas ao desejo de receber, mas também ao que esse desejo espera do Criador que se revela a ele.

Então a criação começa a desejar várias coisas do Criador. Basicamente, ela quer que o Criador a preencha e lhe dê prazer, ou que lhe dê a força para receber esse prazer, de modo que ela sinta que, ao fazê-lo, está dando prazer ao Criador. Só pode haver esse tipo de relação entre eles.

O desejo de receber na criação é constante; o desejo do Criador de dar também é constante. A sensação do Criador dentro da criação é chamada de “prazer”. Mas, como a criação, além da manifestação do Criador nela como prazer, também sente a “personalidade” do Criador (Sua essência, o que Ele é, o doador), então a criação começa a se relacionar não apenas com o prazer, mas também com o próprio Criador, com o doador.

Assim, a atitude em relação ao prazer é o desejo de receber. Quero receber prazer de Ti, de Te ver. É como um homem que ama uma mulher e se deleita em contemplá-la. Quanto à atitude em relação à essência do Criador, o doador, surgem dois movimentos no desejo de receber: ou usar o doador para o propósito de desfrutar (não simplesmente desfrutar, mas desfrutar da própria relação com o Criador: quero desfrutar de Ti) ou desejar agradá-Lo. Portanto, há um desejo e há uma intenção, seja para si mesmo ou para o bem do Criador.

Assim, todas as relações entre a criação e o Criador se resumem à intenção da criação, ao seu propósito. Se a criação tem a intenção de se beneficiar, mas é subitamente impelida por algum impulso a buscar essa intenção com o objetivo de dar ao Criador, isto é, de receber e desfrutar, mas por amor a Ele, então a criação exige — novamente do Criador — a oportunidade de fazê-lo. Sua exigência é sempre dirigida ao Criador: seja uma exigência de prazer, seja uma exigência quanto à natureza do uso desse prazer.

Tudo o que uma pessoa recebe do Criador é chamado de luz (Ohr) ou Torá. Segue-se que, nessa luz, na revelação do Criador às criaturas, encontramos duas manifestações principais. O Criador revela-se como aquele que doa o poder de mudar, de corrigir a intenção, ou revela-se como prazer. Portanto, existe a Torá, a luz que retorna à fonte, e existe a Torá, os nomes do Criador, as revelações de luzes nos Kelim corrigidos com a intenção de dar.

Das Lições Diárias de Cabalá, 18/ e 19/01/26, Rabash, “O que são Torá e Trabalho no Caminho do Criador?”

Chanucá — A Fronteira Entre O Deserto E A Terra De Israel

747.01A fronteira na entrada do território chamado “terra de Israel” é chamada de Chanucá porque nos corrigimos para um estado no qual podemos começar a trabalhar com o nosso desejo. Desejo é Ratzon, da palavra “Eretz” (terra); “Israel” significa dirigido diretamente ao Criador.

A travessia do deserto é uma aproximação à Chanucá. Após a vitória sobre os gregos dentro de nós, começa a entrada na terra de Israel. Portanto, Chanucá personifica a fronteira entre o deserto e a terra de Israel.

Em outras palavras, Chanucá é a correção do egoísmo ao ponto de se tornar um “justo incompleto”, quando o ego simplesmente se congela e não interfere em nós. Ficamos, por assim dizer, suspensos no ar; abaixo está o egoísmo, acima o altruísmo, o amor absoluto, e no meio está a qualidade espiritual de Binah que adquirimos e que nos sustenta.

Portanto, é-nos explicado o que deve ser feito a seguir, porque o trabalho na terra de Israel é absolutamente diferente do trabalho no deserto.

No deserto, tivemos que simplesmente nos elevar acima dos desejos egoístas, que ao longo de 40 anos (40 degraus) se manifestaram em nós todos os dias; ou seja, Malchut teve que ascender a Binah. E agora, de Binah, devemos ascender a Keter. Esta já é a obra na terra de Israel.

De KabTV, “Segredos do Livro Eterno”, 21/12/16

Para Que A Torá Não Se Torne Veneno

294.240) Primeiro, devemos compreender as palavras de nossos sábios (Megillah 6b), que disseram: “Eu trabalhei e encontrei — acredite; eu não trabalhei e encontrei — não acredite”  (Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”).

Pergunta: Por que devemos primeiro entender isso e depois ver como e de que maneira a Torá se torna um veneno mortal para uma pessoa?

Resposta: Precisamos tentar revelar a condição “trabalhei e encontrei – acredite” até o ponto de percebermos que os esforços que fazemos para alcançar essa sensação de revelação são proporcionais ao nosso desejo.

Como pode uma pessoa trabalhar e não encontrar se emprega todas as suas forças para alcançar o Criador e aguarda Sua revelação?

Da Lição Diária de Cabalá de 29/11/25, Escritos do Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

“Aqueles Que Me Buscam Me Encontrarão”

276.0241. O Zohar escreve sobre o texto “Aqueles que Me buscam Me encontrarão” e pergunta: “Onde se encontra o Criador?”. Eles disseram que o Criador é encontrado somente na Torá. Além disso, em relação ao versículo: “Na verdade, Tu és um Deus que se oculta”, o Criador se oculta na sagrada Torá (Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”).

A questão é que aqueles que “buscam” o Criador e desejam revelá-Lo, certamente O revelarão. E isso só pode ser feito através do estudo da Torá, pois o Criador está oculto nela. Ele criou a Torá precisamente com essa condição.

Por que o Criador se oculta? É para que sintamos nossa separação Dele e comecemos a pedir ao Criador que nos ajude a revelá-Lo. Portanto, precisamos compreender bem a frase: “Aqueles que Me buscam Me encontrarão”. Ou seja, devemos esclarecer o que esse pedido realmente significa.

Da Lição Diária de Cabalá de 29/11/25, Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Quebre O Muro De Ferro

214Logo de início, eu reconheço a grande necessidade de romper um muro de ferro que nos separa da sabedoria da Cabalá desde a ruína do Templo até os dias de hoje. Esse muro pesa sobre nós e desperta o temor de sermos esquecidos por Israel. (Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”)

“Romper um muro de ferro” significa que nós, que queremos compreender a sabedoria da Cabalá, não devemos nos distanciar dessa sabedoria em si. Isso exige trabalho tanto interno quanto externo de todos.

Pergunta: O que nos falta para romper esse muro e compreender a parte oculta da Torá?

Resposta: Devemos estudar tanto as partes reveladas quanto as ocultas da Torá, tanto quanto formos capazes. E tudo isso deve ser aceito por nós em união uns com os outros.

Esperemos que nosso estudo nos impulsione definitivamente rumo à unificação.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá de 05/11/25, Escritos do Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Perguntas Sobre O Trabalho Espiritual—270

281.02Pergunta: Podemos considerar a Torá revelada como um desejo de receber e a Torá oculta como um desejo de receber com o propósito de dar?

Resposta: Não, não podemos. A “Torá oculta” é o que revelamos no processo de aprendizado da Cabalá. E a revelada é o que nos é revelado quando crianças.

Pergunta: A parede de ferro se quebra dos dois lados? Como é possível sentir o outro lado?

Resposta: Você só pode sentir o outro lado quando se esforça para se unir ao que está fora de você, do outro lado do muro.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá de 05/11/25, Escritos do Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

A Força Secreta Da Torá

526Pergunta: Podemos dizer que os grandes Cabalistas que criaram a conexão entre o Criador e a criação e escreveram livros para nós criaram um método chamado Torá?

Resposta: Esses grandes Cabalistas escreveram livros para nós. Mas, na realidade, não são livros, mas sim a revelação da conexão entre eles e o Criador. Eles nos deram a oportunidade de compreender essa conexão por meio de letras e palavras escritas em folhas de papel, e, dessa forma, podemos participar dessa conexão.

Afinal, o que é um livro e as palavras escritas nele? Eu não sei o que é. É como um bebê tocando em algo. Os Cabalistas fizeram com que, quando entro em contato com um livro e quero me conectar a eles através dele, eu já utilize essa força que eles criaram ao me conectar uns com os outros.

É verdade que, ao fazer isso, eles criaram a Torá. Afinal, na realidade, a Torá foi dada para corrigir o egoísmo precisamente por meio desses Cabalistas e almas especiais que prepararam esta oportunidade para nós: a conexão entre eles. Se eles não tivessem agido, não seríamos capazes de alcançar a correção, de nos conectarmos, de despertar a luz que retorna à fonte.

Afinal, uma lei física simples opera: se você tem a qualidade de doação, a luz brilha sobre você; se você não tem a qualidade de doação, não há luz em você.

Portanto, é necessário compreender que sem revelar a sabedoria da Cabalá nos livros, sem estudá-la, a pessoa não será capaz de despertar a luz que retorna à fonte. Ela pode estabelecer conexões com outras pessoas no desejo de construir seu belo mundo, mas não receberá a força da luz, a força de correção. Ela deve estar conectada a um sistema que utilize livros verdadeiros, um grupo, uma compreensão e uma conexão de acordo com as recomendações dos Cabalistas. Caso contrário, é impossível alcançar a correção.