Textos na Categoria 'Percepção'

A Verdade Reside Entre Dois Mundos

707Uma pessoa age por hábito; ela sente e aceita apenas aquilo a que está habituada. Tudo o que é desconhecido passa despercebido e permanece inatingível.

Inconscientemente, descartamos tudo o que é novo antes de o sentirmos ou tomarmos consciência dele. É por isso que nos é tão difícil encontrar a espiritualidade!

Vivemos em um mundo que selecionamos a partir do mundo do infinito; escolhemos o familiar e o habitual.

Para expandir nosso mundo com o mundo de doação, não devemos rejeitá-lo, mas aceitar os estados de doação através da “fé acima da razão”, aceitar as propriedades, os desejos, os pensamentos e as ações do “anti-mundo”.

Para isso, você precisa combinar dois níveis opostos dentro de si: perceber seu estado egoísta atual, o grau inferior, e, da perspectiva da propriedade de doação, o grau mais elevado.

É preciso existir entre esses níveis, regozijar-se na sensação do vazio do nível inferior e na oportunidade de encontrar forças para se elevar acima dele.

Essa força vem a mim da luz superior através do grupo; ela me mantém acima da “terra” como que por um ímã.

A verdade e a fé (a doação) deveriam me impulsionar para cima com mais força do que a sensação de egoísmo animalesco me puxa para baixo, em direção à “terra”.

O verdadeiro estado reside em sentir ambos os graus simultaneamente, enquanto cada um isoladamente é uma mentira. Mesmo que eu esteja inteiramente imerso na espiritualidade, isso por si só já é uma mentira.

O verdadeiro estado sempre se encontra entre dois extremos que trazem simultaneamente uma sensação de perfeição e de carência, de gratidão e de oração.

Devo me alegrar por experimentar ambas as sensações simultaneamente e permanecer constantemente em um estado de transição, sentindo os obstáculos, mas mantendo-me acima deles pela força de vontade, como um alpinista escalando uma montanha que sente que, se relaxasse a tensão por um instante sequer, cairia imediatamente.

Este é o único estado verdadeiro; precisamos nos treinar para permanecer nele o tempo todo e para encontrar alegria nele.

É assim que podemos nos testar. Somos capazes, apesar de todo o nosso descontentamento, luta eterna e constante oscilação entre inspiração e completo desespero, de permanecermos alegres mesmo assim?

Da Lição Diária de Cabalá 02/08/10, Rabash, “O Significado da Verdade e da Fé”

O Que Significa Corrigir O Mundo?

424.01Pergunta: Você diz que se eu me corrigir, o mundo inteiro me parecerá corrigido. Então, por que tantos Cabalistas são necessários para corrigir o mundo se o mundo está dentro de mim?

Resposta: Corrigir o mundo significa corrigir a si mesmo. Você não existe em um vasto mundo externo e as pessoas que você vê não existem por acaso; elas são partes da sua alma.

Portanto, além de você e do Criador, não há mais ninguém. Tudo o que você vê — os níveis inanimado, vegetativo, animado e humano — é você; todos são partes da sua alma! Unindo-os dentro de si, você alcançará a completa unidade com o Criador. Esta será a sua completa correção.

Da Lição de Cabalá em Russo, 19/08/18

A Fé Acima Da Razão É Um Canal Para Perceber A Realidade

137Pergunta: Qual a conexão entre a doação e a fé acima da razão que devemos adquirir?

Resposta: Qual a conexão entre a doação que devo adquirir (sem saber porquê, além de me dizerem que é necessária) e a fé acima da razão (da qual também preciso para algum propósito desconhecido)? Não tenho desejo, nem impulso interior por doação ou fé acima da razão. Não faço ideia do que sejam essas coisas.

Sempre que vivencio uma rejeição, entro em um estado em que preciso revelar o motivo pelo qual isso está acontecendo comigo, por que me sinto mal e, a partir daí, surge a pergunta: “Quem está fazendo isso comigo?”. Todas essas perguntas são essencialmente sobre a mesma coisa: minha fonte, o Criador.

Ao me deparar com essa questão, começo a sentir que não consigo descobrir o Criador diretamente nos eventos que ocorrem ao meu redor. Ao mesmo tempo, não consigo permanecer em paz, porque todos esses estados me obrigam a revelá-Lo.

Descobri que posso reconhecê-Lo não através dos meus cinco sentidos, mas através da fé acima da razão. O que isso significa? Demonstra o quanto estou disposto em proceder não segundo os meus sentimentos, mas acima deles. Ou seja, não quero alcançar, através do meu intelecto, quem é o Criador ou como Ele age. Não quero ver exatamente o que Ele faz. Porque, dessa forma, jamais receberei qualquer revelação além de uma compreensão animalesca de que existe alguém por trás de tudo; não alcançarei a verdadeira consciência.

Devo alcançar um estado em que receba alguma sensação Dele, mas não através dos meus sentidos comuns. Alcanço algo semelhante ao conhecimento, porém não por meio de Sua revelação direta. Isso se chama revelar o Criador no sexto sentido, na força da fé acima da razão, o que significa adquirir a força de Bina, a intenção de doar. Antes disso, a pessoa não sabe o que é.

Mas se eu adquirir a qualidade de Bina, ganho a capacidade de estabelecer uma conexão com o Criador através deste fenômeno extraordinário chamado fé acima da razão. É uma espécie de “algo, eu não sei o quê”. Não tenho compreensão nem sensação nos vasos, visto que sensação e compreensão são o que recebemos em nossos Kelim (vasos).

Possuo algo completamente diferente que existe acima deles, um vaso de percepção totalmente distinto chamado luz refletida (Ohr Hozer), um Kli espiritual, um sexto sentido. O que é, porém, não sabemos.

Um canal diferente se abre dentro de nós em relação ao Criador, e funciona de tal maneira que, por meio dele, nós O revelamos. Através de nossos sentimentos comuns e nossos canais comuns de percepção, jamais poderemos fazê-lo.

Para dar um nome a este canal, chamamos-lhe fé acima da razão. Este termo é meramente uma indicação de que opera além dos nossos sentidos, além da compreensão, além de tudo aquilo a que estamos habituados — acima de tudo isso, de uma maneira diferente.

Da Lição Diária de Cabalá 10/06/26, Rabash, “O que é acima da razão na Obra?”

Como Percebemos A Realidade

766.4Pergunta: O ditado “Um juiz só tem o que os seus olhos podem ver” significa que não podemos atribuir coisas boas ao Criador se não as vemos?

Resposta: Diz-se: “Um juiz só tem o que seus olhos podem ver”. Isso significa que uma pessoa deve julgar a realidade circundante conforme a percebe, de acordo com a forma como é recebida em seus Kelim (vasos de percepção).

Se uma pessoa tem um nível de desenvolvimento de apenas 20%, ela enxerga a realidade ao seu redor de acordo com esse grau e não consegue percebê-la de outra forma. Se deseja enxergá-la de maneira diferente, precisa elevar seu próprio nível de desenvolvimento para 30%.

Mas em cada etapa, “quem condena, condena por sua própria falha”. Eu sempre vejo através dos meus próprios olhos, através do meu próprio Kli (vaso de percepção). Portanto, é impossível exigir que uma pessoa entenda as coisas de maneira diferente. Corrija-a e, como resultado dessa correção, ela se comportará e entenderá de maneira diferente.

Mas uma pessoa não pode simplesmente mudar sozinha. Tal mudança só pode ocorrer como resultado de muitos golpes, estudo e influências externas. Não há outro caminho. Portanto, “um juiz só tem o que seus olhos podem ver” significa que uma pessoa percebe a realidade apenas através daquilo que seu Kli é capaz de perceber.

Pergunta: Mas e se uma pessoa tentar pensar corretamente, numa direção positiva, mesmo que seus olhos não vejam as coisas dessa maneira?

Resposta: Se seus olhos não veem algo, isso não é real para ela, e tal estado é muito instável. Não lhe pertence verdadeiramente, e ela não será capaz de se apoderar dele e mantê-lo. Somente através de uma correção interior que a pessoa realiza dentro de si mesma pode ter certeza de que preservará tal percepção, porque então ela se torna sua natureza.

Da Lição Diária de Cabalá 07/06/26, Rabash, “Quais são os momentos de oração e gratidão no trabalho?”

Cabalá Em Cinco Minutos

630.2Comentário: Você diz que a história não tem nada a ver com a espiritualidade.

Minha Resposta: Eu nunca tive um interesse particular por história e detestava a matéria na escola. O único aspecto que acabou me interessando foi quando comecei a entender a história sob a perspectiva do desenvolvimento do egoísmo humano, a força que determina tudo. Mas não é isso que se ensina na escola.

Por exemplo, o egoísmo humano levou as pessoas a inventarem o arado, o que permitiu que uma pessoa, por meio de seu próprio trabalho, alimentasse não apenas a si mesma, mas também outras dez a vinte pessoas. Como resultado, as fazendas se expandiram, as aldeias cresceram e as cidades surgiram. Depois vieram as invenções da forja, do forno e muitas outras coisas.

Cada vez que o egoísmo humano inventa algo, acaba por ter um impacto profundo na psicologia, na sociologia, na política, na reestruturação da sociedade e em outros aspectos da vida.

O que me interessa é a interconexão do nosso crescimento egoísta em todas as suas manifestações na cultura, ciência, tecnologia, psicologia humana, vida familiar, assentamentos urbanos e assim por diante. Quando tudo isso é visto como um sistema unificado — por que as coisas acontecem de uma forma ou de outra, decorrente de uma causa ou outra — então se torna verdadeiramente fascinante.

Começa-se a enxergar um quadro fechado dentro do qual existe apenas um parâmetro mutável: o egoísmo. Isso dá origem a uma enorme variedade de expressões. De repente, surge a imprensa. Novos instrumentos musicais substituem os antigos. Canções medievais dão lugar a novas formas de música.

As pessoas começaram a viver de forma diferente. Para ouvir música, era preciso ir ao teatro. Não existiam gravadores naquela época, e as pessoas sabiam que precisavam chegar ao teatro em um horário específico para ouvir sua ária favorita. Então, de repente, tudo mudou. Essa abordagem da história era o que me interessava.

Por que as descobertas geográficas começaram a ocorrer repentinamente? Por que alguns países entraram em declínio enquanto outros prosperaram?

Quando você observa essa dinâmica se desenrolando em níveis completamente diferentes e percebe que existe apenas um parâmetro que a impulsiona — o egoísmo — isso lhe ensina tudo.

Antes de mais nada, ensina que a causa reside apenas no ego. Portanto, devo dominá-lo, trabalhar somente com ele e não dar atenção a mais nada. Nada além do egoísmo pode mudar. Ele muda tudo.

Mas quem pode mudar isso? Quem criou isso, afinal? De onde veio?

Existe um parâmetro chamado luz que criou o egoísmo. Ela sustenta, aumenta, diminui e desenvolve o egoísmo. Portanto, de alguma forma, preciso influenciar a luz. Quando ela brilha com mais intensidade, o egoísmo cresce; quando brilha com menos intensidade, o egoísmo diminui e desaparece.

Como posso alcançar a luz? Não posso alcançá-la diretamente; ela é uma substância completamente separada de mim.

No entanto, é possível influenciá-la. Existe uma espécie de diafragma que se abre e se fecha, regulando a quantidade de luz que incide sobre o meu egoísmo. E o que é esse diafragma? É uma conexão com outros como eu, doação e amor.

Não importa se você realmente os ama ou se dedica genuinamente a eles. Se você deseja atrair a influência da luz para si, tente de alguma forma — mesmo que artificialmente, mesmo que apenas um pouco — aproximar-se dessa conexão com os outros. É por isso que nos reunimos em um grupo onde todos fazemos a mesma pergunta: Como podemos atrair a influência da luz para nós?

É muito simples. Vamos começar a nos unir, conversar uns com os outros, inspirar uns aos outros, encorajar e impulsionar uns aos outros nessa direção, e a luz começará a brilhar sobre nós com mais intensidade. O egoísmo dentro de nós começará a se agitar. Isso provocará mudanças cada vez maiores, e começaremos a correr, a avançar. É só isso.

Se pudéssemos explicar tudo dessa forma simples e bonita para outras pessoas, para nossos filhos e para nós mesmos, então… Veja bem, leva cinco minutos para contar a história toda.

Depois disso, não há mais problema. Basta continuar atraindo a luz superior por meio de uma união cada vez maior entre amigos que compartilham o mesmo objetivo de atrair a influência da luz sobre si mesmos.

Para quê? Queremos evoluir. Queremos ascender. Queremos acelerar o nosso processo. Não queremos permanecer neste processo lento e angustiante que apenas desgasta os nossos nervos. Mais um dia se passa, e mais outro, enquanto permanecemos numa terrível depressão, numa espécie de sono sem fim.

É só isso. Reúnam-se, façam um esforço, inspirem-se na luz superior e sigam em frente.

Pergunta: E onde tudo isso vai parar?

Resposta: Atraia luz suficiente de cima, não apenas para desenvolver ainda mais o seu egoísmo, mas para transformá-lo e torná-lo semelhante à própria luz. Então você cruzará a barreira do potencial e ascenderá ao próximo nível, assim como um elétron, sob a influência de um fóton, salta para uma órbita mais alta.

DeKabTV,Eu Recebi uma Chamada. Cabalá em 5 Minutos”, 10/11/10

Então O Mundo Deixará De Pressioná-lo

963.5Nós esperamos que mudanças positivas aconteçam externamente. Mas elas não vão acontecer! Precisamos chegar à conclusão de que mudanças para melhor só podem ocorrer se mudarmos a desde dentro. Só então começaremos a retratar o mundo da maneira como queremos vê-lo! É isso que precisamos fazer.

Pergunta: Nossa natureza retrata o mundo atual? Nosso egoísmo retrata o mundo?

Resposta: Sim

Comentário: Você deve estar desfrutando a si mesmo, mas eu não. Este é o meu estado agora.

Minha Resposta: O egoísmo completou seu desenvolvimento. Ele lhe mostra o mundo inteiro em que você existe. Isso é tudo o que ele pode lhe dar. No fim, ele o oprimirá e o esmagará a ponto de você não conseguir mais existir neste mundo. Você se sentirá muito mal, enjoado, com medo, desconfortável, em outras palavras, de todas as formas possíveis.

Isso serve apenas para que você entenda que não há mais mudanças a serem feitas externamente. Passamos por todos os estágios do nosso desenvolvimento egoísta; chegamos a um ponto em que o próximo passo é simplesmente nos massacrarmos uns aos outros. É isso, não há mais nada.

Pergunta: O que devo dizer ao meu egoísmo agora que entendi que ele descreveu o quadro completo para mim?

Resposta: Você deveria dizer que o egoísmo está certo, que cumpriu seu papel; levou você ao estado de completa decepção, onde precisa entender que não deve viver dentro desse paradigma. Não deve!

O que você deve fazer? Você precisa se corrigir e então o mundo também se corrigirá. Esse é um método totalmente diferente.

Comentário: Não devo corrigir o mundo, mas sim corrigir a mim mesmo…

Minha Resposta: Você deve corrigir o mundo corrigindo a si mesmo.

Comentário: Sim, isso não é fácil!

Minha Resposta: Não é fácil, mas este é um bom momento na história, em que realmente precisamos mudar a fonte do nosso desenvolvimento, o sistema, o método do nosso desenvolvimento. Nosso desenvolvimento dependerá não de romper com a natureza que nos cerca, mas de como mudaremos a nós mesmos. Como resultado, o mundo mudará.

Pergunta: Você continua dizendo: “Mude a si mesmo”. O que exatamente você quer dizer com “mudar a si mesmo”?

Resposta: É simples: preciso mudar minha atitude negativa em relação a tudo que me cerca, passando de uma atitude exploradora e egoísta para uma atitude bondosa e altruísta.

Comentário: Uma atitude calorosa e gentil.

Minha Resposta: Sim. Então começarei a ver o mundo de forma diferente. Começarei a enxergar através dele um sistema de governo diferente.

Pergunta: E de que eu tirarei prazer? Afinal, é o ser humano que sente prazer.

Resposta: Vou me conectar com este mundo, alcançar sua eternidade, infinito, perfeição, algo que não vejo agora porque olho com meus olhos limitados e egoístas.

Isto é o que nos espera.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 15/05/26

“Se Alguém Vier Matar Você, Mate-o Primeiro”

294.2Pergunta: O que devo fazer se um terrorista quiser me matar?

Resposta: A Torá diz que se alguém vier matar você, mate-o primeiro. A Torá fala muito sobre como as pessoas saíram do Egito e quantos inimigos mataram. Quantos o Rei Davi, que estava constantemente em guerra, matou? A guerra naquela época não era como é hoje.

Naqueles tempos, dezenas de milhares de pessoas morriam em combates corpo a corpo. Não era como na guerra moderna, onde algumas bombas eram lançadas apenas para abrir caminho para negociações de paz. Naquela época, quantos homens realmente retornavam do campo de batalha? Naqueles tempos, quando havia uma batalha, era uma batalha de verdade!

Contudo, mesmo naquela época, havia indivíduos que haviam alcançado altos graus espirituais e uma percepção profunda e precisa da realidade. Isso era especialmente verdadeiro na época do Primeiro Templo e, em certa medida, durante a era do Segundo Templo.

Eles não lutaram, não mataram? O que fizeram os Macabeus? Eles eram Cabalistas do mais alto nível; certamente perceberam a dimensão espiritual, o lado oposto do nosso mundo.

A fonte da confusão reside no fato de não vermos o mundo espiritual e estarmos apenas tentando imaginar como ele se parece visto do outro lado.

Da Lição Diária de Cabalá 15/04/26, Rabash, “O que significa que as gerações dos justos são boas ações, na obra”

Quando Chegar A Hora De Partir Deste Mundo

504Não há permissão para informar a uma pessoa quanto tempo lhe resta de vida neste mundo; ninguém deve ser informado disso. Mas o Rabino Shimon estava em grande alegria no dia de sua morte, e houve grande alegria em todos os mundos por causa dos muitos segredos que ele havia revelado (Rashbi, Zohar para Todos, Vol. 3, VaYechi, item 157, “Quando Chegar a Sua Hora de Partir do Mundo”).

A partida de uma pessoa justa é como a purificação de um Partzuf. Quando uma pessoa deixa seu grau e passa de mundo para mundo, e especialmente ao deixar o grau mais baixo, este mundo, é uma grande alegria.

Embora não nos pareça assim e pensemos que vivemos num mundo maravilhoso, simplesmente ainda não vimos nada além disso. Mas é preciso revelar o mundo espiritual, como se diz: “Verás o teu mundo durante a tua vida”, e então compreenderemos onde realmente estamos.

Se uma pessoa completa sua missão, ela não precisa mais retornar a este mundo, como foi o caso do Rabino Shimon bar Yochai, que alcançou a correção final. Isso significa que, a partir de então, ela existe apenas na dimensão superior e não mais reencarna nesta forma corpórea inferior.

Mas a pessoa que não atingiu seu estado final de correção nesta encarnação deve nascer de novo e viver neste mundo.

É evidente que o Rabino Shimon bar Yochai se alegra não porque terminou seu trabalho e pode descansar, mas porque trouxe a Torá, isto é, a luz que reforma, para o mundo inteiro. E isso, naturalmente, o enche de alegria.

De uma Palestra para o Feriado de Lag Ba’Omer, 05/01/10

Só Espelhos Me Cercam

921Se eu não sentir outro, verdadeiramente outro, fora de mim, e não me perceber dentro dele, não percebo o mundo de forma alguma.

Pergunta: Então isso significa que eu devo sempre me enxergar através dos olhos de outra pessoa?

Resposta: Através de outra pessoa, sim.

Pergunta: E o fato de nos considerarmos tão feios agora, por que isso acontece?

Resposta: Porque nos fechamos, nos isolamos, nos limitamos e não temos desejo de ver ninguém além de nós mesmos. Em outras palavras, vejo espelhos por toda parte, espelhos, nada além de espelhos. Neles refletido está apenas o meu rosto, distorcido, retorcido, cheio de contorções e caretas. Não vejo nada além disso. “Isso” é o meu mundo.

Pergunta: Então, se eu não deixar ninguém entrar e não me aventurar a lugar nenhum, isso significa que eu pareço horrível? Significa que isso, este estado egoísta, é o meu mundo? Que sou apenas eu, completamente sozinho?

Resposta: Vejo apenas a mim mesmo.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 07/04/26

Veja O Mundo Pelos Olhos Do Criador

261Pergunta: Por que é necessário mudar nossas qualidades para sentir o Criador?

Resposta: Por exemplo, um cachorro percebe o mundo através dos odores. Os cães têm visão fraca, e a visão é menos importante para eles. Seus sentidos de olfato e audição são extraordinariamente desenvolvidos e servem como substituto para tudo o mais. Um cachorro pode ouvir o que seu dono fez a cem metros de distância e corre até ele.

Além disso, os cães possuem um olfato excepcionalmente desenvolvido. Observamos como os cães, correndo pelas ruas, estão constantemente farejando algo. Para eles, os cheiros funcionam como um mapa do mundo. Portanto, se eu quiser me aproximar de um cão, preciso desenvolver o mesmo olfato e audição que ele possui. Assim, nos entenderemos e seremos capazes de nos comunicar na mesma linguagem.

E se eu quisesse ver o mundo como uma cobra o vê? As cobras se orientam apenas por sensações térmicas. Para elas, nada mais existe: apenas calor ou frio. Mas essa sensação é tão desenvolvida na cobra que basta para ela sentir o mundo inteiro como nós o vemos com nossos olhos.

Parece-nos que, se vemos com os olhos, nada mais é necessário. Mas, na realidade, existem muitos outros fenômenos ao nosso redor que não percebemos. Portanto, nada sabemos sobre eles e nos contentamos com o necessário para a existência do nosso corpo físico.

A cobra também se satisfaz apenas com suas sensações térmicas. Mas se eu quiser me aproximar de uma cobra, preciso desenvolver um sentido adicional: o calor e o frio. Só assim conseguirei me orientar usando esse sentido, mesmo de olhos fechados.

Em outras palavras, todos nós percebemos de acordo com nossos órgãos de sensação. O Criador possui qualidades tais que Ele simplesmente nos atravessa; não O percebemos, é muito semelhante às ondas de rádio que preenchem o ar. Precisamos desenvolver um órgão de sensação especial que tenha qualidades semelhantes às do Criador.

Se quisermos compreender uma cobra ou um cão, precisamos desenvolver a sensibilidade ao calor e ao frio como uma cobra, ou o olfato como um cão. Da mesma forma, devemos desenvolver um órgão de percepção semelhante ao do Criador para podermos senti-Lo.

De KabTV “Nova Vida 516 – A Sabedoria da Cabalá: Deus e Eu, Parte 2”, 05/02/15