Textos na Categoria 'Palestras Sobre Os Degraus Da Escada'

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 192

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 191

Por que nem sempre é possível compreender uma ação ou um pensamento?

Nunca sabemos por que agimos de uma forma ou de outra, por que somos levados de um pensamento para outro, de um estado para outro, porque tudo isso depende da estrutura interna da alma. Devemos examinar este desejo agora, e depois outro, seguindo a estrutura da alma de cada um. Não sabemos com quais almas e em quais assuntos estamos conectados dentro da estrutura de Adam HaRishon. Não nos conhecemos, muito menos conhecemos as almas com as quais estamos conectados ou o tipo de conexão. Não há como sabermos isso com base nos corpos físicos das pessoas conectadas a nós.

Portanto, nos são apresentadas diversas situações e estados que nos parecem coincidências, pois se pudéssemos ver a estrutura de todo o Adam HaRishon, a partir dela saberíamos o que devemos fazer agora, o que faremos no próximo instante e o que nos será dado no futuro.

Por essa razão, os Cabalistas nos dão um conselho simples sobre este assunto: em qualquer situação em que nos encontrarmos, não calculemos com as outras almas como agir. Estamos em um corpo, e nem mesmo o corpo precisa pensar em como todas as suas células operam a cada instante, como cada célula é planejada e funciona para saber como deve agir. No fim, o corpo de fato opera como foi projetado, como um sistema fechado com todas as suas partes, até mesmo a menor delas, mas ainda não estamos no grau em que podemos reconhecer isso. Em nosso estado atual, somos completamente incapazes de compreendê-lo. Somente mais tarde, ao final da correção, quando estivermos integrados a este sistema sem quaisquer perturbações, é que toda a estrutura com todas as suas funções se revelará.

Portanto, o conselho geral mais correto e simples que nos foi dado é que nós, nossa ação e nosso objetivo devem ser um só. Descemos da raiz onde estávamos unidos ao Criador. Quem é o Criador? O Criador é todas as outras almas nas quais estamos incorporados, e todas juntas recebem a luz superior em seu interior. Essa sensação dentro de nós é chamada de “o Criador”. Não sabemos o que está fora de nós. Fora de nós está a Sua essência. O que recebemos em conexão com todas as outras almas no estado corrigido, ao final da correção em nossa raiz, é chamado de “o Criador”. “Por meio de Suas ações, nós O conhecemos”. Nós O conhecemos através de nossa sensação. Precisamos ansiar por isso a partir da ação que realizamos agora. Se nos esforçarmos constantemente dessa maneira, insistindo apenas nesse ponto, no final, o alcançaremos de forma precisa.

É impossível transmitir a alguém todo este grandioso programa de forma que, antes mesmo de realizar a menor ação, essa pessoa o compreenda plenamente e com sabedoria, dominando-o completamente, do princípio ao fim. Como poderíamos conhecer todo o sistema antecipadamente, antes de estarmos unidos a todas as almas, com todas as partes do sistema, como uma única estrutura? Portanto, nos é dada uma solução. Se desejamos ser incluídos neste sistema como partes boas e ativas, devemos intencionar que nós, nossas ações e nosso estado de união com o Criador sejamos um só. Devemos, desde já, desejar estar no fim da correção, como a imaginamos, desejar realizar e criar o estado do fim da correção.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 190

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 190

Se o amor entre amigos é um meio para alcançar o Criador, como podemos verificar se o objetivo não foi substituído pelo meio?

Caso nos esqueçamos de que adquirimos o amor pelos amigos para nos aproximarmos do Criador, mas nosso pensamento geral ainda esteja voltado para o objetivo, esse objetivo pode ser relembrado por meios simples, como gritar a palavra “objetivo” ou por meio de um lembrete de outra pessoa. Mesmo em nosso nível, isso funciona.

Esquecer o objetivo é resultado da ocultação. Claro, precisamos contar com os outros para nos lembrarmos, e quem se lembra deve lembrar a todos. No entanto, em princípio, é impossível lembrar da espiritualidade se ela não for iluminadora para você. Nesse caso, mesmo que você escreva lembretes em todas as paredes, não verá o que escreveu. Se nosso desejo de receber não estiver direcionado para ela, não a veremos. É assim que somos feitos. Como é que não vemos a espiritualidade? Nosso desejo de receber não pode senti-la quando não está direcionado para ela. O mesmo se aplica a todos os sentimentos e a todas as outras coisas da vida.

Portanto, mesmo nesse estado, quando não nos lembramos do propósito da criação, várias ações que realizamos se combinarão posteriormente com pensamentos e intenções que executarmos em outro momento. É por isso que existimos neste mundo, que é um grau no qual a realidade do tempo existe. Na espiritualidade, no momento em que fazemos algo, se estivermos em adesão e agirmos de acordo com isso, é considerado uma ação. Se não estivermos em adesão naquele momento, não é chamado de “espiritualidade” e não é considerado uma ação. Contudo, neste mundo, todo esforço pode posteriormente se conectar com todo pensamento e operar em conjunto. Essa é a maravilha especial que existe neste grau inferior chamado “este mundo”.

Baal HaSulam escreve sobre isso em “Um Discurso para a Conclusão do Zohar ”: um aluno que está com seu mestre não está constantemente em sintonia com ele, mas se lhe serve uma xícara de chá e só depois pensa que, ao servir o chá, desejava se conectar com a espiritualidade, o pensamento e a ação funcionarão juntos como se ele tivesse, de fato, servido a xícara de chá ao mestre com o propósito de se conectar. Ou seja, o tempo trabalha a nosso favor. O tempo conecta todos os esforços, tudo aquilo a que não conseguimos conectar. Através disso, ascendemos os graus.

Quando estamos constantemente na companhia de uma grande pessoa, muito próximos a ela, é muito difícil manter uma atitude correta. Naturalmente, de repente sentiremos desprezo, falta de desejo, não teremos vontade e nos cansaremos de aprender com ela. Isso é natural porque vemos apenas o corpo, ou seja, não vemos diferença entre nós e a grande pessoa, enquanto a essência interior permanece oculta. Portanto, Baal HaSulam diz que mesmo que façamos as coisas por sentirmos alguma necessidade, obrigação humana ou desconforto em não fazê-las, e depois atribuamos razões espirituais às nossas ações, como o desejo de alcançar a espiritualidade por meio delas, mesmo mais tarde, quando não estivermos mais próximos do mestre e se tornar mais fácil refletir sobre isso, o pensamento e a ação se unem. O mesmo se aplica aos amigos. O mais importante é agir, para que o pensamento futuro tenha algo em que se apoiar.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 189

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 189

O que é o discernimento do conhecimento e o que é o discernimento da fé?

Uma pessoa não pode trilhar o caminho do conhecimento, pois o caminho do conhecimento é a recepção da recompensa em vasos corrigidos. O que é conhecimento? O conhecimento nos é dado quando a luz entra no vaso e lhe confere uma sensação, e a examinamos com nosso intelecto, tomando consciência de todas as circunstâncias que nos levaram a essa sensação: as ações que realizamos, com quais desejos, em que medida eles estão corrigidos, em que graus de espessura e como construímos essa sensação em conjunto. A estrutura da sensação, nossa abordagem a ela, o quanto nos esforçamos e como agora a desfrutamos, tudo isso nos dá conhecimento. Na espiritualidade, podemos alcançar isso somente através da fé, isto é, através da correção de Hafetz Hesed (deleite na misericórdia). Fé e conhecimento são dois graus. A “fé” é chamada de luz de Hassadim, e a “fé completa”, quando o conhecimento a acompanha, é chamada de “luz de Hassadim com a iluminação de Hochma”.

Alcançamos a luz de Hassadim por meio de uma tela da raiz, e do primeiro e segundo graus de espessura. Mesmo no terceiro e quarto graus de espessura, a luz de Hassadim deve primeiro vir com uma intensidade apropriada à luz de Hochma. A fé é a primeira correção. Tudo é alcançado pela fé. O que significa fé? Significa ter uma restrição e vasos de doação, o grau de Bina. Bina é chamada de “fé”. GAR de Bina são chamados de “fé completa”. Ao ascender de baixo para cima, quando Malchut atinge o grau de Bina, primeiro alcança Bina, que é chamada de Hafetz Hesed, e depois, quando corrige seus vasos de recepção dentro de Bina, considera-se que alcançou GAR de Bina , e ali recebe a iluminação de Hochma.

Isso contrasta com o que a maioria das pessoas no mundo pensa: que fé significa fechar os olhos, tornar-se fanático e fazer o que nos mandam sem usar a cabeça. Nos meios espirituais, de fato, “não usar a cabeça” significa não trabalhar com a luz de Hochma, mas devemos “usar a cabeça” para trabalhar com a luz de Hassadim, o que exige muita sutileza e esforço. Não significa apagar os desejos. Significa conhecê-los e, acima deles, construir uma atitude de transcendê-los. Isso se chama “fé acima da razão”.

Não existe fé simples. Como somos vasos, mesmo nos graus raiz, primeiro, segundo e terceiro de espessura, mesmo no grau raiz, tudo o que fazemos essencialmente se baseia o desejo de receber. Não temos desejo de doar. A desejo de doar é o Criador. Temos uma desejo de receber que pode ser corrigido em prol da doação. Portanto, mesmo que trabalhemos no grau raiz de espessura, ainda assim é trabalho baseado num desejo de receber do grau raiz, que é diferente da doação pura do Criador. Se trabalharmos apenas a fim de doar, estaremos agindo acima desse desejo de receber.

Até mesmo no desejo de receber existe conhecimento. O conhecimento é a sua espessura, até mesmo o grau fundamental da espessura, e se trabalharmos acima disso, nos neutralizamos, e isso é chamado de ser “um embrião”. O grau raiz da espessura corrigido é chamado de “um embrião”. Nós nos anulamos completamente e estamos inteiramente em autoanulação, mas sabemos o que estamos renunciando e o que anulamos. Nessa anulação, estamos como que sob o controle total do Criador, e isso é chamado de “um embrião no ventre materno”; é a entrega completa de nossa alma ao Ser Superior. Isso está acima da razão. Na medida em que existe razão, devemos estar acima dela. Em cada grau, existe um estado chamado “embrião”. Ou seja, existem 125 graus, e em cada grau mais avançado há uma espessura da qual renunciamos e entregamos nossa alma. Ser um embrião no 100º grau, por exemplo, é uma conquista maior do que ser grandioso no 99º grau.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 188

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 188

Não seria mais lógico alcançar o amor pelas pessoas a partir do amor pelo Criador?

Segundo a sabedoria da Cabalá, o amor ao Criador é o grau final do desenvolvimento do desejo; é a correção do desejo. O desejo existe em ocultação dupla, ocultação simples, recompensa e punição, e amor. O amor se divide em várias partes, e o amor eterno é o maior e o último.

Ou seja, precisamos alcançar o fim da correção e somente a partir daí compreender que devemos nos relacionar bem com o amigo com quem estamos estudando. Caso contrário, por que o Criador criou este mundo inteiro, os amigos e nos reuniu? O propósito da existência deste mundo, que sobrecarrega a alma e a oprime, é tentar alcançar o fim da correção, apesar das perturbações que o Criador nos impõe. Essa é, essencialmente, a essência da ascensão dos graus. Já estamos no fim da correção, mas não o sentimos porque nosso coração está envolto por 125 camadas. Essas camadas de ocultação precisam ser neutralizadas para que possamos sentir o fim da correção. Como essas camadas são neutralizadas? Por meio de diversos recursos que estão à nossa disposição.

Até mesmo os grandes justos que estão no fim da correção descem a este mundo quando precisam ajudar as almas aqui presentes, e recomeçam o mesmo caminho, alcançam o fim da correção em suas vidas, escrevem livros para nós, nos ajudam, cuidam de nós e nos ensinam, tudo a partir do grau deste mundo. Eles ainda estão conectados ao fim da correção dentro de si mesmos, mas estão aqui conosco. Em outras palavras, todas as coberturas que nos foram dadas para que não sentíssemos o fim da correção têm o propósito de nos levar a superá-las, para que possamos nos relacionar com elas e utilizá-las. Quanto maior a perturbação, maior será a iluminação que ela se tornará posteriormente.

As leis da natureza neste mundo comprovam isso: a ação da resistência na eletricidade, a conexão entre as células do corpo e a conexão entre todas as coisas. A força da resistência é uma força positiva se usada com um propósito. Somente através dela é possível sentir algo e obter benefícios. Quando a eletricidade passa por um fio sem resistência, não a sentimos. Se houver resistência, podemos obter benefícios: aquecimento, resfriamento e o funcionamento de diversos aparelhos.

O mesmo ocorre com o fardo causado pelo desejo de receber. Sem ele, não sentiríamos a luz. Com espessura zero, nada é sentido. Se houver espessura no mar de luz, de acordo com essa espessura, seremos capazes de sentir a luz passando por ele, desde que a deixemos passar. Portanto, a força da tela é chamada de “força de resistência”. Ela opera exatamente como um resistor que produz resistência elétrica.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 187

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 187

Como podemos alcançar o Criador através da nossa atitude para com um amigo?

Na sociedade daqueles que desejam se tornar Cabalistas, as pessoas se comportam segundo a regra de que do amor aos amigos chegamos ao amor ao Criador, como Rabash escreve em seus artigos sobre o que o amor aos amigos deve nos proporcionar. Portanto, devemos compreender que nossa atitude para com os amigos determina, em última instância, nossa atitude para com o Criador. Mesmo que sejamos incapazes de nos relacionarmos com eles de forma amável, mas tenhamos consciência disso e desejemos verificar se estamos melhorando, devemos examinar se algo em nossa atitude para com eles mudou. Se algo mudou substancialmente, ou mesmo ligeiramente, é um sinal de que demos um grande passo adiante em nossa espiritualidade.

Não podemos medir a espiritualidade, mas podemos avaliar, a partir da perspectiva do coração, como olhamos para os outros: se os invejamos menos, se talvez já sejamos capazes de nos importar um pouco com eles e se já existe em nós alguma preparação para isso. Este é o teste. Jamais poderemos imaginar um grau espiritual mais elevado. Quando algo nos é revelado de repente, quando compreendemos algo de repente, para nós é uma verdadeira revelação.

Então, como podemos ansiar por um estado superior? O que devemos fazer é lembrar do último bom estado que tivemos, quando ansiávamos pelo Criador, pensávamos Nele, desfrutávamos da Sua presença e estávamos conectados a Ele. Devemos tentar manter esse estado mesmo quando ele já tiver passado. De alguma forma, precisamos construir continuamente a posição do relacionamento entre nós e o Criador, porque um exemplo nos foi dado para esse propósito.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 186

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 186

Qual é a raiz do ódio?

A raiz do ódio é a quebra da tela; não há unidade, cada um sente apenas o seu próprio desejo de receber, e sentimos alienação em relação ao desejo de receber que é diferente do nosso. Há muitos graus. Amamos a nós mesmos e nos importamos apenas conosco porque nossa natureza nos obriga a isso. Como escreve Rabash em um artigo: um lobo que devora um cervo não prejudica o cervo; a natureza do lobo exige que ele se satisfaça, e o Criador o criou de modo que o cervo seja a sua realização. O lobo que come o cervo é uma correção tanto para o lobo quanto para o cervo. Para nós, parece terrível, mas não é. É a natureza.

Ele continua escrevendo que existem animais que prejudicam outros animais não por necessidade, mas por um hábito ancestral que era necessário para a sobrevivência no passado e que agora não o é mais. Portanto, mesmo que a necessidade de suas ações não seja compreendida, o hábito ancestral parece isentá-los de punição, pois não são culpados por terem se acostumado dessa maneira, já que a natureza os acostumou a agir assim. Aqui, estamos falando apenas do grau animal, o grau do inanimado, vegetativo e animado. Portanto, esses graus não possuem boas ações nem transgressões, e não são julgados como bons ou maus de acordo com seu comportamento. Eles possuem apenas a natureza.

Os seres humanos precisam lidar com seus relacionamentos. A questão do que precisamos para sobreviver e satisfazer nossas necessidades básicas não é colocada. Geralmente, o Estado garante que cada pessoa tenha um lugar seguro sob os pés. Quanto mais corrigida a sociedade, mais ela se preocupa com seus membros. Nossa autoanálise começa em um nível que transcende a mera sobrevivência.

Baal HaSulam escreve no artigo “A Última Geração” que, ao final da correção, na última geração, haverá uma religião universal para todas as nações. Qual será essa religião? Será a de não receber mais do que a pessoa menos favorecida recebe da sociedade. Ele chama isso de “religião”. O restante das nações, diz ele, pode manter suas religiões, costumes e tradições, e não interferirá. Isso indica a atitude de Baal HaSulam em relação a toda a hierarquia animal. Em outras palavras, eu calculo o que é necessário para mim de acordo com a última pessoa menos favorecida, aquela que realmente recebe menos do que todos os outros. Se eu receber mais do que essa pessoa, então recebo luxos. É isso que Baal HaSulam diz. Esse é o ideal, a religião da última geração.

No entanto, a necessidade tem muitos graus. Há um grau em que nos relacionamos apenas conosco e com as nossas necessidades, e há um grau em que já começamos a levar os outros em consideração.

O que significa “levar os outros em consideração”? Temos desejos instintivos, como os animais: comida, sexo, abrigo, família, que são todas necessidades básicas. “Necessário” é aquilo que fazemos apenas para satisfazer as necessidades do nosso corpo. Quando começamos a nos preocupar com o que os outros têm, significa que não consideramos mais apenas as nossas necessidades físicas, mas também a imagem que projetamos para os outros. De repente, precisamos de uma casa de cinco andares, o que significa que começamos a calcular nossas necessidades não de acordo com o nosso corpo, mas sim de acordo com a percepção alheia.

Rabash conta que, em Jerusalém, no início do século XX, sua família tinha apenas um quarto. Num canto do quarto, havia colchões, e à noite cada pessoa estendia um colchão e dormia nele. Os pais ricos de sua nora tinham dois quartos. Toda a família morava em um quarto e alugava o outro. Isso era normal e era assim que todos viviam. Hoje, a necessidade é que cada pessoa tenha seu próprio quarto, seu próprio cantinho particular.

Quando começamos a levar a sociedade em consideração e a medir o que devemos receber dela de acordo com o que vemos ao nosso redor, isso também afeta necessidades essenciais como alimentação e moradia. Escolhemos nossa comida e nossa casa de acordo com a variedade oferecida no supermercado e com base nas casas que outros constroem. Tudo isso deixa de ser uma necessidade corporal básica e se transforma em uma necessidade de ter o que nossos vizinhos têm. Isso não é mais uma necessidade, mas uma relação com o ambiente. Quando essas necessidades são comparadas com o que a sociedade consome, elas adquirem outro caráter e deixam de ser chamadas de necessidades, passando a ser luxos pertencentes aos desejos humanos: dinheiro, honra e conhecimento. São desejos influenciados pela sociedade, mesmo que aparentemente estejam ligados ao corpo. Na verdade, o corpo não precisa deles.

Nos desejos humanos, especialmente naqueles relacionados à sociedade, existe um pensamento sobre o que queremos contribuir para ela, em contraposição ao pensamento sobre o que queremos receber. Contudo, desejamos receber: queremos que os outros não tenham o que nós temos, ou que o tenham, e talvez juntos possamos fazer com que seja bom para todos? Nos desejos humanos, existe todo um espectro de nuances, desde uma atitude benevolente em relação aos outros até o ódio por eles.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 185

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 185

O que devemos fazer se já amamos alguns dos amigos do grupo?

Se já amamos alguns dos amigos do grupo e ainda assim não chegamos ao fim da correção, é sinal de que estamos nos enganando e mentindo para nós mesmos. Apenas nos parece que amamos esses amigos, quando na verdade estamos, de alguma forma, evitando esse sentimento e chamando-o de amor.

Então, precisamos investir mais esforço. A partir do que vimos acima, percebemos que ainda não estamos com os amigos no estado de fim da correção e que ainda não corrigimos completamente nossa atitude em relação a eles, o que chamamos de “fim da correção”.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 184

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 184

Caluniar um amigo em uma sociedade que pratica Cabalá é o mesmo que caluniar o Criador?

Uma sociedade envolvida no trabalho espiritual aspira a agir de acordo com as leis espirituais. O benefício fundamental da sociedade reside no fato de que, na raiz, na alma de Adam HaRishon, no lugar onde todos existem no mais alto grau espiritual, onde todas as almas estão conectadas, podemos extrair força e luz circundante. Devemos tentar agir a partir de um estado em que nos encontramos abaixo desse mais alto grau espiritual, como se já estivéssemos nesse estado, o superior, como se já o tivéssemos alcançado. Isso significa que ansiamos por ele, e isso se chama “esforço”. Esforço significa assemelhar-se a um estado superior.

Se cada membro do grupo se esforçar para construir seus relacionamentos com os amigos como se já tivessem alcançado o ápice da correção, isso se chama “aplicar esforço”. Na medida em que todos almejamos que o estado corrigido do fim da correção habite entre nós, como nos parece neste momento, então, a partir desse estado perfeito, atrairemos uma luz circundante que cuidará de nós e nos corrigirá, e que, de fato, nos conduzirá ao estado de fim da correção. Portanto, devemos nos comportar em nosso ambiente de acordo com o princípio de “Ame o seu próximo como a si mesmo” o máximo possível.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 183

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 183

Capítulo 18. A Raiz do Ódio

Neste mundo, é costume que se abster da calúnia signifique que uma pessoa não deve falar mal de seu amigo, que as pessoas devem ser boas umas com as outras e que cada pessoa deve examinar a si mesma antes de dizer algo crítico sobre outra. Hoje em dia, existem tantos livros volumosos sobre o assunto que, antes de fazer algo ou abordar alguém, as pessoas consultam primeiro os livros de leis sobre calúnia para ver como é aconselhável agir e como podem se proteger com base no que está escrito. Ou seja, as pessoas não examinam seus corações, mas sim olham para “o que está escrito nos livros” e agem de acordo com o que está escrito. O que está escrito é permitido, e o que não está escrito não é permitido.

Em outras palavras, dá-se importância ao que uma pessoa profere com a boca, enquanto não se discute o que se passa no coração. Isso pertence ao ensinamento oculto. Para o público em geral, para o nível de quietude, este é de fato o caminho aceito e apropriado para o seu grau. Contudo, a “calúnia” certamente não é o que expressamos com a boca, nem mesmo o que sentimos em nosso coração em relação ao ambiente, mas apenas o que sentimos em relação ao Criador. O que sentimos em relação ao Criador é calúnia ou palavras gentis. A única intenção é em relação ao Criador.

Visto que o propósito fundamental é alcançar a comunhão com o Criador e a única maneira de fazê-lo é aprimorar minhas qualidades para que estejam em equivalência de forma com as Dele, tudo o que faço é sempre me comparar a Ele: onde estou, onde o Criador está, o quanto compreendo quem Ele é, o que Ele é, como posso fazer essa correção, reduzir a distância entre nós, o quanto valorizo ​​a situação como benéfica para o progresso que Ele constrói ao meu redor e dentro de mim, e o quanto compreendo Seu estado.

A forma como uma pessoa sente toda essa situação, mesmo antes de examiná-la e criticá-la, é essencialmente a sua atitude em relação ao mundo que o Criador moldou para ela, e se ela não estiver satisfeita com isso, sua atitude em relação à própria vida é chamada de “calúnia”.

Na sabedoria da Cabalá, aprendemos que nossa alma inclui duas partes:
GE (Galgalta ve Eynaim) – vasos de doação, chamados “Israel”.
AHP (Auzen, Hotem, Peh) – vasos de recepção, chamados “as nações do mundo”.

A correção geral é que, até o fim da correção, é impossível usar os vasos de recepção, mas apenas os AHP que ascendem por meio de sua incorporação nos vasos de doação. Os próprios vasos de recepção são chamados de “gentios”, e sua incorporação nos vasos de doação é chamada de “convertidos”.

Daí decorre a correção que pode ser feita a esses dois tipos de vasos:

A correção para Israel, para Galgalta ve Eynaim, é “Ame o seu próximo como a si mesmo” (segundo Rabi Akiva), porque eles podem alcançar a união com o Criador. “Seu próximo” é o Criador.

A correção para as nações, para AHP, é uma restrição chamada “O que você odeia, não faça ao seu amigo” (segundo Hillel), que significa restringir o mal. Isso porque os vasos de recepção, em si mesmos, não podem ser corrigidos até o fim da correção.

Essa é precisamente a diferença entre o Rabino Akiva e Hillel, e essa é a diferença na relação entre essas duas correções. Em Galgalta ve Eynaim, vasos de doação, é permitido usá-los, e em AHP, vasos de recepção, é proibido usá-los.

Disso podemos entender a “linguagem sagrada” como uma linguagem falada através de vasos de doação, o hebraico, Panim (anterior), e a “linguagem de tradução” como aquela que ainda não é a linguagem sagrada, mas uma linguagem através da qual nos preparamos nos AHP para, posteriormente, alcançar a correção, de modo que ela se torne como Galgalta ve Eynaim, os Achoraim (posterior) da linguagem sagrada. Portanto, Galgalta ve Eynaim falam na linguagem sagrada, e os AHP fala na linguagem de tradução. É também por isso que o Livro do Zohar foi escrito na linguagem da tradução, nos Achoraim, pois é um livro que ainda trata de correções.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 182

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 182

Por que a calúnia é chamada de “uma ajuda contra ele”?

Na realidade, não existe algo que seja simplesmente “contra”. Portanto, na Torá, a palavra para “contra” (Neged) é sempre escrita com o prefixo “como” ou “igual a” antes dela (Keneged), no sentido de “um contra o outro” (Zeh Keneged Zeh). O que o prefixo “como” ou “igual a” implica? Significa algo semelhante ou como se fosse oposto a outra coisa. Uma coisa, na verdade, apoia a outra, e para esclarecer uma coisa, algo aparece em oposição a ela.

Às vezes, por falta de compreensão e ausência de uma visão abrangente do que está diante de nossos olhos, parece-nos que algo contradiz e destrói. De fato, isso pode parecer acontecer, mas até mesmo o pior acontecimento tem o propósito de servir de suporte, de alicerce, para a estrutura e o próximo nível.

Se recebemos Kedusha de acordo com nossa equivalência formal com ela, ou de acordo com nossa oposição formal a ela, depende unicamente de nós.

(De uma Palestra sobre o artigo, “Qual é a essência da calúnia e contra quem ela é dirigida?” – Parte 1, 12/06/02