Textos na Categoria 'Sofrimento'

Que Haja Menos Voltas De Penalização

Dr. Michael Laitman

Pergunta: É importante entender exatamente o que o Criador quer de mim ou é mais importante simplesmente continuar da melhor forma possível?

Resposta: O Criador quer apenas uma coisa de você: que você não O abandone.

Não há pensamento, desejo ou ação no mundo, que não leve à revelação do Criador, direta ou indiretamente. Não há nada além disso.

Nós O teríamos revelado diretamente, mas isso é praticamente impossível de se fazer. Já que não somos capazes de passar do ponto “A” ao ponto “B” pelo caminho mais curto e direto, uma série de razões indiretas surgem para nos dirigir e fazer avançar.

Estes eventos podem confundir uma pessoa de muitas maneiras, colocando obstáculos à sua frente e fazendo-a girar em torno deles durante longos anos antes que ela dê um passo a frente. Embora pareça que ela possa ter avançado diretamente sem ficar dando voltas.

Mas em tudo o que está acontecendo no mundo e em toda a história humana, não há nada além do movimento em direção ao Criador. Por que mais todos os eventos devem ocorrer, se tudo é definido pela oposição da Luz e do vaso e da revelação das Reshimot (genes informacionais)? Tudo é dirigido apenas a esclarecer e corrigi-las. Ou nós executamos diretamente nosso trabalho com elas, ou como conseqüência da separação, a natureza nos fará chegar ao mesmo resultado pelo caminho do sofrimento. No entanto, isso vai levar um longo tempo, já que as forças do egoísmo (Klipot) estão esticando-o como borracha, transformando cada ponto num longo período, desta forma privando-nos da força e confundindo-nos.

Como se diz: “O Criador criou o homem reto, mas as pessoas têm pensado em inúmeras retribuições”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/06/12, Shamati # 25

Nem Um Minuto De Sofrimento

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que devemos analisar a questão da vida e da morte e a solução para esta questão no curso básico de educação integral?

Resposta: Eu acho que é possível, porque estamos falando do desejo de uma pessoa.

Devemos classificar esses desejos desde o nível do inanimado, vegetal e animal até o nível “Humano”. Devemos explicar que cada desejo sobrepõe-se aos demais e, portanto, suprime-os: quanto maior for o desejo, mais real, intenso e dominante é sobre os desejos inferiores.

É muito difícil explicar o que o “humano em mim” significa desde o início. Ele está acima do meu nível animal, acima da minha vida corpórea. Se eu sinto que sou humano, quando eu não penso no corpo, mas sou preenchido por alguma ideia, eu realmente não sinto o meu corpo: é como se eu estivesse flutuando acima de mim mesmo.

Se eu desço ao nível animal, como uma pessoa comum neste mundo, eu sinto o corpo. Mas de qualquer forma, mesmo estando em meu corpo animal, eu não sinto dor quando corto meu cabelo ou unhas, porque isso está no nível vegetal.

Se eu desço ao nível vegetal, eu não sinto o nível inanimado, onde não há nervos e assim por diante.

Assim, podemos falar do desenvolvimento de baixo para cima e da descida de uma pessoa de cima para baixo, explicando como ela gradualmente deixa esta vida.

Podemos explicar e mostrar à pessoa que se ela está neste corpo social e integral que constantemente a suporta, ela não vai sentir nem um minuto de sofrimento, nem nesta vida, nem quando esta vida terminar.

A pessoa que está conectada com os outros constantemente torna-se mais saudável por estar conectada ao sistema que está cheio de conexão mútua com os outros. Portanto, mesmo que algo aconteça com ela, há uma compensação energética à custa dos outros. Assim, a sociedade funciona como um corpo saudável. Se um espinho entra no corpo de uma pessoa, por exemplo, todo o corpo começa a trabalhar contra ele, empurrando-o para fora, tratando a área infectada, etc.. O mesmo acontece com uma pessoa na sociedade: a sociedade imediatamente sente todos os problemas internos da pessoa e lhe proporciona a energia necessária, e ela está curada.

Da Discussão sobre Formação Integral 22/05/12

Uma Pista De Decolagem Em Vez De Um Labirinto Em Espiral

Dr. Michael LaitmanPergunta: De onde a fé acima da razão vem até nós?

Resposta: Tudo vem de cima, e a única coisa que depende da pessoa é o quanto ela pode subir acima de suas sensações, a fim de alcançar o entendimento, a clareza, a unificação e a conexão.

Esse despertar pode ocorrer através do sofrimento, que é chamado de “no tempo devido” (Beito). Mas se a pessoa recebe esse despertar do grupo, ele é chamado de “aceleração do tempo” (Ahishena).

Se a pessoa desperta através de golpes, ela passa por todos estes estados de novo desde o início. Mas se o despertar vem do grupo, ele já inclui a tela e a Luz Refletida. Isso porque, tornando-se incluído no grupo, ela já realizou seu trabalho, esforços, e atraiu a Luz Refletida para si mesmo.

Existem quatro fases de HaVaYaH que a própria pessoa realiza, e, portanto, o caminho da Luz e o caminho do sofrimento são dois caminhos completamente opostos, como a Luz Direta e a Refletida.

“Aceleração do tempo” é quando nos tornamos parte do grupo, que imediatamente começa a construir os instrumentos adequados ou desejos em nós para compreender o Criador. Enquanto que o caminho natural (“no tempo devido”) apenas estabelece as condições preliminares em nós para iniciar esse processo. Há uma enorme diferença entre os dois.

Afinal de contas, ao receber o sofrimento, eu tenho que repetir tudo indefinidamente, a fim de entender de onde o sofrimento está chegando e por quê. Este é um processo extremamente prolongado. Eu só corro de um lado para o outro à medida que recebo os golpes, mas não avanço, pois isso não me dá entendimento. Somente depois de muitos golpes e sofrendo assim é que eu finalmente começo a ver a sua intencionalidade e causalidade. Então, eu já começo a entender que, aparentemente, eles estão vindo para mim para me ensinar.

Muitas vezes as pessoas me perguntam: “Por que eu fui o único a receber esta punição de Cima?”. Isso é chamado caminho do sofrimento.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/06/12, Shamati # 121

Verificando A Conexão Com O Grupo

Dr. Michael LaitmanNós temos que entender que existem apenas dois estados na nossa vida, em nossa realidade: um estado de escuridão, uma sombra, ou um estado de Luz, conexão, a revelação do bom e benevolente. Não há nada entre eles. Se ao ouvir sobre ele a pessoa constantemente tenta esclarecer o estado que atravessa, se é uma sombra ou a revelação do Criador, ela avançará pela linha do meio.

Baal HaSulam, Shamati, artigo 8: ” Qual é a diferença entre a Sombra Kedusha e a sombra de Sitra Achra“: “Em vez disso, todas as mudanças são nos receptores. Devemos observar dois discernimentos nesta sombra…”.

A primeira é quando a pessoa ainda consegue se unir com os amigos, superando os pensamentos sobre a separação e a “confusão” dos sentidos. Ela ainda consegue superar a escuridão e a ocultação; ela ainda entende que perdeu a meta, o caminho para o Criador.

Mas, no geral, ninguém realiza uma verdadeira autocrítica: “Por que me sinto assim? De onde vem este sentimento?”. Eu não sou o meu próprio psicólogo, eu simplesmente me sinto bem ou mal, como uma criança. Eu não calculo quem me envia esses pensamentos e sentimentos. Eu os “cozinho”, e afundo em meu corpo, como uma criança pequena.

No entanto, a pessoa deve conhecer e examinar a si mesma: “O que atraiu meus sentimentos e pensamentos? Como posso subir acima de mim mesma, do estado atual? Como posso sair deste pântano puxando-me pelo cabelo?”. A pessoa sempre olha para si mesma de lado: “Sim, estou no fundo do meu desejo egoísta. Sim, ele me controla. É verdade, ele não me permite conectar, não me deixa me levantar para a lição, me obriga a desconectar, torna a vida diária, com todas as suas relações, parecer mais importante. Mas eu vejo que estou neste estado e que ele é oposto ao objetivo”.

Como eu posso compreender e reconhecer isso? Quando eu ainda estou conectado a algo externo, ao grupo. Aí vem o momento da verdade, eu posso verificar se estava realmente conectado ao grupo ou não. Se eu não estou conectado, eu só sinto a mim mesmo: eu me sinto mal, não quero nada, etc. Além disso, eu nem dou satisfação e simplesmente sigo o fluxo, sem quaisquer pensamentos especiais ou desejos.

Mas se eu estivesse ligado ao grupo, se eu tivesse uma aliança com os amigos, segundo a qual eles devessem me ajudar, mesmo se eu caísse e me virasse para outra direção, as conexões internas seriam mantidas, eu me importaria com a forma que eles me veem, e eu não esqueceria do meu compromisso. Eles me apoiariam e eu seria capaz de me ver de lado e esclarecer meus sentimentos.

Assim, eu serei dividido em dois: o meu próprio eu e a minha atitude para com o grupo. Só então, ao me agarrar à conexão com os amigos, eu serei capaz de esclarecer e verificar a mim mesmo, e com isso iniciar a subida que se segue à descida. Caso contrário, eu não tenho chance, eu simplesmente caio e saio. Assim, a pessoa pode superar o primeiro tipo de sombra, justificando o estado atual e a compreensão de que ele foi enviado a ela pelo Criador. Então, ela pode pedir ajuda ao Criador.

Por que eu me volto a Ele? Não para me sentir melhor, porque aí eu estaria pedindo para anular a minha inclinação ao mal, que Ele criou, adicionando a Torá como tempero para ele. Então, eu deveria pedir o tempero, para que o poder do amor e doação, o poder de conexão, venha de Cima e me permita avançar em direção à outra linha.

“Quando alguém ainda tem a capacidade de superar as trevas e a ocultação que sente, justifica o Criador e ora ao Criador, para que Ele abra seus os olhos para que ele veja que todas as ocultações que sente vêm do Criador”.

Quando a pessoa fica impotente e não vê saída, quando ela amaldiçoa o Criador, os amigos e a vida, ela ainda está olhando para si mesma de lado e, de repente, vê uma chance para um grande avanço, e pode exigir que o Criador a salve. Por quê? Porque ela não aceita o estado quando a providência do Criador parece ruim, e não pode justificá-lo. A pessoa se sente mal porque pensa coisas ruins do bem e benevolente, por estar oposta à Ele. Se a vida parece ruim, é um sinal de que sou oposto ao Criador.

Nós temos que construir uma Masach (tela) e a Luz de Retorno (Ohr Hozer) acima de todas as situações difíceis. Mesmo nas piores situações eu preciso ver o Criador como fonte, como a Luz que está cheia de toda a abundância infinita, mas que está quebrada dentro de mim e se transforma num sentimento ruim, numa sombra, na escuridão, já que meus atributos são opostos ao bom e benevolente, oposto ao atributo de doação e amor.

Assim, nós podemos avançar cada vez que esclarecemos as coisas corretamente. O principal é descobrir constantemente este ponto: “O que eu sinto? Quem está me enviando esse sentimento? Por que estou enfrentando esse sentimento?”. Este é o princípio geral do nosso trabalho e isso é o que divide a humanidade em 1% e 99%.

Da Lição do Brasil 03/05/12 , Shamati # 8

Justificando O Crédito De Confiança

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós temos recebido um crédito enorme do mundo superior, que é a adição de todos os nossos desejos, e todos têm recebido um enorme desejo e uma aspiração maior pela espiritualidade, que eu nunca teria conseguido receber sozinho.

No mundo físico, diferentes sociedades têm diferentes formas de gerir as pessoas que não são capazes de pagar suas dívidas: guardas, polícia e milícias podem vir, a pessoa pode ser presa, e ainda pode ser fisicamente destruída. Como isso acontece na espiritualidade? O que vai acontecer conosco se não devolvermos essa enorme dívida de confiança?

Resposta: Se uma pessoa no nosso mundo tem tantas maneiras de obrigar outra pessoa a pagar sua dívida através do governo ou de outras formas, então você acha que o Criador tem menos formas? Ele tem muitas outras formas de fazê-lo. Não há nenhum problema, Ele irá forçar você a fazê-lo.

Esta é a essência do caminho do sofrimento: se você falhar em alcançar o objetivo da forma certa, benéfica, prática, confortável e rápida, e falhar em fazer algo novo todos os dias, ou seja, se você deixar de “pagar sua dívida”, no final você deixa de sentir isso por dois ou três dias, mas depois tudo se acumula e começa a trabalhar.

É por isso que temos que entender isso muito claramente e temê-lo, realmente temê-lo, porque os profetas escreveram coisas muito horríveis. Quando as forças coercivas começam a nos empurrar por trás em direção ao objetivo inicial da criação e isso não acontece por meio do nosso avanço voluntário para frente, isso é sentido como um sofrimento terrível, porque eles nos são dados nos níveis inanimado, vegetal e animal para nos ajudar a compreender que precisamos nos mover para o nível superior, o nível humano.

E a transição de um nível para outro é muito difícil! Você vê o quanto o mundo inteiro sofre e não entende que precisa apenas fazer um pequeno movimento para cima. Ele não entende! E ele vai continuar morrendo de fome, morrendo e destruindo-se – bilhões de pessoas pobres vão morrer e não serão capazes de compreender isso.

É por isso que precisamos tentar rapidamente explicar isso para nós e para todo o resto.

Da Lição Virtual 26/02/12

Nós Podemos Não Sofrer?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que nós vemos o nosso caminho espiritual como “masoquista”? Por que não podemos evitar o vazio e o sofrimento?

Resposta: Neste caminho, nós sofremos por amor. Nós lamentamos que somos privados da equivalência com o Criador.

Você realmente acha que o Criador o priva de alimentos, água, abrigo e saúde? Não, nós estamos falando do sofrimento daqueles que querem ser como Ele.

De repente, os nossos desejos e prazeres egoístas ficam maior; na verdade, os desejos e prazeres são os mesmos e não podemos lidar com eles por mais tempo. Neste caso, nós sofremos e o Criador desaparece da nossa vista. Anteriormente, Ele se expôs para nós. Mas, mais tarde, surgem situações difíceis e não conseguimos lidar mais com Sua revelação. Então, Ele se oculta de nós.

Não há comparação com o sofrimento de uma pessoa normal que em vez de ganhar 10 mil ontem, hoje ganha apenas cem. Nós temos que compreender a linguagem dos Cabalistas que fala de coisas espirituais, em vez do plano material. No caminho espiritual, “punição” significa ocultação do Criador e nossa incapacidade de doar.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/01/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

Quando O Mundo Inteiro Exige

Dr. Michael LaitmanPergunta: De acordo com as profecias dos Cabalistas, quando é que a maioria da nação de Israel começará a estudar a sabedoria da Cabalá?

Resposta: Isso acontecerá quando o mundo inteiro exigir. Israel não pode despertar se o mundo não exigir isso, porque Israel não tem qualquer necessidade de despertar a menos que esteja trabalhando para o mundo inteiro.

É por isso que nós, os guardiões do método e que temos consciência do que está acontecendo, devemos disseminar a sabedoria da Cabalá o mais rápido possível em todo o mundo, de todas as formas possíveis, mencionando ou não a palavra “Cabalá”.

Nós devemos explicar nossos estados, a correção e o que podemos alcançar através das correções. Isso despertará as pessoas e lhes dará a compreensão de como corrigir a crise. Como resultado disso, como é dito nos Profetas, “As nações virão e carregarão Israel em suas mãos para construir o Templo”.

Sem essa pressão não haverá um avanço – a nação de Israel não vai sentir a necessidade disso. Antes das dez pragas do Egito, a pessoa não foge do Egito. Mas nós temos a oportunidade de converter essa pressão do sofrimento comum no sofrimento do Amor, quando você mesmo anseia por algo que não tem.

Mas, de qualquer modo, a pressão tem que estar lá. A guerra do Gog e Magog tem que acontecer para que nós nasçamos no nível seguinte. Mas nós podemos provocar as dores do parto e o nascimento graças ao nosso desejo de sair deste mundo, em vez de ser graças às verdadeiras dores do parto – guerras e sofrimentos por todo o mundo.

Os Profetas nos falam sobre golpes que estão reservados para nós por parte da natureza. Mas, ao mesmo tempo, nós temos a sabedoria da Cabalá, a fim de aceitarmos esses golpes como intencionais e ajudarmos o nascimento.

No momento em que eu me conecto à meta, os golpes se tornam um remédio. Eu não os sinto mais como golpes. Mas eu tenho que passar por todas as forças e todos os estados. No entanto, se eu mudar minha percepção e atitude em relação a eles, eu passo por eles com alegria.

Eu passo por isso de forma consciente, eu vejo a meta e desejo esses golpes; é como se eu estivesse dando a luz a mim mesmo.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/12/11, O Estudo das Dez Sefirot

Quem Eu Sou É Quem Eu Serei

De acordo com as leis da interação entre a Luz e o vaso, nós temos que passar pelos mais graves infortúnios no caminho em direção à meta. É aí que a ciência da Cabalá vem em nosso socorro, ajudando-nos a evitar que esses golpes desçam até nossa carne animal e, no lugar disso, transferindo-os ao nível humano, ao nível que deverámos estar.

Hoje, eu estou recebendo golpes de três níveis: inanimado, vegetal e animal. Eles estão me chicoteando no nível humano. Dito de outra forma, eu estou sendo empurrado por trás por uma força ruim, o mal, o sofrimento. Eu só posso obter um meio para me ajudar, um anseio, uma atração para frente, proveniente da meta maravilhosa que ilumina o meu caminho como o Sol. Neste caso, eu ainda vou experimentar sofrimento, mas será o doce sofrimento por amor.

É mais fácil suportar este tipo de tristeza, porque ela é causada por um desejo por um futuro bom. Eu me sinto desapontado e caio em desespero, mas eu não fujo, porque entendo que essas dores têm que chegar a uma medida total específica (Σ), semelhante a como de centavo em centavo finalmente se chega a uma grande soma.

Eu acumulo uma grande pressão interna, um grande desejo de saltar em direção à meta. Eu preciso de um hiato entre o eu atual e o eu corrigido. Essa hiato deve ser sentido como sofrimento, causado pela diferença entre quem eu sou e quem eu deveria ser. Isso é inevitável. Esse abismo tem que se abrir dentro de mim, mas não há absolutamente nenhuma necessidade que ele seja criado por guerras, doenças e outros desastres.

A verdadeira correção está apenas começando agora, quando a humanidade está começando a se unir, a se fundir como um homem com um só coração, seja sem vontade, sob uma torrente de forças negativas por trás, ou com a ajuda da Luz que flui à frente. É impossível descrever a forma como estes dois caminhos diferem. Afinal de contas, temos que revelar Malchut do mundo Infinito, seja na escuridão do sofrimento inconcebível que purifica nosso egoísmo, ou na Luz que corrige.

Assim, tudo se resume a de que forma vamos experimentar o abismo que nos separa da correção. Podemos superar o caminho de bom grado, ao concordar com ele, construindo um ambiente que nos sustente; ou podemos ignorar a solução o maior tempo possível, até que a pressão por trás nos obrigue a entender onde, porque e pra que os desastres estão acontecendo, dos quais não podemos escapar, não importa o quanto tentemos.

A pessoa pode precisar de décadas para ficar mais inteligente e revelar a Luz. É por isso que a ciência da Cabalá nos foi dada. Mas, de um jeito ou de outro, esse hiato entre o Criador e a criação, entre o receptor e o Doador, deve ser sentido dentro de nós de forma plena.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 09/11/11, Escritos do Baal HaSulam “Matan Torah (A Entrega da Torá)”

Um Cálculo Transparente

Dr. Michael LaitmanNo artigo “Paz no Mundo”, o Baal HaSulam examina a essência da próxima transição que elevará a humanidade a um novo nível:

À primeira vista, o plano parece imaginário …Mas quando nos aventurarmos a fundo, descobriremos que a contradição da recepção para si mesmo em relação à doação aos outros não é senão uma questão psicológica … embora a auto-recepção se manifeste em nós de várias maneiras … todas essas são definidas por um nome: “prazer”.

Isso já está claro hoje. Nossa essência, a mente, o sentimento e cada célula do nosso corpo aspiram à realização. Isso pode ser sentido simplesmente como uma onda de energia, ou pode assumir outras formas até atingir o nível psicológico, onde nós o definimos como prazer. Se minha mão repousa sobre a mesa, não é a minha mão que gosta do que faz, mas eu. De uma forma ou outra, a realização para nós é sempre um prazer. É o que todos nós desejamos.

Suge uma questão: se a minha matéria só quer se satisfazer a fim de experimentar prazer, será que eu sou capaz de manter uma conexão com os outros? Será que eu sou capaz de participar da vida do sistema comum como a natureza exige e desfrutá-lo ao mesmo tempo? Se isso for possível, se o Baal HaSulam diz que isso é um aspecto psicológico, talvez eu seja capaz de me confundir ou me enganar ao fazê-lo? Afinal, a psicologia é um assunto de todos os dias, por assim dizer. Como resultado, através da realização da exigência da natureza, eu vou desfrutar e fazer os outros felizes num novo nível global de ser.

… O que a pessoa recebe durante a vida? Se assumirmos que ela obtém vinte por cento de prazer durante sua vida e oitenta por cento de dor, se nós colocarmos um diante do outro, ainda haveria sessenta por cento de sofrimento não recompensado.

Se a pessoa fizesse o cálculo certo, ela não seria capaz de suportar esta vida. Da maneira mais natural, ela imediatamente decidiria acabar com sua vida. A matemática é simples: “prazer menos sofrimento é igual a ….”. O qual é seguido de uma decisão e sua realização imediata. No entanto, nós não fazemos um cálculo preciso e, portanto, continuamos vivendo.

Mas tudo isso é um cálculo particular, como quando alguém trabalha para si mesmo. Mas num cálculo global, o indivíduo produz mais do que toma para seu próprio prazer e sustento. Assim, se a direção fosse para mudar de auto-recepção para doação, o indivíduo desfrutaria toda a produção daquilo que ele produz sem muita dor.

Se fizermos um cálculo do quanto podemos receber do mundo inteiro em troca do que damos a ele, então realmente vale a pena viver.

Assim, tudo depende de um cálculo claro, preciso e transparente: o que eu recebo da recepção e da doação? O Baal HaSulam fala apenas do cálculo material aqui, deixando o cálculo espiritual nas entrelinhas. Em nosso mundo, de uma forma ou de outra, todo mundo sofre e aceita. No entanto, se nós mostrarmos claramente a uma pessoa toda a sua “renda” e “despesas”, ela entenderá que está sendo roubada até o osso. Por outro lado, no sentido espiritual, ela pode registrar a vida eterna em sua conta, que é incomparável à mesquinha existência animal.

Assim, nós estamos diante de um problema psicológico, e temos que ver a correção do mundo nesse sentido. Todos esses cálculos, bem como as oportunidades que se revelaram em virtude do método Cabalístico, caracterizam-se pela educação. Isso significa que nós temos que criar um sistema de educação e formação, onde o mundo, que está numa situação desesperadora, entenderá que está realmente no ponto de partida, no limiar de um novo começo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/10/11, “Paz no Mundo”

Pedir À Luz A Aceleração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por causa de nossa natureza, cada um de nós tenta usar os outros ao máximo, sem levar em conta o bem comum. Portanto, como uma pessoa normal pode começar a levar os outros em consideração?

Resposta: Isso só pode acontecer com a ajuda da Luz que Corrige.

Você está esquecendo que existe uma força agindo na criação, que nos move. Nós somos fantoches. Eu deixo de ser um fantoche quando peço que a Luz me mude. Eu não faço nada sozinho. A Luz faz as ações nos vasos. No entanto, eu posso influenciá-la com meu desejo, meu pedido: “Transforme-me mais, acelere meu desenvolvimento”. Esta é a única coisa que eu posso pedir a ela.

Se eu a atraio, eu avanço pelo caminho da aceleração, e esta é a minha única contribuição pessoal possível. O desenvolvimento ocorre de uma maneira ou de outra. A única diferença é a extensão dos problemas e do sofrimento. Eu posso avançar rapidamente, de forma consciente, pelo meu próprio desejo, ou lentamente, com “muito sangue derramado”. Mas, de uma maneira ou outra, eu evoco as Luzes que me mudam.

Naturalmente, eu quero usar o outro para o meu próprio benefício e nunca desejarei me unir a ele. Por que eu deveria? Eu não tenho nenhum botão escondido que possa mudar o desejo egoísta num altruísta.

No entanto, se eu uso o ambiente e o estudo, se eu me convenço, se eu formo um “desejo sem desejo”, “uma oração antes de uma oração”, todos os meus pedidos se acumulam e agem, mesmo que não sejam sinceros, e, gradualmente, eu realmente começo a considerar importante a qualidade de doação, amor e unificação. “Afinal de contas, há algo de valor lá. Eu não deveria deixar passar. Será útil”.

Às vezes, eu quero e, às vezes, não. Mais tarde, o desejo já não desaparece, mas é pequeno. Finalmente, a partir dos estados distantes eu alcanço um desejo firme e decisivo: “Eu quero isso, e pronto”. Por quê? “Porque  sim”. O que você vai receber com isso? “Eu não posso explicar. Você não entenderia de qualquer maneira”. Mas, explique mesmo assim? “A Luz está agindo em mim. Ela me mudou e agora eu quero isso. A Luz me mudou porque eu recorri a todos os tipos de truques e artifícios. Eu fiz tudo que podia, esforcei-me e encontrei”.

Nós nunca devemos esquecer este princípio: tudo é feito pela Luz, e nós podemos despertá-la. É aí que reside o nosso livre arbítrio. Não procure uma oportunidade para mudar a si mesmo diretamente e não se destrua por ser fraco. Para alcançar mudanças internas, nós sempre temos que nos voltar a Luz. Isso significa elevar constantemente a nossa oração ao superior.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/10/11, “Paz no Mundo”