Textos na Categoria 'Formação Integral'

O Trabalho Prático Abre Espaço Para A Revelação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando nós disseminamos a educação integral e nos voltamos ao grande público, sentimos que estamos numa missão da força superior que nos governa em ocultação. Como podemos transmitir ao grupo as nossas impressões, pensamentos e sentimentos que experimentamos durante a disseminação para que ela se torne propriedade de todos, a fim de fortalecer o grupo?

Resposta: Disseminar a educação integral é um tipo muito importante de trabalho que nós fazemos agora em fábricas, escritórios, escolas, prisões e na organização de diversos cursos. Primeiro de tudo, este tipo de trabalho nos aproxima do Criador, porque através dele podemos sentir o quanto precisamos de Sua ajuda. Isto acontece como resultado do nosso trabalho prático.

A pessoa que só se senta e estuda não avança. A Torá não pode existir sem ações práticas. Se nós apenas nos sentarmos e não fizermos nada prático, não haverá espaço para a revelação.

Nós devemos entender que em gerações anteriores era totalmente diferente, e mesmo uma pessoa que tinha um amigo ou dois com quem estudava podia alcançar a realização espiritual. Mas no passado era diferente: os desejos eram diferentes, mais puros, e assim era possível revelar a força superior desta maneira.

Mas hoje, quando o Criador nos dá essas oportunidades, nós não seremos capazes de revelar nada se não as utilizarmos. Portanto, trabalhar na disseminação da educação integral tornou-se muito importante e, consequentemente, toda a nossa fábrica mudou. Nós sequer temos que pensar em como mudá-la realmente. O trabalho em si muda as pessoas e elas sentem que pertencem mais a essas atividades diárias.

É um grande presente de cima, porque a sabedoria da Cabalá é o método da revelação do Criador neste mundo. Isso significa que o Criador é revelado nas relações entre as pessoas: nós temos que descobrir o amor absoluto por parte do Criador e Sua boa atitude em relação a todos nós no nível deste mundo. Quando nós descobrimos essa atitude, isso significa que nós adicionamos o mundo superior ao quadro deste mundo. É uma subida até os níveis dos mundos superiores, à revelação da rede que conecta todos.

O Criador está na rede e Ele governa todos, todo o desejo, com a força do bom e benevolente, que é a única coisa que existe. Ela se chama a verdadeira realidade que nós alcançamos e onde recebemos respostas para todas as perguntas. O mundo muda e nós entendemos por que sentimos esses corpos que nascem, vivem e morrem.

Não há outra realidade, não há outro lugar para onde a pessoa vai depois que morre. Quando nós nos aproximamos da Providência superior e trazemos o Criador e a conexão entre nós para este mundo, quando a força superior torna-se clara para nós e está entre nós, todos os mundos são revelados a nós, toda a criação, a vida e a morte, todas as formas diretas e opostas que vemos diante de nós agora. Tudo isso já está revelado e apenas a nossa percepção muda; nós é que mudamos e não o mundo que nos rodeia.

Assim, o nosso trabalho prático é o meio mais eficiente para estabelecer a atitude certa em relação à realidade. Nós queremos encontrar a salvação aqui, entre todas as pessoas, o que significa revelar o Criador aos seres criados neste mundo. É para isso que nós trabalhamos; esta é a sabedoria da Cabalá prática, e não há outro tipo mais importante de trabalho.

Nós vamos mudar de acordo com estas demandas e o mundo será diferente. Eu posso ver isso pela quantidade de grandes oportunidades que se abriram recentemente para transmitir a nossa mensagem. Ultimamente posso dizer muito mais. Na medida em que nós mudarmos, nossa fábrica (de disseminação) vai mudar e toda a nossa atitude para com a sabedoria da Cabalá será mais concreta. Isso significa que nós temos que esclarecer: onde é que vamos realmente revelar o Criador, em quais conexões entre nós e em quais conexões entre nós e o mundo?

Como nós podemos atrair a Providência superior a este mundo? Como podemos corrigir uma pessoa? Como podemos superar a crise que nos rodeia? Então, nós vamos descobrir o mundo de Ein Sof (Infinito) e descobrir que estamos todos sob o domínio do bom e benevolente, que é revelado sob o domínio do amor. Assim, nós podemos implementar tudo o que os Cabalistas escrevem.

Se nós continuarmos desta forma vocês verão que este tipo de trabalho nos ajudará a revelar a força superior.

Da Lição Diária de Cabalá 07/08/13, Escritos do Baal HaSulam, “Igrot”, Carta 52

Uma Cobertura Atraente Ou Uma História Sem Fim?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ao tentar compreender um pouco mais profundamente a relação com o sexo oposto, a pessoa descobre que não está familiarizada consigo mesma, com camadas inteiras de si mesma. Ela precisa de orientação, treinamento…

Resposta: O desenvolvimento humano chegou ao ponto do “reconhecimento do mal” na situação atual. Sem o “reconhecimento do mal” é impossível se transformar em Adão (nível humano). Por outro lado, a crise no reino do amor ainda não fez as pessoas abandonarem a busca de sua “outra metade” e elas se movem em massa para substitutos artificiais para o sexo, drogas e outras fontes que distorcem o assunto original.

Se olharmos para o problema de um ponto de vista histórico e sistêmico, nós agora temos a oportunidade de participar no processo de correção da espécie humana, incluindo e através das relações entre os dois sexos.

Pergunta: Mas hoje é muito difícil para as pessoas encontrar um parceiro compatível para si…

Resposta: Basicamente, não há mais parceiros compatíveis. Hoje ninguém declara seu amor antes de saber o nome do seu parceiro. Mas isso é exatamente do jeito que era no passado, quando as pessoas sentiam que foram feitas uma para outra à primeira vista.

Hoje nós aprendemos que precisamos nos ajustar um ao outro através de um trabalho de aproximação mútua. A fim de nos conectar verdadeiramente, nós devemos trabalhar juntos, pelo menos durante alguns meses e, às vezes, por um ou dois anos. Só então nós começamos a nos ajustar um ao outro e há uma conexão interna entre nós, que torna possível “difundir-se”, penetrar um no outro, como café e água que se misturam e não permanecem mais como eram, mas juntos criam algo novo. Só depois de penetrarmos pelo menos um pouco um no outro mentalmente é que podemos entender como continuar este processo de integração mútua. Esta penetração recíproca é o verdadeiro acasalamento, o acasalamento entre almas. Então nós estamos prontos para casar, estar ligados por muitos anos. Pois nós já adquirimos um programa de mútua interpenetração mental, entendemos como podemos fazer isso e estamos dispostos a sustentar isso mutuamente.

É por isso que o meu professor, o Rabash, dizia que no início não deve haver rejeição externa entre as pessoas, e todo o resto depende dos esforços coletivos, por meio dos quais a família vai florescer, e não descansar sobre os louros, mas desenvolver o relacionamento cada vez mais.

Pergunta: Mas como pode uma pessoa decidir começar este trabalho, mesmo antes de começar a “disseminação”? Afinal, ela é impulsionada pelo amor, ou seja, os sentimentos, e não pela razão.

Resposta: É necessário se livrar de todas as “vestimentas” sujas da alma em que está vestida: as preferências egoístas, os padrões de “Hollywood”, e os vários estereótipos que a maioria estabelece.

Nós julgamos o sexo oposto de acordo com os sinais externos artificiais. Portanto, se nós falamos sobre uma verdadeira mudança, antes de tudo, nós devemos trabalhar com uma multidão de solteiros para que eles entendam a sua natureza e por que não conseguem construir relacionamentos estáveis. A pessoa necessita de uma abordagem saudável para si mesma e para com os outros: um pouco menos dos padrões de Hollywood e da Internet, menos chats polvilhados de emoticons.

Nós falamos através de emoticons, olhamos para a vida através do prisma de modelos. Mas, na verdade, eu preciso ser como uma criança que pode se apaixonar sem reservas, como nos dias em que adereços externos não me interessam. Eu realmente não vejo meu amante, porque ele se dissolve numa névoa de desabafos emocionais, como se alguém pressionasse um botão invisível e eu estivesse “pegando fogo” por ele. Eu devo retornar a um estado como esse.

Para isso, nós precisamos nos livrar de toda a “vestimenta” sob as quais nós prendemos através da pressão da sociedade, seja a influência da Internet, livros, filmes, contratos sociais, ou apenas as avaliações de outra pessoa do que é bom e o que é ruim. Eu tenho que me tornar mais natural, mais perto da natureza, mesmo que seja mais simples e egoísta, não importa. Eu não quero mais depender de todo mundo.

Só é possível chegar a isso numa grande sociedade de pessoas como eu, de solteiros, onde todos nós juntos estamos aprendendo a reconhecer a nós mesmos: quem e o que somos, qual é a nossa natureza, como nos relacionamos com nós mesmos, com um parceiro, com o mundo e assim por diante. Pois, gradualmente, nós deixamos de ser dependentes de todas as normas externas que nos chegam do outro lado do oceano.

Tudo depende do contrato social. Se ele muda, então nós olhamos para essas coisas de forma totalmente diferente. As fotos modernas são infundadas, imaginárias. Primeiro de tudo, nós precisamos tirá-las do “pedestal” e, ao mesmo tempo, não depois, mas especificamente em paralelo, criar valores completamente diferentes, de modo que não sejamos atraídos para conexão externa, mas para uma conexão interna. Afinal, a conexão externa é frágil e fugaz. Muitas vezes ela já terminou na manhã seguinte, enquanto nós podemos desenvolver a conexão interna infinitamente.

De qualquer forma, nós precisamos aprender juntos, com a cooperação mútua dentro do grupo. Fazer workshops compartilhados e outros meios que tornam possível a construção de uma relação diferente entre nós. Só então eu sentirei que mulher está  realmente mais perto de mim, no sentido mais profundo e verdadeiro. É possível contar com este sentimento, pois eu vou parar de ver as externalidades, mas vou me concentrar apenas na sua essência, na interioridade. A mulher não será mais apenas uma “cobertura” para mim, mas será como um valioso “livro”, no qual uma nova profundidade de emoção e intimidade mental é descoberta. E a expectativa dessa conexão vai chegar imediatamente à corda oculta dentro de mim. Depois disso, eu adiciono o componente externo a essa centelha.

Desta forma, nós construímos a ordem correta de prioridades e abordagem mútua, uma abordagem completamente oposta em relação a que está acontecendo hoje. Isso é porque eu não estou à procura de uma esposa para mim, mas sim uma conexão interna na mente e nos sentimentos. Eu quero preencher o espaço que ficou vazio desde o meu primeiro amor.

Cabe a eu alcançar o fundamento de todas as correções. Se o vazio não fosse deixado em mim após a primeira sensação, eu não teria nada pelo qual viver. Todo o resto dos sentimentos é transitório e superficial em comparação com este sentimento. O desejo básico para conexão interna obriga-me a procurar satisfação, apesar de eu mesmo não saber o que realmente quero satisfazer.

Somente este vazio me acompanhou ao longo da minha vida, me empurrou para encontrar e atingir. É só a minha alma que eu posso satisfazer através da conexão com o outro. E sua parte essencial é a conexão chamada de “família”, “marido” ou “mulher”. Aos poucos, isso é adicionado à base do meu desenvolvimento, cobrindo o meu amor, cobrindo gradualmente o mundo inteiro. Este é o começo da alma humana, suas duas fundações, o macho e a fêmea, que estão conectados entre si e no seu desenvolvimento incluem tudo.

Da Discussão sobre Formação Integral 6/20/13

Desempregados Do G20

Dr. Michael LaitmanNas notícias (da OECD): “Nós, dirigentes da Organização Internacional do Trabalho e da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento, convocamos os Ministros do Trabalho dos países do G20 a reforçar a sua cooperação com vista a fortalecer a concepção e a escala de seu emprego, do mercado de trabalho e das políticas de proteção social, para atingir níveis mais elevados de emprego produtivo e gratificante e contribuir para um reforço da economia mundial”.

“Apesar de que seis anos transcorreram desde o início da crise financeira global, a taxa de crescimento do emprego permanece fraca na maioria dos países do G20, evitando um declínio significativo nos elevados níveis de desemprego e subemprego”.

“Como relatado nos documentos preparados conjuntamente pela OIT e a OCDE para a reunião de Ministros do Trabalho do G20, há considerável diversidade entre os países nas condições de mercado de trabalho. Nos últimos 12 meses, o desemprego diminuiu marginalmente em metade dos países do G20 enquanto subiu na outra metade. O desemprego está acima de 25 por cento na África do Sul e Espanha; 11 por cento ou acima na França e na Itália e para a UE como um todo; acima de 7 por cento no Canadá, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos; e abaixo de 6 por cento na Austrália, Brasil, China, Alemanha, Índia, Indonésia, Japão, República da Coreia, México, Rússia e Arábia Saudita”.

“Em todos os países do G20, o número total de desempregados atingiu 93 milhões no início de 2013, cerca de 30 por cento dos quais em média estão desempregados há mais de um ano”.

“A situação do emprego nos países do G20 melhoraria consideravelmente com um ambiente externo mais favorável dependendo do que os países do G20 fazem por sua própria economia. Isso requer o esforço coletivo de todos os países trabalhando pelo objetivo comum de um crescimento forte, sustentável e equilibrado”.

Meu Comentário: O desejo de reduzir o número de desempregados, bem como a raiva e a pressão pública está claro, mas estes esforços não levarão a nada porque ninguém quer uma superprodução e o ambiente não suporta isso.  É necessário reconstruir toda a atitude com relação ao trabalho, a economia doméstica, etc., o que só é possível com uma total reeducação do ser humano.

Essa não é uma tarefa difícil, não tão complicada, cara ou onerosa. Mas seu efeito é notado de forma imediata e clara. O único problema é a barreira psicológica que deve ser superada por aqueles, de quem depende a decisão de introduzir a “Educação e Formação Integral”.

Condições Verdadeiras Para O Desenvolvimento Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: Para uma pessoa ser incluída numa rede integral, devem existir pelo menos duas condições. Por um lado, é necessário anular a si mesma em relação à opinião social, a fim de absorver tudo dela. Por outro lado, ela precisa se colocar num estado onde a sua opinião também é útil para a sociedade. Existem condições adicionais?

Resposta: A fim de criar relacionamentos corretos, iguais com a sociedade, nós realmente devemos usar muitas condições variadas. Por enquanto, nós estamos em interações muito complexas dentro da sociedade que estão mudando constantemente.

Primeiro de tudo, quando falamos com as pessoas sobre a criação de uma sociedade integral, é preferível tomar algum grupo restrito. Este poderia ser um grupo organizado dentro de alguma empresa ou no âmbito de atividades em grupo, clubes, e assim por diante. Ou seja, é melhor ter um número limitado de pessoas, alguns Grupos de Dez, e gerenciar o trabalho de educação integral entre eles.

Para fazer isso nós precisamos montar uma lista inteira de formas de comportamento da pessoa com relação à sociedade e da sociedade com relação à pessoa.

Nós já sabemos que se uma pessoa diminui a si mesma no que diz respeito à sociedade, isto a ajuda a ouvir a opinião da sociedade. Por outro lado, ela deve acrescentar algo de si mesma. Isso significa que ela precisa se apresentar como um componente muito importante da sociedade e estar preparada para dar algo a ela.

Cada membro do grupo deve entender que, para que as pessoas tenham algum tipo de motivação e incentivo, nós precisamos falar com elas sobre a importância do objetivo que elas alcançarão.

Além disso, elas devem se apoiar com um bom espírito e atitude exaltada. Meios especiais como músicas e refeições compartilhadas são fundamentais para isso, algo que irá conectá-las de modo que não apenas se sentem e conversem.

Elas devem sempre organizar eventos como palestras em torno de uma mesa-redonda e workshops onde trocam opiniões e aprendem como conversar. Pode muito bem ser que elas precisem convidar atores que lhes falarão e lhes orientarão sobre como falar entre si.

Nós estamos falando aqui da nossa natureza interior que quer explorar todos apenas para seu próprio bem. Ou seja, eu sei que sou um egoísta e estou pronto para atirar em todos. Nós entendemos que esta é a nossa essência. No entanto, além disso, fora dela, cabe a nós brincar de sermos pessoas boas, brincar comigo mesmo e com os outros sem pretensão, mas seriamente, justamente para ver e construir uma sociedade assim. Como crianças que brincam de ser adultas, nós nos reunimos em pequenos grupos de três a quatro pessoas.

Para que a ação do jogo seja eficaz, nós precisamos de atores e até mesmo diretores e produtores que irão nos explicar: “Agora, nós brincamos que estamos numa sociedade do futuro que queremos alcançar. Portanto, em primeiro lugar, nós precisamos discutir num workshop o que queremos atingir, fantasiar um pouco, e depois implementá-lo.

Desta forma, nós despertamos as forças integrais que estão escondidas na natureza e que conectam todos nós. A verdade é que já nos encontramos nesta rede, embora ainda queiramos fazer com que as forças de desenvolvimento nos influenciem, as quais vão nos dirigir para frente.

Se uma criança brinca (joga) com algo, ela desperta uma força de desenvolvimento em si mesma e cresce nesta direção. Uma criança coleciona selos, outra quer projetar e construir, e uma terceira quer ser atleta. Ela quer! A principal coisa é que ela anseia! A ideia é que isso não ocorre através de treinamento, mas através do desejo. Este desejo atrai a força integral até a pessoa que se adere a este modelo. É deste modo que a pessoa aborda isso.

A mesma coisa acontece aqui. Nós precisamos jogar tanto quanto possível como se estivéssemos na nova sociedade integral. Nós devemos descrevê-la para nós mesmos, imaginá-la, falar juntos sobre a sua forma futura e, juntamente com os nossos professores, inclusive com diretores e atores que organizam o nosso sistema de mudança, treinamento e correção. Não importa como nós a chamamos; nós precisamos jogar com isto.

Junto com isto, o jogo continuará a ser um jogo. Nós estaremos prontos a nos deixar levar e jogar, até o ponto em que, de repente, fingimos que já estamos vivendo a vida de uma forma maravilhosa, como, por exemplo, em algum tipo de “Cidade do Sol” utópica. Nosso ego não vai permitir isto. Ele cresce o tempo todo e levará cada um a seu próprio nicho egoísta particular.

Este jogo é muito eficaz. Ele nos mostra como podemos descrever o nosso futuro para nós mesmos, como nos imaginamos como diferentes e corrigidos, nossas interações, conexões e a sociedade como um todo.

Nós podemos discutir e decidir como organizaremos a rede social de desenvolvimento, o sistema de educação pública para os nossos filhos, a vida familiar na sociedade integral, tudo o que for possível. Por exemplo, de que modo nós podemos trabalhar no sistema de saúde e nos sistemas financeiros, econômicos e de negócios, e assim por diante. O que diremos e o que seremos nesta sociedade, e o que não. Que problemas são suscetíveis de serem criados e como vamos resolvê-los. Tudo isso precisa ser tema dos workshops. Todos nós temos que discutir isto.

Desta forma, nós nos elevaremos e nos aproximaremos das condições integrais. Nós podemos ver o que nos falta, como será possível materializar isto, e tentamos perceber isto parcialmente na conexão entre nós e um pouco na imaginação. Enquanto isso, esta fantasia permanecerá no reino do sonho. No entanto, ela irá se desenvolver mais e mais, e aproximar-se de algum tipo de imagem real.

De KabTV “A Sabedoria das Massas”, 14/05/13

“BCE Não Pode Resolver A Crise Da Zona Euro”

Dr. Michael LaitmanOpinião (Jens Weidmann, economista alemão, presidente do Deutsche Bundesbank): “‘O Banco Central Europeu não pode resolver a crise da zona do euro’, disse o chefe do Bundesbank, Jens Weidmann, a economistas no domingo, pressionando os governos do bloco a colocar em forma as suas economias e apertar suas regras fiscais”. …

“‘A política monetária tem feito muita coisa para absorver as consequências econômicas da crise, mas não pode resolver a crise’, disse Weidmann em seu discurso”.

“‘Este é o consenso do Conselho de Administração. A crise revelou deficiências estruturais básicas. Como tal, elas exigem soluções estruturais”.

Meu Comentário: Ninguém vê o fim disso. E essa consciência da impotência de regular a economia é o melhor estado da humanidade. Ele deve nos levar, pelo caminho do sofrimento e da realização de nosso egoísmo como mal, para a necessidade de mudar a nossa natureza através do método de educação integral. É gratificante ver a rapidez com que o processo de realização do desconhecido está acontecendo… O sofrimento vai nos forçar a prestar atenção!

A Sociedade Como A Casa Dos Pais Para Toda A Família

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em minha opinião, é muito importante que esclareçamos que o verdadeiro “eu” está especificamente dentro do grupo, pois muitas vezes nós podemos tentar esclarecer os nossos verdadeiros desejos só por nós mesmos, e nós nos enganamos. Nós descobrimos amanhã que já queremos algo diferente do que queríamos ontem.

Resposta: É impossível esclarecer isso sozinho. Só uma discussão compartilhada pode nos fornecer os valores avançados, corretos.

Pergunta: E aí? Será que vai haver um padrão único para todos?

Resposta: Cada um vai encontrar o seu próprio padrão, pois não há duas pessoas que sintam o mesmo mundo. É como se nós víssemos um mundo, mas cada um o compreende de forma diferente.

Pergunta: Como eu posso preservar minha individualidade se eu trabalho dentro do grupo e ouço os desejos de todo o resto?

Resposta: As outras pessoas me mostram as fases pelas quais devo avançar para descobrir a minha natureza, descobrir meu verdadeiro espaço. Especificamente, graças a tudo isso, eu ouço dos outros. Eu finalmente esclareço qual é o meu espaço.

Agora, nós queremos construir um relacionamento com um parceiro, mas depois, nosso casal terá que trabalhar em relações mais amplas com casais, com toda a humanidade. O grupo é o modelo de toda a humanidade e me ajuda a descobrir o meu espaço interior. Este espaço exige não só a conexão com um parceiro, mas, em última análise, o desenvolvimento e a conexão com toda a humanidade como uma família, transformando-nos numa única pessoa.

Sem o grupo, é impossível se dar bem, já que o Kli externo, o vaso, a força externa, deve me ajudar a abrir o Kli interno, meu sistema interno de conexão com alguém. Deve haver um nível superior adicional, com a ajuda do qual eu posso esclarecer o meu nível, como um pai e uma mãe fazem por um filho.

Todo o grupo fala e esclarece a necessidade interior da pessoa de estar em contato com os outros. O contato com os outros começa com aquelas pessoas que estão naturalmente mais próximas de nós, como um parceiro, mas nós não podemos construir uma verdadeira conexão entre os cônjuges, se não nos encontrarmos dentro de uma sociedade. A sociedade nos ajuda a descobrir essa deficiência da forma correta: se eu quiser olhar para a minha parceira corretamente, para vê-la por dentro, e ela quiser me ver para que nós dois realmente nos conectemos.

Se nós quisermos descascar todas as Klipot de nós mesmos e verdadeiramente estar conectados desta maneira, onde eu a satisfaço e ela me satisfaz, nós precisamos de um ambiente que nos sustente e nos ajude a encontrar todos os espaços e esclarecer a forma de preenchê-los. Tudo isto só é possível com a ajuda do ambiente.

Os amigos num grupo me ajudam a ver o que eu quero. Eles revelam isso em mim para que eu comece a ver isso, mas eles não veem isso. Eu sinto a mim mesmo; ninguém pode sentir outra pessoa.

Da Palestra sobre Educação Integral 20/06/13

O Mecanismo Do Intelecto Coletivo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como funciona o mecanismo do intelecto coletivo do grupo? Parece que nas conexões integrais corrigidas, emoções coletivas aparecem e sua saída é o intelecto coletivo. Que lugar os sentimentos individuais de uma pessoa têm nisso?

Resposta: Eu acho que no nível da rede geral, de acordo com a forma como os sistemas integrados analógicos operam, tudo está interligado, o sentimento de individualidade desaparece, e cada um sente uma rede coletiva compartilhada. Essa é encontrada numa ordem superior de magnitude. Não é apenas a soma de todas as peças individuais, mas sim a revelação da integralidade, quando as pessoas se elevam acima de si mesmas, de modo a coexistir dentro desta rede coletiva compartilhada. Em última análise, cada pessoa se insere em todos e todos estão incluídos em todos. No entanto, isso não é o principal. A principal coisa é o próximo nível, onde as pessoas especificamente começam a sentir esta integralidade. Elas vivem dentro dela.

Há algo em comum: a associação integral superior, onde não existe um único indivíduo, mas todos criam um todo coeso, a imagem única de um grupo ou sociedade. Isso é sentido por todos que já foram indivíduos e se elevaram, a fim de se unir com todos. Neste estado, as pessoas experimentam uma realidade completamente diferente.

Isso é algo que podemos assumir e que já tem sido falado na física quântica, ou seja, eventos que se fazem sentir fora do corpo humano, fora de suas limitações, eventos que estão fora do tempo, espaço e movimento. Este é o nosso próximo nível.

Isso ocorre porque, quando falamos sobre o nosso mundo, estamos simplesmente falando sobre a natureza inanimada, vegetal e animal. Nós não incluímos Adam (ser humano) nisso, porque supomos que ele se encontra acima de todos os outros níveis. No entanto, de que forma Adam é superior? Será que ele tem a capacidade de agir sobre seus instintos? Não, ele existe dentro de seus instintos e desejos.

Quanto mais nós conseguimos nos desenvolver egoisticamente, mais descobrimos o quanto nossos instintos egoístas, pressões e os genes internos nos controlam.

Portanto, até o momento, nós não podemos excluir a pessoa do mundo animal. Pelo contrário, vemos que não importa o quanto nós gostamos de considerar o ser humano como superior, no entanto, ele retorna a este mundo. Somente a partir do nível onde é possível perceber por meio da unidade é que nós vamos subir para o novo nível de existência, mais qualitativo, e, tanto quanto parece, o pensamento da criação é projetado especificamente para levar a pessoa a isso.

Ultimamente, nas áreas de fronteira da ciência nós descobrimos as limitações dos nossos sentimentos, de nossas capacidades de pesquisa, e até mesmo de nossa compreensão dos processos, e esta limitação é muito grave. Não podemos avançar. Nós encontramos alguma coisa, e não estamos preparados para descobrir mais nada. Nós só podemos falar de algo de forma especulativa. Mais tarde, a natureza se fecha diante de nós, porque nós a sentimos apenas como indivíduos.

No entanto, se sairmos para um nível integral, podemos vê-lo diretamente na forma em que ele existe, e não na forma que o indivíduo, o pesquisador, o sente, pois quando eu saio de mim mesmo na cooperação mútua integral com os outros, eu saio “de mim mesmo”, das minhas limitações de tempo, espaço e movimento, de tudo o que é encontrado dentro do meu corpo, dentro dos meus cinco sentidos. É como se eu entrasse num novo sentido integral. Eu existo dentro dele, e toda a minha psicologia já se encontra acima das minhas limitações. Lá, eu finalmente serei capaz de entender a nova física do mundo.

De KabTV “A Sabedoria das Massas” 06/05/13

Estrutura E Princípios De Uma Nova Sociedade

Dr. Michael LaitmanComo será a sociedade do futuro?

Não há muito escrito sobre isso. Nós vamos descobrir isso aos poucos, por conta própria, ao construí-la e moldá-la. Os princípios descritos por Baal HaSulam deixam claro que será uma sociedade de pessoas iguais, de acordo com o mesmo princípio que atua no grupo, onde todos são iguais, todos são amigos.

Amigo ­(chaver em hebraico) vem da palavra “conexão” (chibur em hebraico). Literalmente, significa “entrar” uns nos outros, complementar-se ao contribuir com os nossos desejos e pensamentos. Nesta condição, nós estamos unidos. É por isso que a nossa única preocupação deve ser de como “reabastecer” outros.

Quando nos reunimos em “Grupos de Dez” para workshops, nós tentamos implantar este princípio. Nós só devemos complementar um ao outro, nunca discutir, e de modo algum “ser inteligente”. A única coisa que precisamos fazer é satisfazer nossos amigos e prestar apoio mútuo. Não há espaço para mais nada.

Isso esclarece os princípios de uma vida comunitária que Rabash fala. Este é um princípio que deve ser colocado no núcleo do grupo que estamos construindo. Não é aceitável quando um amigo machuca ou prejudica os outros. Para construir a sociedade do futuro, nós devemos primeiro construí-la entre nós, para que ela se torne um exemplo para os outros. Ela deve se basear exclusivamente na assistência mútua; não pode haver quaisquer “truques sujos”. A carta do grupo deve refletir isso.

No entanto, Baal HaSulam escreve que a sociedade, não o grupo, mas a sociedade como um todo, só pode ser construída depois que as pessoas sobem a este nível de desenvolvimento, tornam-se prontas para desistir de seu egoísmo, e criam um novo tipo de relações sociais no futuro. Nós precisamos levá-las a esta condição. Portanto, antes de tudo, é muito importante para nós agir extensivamente e abrir cursos abertos sobre educação integral sempre que possível.

Ao fazer isso, nós vamos criar uma sociedade de iguais, uma sociedade onde cada um vai tomar tanto quanto precisa e trabalhar para o bem de todos. Cada um vai receber tanto quanto necessita para a existência normal e o resto será redirecionado para criar as mesmas condições para todos no mundo.

Nada além das necessidades básicas será produzido. No entanto, não se trata de contrair ou de reduzir a produção de produtos de consumo a um mínimo! Não, nós estamos falando de condições normais de vida humana que não devemos ultrapassar. Não é nenhum segredo: se nós saímos do equilíbrio com a natureza, nós começamos a destruí-la e, por fim, na prática, destruímos a casa que nós vivemos.

Os princípios de construção da sociedade do futuro são muito simples. Nós sentimos fisicamente estes princípios quando estamos com nossos grupos. Aos poucos, conforme o avanço dos grupos e seus “satélites” (grupos não-Cabalísticos de pessoas envolvidas na educação integral), novas comunidades estendidas surgirão. Aos poucos, elas vão expandir seus “territórios”, estabelecer suas regras, começar escolas e outros estabelecimentos. Aos poucos, eles se tornarão mais conectados.

Por outro lado, este processo também pode ser dirigido de cima. Nós fazemos tentativas de cima, uma vez que qualquer crise começa a partir do topo e desde para baixo; tudo se deteriora desde a cabeça. Nós vemos que muitos países estão em situações totalmente desesperadas e acreditamos que, mais cedo ou mais tarde, os seus governos vão entender que existe um sistema de conhecimento que pode corrigir as pessoas, permitindo-nos corrigir nossa civilização.

Vamos esperar que isso fique claro antes que muito sangue seja derramado.

Resumindo: se quisermos avançar pessoalmente, isso só é possível se nos expandirmos. Se um grupo para de se expandir, se não se “amplia”, ele para de avançar. E isso não é porque não haverá novas pessoas entrando; nós só temos que trabalhar com o resto da população com o melhor de nossa capacidade. Para isso, antes de tudo, nós temos que nos organizar e preparar. É por isso que é tão importante se engajar na metodologia da educação integral.

Alguns de você a consideram um fardo, útil ou inútil, ou mesmo prejudicial. Mas este não é um fardo, é a mesmo Cabalá, o mesmo tipo de organização da sociedade, ou melhor, fragmentos da alma, numa única alma de acordo com o princípio do “ama o próximo”. Não há nada de novo aqui; é apenas uma explicação de todas as leis de conexão que existem entre nós. Essas leis são esclarecidas numa linguagem humana normal e são evidentes a todos, não apenas para os Cabalistas. Só isso, nada mais.

Mesmo nossos grupos estão seriamente empenhados em estudar e se concentrar nas partes da sabedoria da Cabalá que são mais fáceis de implantar. Da mesma forma, nós ensinamos aos outros as regras que são mais fáceis para eles aplicar à realidade.

Da Convenção em Krasnoyarsk 14/06/13, Lição 4

Tanto Com Uma Linha Como Também Com Círculos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Hoje praticamente tudo está se deteriorando em direção à gestão rígida e totalitária. Essas empresas realmente demonstram o máximo de eficiência e o mínimo de conflitos dentro da coletividade. Pode o método integral alterar a estrutura de gestão das empresas?

Resposta: É impossível ter apenas um tipo de estrutura, porque o sistema integral é circular, analógico. Isso só é possível numa coletividade onde todas as pessoas se encontram no mesmo nível e trabalham cooperativamente.

Numa empresa ou numa fábrica deve haver uma hierarquia que tenha o direito de comandar todos os elos, mas em cada nível as pessoas precisam estar organizadas em círculos integrais.

Portanto, uma coisa não contradiz a outra. Pelo contrário, grandes coletividades como estas devem ser construídas tanto com uma linha como com círculos.

Juntamente com isto, em todas as circunstâncias, sistemas de controle darão instruções, porque as pessoas que passaram por esse aprendizado único e que trabalham lá sabem, entendem e pensam sobre tudo, e estão no comando, porque elas têm sabedoria, força de vontade, desejo e a capacidade de assumir a responsabilidade para si.

Para o resto das pessoas, não; elas são especialistas em alguma área específica. Para se sentir como pertencentes ao nível do conhecimento superior da natureza, elas passam pela formação integral, e isso as torna capazes de se unir para um trabalho cooperativo sem prejudicar o outro.

Em coletividades como estas, a produtividade aumenta, elas começam a entender o outro com meia palavra, e a probabilidade de erro num projeto particular diminui ao mínimo, porque todos vivem em prol de um objetivo.

De KabTV “Através dos Tempos” 20/03/13

Homogeneidade Do Grupo Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que faz sentido adicionar novos grupos interessados na educação integral a um grupo que já inclui cinco casais e passou por alguns treinamentos integrais?

Resposta: Essa é uma questão delicada. Quando as pessoas estão em contato umas com as outras, elas se ajustam internamente à harmonia comum. É como num instrumento musical, onde há uma grande diferença entre o som de cada corda individual e a harmonia comum.

Portanto, eu não sei se podemos juntar esses grupos. O seu desenvolvimento e gosto devem ser do mesmo tipo. Você certamente pode tentar introduzir um casal num grupo, e, em seguida, outro casal após algum tempo. No entanto, você não deve quebrar um grupo e misturá-lo com outros. Caso contrário, as pessoas vão embora. Será como uma ruptura para elas.

É melhor formar uma infinidade de pequenos grupos e mais tarde organizar um piquenique para todos em condições completamente diferentes. Não deve ser no mesmo centro, mas sim num parque, para que as pessoas possam quebrar todas as convenções e hábitos. Então, vocês vão ser capazes de criar algo novo e diferente. Eles vão sentir, dentro disso, novos fenômenos e adições muito úteis, em vez de trabalhar arduamente em seus relacionamentos. Vários sentimentos e soluções, que eram novos e desconhecidos até este momento, vão surgir nessa área.

Da Discussão sobre Educação Integral 04/04/13