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Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 198

Palestras sobre os Degraus da Escada , Parte 198

Como podemos imaginar o que é uma doação?

Quando estamos em grupo, aprendemos que o amor de amigos leva ao amor ao Criador e que a generosidade para com os amigos leva à generosidade para com o Criador. Por quê? Porque buscamos estabelecer entre nós a mesma conduta como se estivéssemos verdadeiramente entre as almas no fim da correção. Desse mundo superior, onde todas as almas estão incluídas e conectadas, extraímos a luz circundante (Ohr Makif).

Se tentarmos estabelecer essa mesma lei, esse mesmo estado, neste mundo, através dos corpos, de uma ideia, de uma atitude, da conexão e do objetivo comum de avançar juntos, mesmo em um pequeno grupo, criamos efetivamente uma semelhança do estado em que as almas existem ao final da correção, no nível espiritual dentro desse grupo. Na medida em que fazemos esse esforço, atraímos a luz circundante, que vem e corrige os vasos.

Portanto, a conexão entre amigos em um grupo afeta diretamente seu progresso espiritual. Através dessa reflexão que criamos neste mundo, gradualmente começamos a sentir o que é a conexão espiritual. É claro que nunca podemos conhecer verdadeiramente a forma superior antecipadamente. Se estamos em um determinado nível, como podemos perceber o nível acima? Mesmo na vida cotidiana, dentro do nosso estado atual, o próximo estado é sempre desconhecido e se revela repentinamente como algo novo.

Então, como podemos ansiar por algo que está acima de nós? O nível superior (o Partzuf superior ) nos mostra um pequeno exemplo de doação tal como existe em um grau superior. Isso ocorre em duas etapas.

No primeiro estágio, o nível superior nos mostra um pouco da luz interior, o prazer que contém. Então, desejamos, ansiamos por isso e nos sentimos elevados. Os Cabalistas chamam isso de “ascensão”, embora não seja uma verdadeira ascensão, pois não nos elevamos de fato. Em vez disso, o nível superior nos concede um pouco de vitalidade de um grau superior. Essa iluminação é luz no nível superior, mas apenas um brilho tênue para nós, já que não podemos receber mais em nossos corpos atuais.

No segundo estágio, após nos iluminar, o nível superior nos proporciona uma descida. Permite-nos sentir nossos próprios vasos. O que são esses vasos? São vasos de doação através dos quais sentimos a escuridão. Em outras palavras, percebemos que estamos calculando: “Como é possível dar sem pensar em nosso próprio benefício?”

Assim, por meio dessas duas impressões do nível superior, experimentamos dois extremos: o que é a luz (mesmo que apenas parcialmente percebida) e o que é o vaso de doação. Então, vemos o quanto amamos a luz e o quanto resistimos ao vaso. A partir desses dois polos, por meio do estudo, do esforço e do trabalho persistente, alcançamos gradualmente o nível superior.

Quando atingimos e compreendemos esse estado, um nível ainda mais elevado revela tanto a plenitude quanto o vaso que a contém. Esses dois estados nos dão, mais uma vez, uma noção dos extremos dentro do nível superior, e novamente nos esforçamos para alcançá-los, passo a passo, ascendendo ainda mais.

Portanto, nosso caminho é construído a partir de subidas e descidas:

  1. Ascensões — a sensação da plenitude que existe em um nível superior.
  2. Descidas — a sensação dos vasos (a natureza da doação) do nível superior.

O esforço mútuo reside no nosso desejo constante de adquirir essas qualidades, seja em maior ou menor grau, até as alcançarmos plenamente.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 197

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 197

Por que nossa interpretação do medo e da alegria está tão distante do significado correto?

Nossa compreensão do medo e da alegria deriva das qualidades naturais com as quais nascemos. Nascemos com o desejo de receber, e todos os nossos pensamentos, intenções, desejos e anseios visam à autorrealização. Esta é a forma mais fundamental e inicial do desejo de receber. O verdadeiro desejo de receber que existe dentro de cada um de nós é, na verdade, muito maior do que aquilo que sentimos atualmente. Ele foi deliberadamente reduzido a um nível mínimo chamado “este mundo”, para que nos esforcemos, por nossos próprios méritos, para estabelecer uma tela (Masach) sobre ele, uma intenção de doar.

Uma vez que conseguimos definir a intenção de satisfazer esse pequeno desejo, recebemos desejos maiores. Assim, a cada passo de um nível para o outro, primeiro nos encontramos com o desejo de receber para nosso próprio benefício, depois reconhecemos o mal inerente a ele, desejamos corrigi-lo para poder doar, pedimos força divina, estabelecemos a intenção de doar e, finalmente, recebemos preenchimento. Este é o único caminho.

Poderíamos perguntar: por que não nascemos com o desejo de receber já combinado com a intenção de doar? Por que precisamos buscar o significado de doar, como adquirir essa intenção e como aplicá-la ao desejo de receber que existe dentro de nós? Por que precisamos fazer isso de forma independente?

A razão é simples. Essa intenção não pode vir de cima, pois diz respeito à nossa relação com o Doador. Caso contrário, não seria considerada uma doação, nem nos pertenceria verdadeiramente. A intenção precisa surgir dentro do indivíduo. Portanto, recebemos desejos simples para desfrutar, com uma intenção oposta, para que inicialmente usemos nossos desejos para nos satisfazermos. Esses desejos não são neutros. Eles são, em certo sentido, opostos a nós, como um ponto negativo. Portanto, devemos primeiro neutralizá-los, não usá-los de forma alguma, nem para nós mesmos nem para o Criador, e somente depois transformá-los em doação.

Esta etapa, onde neutralizamos nossos desejos e alcançamos um estado de não querer usá-los, é chamada de “correção da restrição” (Tzimtzum) ou “Hafetz Hesed” (desejo de misericórdia). Além desta etapa, começamos a trabalhar ativamente para doar ao Criador. Estas são as etapas da correção. Se não realizássemos todo esse trabalho por nós mesmos, não seria uma verdadeira doação e não sentiríamos o prazer de doar. Em vez disso, permaneceríamos apenas com o menor prazer, chamado de “vela tênue” (Ner Dakik), que existe apenas neste mundo e pode ser recebido egoisticamente.

Em nosso estado natural e inicial, podemos desfrutar apenas de uma medida muito pequena de prazer neste mundo. Cada vez que nos aproximamos do prazer, ele escapa, aparecendo brevemente e desaparecendo em seguida, restando apenas uma ínfima porção que conseguimos apreender momentaneamente. Essa é a totalidade do prazer disponível no desejo de receber antes que ele desapareça.

Portanto, se desejamos experimentar mais do que este mundo pode oferecer, não há alternativa. Já vemos que o progresso não traz felicidade. A humanidade avança, a desejo de receber se fortalece de geração em geração, e nós a presenteamos com prazeres inimagináveis, como comida em abundância, produtos infinitos e tecnologias avançadas que supostamente atendem aos nossos desejos, mas não conseguimos ser mais felizes. Aliás, em comparação com as pessoas que viveram há cem ou duzentos anos, nós, em geral, somos mais insatisfeitos e desesperados hoje em dia.

Em outras palavras, aumentar o desejo de receber e supri-lo com prazeres não ajuda. O resultado é negativo, porque o desejo de receber em si é insuficiente. Hoje, as pessoas percorrem o mundo em busca de prazer, na internet, na televisão e em inúmeras distrações, mas não encontram a plenitude. Pelo contrário, descobrem um vazio ainda maior. Muitas então recorrem às drogas e outros vícios, mas com que propósito? A humanidade precisa finalmente perceber que esse método de receber, essa maneira de tentar se preencher direta e rapidamente, é falho. Não trará o verdadeiro prazer.

Em última análise, a humanidade chegará a um estado de completa impotência. Poderíamos comer a comida mais requintada e tê-la como gosto de cascalho, seguir tendências da moda em constante mudança e não obter nenhum prazer com a nossa aparência, e trocar de parceiros muitas vezes ao longo da vida e nos cansar de cada um deles. Não encontraremos nenhuma “vestimenta” através da qual possamos obter prazer. Os desejos surgem de dentro, e continuamos a alimentá-los buscando mais prazeres, sem, no entanto, alcançar nada.

Esse processo se desenrolará rapidamente. Dentro de alguns anos, a humanidade se sentirá perdida, sem saber para onde ir. No passado, havia pensadores, como filósofos e políticos, que ao menos ofereciam alguma visão de progresso. Hoje, até mesmo líderes e economistas estão sem saber como prosseguir. Carecemos tanto de direção quanto de conhecimento sobre como nos realizar ou guiar nossas vidas.

Essa é a verdadeira natureza do desejo de receber. É um vaso que não pode se realizar diretamente. Dessa compreensão surgirá o reconhecimento do mal e a correção do mundo. Não há outro caminho. Os cabalistas definem o desejo de receber como algo do qual podemos extrair apenas uma minúscula faísca de prazer. Após o primeiro contato, o prazer desaparece como uma “vela tênue”. Comparada ao mundo superior, ao prazer supremo, é apenas uma pequena faísca que caiu neste mundo e o sustenta.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 196

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 196

O medo é dirigido ao Criador?

O medo é uma correção aplicada ao vaso do desejo de receber, de modo que ele se volte para a doação. O medo é uma atitude em relação ao Doador. Existe uma atitude em relação ao Doador que expressa preocupação: talvez Ele não me dê. Existe também uma atitude que expressa preocupação: talvez eu não lhe dê.

O primeiro é o medo egoísta e corpóreo que pertence ao nível deste mundo; é o medo de que o Criador não me dê, nesta vida, o que eu preciso. Depois disso, chegamos ao verdadeiro temor, a uma atitude genuína em relação ao Criador, não a preocupação de que o Criador não me dará, mas a preocupação de que eu não seja capaz de lhe dar.

O medo corrige o vaso, e a alegria o preenche.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 195

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 195

Capítulo 19. Temor e Alegria

Temor e alegria são opostos. Como podem estar conectados? Baal HaSulam escreve na Introdução ao Livro do Zohar que a primeira ação, a primeira correção, é chamada de “temor”. Existem mandamentos da Torá, que são mandamentos de luz, mandamentos de correção, e que formam o caminho que ascende deste mundo ao fim da correção. Este caminho é dividido em correções. A primeira correção que devemos alcançar é o temor.

O Zohar questiona: se o Criador é bom, perfeito, pratica o bem e existe acima de qualquer egoísmo, por que alguém deveria temê-Lo? Neste mundo, o temor geralmente é obtido pela força. De fato, parece inadequado que o Criador, que é absolutamente perfeito, exija temor.

O Zohar explica que existe um tipo de temor chamado “temor deste mundo”, onde tememos a punição que pode recair sobre nós ou nossa família neste mundo. Há também o temor da punição no outro mundo, um nível superior de punição (e temor), mas que ainda é punição. Mais tarde, quando corrigimos nossos vasos para vasos de doação e adquirimos uma tela (Masach), deixamos completamente de temer o Criador, pois vemos que tudo é bom e faz o bem. O Criador se revela e compreendemos que nosso temor anterior de punição não provinha da capacidade do Criador de punir, mas sim de nossos próprios corpos não corrigidos.

Na verdade, o castigo divino é inexistente. O único castigo é a desconexão com o Criador. Então, chegamos a um tipo diferente de temor, relacionado à doação: o temor de não ser capaz de doar. Esse temor em si é uma correção. Ele nos permite construir vasos de doação a partir de nossa alma. Então, dentro da revelação desse temor, recebemos a plenitude chamada “amor”. O amor é resultado do temor. Quanto maior o nosso temor de sermos incapazes de doar, mais a luz superior nos preenche e traz a sensação de amor, equivalência de forma, conexão e adesão (Dvekut) com o Criador.

Portanto, o temor é uma correção. Visto que somos inicialmente feitos de um desejo de receber e esse desejo deve ser direcionado para doar, caso contrário não podemos sentir prazer. A correção reside nos meios de doar, ou no que se chama de “temor do Criador”.

O que significa dizer que a correção deve ser o temor, vasos de doação? Se recebemos prazer no desejo de receber, o prazer imediatamente anula o desejo. Por exemplo, quando começamos a comer com fome, a comida é saborosa e agradável. Mas, à medida que continuamos a comer mais e mais, o prazer diminui, mesmo que a comida seja a mais deliciosa. Nem mesmo iguarias requintadas aumentarão o prazer sentido na primeira mordida. Isso ocorre porque o prazer que entra preenche o desejo de receber e anula a carência.

Portanto, é impossível estar completamente cheio e satisfeito, ou seja, desfrutar plenamente, e ainda sentir prazer. Quando o vaso atinge a saturação, ele deixa de sentir plenitude. Isso também pode ser observado quando ansiamos, sonhamos e buscamos algo por muito tempo, mas logo após conquistá-lo, perde o encanto e se torna banal. Isso não tem a ver com o tempo. Em vez disso, o prazer preencheu o vaso e a carência, isto é, a fome e o apetite, desapareceram.

Para que o prazer não seja acidental, temporário e passageiro, mas eterno, ele precisa crescer junto com a satisfação e não desaparecer. À medida que a satisfação aumenta, o prazer também deve aumentar, para que ambos se sustentem mutuamente. Como podemos alcançar isso? Transformando nossos corpos em corpos de doação. Ou seja, se adicionarmos a intenção de doar ao desejo de receber, o corpo atinge um status que transcende o tempo e o espaço. Então, mesmo quando a carência é preenchida, quando o “estômago” está cheio, se a intenção for doar, quanto mais nos preenchemos, mais doamos, e o desejo de doar continua a crescer.

“Acima do tempo” significa que, à medida que nos preenchemos cada vez mais, nossa carência, apetite e fome não diminuem, mas aumentam, porque podemos dar mais. Portanto, precisamos adicionar intenção ao desejo de receber. Essa intenção torna o desejo de receber eterno. Ele não desaparece diante da luz que o preenche, mas, ao contrário, torna-se eterno como a própria luz quando munida da intenção de doar.

Essa é a essência da sabedoria da Cabalá: saber receber. Se aprendermos a fazer isso corretamente, começaremos a receber prazeres incessantes e a ascender de nível em nível, de força em força. Adquirimos mais carências, corrigimos ainda mais com a intenção de doar, preenchemos mais essa carência e, novamente, aumentamos a carência, e assim por diante, progredindo até alcançarmos a plenitude ilimitada, que é chamada de “o fim da correção”.

O fim da correção não confere ao vaso uma capacidade fixa. Se o vaso tivesse uma capacidade fixa, deixaria de desfrutar, mesmo para poder doar. A doação fixa não pode existir. Pelo contrário, a doação deve crescer constantemente, caso contrário não é doação. Portanto, atingimos um estado chamado “Ein Sof” (“infinito”, ou literalmente, “sem fim”). Em Ein Sof, podemos expandir nossos vasos ilimitadamente, com intenções e realizações.

Chegamos ao verdadeiro temor, que é a questão de se podemos doar. Ou seja, à medida que mais carências se acumulam, podemos criar uma tela sobre elas para doar e, através dela, receber para doar novamente?

Essa é a essência do verdadeiro temor. Como resultado, recebemos a plenitude do alto, a luz da Torá. Quando a luz da Torá preenche esse temor, juntas criam uma sensação chamada “a alegria da Torá”, um sentimento de júbilo. Ao corrigirmos nossos vasos, recebemos a plenitude, a luz superior chamada “Torá”, e alcançamos a alegria.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 194

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 194

Por que o amor de amigos é considerado a ação mais importante, até mesmo mais do que ações como se contentar com pouco e outras correções?

Isso porque na Cabalá se sabe que uma pessoa não pode se corrigir sozinha. O que pode nos corrigir é a luz superior, se ela chega até nós de um estado mais corrigido e nos ilumina. Somente assim ela corrige nossos corpos. Portanto, não devemos agir por conta própria para corrigir os corpos, como se tivéssemos uma chave inglesa ajustável na mão com a qual abrimos, fechamos e consertamos. Em vez disso, devemos atrair um “reparador” para vir e consertar o sistema. Esse é o tipo de luz que devemos atrair.

Portanto, não realizamos ações diretas para a correção. Não procuramos onde está a tela, a trazemos, a colocamos sobre o desejo de receber e martelamos alguns pregos para que não se solte, entre o desejo de receber abaixo e a tela acima, como nos diagramas, de modo que o desejo de receber fique coberto por uma tela. Em vez disso, buscamos os meios que nos trarão uma tela que nos trará a correção. Esse meio não é uma abordagem à correção em si, mas uma abordagem àquele que corrige. Essa questão representa um grande obstáculo para as pessoas antes que comecem a entender que devemos buscar o corretor e não as correções em si. Sem o corretor, simplesmente não haverá correção. É exatamente como uma máquina de lavar que quebra e você tenta consertá-la sozinho, sem nenhum conhecimento de como fazê-lo. Não funciona. Você terá que chamar um especialista que trará a peça necessária e saberá como instalá-la no lugar certo. Portanto, devemos procurar a “pessoa” certa que sabe como fazer esse trabalho. Essa “pessoa certa” é a luz superior.

Portanto, as ações que devem ser realizadas não são ações relacionadas diretamente ao próprio objeto, mas sim ações através das quais podemos atrair as luzes mais benéficas para a correção. Os Cabalistas nos dizem que a luz circundante mais benéfica para a correção surge quando lemos um livro de Cabalá durante o estudo com a intenção de alcançar nossa raiz, o lugar onde nós, nossa ação, o estudo e o Criador estamos em adesão em um único ponto. Os Cabalistas também dizem que, para sentar e estudar com a intenção correta, a própria intenção é fundamental.

Como alcançamos tal intenção? Os Cabalistas descrevem diversos meios para construir a intenção correta. Baal HaSulam escreve no artigo “A Liberdade” que a sociedade vem antes de tudo. Sem a sociedade, não podemos unir nosso desejo em direção ao objetivo e fortalecê-lo, e nossa intenção será menor do que o necessário para atrair a luz circundante.

Se nos atormentarmos com afirmações como “Não estou bem”, “Sou mesquinho”, “Sou lascivo”, “Sou ambicioso” ou “Sou cruel”, estaremos nos entregando aos nossos desejos mais sombrios. Uma pessoa é onde estão seus pensamentos. A partir desse ponto, nada nos resta a não ser se embriagar ou usar drogas para anestesiar a terrível dor que sentimos. A autoflagelação é inútil. Por isso, está escrito: “O insensato senta-se de braços cruzados e come a própria carne”. Tal comportamento é a verdadeira tolice, pois não nos direciona para o caminho certo. Ao olharmos para a sujeira dentro de nós, não a purificamos. Quando uma peça de um carro quebra, ela precisa ser consertada por um especialista que traga a peça nova e saiba como instalá-la.

Muitas vezes, voltamos constantemente nosso olhar para dentro de nós mesmos, para o nosso interior, e isso nos torna infelizes. Nosso estado interior se revela diante de nossos olhos, e não sabemos como nos desvencilhar dessa visão; permanecemos sentados, lamentando e nos consumindo. A sociedade deve influenciar cada pessoa a sair rapidamente desse estado negativo, pois dele surge a “fala dos espiões” sobre o Criador.

Trecho de uma palestra sobre o artigo “Qual é a essência da difamação e contra quem ela é dirigida?” – Parte 2, 13/06/02

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 193

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 193

Essa lei se aplica a todas as almas, independentemente do grupo?

Essa lei opera para todas as almas, estejam elas em grupo ou não, mas uma pessoa que pertence a um grupo atrai a luz circundante do fim da correção porque está conectada com seus amigos aqui, assim como está conectada com eles lá. De acordo com o mesmo estado em que escolhe se conectar com eles aqui, ela o atrai para si, como se estivesse fisicamente puxando esse estado de lá para si, porque deseja vivenciá-lo aqui e agora, neste mundo. Considera-se que o mundo superior desce a este mundo, e de fato será assim no fim da correção.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 192

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 191

Por que nem sempre é possível compreender uma ação ou um pensamento?

Nunca sabemos por que agimos de uma forma ou de outra, por que somos levados de um pensamento para outro, de um estado para outro, porque tudo isso depende da estrutura interna da alma. Devemos examinar este desejo agora, e depois outro, seguindo a estrutura da alma de cada um. Não sabemos com quais almas e em quais assuntos estamos conectados dentro da estrutura de Adam HaRishon. Não nos conhecemos, muito menos conhecemos as almas com as quais estamos conectados ou o tipo de conexão. Não há como sabermos isso com base nos corpos físicos das pessoas conectadas a nós.

Portanto, nos são apresentadas diversas situações e estados que nos parecem coincidências, pois se pudéssemos ver a estrutura de todo o Adam HaRishon, a partir dela saberíamos o que devemos fazer agora, o que faremos no próximo instante e o que nos será dado no futuro.

Por essa razão, os Cabalistas nos dão um conselho simples sobre este assunto: em qualquer situação em que nos encontrarmos, não calculemos com as outras almas como agir. Estamos em um corpo, e nem mesmo o corpo precisa pensar em como todas as suas células operam a cada instante, como cada célula é planejada e funciona para saber como deve agir. No fim, o corpo de fato opera como foi projetado, como um sistema fechado com todas as suas partes, até mesmo a menor delas, mas ainda não estamos no grau em que podemos reconhecer isso. Em nosso estado atual, somos completamente incapazes de compreendê-lo. Somente mais tarde, ao final da correção, quando estivermos integrados a este sistema sem quaisquer perturbações, é que toda a estrutura com todas as suas funções se revelará.

Portanto, o conselho geral mais correto e simples que nos foi dado é que nós, nossa ação e nosso objetivo devem ser um só. Descemos da raiz onde estávamos unidos ao Criador. Quem é o Criador? O Criador é todas as outras almas nas quais estamos incorporados, e todas juntas recebem a luz superior em seu interior. Essa sensação dentro de nós é chamada de “o Criador”. Não sabemos o que está fora de nós. Fora de nós está a Sua essência. O que recebemos em conexão com todas as outras almas no estado corrigido, ao final da correção em nossa raiz, é chamado de “o Criador”. “Por meio de Suas ações, nós O conhecemos”. Nós O conhecemos através de nossa sensação. Precisamos ansiar por isso a partir da ação que realizamos agora. Se nos esforçarmos constantemente dessa maneira, insistindo apenas nesse ponto, no final, o alcançaremos de forma precisa.

É impossível transmitir a alguém todo este grandioso programa de forma que, antes mesmo de realizar a menor ação, essa pessoa o compreenda plenamente e com sabedoria, dominando-o completamente, do princípio ao fim. Como poderíamos conhecer todo o sistema antecipadamente, antes de estarmos unidos a todas as almas, com todas as partes do sistema, como uma única estrutura? Portanto, nos é dada uma solução. Se desejamos ser incluídos neste sistema como partes boas e ativas, devemos intencionar que nós, nossas ações e nosso estado de união com o Criador sejamos um só. Devemos, desde já, desejar estar no fim da correção, como a imaginamos, desejar realizar e criar o estado do fim da correção.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 190

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 190

Se o amor entre amigos é um meio para alcançar o Criador, como podemos verificar se o objetivo não foi substituído pelo meio?

Caso nos esqueçamos de que adquirimos o amor pelos amigos para nos aproximarmos do Criador, mas nosso pensamento geral ainda esteja voltado para o objetivo, esse objetivo pode ser relembrado por meios simples, como gritar a palavra “objetivo” ou por meio de um lembrete de outra pessoa. Mesmo em nosso nível, isso funciona.

Esquecer o objetivo é resultado da ocultação. Claro, precisamos contar com os outros para nos lembrarmos, e quem se lembra deve lembrar a todos. No entanto, em princípio, é impossível lembrar da espiritualidade se ela não for iluminadora para você. Nesse caso, mesmo que você escreva lembretes em todas as paredes, não verá o que escreveu. Se nosso desejo de receber não estiver direcionado para ela, não a veremos. É assim que somos feitos. Como é que não vemos a espiritualidade? Nosso desejo de receber não pode senti-la quando não está direcionado para ela. O mesmo se aplica a todos os sentimentos e a todas as outras coisas da vida.

Portanto, mesmo nesse estado, quando não nos lembramos do propósito da criação, várias ações que realizamos se combinarão posteriormente com pensamentos e intenções que executarmos em outro momento. É por isso que existimos neste mundo, que é um grau no qual a realidade do tempo existe. Na espiritualidade, no momento em que fazemos algo, se estivermos em adesão e agirmos de acordo com isso, é considerado uma ação. Se não estivermos em adesão naquele momento, não é chamado de “espiritualidade” e não é considerado uma ação. Contudo, neste mundo, todo esforço pode posteriormente se conectar com todo pensamento e operar em conjunto. Essa é a maravilha especial que existe neste grau inferior chamado “este mundo”.

Baal HaSulam escreve sobre isso em “Um Discurso para a Conclusão do Zohar ”: um aluno que está com seu mestre não está constantemente em sintonia com ele, mas se lhe serve uma xícara de chá e só depois pensa que, ao servir o chá, desejava se conectar com a espiritualidade, o pensamento e a ação funcionarão juntos como se ele tivesse, de fato, servido a xícara de chá ao mestre com o propósito de se conectar. Ou seja, o tempo trabalha a nosso favor. O tempo conecta todos os esforços, tudo aquilo a que não conseguimos conectar. Através disso, ascendemos os graus.

Quando estamos constantemente na companhia de uma grande pessoa, muito próximos a ela, é muito difícil manter uma atitude correta. Naturalmente, de repente sentiremos desprezo, falta de desejo, não teremos vontade e nos cansaremos de aprender com ela. Isso é natural porque vemos apenas o corpo, ou seja, não vemos diferença entre nós e a grande pessoa, enquanto a essência interior permanece oculta. Portanto, Baal HaSulam diz que mesmo que façamos as coisas por sentirmos alguma necessidade, obrigação humana ou desconforto em não fazê-las, e depois atribuamos razões espirituais às nossas ações, como o desejo de alcançar a espiritualidade por meio delas, mesmo mais tarde, quando não estivermos mais próximos do mestre e se tornar mais fácil refletir sobre isso, o pensamento e a ação se unem. O mesmo se aplica aos amigos. O mais importante é agir, para que o pensamento futuro tenha algo em que se apoiar.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 189

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 189

O que é o discernimento do conhecimento e o que é o discernimento da fé?

Uma pessoa não pode trilhar o caminho do conhecimento, pois o caminho do conhecimento é a recepção da recompensa em vasos corrigidos. O que é conhecimento? O conhecimento nos é dado quando a luz entra no vaso e lhe confere uma sensação, e a examinamos com nosso intelecto, tomando consciência de todas as circunstâncias que nos levaram a essa sensação: as ações que realizamos, com quais desejos, em que medida eles estão corrigidos, em que graus de espessura e como construímos essa sensação em conjunto. A estrutura da sensação, nossa abordagem a ela, o quanto nos esforçamos e como agora a desfrutamos, tudo isso nos dá conhecimento. Na espiritualidade, podemos alcançar isso somente através da fé, isto é, através da correção de Hafetz Hesed (deleite na misericórdia). Fé e conhecimento são dois graus. A “fé” é chamada de luz de Hassadim, e a “fé completa”, quando o conhecimento a acompanha, é chamada de “luz de Hassadim com a iluminação de Hochma”.

Alcançamos a luz de Hassadim por meio de uma tela da raiz, e do primeiro e segundo graus de espessura. Mesmo no terceiro e quarto graus de espessura, a luz de Hassadim deve primeiro vir com uma intensidade apropriada à luz de Hochma. A fé é a primeira correção. Tudo é alcançado pela fé. O que significa fé? Significa ter uma restrição e vasos de doação, o grau de Bina. Bina é chamada de “fé”. GAR de Bina são chamados de “fé completa”. Ao ascender de baixo para cima, quando Malchut atinge o grau de Bina, primeiro alcança Bina, que é chamada de Hafetz Hesed, e depois, quando corrige seus vasos de recepção dentro de Bina, considera-se que alcançou GAR de Bina , e ali recebe a iluminação de Hochma.

Isso contrasta com o que a maioria das pessoas no mundo pensa: que fé significa fechar os olhos, tornar-se fanático e fazer o que nos mandam sem usar a cabeça. Nos meios espirituais, de fato, “não usar a cabeça” significa não trabalhar com a luz de Hochma, mas devemos “usar a cabeça” para trabalhar com a luz de Hassadim, o que exige muita sutileza e esforço. Não significa apagar os desejos. Significa conhecê-los e, acima deles, construir uma atitude de transcendê-los. Isso se chama “fé acima da razão”.

Não existe fé simples. Como somos vasos, mesmo nos graus raiz, primeiro, segundo e terceiro de espessura, mesmo no grau raiz, tudo o que fazemos essencialmente se baseia o desejo de receber. Não temos desejo de doar. A desejo de doar é o Criador. Temos uma desejo de receber que pode ser corrigido em prol da doação. Portanto, mesmo que trabalhemos no grau raiz de espessura, ainda assim é trabalho baseado num desejo de receber do grau raiz, que é diferente da doação pura do Criador. Se trabalharmos apenas a fim de doar, estaremos agindo acima desse desejo de receber.

Até mesmo no desejo de receber existe conhecimento. O conhecimento é a sua espessura, até mesmo o grau fundamental da espessura, e se trabalharmos acima disso, nos neutralizamos, e isso é chamado de ser “um embrião”. O grau raiz da espessura corrigido é chamado de “um embrião”. Nós nos anulamos completamente e estamos inteiramente em autoanulação, mas sabemos o que estamos renunciando e o que anulamos. Nessa anulação, estamos como que sob o controle total do Criador, e isso é chamado de “um embrião no ventre materno”; é a entrega completa de nossa alma ao Ser Superior. Isso está acima da razão. Na medida em que existe razão, devemos estar acima dela. Em cada grau, existe um estado chamado “embrião”. Ou seja, existem 125 graus, e em cada grau mais avançado há uma espessura da qual renunciamos e entregamos nossa alma. Ser um embrião no 100º grau, por exemplo, é uma conquista maior do que ser grandioso no 99º grau.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 188

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 188

Não seria mais lógico alcançar o amor pelas pessoas a partir do amor pelo Criador?

Segundo a sabedoria da Cabalá, o amor ao Criador é o grau final do desenvolvimento do desejo; é a correção do desejo. O desejo existe em ocultação dupla, ocultação simples, recompensa e punição, e amor. O amor se divide em várias partes, e o amor eterno é o maior e o último.

Ou seja, precisamos alcançar o fim da correção e somente a partir daí compreender que devemos nos relacionar bem com o amigo com quem estamos estudando. Caso contrário, por que o Criador criou este mundo inteiro, os amigos e nos reuniu? O propósito da existência deste mundo, que sobrecarrega a alma e a oprime, é tentar alcançar o fim da correção, apesar das perturbações que o Criador nos impõe. Essa é, essencialmente, a essência da ascensão dos graus. Já estamos no fim da correção, mas não o sentimos porque nosso coração está envolto por 125 camadas. Essas camadas de ocultação precisam ser neutralizadas para que possamos sentir o fim da correção. Como essas camadas são neutralizadas? Por meio de diversos recursos que estão à nossa disposição.

Até mesmo os grandes justos que estão no fim da correção descem a este mundo quando precisam ajudar as almas aqui presentes, e recomeçam o mesmo caminho, alcançam o fim da correção em suas vidas, escrevem livros para nós, nos ajudam, cuidam de nós e nos ensinam, tudo a partir do grau deste mundo. Eles ainda estão conectados ao fim da correção dentro de si mesmos, mas estão aqui conosco. Em outras palavras, todas as coberturas que nos foram dadas para que não sentíssemos o fim da correção têm o propósito de nos levar a superá-las, para que possamos nos relacionar com elas e utilizá-las. Quanto maior a perturbação, maior será a iluminação que ela se tornará posteriormente.

As leis da natureza neste mundo comprovam isso: a ação da resistência na eletricidade, a conexão entre as células do corpo e a conexão entre todas as coisas. A força da resistência é uma força positiva se usada com um propósito. Somente através dela é possível sentir algo e obter benefícios. Quando a eletricidade passa por um fio sem resistência, não a sentimos. Se houver resistência, podemos obter benefícios: aquecimento, resfriamento e o funcionamento de diversos aparelhos.

O mesmo ocorre com o fardo causado pelo desejo de receber. Sem ele, não sentiríamos a luz. Com espessura zero, nada é sentido. Se houver espessura no mar de luz, de acordo com essa espessura, seremos capazes de sentir a luz passando por ele, desde que a deixemos passar. Portanto, a força da tela é chamada de “força de resistência”. Ela opera exatamente como um resistor que produz resistência elétrica.