Textos na Categoria 'Crianças'

A Sociedade Como Um Único Organismo Espiritual

75.01Pergunta: Quando falamos de um estado integral, estamos nos referindo à sociedade ou, de acordo com a Cabalá, a um único organismo espiritual?

Resposta: É a mesma coisa. Estamos falando de uma sociedade que começa a se perceber como um todo comum. Dentro dela, emergem uma mente coletiva, um sentimento coletivo, necessidades coletivas e uma visão coletiva de tudo. Ou seja, toda a sociedade se torna um todo unificado e começa a sentir todos os níveis da natureza como totalmente interconectados. E quando uma pessoa inclui essa vasta natureza dentro de si, a vê e a sente em seu interior, ela começa a internalizar seu programa.

Como parte desse programa, ela começa a percebê-lo em sua totalidade. É como se ela se visse como tendo se originado bilhões de anos atrás e continuando seu desenvolvimento bilhões de anos no futuro, porque começa a ser incluída nesse imenso organismo de natureza integral. Ela começa a sentir todas as forças dentro das quais existe e entende como isso funciona, como a influencia e como ela pode influenciar a si mesma, seu destino e seu futuro, como o único elemento ativo na natureza, não instintivamente, mas conscientemente.

Contudo, ela só alcançará isso quando estiver integralmente integrada em todos os níveis da natureza. Então, ela ascende ao nível mais elevado da natureza, ao nível do Criador, por assim dizer. Não existe um Criador como tal; a própria natureza é o Criador. Mas a pessoa atinge esse nível.

Pergunta: Como podemos definir o próprio conceito de sociedade, visto que sociedade e organismo são percebidos como coisas diferentes? A sociedade às vezes é comparada a um organismo, mas isso é uma metáfora, uma imagem.

Resposta: Esses conceitos são percebidos de forma diferente em uma sociedade onde todos os elementos não estão interconectados. Se considerarmos um organismo dividido em partes, em fragmentos, como uma pessoa doente em estado grave, quando todos os sistemas estão em desequilíbrio, então você está certo. Esse é o estado da sociedade atual que estamos tentando, de alguma forma, salvar da destruição, da completa desintegração de todos os seus sistemas. Mas quando todos os sistemas estão em apoio mútuo e equilíbrio, cada um individualmente e todos juntos, como o corpo humano, temos simplesmente uma sociedade integral.

Comentário: Portanto, devemos traçar uma linha clara entre as noções de sociedade que prevalecem na sociologia. Lá, tudo é muito simples: existe uma sociedade simples, uma comunidade primitiva, uma tribo, e existe uma sociedade complexa, que deve ser altamente diferenciada.

Minha Resposta: As comunidades primitivas, aliás, eram praticamente comunidades integradas. Para elas, isso se baseava em um nível instintivo, como no mundo animal.

Mas nós nos diferenciamos do mundo animal porque o egoísmo cresceu em nós. E agora começamos a nos unir em um nível diferente.

Os animais estão instintivamente unidos em uma comunidade integral. A natureza os mantém unidos por meio de sua lei geral. Então, acima de nosso corpo animal, o egoísmo cresce, e devemos começar a nos integrar acima dele, com ele. Ou seja, o próprio egoísmo nos proporciona um novo nível de integração.

De KabTV, “Mundo Integral”, 26/11/12

Encontre-se

963.5O principal problema na educação das pessoas reside no fato de não as ensinarmos a descobrir o que é mais importante para si mesmas — a meta. Além disso, nesse sentido, é preciso ser verdadeiramente independente e se colocar em um estado em que nem a mídia, nem a sociedade, nem nada mais o influencie, onde nada disso importe e onde se possa resistir a todos.

Isso é mais assustador do que uma batalha, porque você precisa suportar um poderoso ataque de informações, ideias diversas de uma multidão frenética, os chamados valores da humanidade. Onde você encontraria a força interior para isso, a capacidade de comparar as coisas, de se elevar acima de tudo, de ignorar tudo o mais quando necessário? Isso não é nada simples. É preciso aprender.

Se não ensinarmos isso à nova geração, ela será descartada como um bando de ervas daninhas e permanecerá infeliz por toda a vida. Podemos ver como as pessoas não conseguem se encontrar. Acreditamos que, de sete bilhões de pessoas, 99% simplesmente não são adequadas para nada. Não, elas nunca foram ensinadas. Cada pessoa tem sua própria individualidade.

Quando você dá a uma pessoa a oportunidade de se encontrar e encontrar sua neta, seu lugar em meio a essa vasta multidão, ela subitamente começa a se entender e percebe que tudo ao seu redor está precisamente ajustado a ela.

Portanto, o mais importante é a educação da pessoa: estar onde precisa estar, escolher de forma independente o próprio caminho na vida e conectar-se corretamente com todos os outros para realizar esse caminho.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. Todos Deveriam Ser Iguais”, 10/01/10

Um Meio Eficaz De Avanço

600.02Pergunta: Se uma pessoa comum, pertencente aos 99% da população, se depara com alguma influência negativa, qual deveria ser seu primeiro pensamento? Do que ela deveria se lembrar naquele momento?

Resposta: Eu apenas recebi isso da natureza, a única fonte que criou tudo, governa tudo e me impulsiona em direção à meta. Portanto, qualquer influência sobre mim serve apenas para que eu me direcione para essa meta. Como posso me direcionar ainda mais para ela, com base na influência que estou recebendo agora?

Primeiro, é preciso conectar-se com o objetivo e, em seguida, observar exatamente sobre o que estou recebendo essa influência, contra o quê? Via de regra, essas influências são direcionadas ao meu egoísmo, já que não há nada mais dentro de mim. Mas precisamente quais de suas qualidades, facetas e manifestações?

Geralmente, a influência mais negativa sobre o egoísmo é a violação do orgulho, a violação do “eu”, ou seja, o medo de ser envergonhado perante os outros; o medo da vergonha. É a derrota do orgulho, a derrota do “eu”, que é o mais importante para uma pessoa. Ela está disposta a morrer apenas para evitar experimentar ou vivenciar tal sentimento. Isso anula o ser humano dentro de mim, destrói literalmente o meu “eu”, e me resta apenas um corpo animal. E eu não posso aceitar ser meramente um animal. Não posso descer a esse nível, e, portanto, uma pessoa está disposta a tudo.

Esse sentimento de derrota do meu “eu”, a ameaça da vergonha, é o estímulo mais forte que podemos receber da natureza para avançarmos em direção à meta. Aprendemos com a Cabalá que praticamente toda a criação, todo o sistema dos mundos, emergiu desse sentimento primordial de vergonha e, portanto, para nós, ele é o mais eficaz.

Se uma pessoa se sente corretamente, despertando constantemente uma análise do “eu”, o sentimento de vergonha e o sentimento de superá-lo, então torna-se fácil para ela realizar qualquer tipo de trabalho sobre seu egoísmo.

De uma Conversa sobre Educação Integral, 30/05/12

Portadores Do Gene Espiritual

632.3Pergunta: As crianças israelenses são muito barulhentas e enérgicas, poderíamos até dizer hiperativas. Isso tem alguma relação com uma mentalidade judaica específica?

Resposta: Os judeus descendem da antiga Babilônia, de uma única civilização de habitantes da Terra que ascendeu a um nível espiritual e depois decaiu. Portanto, essa ascensão e queda foram preservadas em seus genes. Não há nada a fazer; eles são a parte mais ativa da humanidade em tudo: ciência, cultura, em todos os lugares.

Eles representam literalmente cerca de 0,01% da humanidade e, de repente, são 50% dos laureados com o Prêmio Nobel, de 20 a 30% dos músicos, 30% dos artistas, e assim por diante. E tudo porque um dia estiveram em um nível espiritual, caíram dele e agora estão envolvidos em assuntos terrenos. Deveriam ter abandonado isso completamente e se dedicado exclusivamente ao trabalho espiritual. Espero que, eventualmente, seja assim que aconteça. Não precisamos de “Einsteins” ou revolucionários. Precisamos nos envolver em revoluções espirituais, não terrenas.

Acredito que tudo está caminhando nessa direção agora. A crise geral e tudo o que está acontecendo no mundo levará a humanidade à elevação espiritual, e então essa hiperatividade se manifestará em ações espirituais.

Isso se manifesta nos judeus porque eles caíram de um nível espiritual para um nível material, perderam o componente espiritual, e este se transformou em algo terreno. O que restou neles da carga espiritual na queda é precisamente essa parte hiperativa.

Portanto, se você encontrar um revolucionário ou um transformador em nosso mundo, na ciência, na arte ou em qualquer outra área, ao investigar sua linhagem, descobrirá que suas raízes provêm de uma tribo que outrora se encontrava em um nível espiritual elevado. Essa é a qualidade de Bina, a qualidade de doação, que sozinha pode revitalizar a humanidade.

Não sou nacionalista e defendo a correção do mundo inteiro. Portanto, o método da Cabalá, que surgiu na antiga Babilônia, deve ser aplicado em todos os lugares. O fato é que o mundo inteiro é Malchut. E parte dele, que antes estava no nível de Bina, regrediu para Malchut. Mas somente dessa parte, que é o antigo povo de Israel, que outrora alcançou um nível espiritual, é que o progresso em nosso mundo se origina.

Portanto, se você observar ativistas verdadeiramente sérios, não pode ser que lhes falte uma centelha originada da conquista do mundo superior que caiu em nosso nível. As pessoas que vêm à Cabalá hoje, não importa de onde venham, de alguma forma, em algum lugar, receberam esse vírus espiritual.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. Filhos de Israel, Parte 2”, 01/10/10

Não Pela Força, Mas De Todo O Coração

253Hoje observamos um fenômeno muito interessante no desenvolvimento da natureza. Pela primeira vez na história, não estamos nos desenvolvendo cegamente como antes, quando nosso egoísmo nos impulsionava e nos forçava a romper barreiras em todas as direções possíveis. Costumávamos fazer uma descoberta repentina em uma área, depois em outra, e em uma terceira, e milhares de pessoas se dedicavam a isso, desenvolviam e promoviam os produtos resultantes umas às outras. Esse era o caminho do progresso.

De repente, tudo para, como se pela primeira vez tivéssemos que encarar a verdade e descobrir: o que aconteceu, para onde fomos? Nossos filhos já não seguem nosso exemplo e parecem perguntar: por que vocês nos deram à luz, para que vivemos? Mas nós mesmos não conseguimos responder a essa pergunta. Corremos sem parar, sem parar. De repente, paramos e nos perguntamos: “Mas para onde devemos correr, para quê, o que está acontecendo, onde fomos parar?”

Olhamos em volta e ficamos horrorizados. É um deserto seco e sem vida, onde não há nada. E o mais interessante é que o que se exige de nós, antes de mais nada, é compreender e perceber o estado em que chegamos como resultado de toda a nossa história de desenvolvimento. Todos precisam reconhecer e entender isso; sem isso, não será possível alcançar a participação mútua com os outros.

Há algum tempo, isso era prerrogativa de poucos escolhidos; alguns cientistas, políticos, sábios, um rei ou algum outro governante davam ordens sobre como avançar e estabeleciam leis.

Contudo, hoje começamos a revelar a lei que precisa ser compreendida por cada um de nós. Não se pode agir de outra forma; portanto, é preciso educação. É impossível impor essa lei pela força, aplicando multas ou prendendo todos que a desobedecem.

Não vai acontecer assim! A pessoa precisa se dedicar de corpo e alma à execução do trabalho, à sua conexão com os outros. Não se trata de um cálculo de compra e venda: quanto eu lhe dou e quanto você me dá. Essa é a singularidade do novo estado sobre o qual muitos escrevem, que revela que existe um processo que se inicia do zero em nossa época, pertencente a um nível de desenvolvimento diferente.

Isso se chama desenvolvimento humano, no qual construímos um sistema mútuo de conexões entre nós, a imagem de um ser humano unificado. É impossível para qualquer pessoa recusar-se a participar, quer viva no outro extremo do mundo, em Manhattan ou na Europa. Temos a obrigação de proporcionar isso a todos. Afinal, se todos dependem de todos, não temos outra escolha.

Antes de mais nada, é preciso haver uma verdadeira transformação na educação das crianças, da nova geração. Pelo menos a próxima geração começará uma nova vida, bela, equilibrada, repleta de participação mútua, segura e autoconfiante. Ninguém venderá drogas para uma criança, ninguém a forçará a se prostituir ou a espancará.

Observe o que fizemos com nossos filhos; eles são uma cópia exata de nós mesmos. Somos incapazes de mudar a nós mesmos e, portanto, não podemos salvar nossos filhos para que se tornem pessoas diferentes. Como posso exigir que meu filho seja diferente se eu mesmo sou o mesmo?

Portanto, olhamos para nossos filhos e vemos que estamos perdendo-os. Eles acabam se tornando ainda piores do que nós. Mas, em essência, continuam o mesmo padrão. Não posso chamá-los de maus. Se eu estou rolando ladeira abaixo, eles estão apenas rolando um pouco à minha frente, já que esta é a próxima geração.

No entanto, temos a oportunidade de compreender isso seriamente, de passar por todas as etapas da revolução interior com a ajuda deste curso e de trilhar o novo caminho porque a vida nos força a isso, e não porque alguma mente brilhante o inventou.

Temos que verificar tudo em que possamos obter ajuda da ciência, da psicologia, da experiência do nosso dia a dia e ver juntos como podemos construir um novo mundo. Afinal, nosso curso exclusivo foi concebido exatamente para esse propósito.

De KabTV, “Nova Vida 6”, 03/01/12

Uma Geração Rebelde

629.3Comentário: Na prática, vejo como são as crianças em Israel; há uma completa falta de respeito pelos adultos, pela educação …

Minha Resposta: Isso é a coisa mais maravilhosa que poderia acontecer. E não estou dizendo isso como israelense, mas porque quando uma pessoa pequena não quer ouvir uma grande, isso já é um bom começo.

Mas o que significa “não querer”? Isso vem da sua natureza. Ela se sente totalmente independente, ignora todos os seus valores e não quer ter nada a ver com eles. Ela quer descobrir algo novo por si mesma.

Não estou falando do que está acontecendo aqui. Honestamente, ainda não vi um cenário tão ideal, mas ficaria muito feliz se a geração mais jovem não desse ouvidos à mais velha. Ao mesmo tempo, elas deveriam ter a capacidade de analisar e encontrar seu próprio ponto de vista, uma visão de mundo intencional, perspicaz, penetrante e clara, para que pudessem enxergar o objetivo em tudo — onde ele está? Só assim poderão usar tudo ao seu redor corretamente.

Isso ainda não existe na educação. Mas o egoísmo que vemos na nova geração dá esperança de que estejamos nos aproximando disso. E quando chegarem ao poder na mídia e na sociedade, acho que já seremos capazes de ajudá-las a entender que a Cabalá é precisamente um meio para buscar o propósito da vida e realizá-lo.

De KabTV,Eu Recebi uma Chamada. Filhos de Israel, Parte 1”, 01/10/10

A Lei Cabalística Da Alcateia

294.2Pergunta: Quando uma loba sai para caçar, os cuidadores vigiam seus filhotes e brincam com eles. O tratamento dado aos filhotes na alcateia é o mais afetuoso. Qualquer adulto está sempre pronto para compartilhar comida com eles, brincar e ensinar-lhes as regras da caça e a hierarquia. É exatamente por isso que a alcateia de lobos é tão unida e eficiente.

Será este um processo de educação? É quando toda a sociedade passa a cuidar não só dos seus próprios filhos? Como posso me desapegar do meu próprio filho? Aqui se diz que eu cuido do filho de outra pessoa, que toda a família cuida dele. Em que caso isso é possível?

Resposta: É quando você compreende que todos vocês formam um todo comum. Esses são princípios Cabalísticos.

Pergunta: Absolutamente! Sem isso eu perecerei, não é?

Resposta: Sim.

Pergunta: O filho de um vizinho é tão importante para mim quanto o meu próprio filho?

Resposta: Sim.

Pergunta: Isso parece muito irreal para uma pessoa. Mas deve ser assim mesmo, certo?

Resposta: Deve ser assim, é claro!

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 01/01/26

Filhos De Israel

926.02Pergunta: Como orientar corretamente os filhos se eles não querem ouvi-lo de jeito nenhum?

Resposta: Só parece assim para você porque realmente não há nada que você possa dizer a eles. Como você pode convencê-los? Com ​​suas tatuagens, seus aparelhos eletrônicos? Eles também têm tudo isso. Somente algo que transcende este mundo os atrairá, e nada mais. Veja quantos jovens estão frequentando palestras e aulas de Cabalá; veja como são atraídos por ela.

Comentário: Mas estou falando de filhos pequenos que crescem em nossa comunidade. Parece-me que a Cabalá não lhes interessa em nada, e eles são simplesmente obrigados a permanecer nesse ambiente.

Minha Resposta: Vá às aulas deles e veja como pensam e raciocinam. Eles simplesmente não se encaixam na sua mentalidade rígida. Para eles, você é um dinossauro, você não consegue entendê-los. E eu também não.

Mas precisamos compreendê-los. Não há outro detector aqui, a menos que uma criança de quinze a dezessete anos permaneça aqui e não frequente nenhuma outra comunidade. Este ambiente é o mais adequado para ela.

Você já viu garotos de dezesseis anos sentados ao lado de seus pais, organizando grupos semelhantes aos dos pais? Isso existia há algumas centenas de anos, quando estávamos em um nível primitivo de desenvolvimento. Mas agora, após a virada que vivenciamos no século XX, veja o que está acontecendo.

Mas o objetivo agora é diferente. Antes, era apenas uma imitação animalesca dos pais: meu pai é ferreiro, então serei ferreiro também; meu pai é agricultor, então serei agricultor, e assim por diante. Mas agora é diferente. Meu pai se dedica à espiritualidade, e eu também, porque, em princípio, não consigo encontrar outra coisa. Você conseguiria manter esses meninos de dezesseis anos ao seu lado se eles não estivessem interessados? Ninguém conseguiria. É óbvio que eles vêm por conta própria e se sentam ao lado dos pais.

Para mim, esta é uma prova clara de que o exemplo que lhes damos e o material que lhes fornecemos estão verdadeiramente acima de toda a natureza humana.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. Filhos de Israel, Parte 1”, 10/01/10

Vamos Brincar De Conto De Fadas

237Pergunta: Não existe coerção artificial no sistema de educação e formação integral, ao contrário do que ocorre no sistema educacional moderno?

Resposta: No sistema de educação integral, não pode haver coerção, apenas a consciência da necessidade. O objetivo que se apresenta diante de nós é completamente indesejável; nosso egoísmo é totalmente contrário a ele, mas não temos escapatória. Gradualmente permeados por essa necessidade, começamos a encontrar méritos nela: “Vamos pensar, o que ganhamos com isso? Vamos supor que seja possível. Talvez seja utópico, mas vamos imaginar um conto de fadas”.

Começamos a explorar o que realmente acontece nesse caso. Uma pessoa se sente realizada por meio disso? Afinal, queremos apenas alcançar a realização. Em quê, com o quê e como? Até que ponto uma pessoa fica satisfeita com todas as suas necessidades, todos os seus desejos? Quantos desejos, em nosso estado atual, podemos satisfazer?

Comentário: Não muitos, cerca de vinte.

Minha Resposta: Correto. E mesmo assim, imediatamente começamos a sentir um novo vazio, e mais uma vez precisamos correr atrás da sua satisfação, nos precipitar em direção a novas fontes. Mas o que é a plenitude integral, ou o que ela implica?

Aqui começamos a revelar uma forma de existência inteiramente nova quando eu, ao me incluir nos outros, em conexão com os outros, começo a adquirir a capacidade de ser preenchido, de ser saciado, de experimentar constantemente, literalmente, um “orgasmo” sensorial e criativo. Ele existe dentro de mim e cresce continuamente.

Isso é um choque tremendo. E é constante; não cansa nem repele. Você não sente mais vontade de experimentar algo diferente: “Agora eu gostaria de algo um pouco mais picante…”, porque ambas as qualidades estão presentes juntas: o egoísmo e a conquista da conexão que o transcende.

Assim, começamos a revelar um nível completamente novo de sensação da vida: sensorial e cognitiva. Penetramos uma nova camada da natureza e começamos a nos familiarizar com a força única que governa toda a natureza. Se Deus existe (como as pessoas costumam dizer), nos tornamos praticamente equivalentes a Deus. A sensação do tempo desaparece — passado, presente e futuro.

Elevo-me acima do fluxo de toda a existência. Ao integrar-me com os outros, ela forma dentro de mim uma imagem eterna e perfeita que se transforma constantemente, cintilando com todas as suas metamorfoses. Ao mesmo tempo, alcanço continuamente níveis cada vez maiores de realização, satisfação, prazer, conhecimento e revelação.

Subitamente, alcanço um estado em que meu corpo parece se distanciar de mim. Ele se torna secundário, e a sensação dele desaparece a tal ponto que, mesmo que morra, eu não o sinto. Ao dominar todo o sistema, ao me incluir nele, não sinto como minha parte animal morre.

Assim como em nosso nível animal atual, ao cortar as unhas ou o cabelo do nível vegetativo, não sentimos perda ou dor, aqui, tendo ascendido ao próximo nível, Humano (Adão), não sinto perda com a morte do corpo animal. Nem sequer sinto que isso acontece, a tal ponto que me desapego dele e me adapto ao novo nível.

Se tudo isso for revelado gradualmente aos ouvintes, eles perceberão que a natureza não está simplesmente nos impulsionando através de todas essas crises para renascermos em um novo patamar, mas nos conduzindo a algo especial. Então, eles desenvolverão motivações profundas.

Além disso, isso justifica seu estado atual no mundo, sem trabalho, porque ao atingir o próximo nível, mais elevado, você fornece a este mundo tudo o que é necessário, com harmonia, em consequência da qual cada grão de areia lhe confere repentinamente uma enorme quantidade de energia, literalmente de acordo com a fórmula de Einstein.

De KabTV, “A 13ª Conversa sobre Educação Integral”, 18/12/11

O Sofrimento Purifica?

294.2Pergunta: Existe um conceito de karma que defende a ideia de que há algum tipo de fardo que me impede de ser feliz, mas que se eu praticar ações positivas ou sofrer inocentemente, reduzo meu karma.

Resposta: É assim que a consciência religiosa se estrutura, como se o sofrimento de alguma forma nos aprimorasse. Absolutamente não!

Acolho qualquer influência sobre mim, seja ela negativa ou positiva. Meu problema reside apenas em me preparar para perceber ambas como uma motivação superior para avançar rumo à unificação. No fim das contas, não me importa que tipo de influência seja essa, negativa ou positiva.

Analiso-me objetivamente. Se meu egoísmo é mais afetado por influências negativas, isso é benéfico. Esse efeito é negativo em relação ao meu egoísmo, não em relação a mim, porque quero elevar meu “eu”, portanto não tenho problemas com isso.

Eu não invoco o sofrimento; não oro por ele para receber algum tipo de recompensa depois, não! Ele simplesmente serve como a razão positiva para eu seguir em frente. Mas, em princípio, não o acolho em si mesmo, e não o busco; isso é impossível. Só um masoquista poderia acreditar que o sofrimento supostamente purifica, que ele será recompensado com o paraíso ou algum tipo de recompensa pelo sofrimento: sofrer aqui e receber lá. Tudo isso está errado!

Afinal, em princípio, a própria natureza provê o nosso bom progresso. Portanto, tudo depende de quanto nos colocamos acima das sensações, ou seja, de as vermos unicamente como a causa por meio da qual avançamos.

De uma Conversa sobre Educação Integral 30/05/12