O Sofrimento Purifica?
Pergunta: Existe um conceito de karma que defende a ideia de que há algum tipo de fardo que me impede de ser feliz, mas que se eu praticar ações positivas ou sofrer inocentemente, reduzo meu karma.
Resposta: É assim que a consciência religiosa se estrutura, como se o sofrimento de alguma forma nos aprimorasse. Absolutamente não!
Acolho qualquer influência sobre mim, seja ela negativa ou positiva. Meu problema reside apenas em me preparar para perceber ambas como uma motivação superior para avançar rumo à unificação. No fim das contas, não me importa que tipo de influência seja essa, negativa ou positiva.
Analiso-me objetivamente. Se meu egoísmo é mais afetado por influências negativas, isso é benéfico. Esse efeito é negativo em relação ao meu egoísmo, não em relação a mim, porque quero elevar meu “eu”, portanto não tenho problemas com isso.
Eu não invoco o sofrimento; não oro por ele para receber algum tipo de recompensa depois, não! Ele simplesmente serve como a razão positiva para eu seguir em frente. Mas, em princípio, não o acolho em si mesmo, e não o busco; isso é impossível. Só um masoquista poderia acreditar que o sofrimento supostamente purifica, que ele será recompensado com o paraíso ou algum tipo de recompensa pelo sofrimento: sofrer aqui e receber lá. Tudo isso está errado!
Afinal, em princípio, a própria natureza provê o nosso bom progresso. Portanto, tudo depende de quanto nos colocamos acima das sensações, ou seja, de as vermos unicamente como a causa por meio da qual avançamos.
De uma Conversa sobre Educação Integral 30/05/12