Não Pela Força, Mas De Todo O Coração

253Hoje observamos um fenômeno muito interessante no desenvolvimento da natureza. Pela primeira vez na história, não estamos nos desenvolvendo cegamente como antes, quando nosso egoísmo nos impulsionava e nos forçava a romper barreiras em todas as direções possíveis. Costumávamos fazer uma descoberta repentina em uma área, depois em outra, e em uma terceira, e milhares de pessoas se dedicavam a isso, desenvolviam e promoviam os produtos resultantes umas às outras. Esse era o caminho do progresso.

De repente, tudo para, como se pela primeira vez tivéssemos que encarar a verdade e descobrir: o que aconteceu, para onde fomos? Nossos filhos já não seguem nosso exemplo e parecem perguntar: por que vocês nos deram à luz, para que vivemos? Mas nós mesmos não conseguimos responder a essa pergunta. Corremos sem parar, sem parar. De repente, paramos e nos perguntamos: “Mas para onde devemos correr, para quê, o que está acontecendo, onde fomos parar?”

Olhamos em volta e ficamos horrorizados. É um deserto seco e sem vida, onde não há nada. E o mais interessante é que o que se exige de nós, antes de mais nada, é compreender e perceber o estado em que chegamos como resultado de toda a nossa história de desenvolvimento. Todos precisam reconhecer e entender isso; sem isso, não será possível alcançar a participação mútua com os outros.

Há algum tempo, isso era prerrogativa de poucos escolhidos; alguns cientistas, políticos, sábios, um rei ou algum outro governante davam ordens sobre como avançar e estabeleciam leis.

Contudo, hoje começamos a revelar a lei que precisa ser compreendida por cada um de nós. Não se pode agir de outra forma; portanto, é preciso educação. É impossível impor essa lei pela força, aplicando multas ou prendendo todos que a desobedecem.

Não vai acontecer assim! A pessoa precisa se dedicar de corpo e alma à execução do trabalho, à sua conexão com os outros. Não se trata de um cálculo de compra e venda: quanto eu lhe dou e quanto você me dá. Essa é a singularidade do novo estado sobre o qual muitos escrevem, que revela que existe um processo que se inicia do zero em nossa época, pertencente a um nível de desenvolvimento diferente.

Isso se chama desenvolvimento humano, no qual construímos um sistema mútuo de conexões entre nós, a imagem de um ser humano unificado. É impossível para qualquer pessoa recusar-se a participar, quer viva no outro extremo do mundo, em Manhattan ou na Europa. Temos a obrigação de proporcionar isso a todos. Afinal, se todos dependem de todos, não temos outra escolha.

Antes de mais nada, é preciso haver uma verdadeira transformação na educação das crianças, da nova geração. Pelo menos a próxima geração começará uma nova vida, bela, equilibrada, repleta de participação mútua, segura e autoconfiante. Ninguém venderá drogas para uma criança, ninguém a forçará a se prostituir ou a espancará.

Observe o que fizemos com nossos filhos; eles são uma cópia exata de nós mesmos. Somos incapazes de mudar a nós mesmos e, portanto, não podemos salvar nossos filhos para que se tornem pessoas diferentes. Como posso exigir que meu filho seja diferente se eu mesmo sou o mesmo?

Portanto, olhamos para nossos filhos e vemos que estamos perdendo-os. Eles acabam se tornando ainda piores do que nós. Mas, em essência, continuam o mesmo padrão. Não posso chamá-los de maus. Se eu estou rolando ladeira abaixo, eles estão apenas rolando um pouco à minha frente, já que esta é a próxima geração.

No entanto, temos a oportunidade de compreender isso seriamente, de passar por todas as etapas da revolução interior com a ajuda deste curso e de trilhar o novo caminho porque a vida nos força a isso, e não porque alguma mente brilhante o inventou.

Temos que verificar tudo em que possamos obter ajuda da ciência, da psicologia, da experiência do nosso dia a dia e ver juntos como podemos construir um novo mundo. Afinal, nosso curso exclusivo foi concebido exatamente para esse propósito.

De KabTV, “Nova Vida 6”, 03/01/12