Pregar uma Peça

524.01Eu estou preso dentro da minha própria casca, que me separa do Criador que está lá fora. Sou um escravo; não consigo me libertar sozinho. A cada instante, uma força age sobre mim, me reconduzindo automaticamente a mim mesmo, ao centro egoísta.

Como posso me obrigar a prestar atenção ao que acontece lá fora para entender que isso também sou eu e que lá, lá fora, existo em comunhão com o Criador? Essa é a minha verdadeira realidade, lá estou eu além do meu animal, e lá está a minha alma, fora desse “eu” egoísta pelo qual me defino atualmente.

Essas são duas forças que atuam na natureza. E eu preciso organizar as coisas de modo que a segunda força, a centrífuga, atue sobre mim de forma tão natural, instintiva e inevitável quanto a primeira, a centrípeta.

Que isso domine minha mente e meu coração e os puxe para fora com força!

Que isso me impulsione a pensar nos outros e a me importar com eles! Preciso disso porque sem isso não encontrarei minha alma.

E é aqui que o poder do grupo Cabalístico me ajuda. Só ele pode me convencer a sair do meu próprio círculo e prestar atenção ao que está “fora dele”.

E quando mudo minha orientação de “intra” para “extra”, deixo de me preocupar com o corpo e começo a cuidar da alma. Compreendo que a realidade externa, que me parecia estranha e completamente indiferente, esconde em si o meu verdadeiro eu!

Este círculo exterior é, na verdade, muito mais precioso para mim do que o interior, porque nele reside a minha alma, que é eterna. E o círculo interior nada mais é do que o animal a quem são concedidos cerca de 70 anos.

Mas a ocultação não me permite ver tudo isso. E quando começo a entender, fico admirado com a forma como o Criador me prega peças.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá, 01/04/10