Atravesse As Barreiras E Entre No Antimundo
Nosso mundo opera segundo o desejo de receber prazer; isto é, cada parte da criação instintivamente faz um cálculo interno sobre o que é mais benéfico para ela, de acordo com sua compreensão, constituição interna, qualidades inatas, educação e influência do ambiente. Somos incapazes de agir de outra forma.
Nem sequer nos damos conta do quanto estamos presos a esse cálculo egoísta a cada instante. E mesmo quando praticamos algum ato de misericórdia, é apenas para obter algo em troca; caso contrário, não teríamos motivação para agir dessa forma. É assim que toda a natureza funciona, da menor partícula atômica ao ser humano mais instruído e desenvolvido.
Mas há outra intenção: a de doar, não para benefício próprio, mas para benefício do outro. Este é o antimundo, a antimatéria, o completo oposto de tudo o que existe neste mundo.
Não pode haver ali sequer um pensamento sobre si mesmo; tal pensamento sofreu restrição (Tzimtzum) e foi eliminado. Tudo é governado e movido unicamente pela preocupação com o bem do outro.
Então, como podemos abordar tal visão e tais cálculos? Naturalmente, isso não está ao nosso alcance, pois tal força não existe em nosso mundo. Devemos atraí-la para nós daquela outra realidade oposta que existe além da fronteira do mundo espiritual, chamada Machsom.
Mas como é possível que essa força nos alcance, se tudo opera segundo a lei da equivalência da forma, e semelhante se conecta com semelhante? No entanto, existe uma força especial chamada “a luz que retorna à fonte”, a “luz que reforma” ou “luz circundante”, que pode brilhar sobre nós na medida em que ansiamos estar nesse mundo oposto.
Ela nos ajuda mesmo que nosso anseio seja falso, mesmo que não entendamos esse mundo ou o sintamos, contanto que tenhamos ao menos alguma relação com ele, um único ponto de contato, o “ponto no coração”, uma centelha do mundo espiritual.
Se trabalharmos nessa centelha, então, na medida de nossos esforços, a força espiritual brilhará sobre nós e transformará esses esforços em “carne espiritual” ao redor desse ponto, que começa a crescer. Até se tornar um vaso espiritual completo através do qual você rompe com esse próprio antimundo, e se encontra na “realidade oposta”.
O pedido pela força que traz mudanças — pela luz que retorna à fonte, que corrige nossas intenções egoístas para doar ao outro — é chamado de oração. E na medida de nosso anseio, nossa demanda, nossa persistência, essa força maravilhosa age sobre nós e realiza mudanças dentro de nós.
Da Lição Diária de Cabalá 06/03/11, Rabash, “O Que Significa que a Caridade para com os Pobres Forma o Santo Nome, na Obra?”
Pergunta:
Todas as nossas ações neste mundo são realizadas por ordens superiores, exceto aquelas em que somos livres. Meu livre-arbítrio reside apenas em ascender, ou seja, em corrigir a alma para que se assemelhe ao Criador.