A Patente Do Prazer Infinito
Pergunta: O que significa “receber do Criador para dar-Lhe prazer”?
Resposta: Baal HaSulam explica isso no “Prefácio à Sabedoria da Cabalá” usando o exemplo de um convidado e um anfitrião.
Um convidado chega até o anfitrião. O anfitrião preparou uma mesa farta para ele porque o ama com um amor sem limites, sem cálculos, e deseja muito agradá-lo.
O convidado sente o quanto o anfitrião o ama e quer lhe proporcionar prazer. Mas, de repente, sente tanta vergonha que não consegue aceitar nada do anfitrião.
O anfitrião o ama tanto e deseja profundamente lhe proporcionar prazer; ele já sabe o quanto o convidado deseja receber e quais pratos ele aprecia. Ele preparou tudo exatamente de acordo com os desejos do convidado, tanto em quantidade quanto em qualidade.
Mas o convidado sente vergonha. O que fazer? O convidado se recusa a aceitar a refeição:
“Eu não quero receber nada! Eu quero doar como você! Você me mostrou seu amor, e eu sinto isso. Como posso fazer o mesmo com você?” O convidado começa a pensar: “Mas se eu não aceitar nada, vou devolver ao anfitrião. É assim que eu respondo ao seu amor?! O que eu posso fazer?!”
Então ele encontra uma solução: “Receberei apenas pelo bem do anfitrião. Como o anfitrião tem o desejo de doar e quer que eu receba, devo primeiro entrar em seu desejo para que ele se torne meu objetivo. Entro em seu desejo e sinto o quanto ele me ama, o quanto ele quer que eu receba, o quanto ele sofre com a minha recusa em aceitar sua oferenda. Trabalho com seu desejo e penso apenas em como posso realizá-lo”.
Ao estar dentro do seu desejo e me esforçar apenas para satisfazê-lo, descubro a capacidade de fazê-lo dentro de mim, aceitando a refeição e apreciando-a, pois somente através do prazer que sinto posso proporcionar prazer ao anfitrião. Sou obrigado a receber e desfrutar sem limites, pois sinto como isso o preenche.
Dessa forma, cada um trabalha com o desejo do outro. O anfitrião pensa em como o convidado receberá dele e desfrutará. E o convidado pensa em como receberá e desfrutará, a fim de satisfazer o desejo do anfitrião de lhe proporcionar prazer. Cada um usa seu próprio desejo para satisfazer o desejo do outro.
Ao mesmo tempo, cada um se beneficia duplamente, ou até mais, porque cada um sai para fora e, assim, experimenta um prazer infinito e sem limites.
Esta “patente” parece muito simples à primeira vista. Mas quando começamos a pensar nela, parece difícil de implementar.
Porém, idealmente, se entendermos isso, essa é a única maneira de nos preenchermos com prazer infinito, porque eu uso o desejo do outro, fora de mim.
O Criador é um desejo infinito, e eu sou apenas um pontinho. Mas se eu começar a me apegar a Ele, adquiro um desejo infinito para mim mesmo, que posso realizar. E começo a sentir como o preencho e como esse desejo se deleita.
Acontece que, ao tratá-Lo com amor, recebo desejos infinitos, vida infinita, eternidade e perfeição. Recebo tudo isso se me relacionar com o Criador como a meta que devo alcançar.
Portanto, a sabedoria da Cabalá é verdadeiramente a ciência da recepção (a palavra “Cabalá” em hebraico significa “recepção”), de como receber e como me divertir sem quaisquer limitações.
Da Lição Diária de Cabala 17/03/10, O Livro do Zohar