Os Cabalistas escrevem que nossa tarefa é nos unir e nos reunir novamente em um único sistema chamado “Adão”. Por enquanto, somos chamados de “Bnei Adam” – “Filhos de Adão”, ou seja, suas partes, suas consequências.
Para nos reunirmos em um sistema conectado, precisamos realizar todas as ações possíveis para, por um lado, percebermos que somos incapazes de nos unir sozinhos e nos desiludirmos com todas as ações que possamos empreender. Por outro lado, não devemos perder de vista a meta.
Acontece que nos movemos em direção à meta em duas direções. Uma direção é a chamada “linha esquerda”: a completa decepção com a nossa própria força, a incapacidade de alcançar o sucesso por conta própria. E a outra direção é a compreensão de que ainda é possível com a ajuda do Criador, mas devemos pedir a Ele corretamente.
Pedir corretamente significa unir-nos em nosso pedido. Isso se alcança por meio de esforços mútuos de união e de pedidos mútuos ao Criador. Como resultado, se verdadeiramente revelarmos o Criador e nos conectarmos com Ele, ascenderemos ao Seu nível, o próximo nível da realidade. Para chegar a isso, nos esforçamos para alcançar aquele mesmo sistema de Adão do qual caímos, nos separamos, nos dispersamos e agora estamos tentando nos recompor.
O Criador nos conecta preliminarmente, reunindo-nos em grupos. Não sentimos isso; não vemos Sua influência sobre nós. Mais tarde, descobriremos que é assim que funciona, tudo vem do alto: “Não há outro além Dele”. Mas o que se exige de nós é oração, um pedido para que Ele a faça.
É impossível atender a este pedido sem ter tentado tudo, sem ter feito tudo ao nosso alcance, até mesmo além do nosso alcance. Devemos continuar tentando nos unir, uma e outra vez, mesmo que a cada vez nos descubramos em uma quebra, separação e desrespeito ainda maiores uns pelos outros.
Tal revelação de nossas verdadeiras qualidades egoístas deveria nos entristecer por um lado, mas também nos alegrar por outro. Triste porque estou longe da meta; alegre porque estou revelando o quanto estou longe da meta.
Ou seja, nisso, estou de fato começando a alcançar a luz dentro da escuridão, a revelar qual é a verdadeira meta. Quanto maior o estado de conexão do qual me desconecto, mais começo a valorizar esse estado e a entender que estou fora dele.
E assim, continua até que a medida plena (Se’a) da minha aspiração em direção à meta seja reunida, na qual haverá verdadeiramente conexão. Mas, no começo, eu não tinha essa medida: me disseram para agir, e eu o fiz. Repeti frases mecanicamente, cantei, li, estudei junto com todos, juntei as dezenas, mas nem tudo vinha do coração.
Talvez me parecesse que eu estava realmente fazendo algo. Mas, na realidade, a cada passo, convenço-me cada vez mais de que tudo isso é falso, não vem do meu verdadeiro desejo. Minha boca e meu coração não estão alinhados: o coração sente desejos egoístas, e a boca profere belas palavras sobre conexão e unidade.
Isso deve continuar até que comecemos a realmente tentar nos unir. Mesmo que falemos incorretamente, sintamos incorretamente, ainda assim precisamos estar juntos. Então chegará o momento em que o Criador verá que somos insignificantes, pequenos, mas fizemos tudo o que estava ao nosso alcance: tentamos nos unir, tentamos nos reunir e, assim, chegamos a um estado ao qual Ele já deve responder.
Então, descobriremos que Ele está nos reunindo em dezenas e se revela entre nós como a qualidade de doação, a qualidade de conexão. Esta é a qualidade inicial que alcançamos, a luz do nível de Nefesh, a menor luz, a menor conexão altruísta. Nessa medida, começamos a sentir o Criador, Sua presença invisível e oculta dentro de nós, entre nós. Não em cada um de nós individualmente, mas entre nós.
Esta iluminação que surge entre nós é chamada Zohar, a luz superior, o esplendor (brilho) superior. Naturalmente, esta ainda está incompleta, uma iluminação muito pequena, mas, ainda assim, já brilha dentro de nós.
Da Convenção na Moldávia, 6/9/2019, “Dissolvendo-se nos Amigos”, Lição 1
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