Pergunta: O que há de tão especial no período em que uma alma tão grandiosa como o ARI se revela? O que estava acontecendo no mundo naquela época?
Resposta: O povo de Israel, ao longo de sua história, passa por quatro exílios e quatro redenções, que correspondem aos quatro estágios do desenvolvimento completo do desejo (HaVaYaH).
Esses estágios já estavam incorporados no primeiro HaVaYaH, nas quatro fases da expansão da luz superior para a criação do vaso geral da criação. E, consequentemente, toda a criação, cada parte dela, existe e se desenvolve de acordo com as quatro fases de HaVaYaH. Cada mundo, cada objeto ou ação espiritual, desde a menor partícula até a escala de toda a criação, sempre contém HaVaYaH.
Portanto, a humanidade neste mundo material, que é consequência da raiz espiritual, também se desenvolveu seguindo os passos de HaVaYaH. Por essa razão, houve quatro exílios e três redenções, e agora estamos no limiar da redenção final.
O ARI representa o fim do quarto e último exílio, e o início da redenção. Portanto, quando sua alma foi revelada, ele foi capaz de apreender todo o sistema e, por meio de suas explicações neste mundo, dar a muitas pessoas a possibilidade de alcançar a compreensão, de atrair a luz através de suas almas. Isso foi iniciado pelo Baal Shem Tov e continuado por todos os Cabalistas depois dele, até o Baal HaSulam e o Rabash.
O ARI deu a todos o método da sabedoria da Cabalá no quarto e último nível. Depois do ARI, Baal HaSulam adaptou esse método para a nossa geração, mas, em essência, é o método do ARI.
O ARI viveu na fronteira entre o fim do quarto exílio e o início da redenção final. Este é um período muito especial, que ocorreu no século XVI. Mas os processos espirituais não se manifestam instantaneamente no mundo material; eles se desenvolvem gradualmente na ordem do desenvolvimento de luzes e desejos, o que leva tempo. Portanto, isso pode se estender por muitos anos antes de ser revelado.
Afinal, os desejos devem se desenvolver gradualmente em direção ao conhecimento, à sensação e à realização, por meio do livre-arbítrio, e atrair a Luz. Esse processo inclui muitas etapas que não podem ser ignoradas.
Uma pessoa precisa desenvolver sentimentos e intelecto, a capacidade de trabalhar contra sua natureza, de se conectar com os outros, que sempre se opõe ao egoísmo, para esclarecer toda a sua quebra interior. Isso não é simples, e é por isso que levou tempo, como vemos, do ARI ao Baal HaSulam.
Até mesmo o Rav Chaim Vital (o primeiro e, pode-se dizer, o único estudante que compreendeu o método do ARI) escreve na introdução ao Sefer HaHakdamot como ele se sente em desespero e triste porque o Messias ainda não veio. E isso já no século XVI. Embora fosse um grande Cabalista, ele ainda esperava e tinha esperanças.
Claramente, esse é um processo muito prolongado, mas cada geração contribui para o mesmo empreendimento que o ARI iniciou.
Temos o mérito de difundir ainda mais o método do ARI e do Baal HaSulam e disseminar seus livros. Quem sabe, talvez seja necessária outra geração para completar esta obra. Mas esperemos que consigamos levar a correção do mundo inteiro à sua conclusão.
Da Lição Diária de Cabalá de 05/08/16, “Dia em Memória do ARI”
Categoria: Disseminação, Trabalho Espiritual por souzapin - Comentários desativados em A Grande Alma Do ARI, Parte 2