Pergunta: De acordo com a Cabalá, o amor terreno é o amor a si mesmo. Isso significa que, em sua base, há sempre algum cálculo?
Resposta: Com certeza. Hoje, com o aumento da expectativa de vida e a renovação do egoísmo, é natural que, durante uma vida, uma pessoa viva várias “vidas”. Se eu tenho mais de setenta anos agora, provavelmente já vivi o equivalente a três vidas passadas. No entanto, ainda vivo com a mesma família. Estamos ligados por filhos, lar, responsabilidades, etc. Mas isso não é o que a Cabalá chama de amor.
O amor na Cabalá é um estado que se alcança como uma conexão espiritual interna, direta e mais próxima entre si e os outros. Aqui, não se trata de atração hormonal, nem mesmo do relacionamento entre homem e mulher, mas de uma atitude em relação à outra alma, que você sente como uma alma gêmea quando se complementam. Você entende como alcançar um estado em que se fundem em uma só alma. Então fica claro que isso é realmente necessário.
Isso pode ser alcançado entre homens, entre mulheres e entre homens e mulheres, independentemente de gênero ou idade. Depende apenas da consciência de que, em uma certa conexão interior e espiritual, pode-se alcançar um estado em que, a partir das próprias contradições entre eles e, ao mesmo tempo, das conexões entre essas contradições, se constrói o que se chama de “alma”.
Então, nesse desejo unificado, composto por estados opostos de desconfiança, rejeição, desconsideração mútua e até ódio em vários níveis (consciente ou inconsciente), uma conexão se forma. Devo estar conectado a essa pessoa internamente, acima de nossas contradições, que não escondemos, porque somente por meio da conexão podemos revelar o próximo nível, mais elevado, de nossa existência. O Criador se revela entre nós.
Como Ele se revela? Na rejeição (o ódio) entre nós e, simultaneamente, na conexão mútua (o amor). Pois não há ódio sem amor e não há amor sem ódio. Mesmo quando odeio uma pessoa e estou pronto para fazer qualquer coisa contra ela, isso se manifesta precisamente porque dentro dela está a semente do nosso amor futuro. É por isso que consigo odiar com tanta intensidade.
Então, apesar do ódio que se revela abertamente entre nós, construo conscientemente estados de reciprocidade e amor. Ao mesmo tempo, o ódio não desaparece; ele me ajuda em todas as suas variações, em todas as suas expressões interiores. Ele me ajuda a criar uma conexão mútua em que seguro a rejeição e a atração em minhas mãos, e as uso como resistência e superação da resistência. Dessa forma, alcanço o amor, que sempre se constrói acima da rejeição e do ódio.
Devo sentir ambos os estados simultaneamente. Então, verdadeiramente me mantenho firme sobre as duas pernas, à direita e à esquerda. Na Cabalá, isso se chama “estar em duas linhas”, direita e esquerda. Uma não pode existir sem a outra.
Nesse estado, posso me governar, me relacionar razoavelmente com meu parceiro, entender todas as nossas rejeições e atrações e usá-las apenas para revelar o Criador entre nós.
Portanto, o amor não é pelo amor em si, nem pela satisfação hormonal ou conforto, mas para revelar o Criador e amá-Lo.
Isso nos leva a um estado muito interessante, como se diz: “Marido, esposa e o Criador entre eles”. Somente nesse estado se pode alcançar o amor verdadeiro, quando essa trindade existe em conjunto e você trabalha para alcançar o Criador por meio da conexão entre você e seu parceiro, seja mulher ou homem, não importa. Isso não é amor terreno. É assim que a Cabalá interpreta o amor.
Quanto ao amor terreno, ele também pode existir, especialmente hoje em dia, quando a verdade de nossos relacionamentos puramente utilitários é revelada. Satisfizemos um ao outro e depois nos separamos. E se houver bens ou filhos em comum, torna-se difícil a separação, então começamos a pensar em maneiras de controlar um ao outro. Caso contrário, é impossível. Todos esses são estados incorretos.
O amor em nosso mundo, se construído corretamente, deve necessariamente incluir um componente espiritual, caso contrário, não poderá durar muito.
Comentário: Quando falo sobre isso com as pessoas, muitas discordam e dizem que o amor existe da forma como estão acostumadas a entendê-lo. Mas elas não têm outro conceito de amor. De onde ele viria?
Minha Resposta: De forma alguma negamos qualquer outra coisa. Que as pessoas se envolvam no amor por qualquer coisa e como desejarem. Há muitas manifestações de amor. O amor terreno é puramente egoísta porque a pessoa o desfruta e obtém prazer dele. Da perspectiva da Cabalá, isso não é amor, mas realização egoísta, amor a si mesmo.
Da Lição Diária de Cabalá, 06/08/17
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