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Em Direção Ao Hisaron Comum

938.03Pergunta: Como podemos reunir nossos pequenos Hisarons (deficiências) em um Hisaron comum?

Resposta: Estejam mais próximo dos seus amigos, entendam os outros o máximo possível e unam-se uns aos outros.

Então, podemos formar um Hisaron mais ou menos comum. Claro, não em tudo, mas de tal forma que já possamos nos elevar em direção ao Criador e exigir Dele a realização.

Pergunta: À medida que avanço, descubro repentinamente que meu Hisaron não estava totalmente correto, pois, como resultado do avanço, aprendo algo novo. Como posso preservar o conceito do Hisaron correto se, com o tempo, me decepciono com ele?

Resposta: O fato de você se decepcionar é bom. Significa que você precisa substituir seu Hisaron por outro, mais elevado.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá de 12/08/25, “Primeiro Exija e Peça”.

Tu B’Av — O Momento De Escolher A Noiva

744Bina é a qualidade da fé em sua forma abstrata, mas essa fé se realiza em Malchut, pois a fé só pode ser aplicada na prática onde existe a qualidade da recepção. O desejo de receber surge pela primeira vez no estágio de Chochma, mas não se realiza pelo lado do ser criado.

O desejo de doar surge em Bina, mas ainda sem realização prática. Da combinação de ambos surge o quarto estágio (Dalet), onde deve haver fé e, de acordo com a medida da fé, há recepção. O desejo de receber em Malchut resulta do desejo de doar de Bina e do desejo de receber de Chochma, que Zeir Anpin unifica plenamente.

O 15o dia de Av (Tu B’Av) é considerado um dos dias mais auspiciosos para Israel. Um bom dia é aquele em que se pode dar o máximo ao Criador. Tu B’Av simboliza receber para doar, mas como uma promessa para o futuro, quando Malchut já tiver sido corrigida. Atualmente, embora haja uma ascensão dos mundos, ela se deve a um despertar do alto e não à obra do inferior.

O fim da correção ocorre em Purim. Tu B’Av representa a união dos desejos de Malchut sob todas as condições adequadas e emerge das quatro fases, representadas como quatro grupos de donzelas em busca de noivos: Chochma, Binah, Zeir Anpin e Malchut.

“O que diriam as beldades entre elas? Volte os olhos para a beleza, pois a mulher só existe para a beleza”.

“O que diriam as bem-nascida entre elas? Olhem para a família, pois uma mulher é apenas para os filhos”. Em O Olho de Jacó, ele acrescenta: “As ricas entre elas dizem: ‘ Olhem para as ricas’. O que diriam as feias entre elas? ‘Aceitem o que vocês tomam para o Criador, contanto que nos coroe com moedas de ouro’” (Rabash, “O Décimo Quinto Dia de Av”).

Assim, todas as etapas se passaram — Chochma, Bina, Zeir Anpin — até que chegou a vez de Malchut, e foi revelado que o Reino dos Céus (Malchut Shamayim) deve ser pobre e destituído, não rico, belo ou nobre. Somente através do nosso trabalho nos tornamos capazes de permanecer leais a isso.

Este festival personifica nossa busca, nossa desilusão com nossa própria força, nossa prontidão para, por qualquer meio, nos separarmos do desejo de receber e permanecermos fiéis à doação, sem exigir nada para nós mesmos. Peço ao Criador que me proteja do meu desejo de receber, meu maior inimigo. Devo odiar meu egoísmo tão profundamente que não sucumba a nenhuma tentação.

Que meu ego simplesmente morra — ele não receberá nada! Que eu mesmo desapareça — não importa, pois devo atravessar o ponto de restrição total e nascer do outro lado da barreira, o que significa a morte do meu desejo de receber para meu próprio bem. Isto é vida e luz para mim, pois a vida só existe além desta barreira (Machsom).

Para isso, é preciso chegar à quarta fase, Malchut, a noiva feia, pobre e humilde chamada “fé”. Se, apesar de sua pobreza e humildade, eu conseguir permanecer leal a ela, significa que alcancei a fé. Esta é a condição para alcançar Malchut: concordar em me apegar somente a ela, independentemente de todas as outras formas de sedução.

A fé é aceita sem quaisquer condições; caso contrário, não é fé, mas um cálculo ou transação. A fé não pode ter um fundamento egoísta; quero me livrar do cálculo egoísta. Sem isso, não posso entrar no mundo espiritual. Esta é a condição de entrada: purificar-se dos desejos egoístas e permanecer apenas na doação. A qualidade da doação é a ausência de qualquer cálculo para benefício próprio.

Se eu me esforçar para alcançar a fé, passarei por todos esses estágios, um após o outro, e encontrarei as “noivas” que precedem Malchut — a bela, a rica e a nobre. No final, chego ao ponto em que não desejo nada além de me libertar de toda essa “nobreza”. Quero que haja apenas o Criador, e que eu não exista. Só então a vida espiritual começa.

Estou pronto para abandonar todos os cálculos e me apegar ao Criador sem qualquer deliberação. Assim, torno-me um embrião espiritual. Quero que o programa do Criador me governe, determine todo o meu comportamento, pensamentos e desejos. Que outro motor opere dentro de mim.

Agora, meu motor egoísta gira e busca como ganhar mais, ter mais sucesso e me deleitar. Mas eu quero um novo motor, um que me volte constantemente ao Criador e não busque nada para si mesmo, para que um novo programa de doação atue em mim. Isso significa que a luz superior se revela dentro de mim e me concede uma nova visão da vida, e com esses novos olhos, eu vejo o mundo superior.

Dentre todas as “noivas”, dentre todos os desejos, após longos discernimentos, escolhemos aquela que nada exige além de adesão, para basear toda a sua recepção unicamente na fé. Essa noiva parece feia ao desejo de receber; carece de nobreza, riqueza e beleza. No entanto, precisamente quando não recebo nada em troca do meu egoísmo, posso ser totalmente leal ao Criador. Estou pronto para morrer enquanto puder permanecer leal a Ele. Esta é a condição para cruzar o Machsom.

Tu B’Av é a escolha do Reino dos Céus (Malchut Shamayim). Depois do dia 9 de Av, nada me resta. Tudo ruiu, o Primeiro Templo e o Segundo. Então chega o dia 15 de Av, quando posso basear meu relacionamento com o Criador unicamente na qualidade da doação. É por isso que o dia 15 de Av é considerado o maior feriado.

Graças à revelação da ruína no dia 9 de Av , no dia 15 de Av eu ganho a habilidade de manter o Reino dos Céus, de escolher a verdadeira noiva, Malchut.

As quatro noivas que escolhemos representam nossas atitudes em relação ao grupo; esperamos receber dele riqueza, conhecimento e nobreza. Mas, no final, vejo que não receberei nada, exceto uma coisa: através da lealdade a eles, alcançarei a lealdade ao Criador. E este é o meu maior tesouro.

Tudo isso parece feio para o meu desejo de receber. Não vejo nada de bom neste grupo e os rejeitaria de bom grado — no entanto, é precisamente por meio desta forma que posso chegar ao Criador, se a aceitar. O mundo inteiro demonstra como me odeia por me envolver em doação e como me apoiaria se eu fosse tão egoísta quanto todos os outros.

O mundo se torna muito perspicaz nesse aspecto. Ninguém me acusa de recepção egoísta, mas todos me atacam por buscar a doação. E se eu mudar, imediatamente me prometem uma vida boa e o retorno das três noivas vantajosas — os estágios Aleph, Bet e Gimel.

Aqui, é preciso ser muito direto e não fazer concessões. O Criador me confundirá em todos os sentidos, mas a condição para cruzar o Machsom é dizer: “Melhor a morte do que uma vida assim”. Então, verei como todas essas ilusões se dissolvem e desaparecem.

A verdadeira noiva é aquela que permanecerá comigo sob a condição de que eu esteja pronto para aceitá-la como ela é, mesmo a mais feia do mundo. Ela não tem beleza, nem riqueza, nem nobreza, nada de atraente. Por que, então, eu a amo e me sinto atraído por ela? Porque somente nesta forma ela pode me levar ao Criador.

Vejo que é o Criador quem brinca comigo através de todas essas ilusões. Ele me tenta com riqueza, inteligência, conhecimento e nobreza, e suborna minha vaidade. Mas, no fim, entendo que a grandeza do Criador está na modéstia. Portanto, devo rebaixar meu orgulho e minhas exigências, e buscar não beleza ou nobreza, sabedoria ou riqueza, mas apenas o desejo de me unir de todo o coração, e então poderei “casar-me”.

O período do dia 9 de Av é um tempo de morte e destruição. Mas a partir do dia 15 de Av, a partir do jubiloso dia de Tu B’Av, quando escolhemos a verdadeira Malchut Shamayim, iniciamos a preparação para o encontro, para a conexão entre nós e a adesão ao Criador, agora com o desejo correto.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/08/19, Escritos do Rabash, Décimo Quinto Dia de Av

Três Passos Para O Criador

528.03Estamos em um estado chamado “este mundo”. A razão de estarmos neste mundo é para nos elevarmos, através de nossos próprios esforços, ao nível de equivalência com o Criador, para alcançar Seu nível, como é dito: “Você verá seu mundo durante sua vida”.

A ciência da Cabalá é um método de revelar o Criador à criação neste mundo. Como O revelamos? Tornando-nos semelhantes a Ele. Somente se eu adquirir um desejo como a luz, meu vaso espiritual, serei capaz de revelar a luz, o Criador, nele.

Como posso me tornar um vaso para revelar a luz e preencher-me? Recebemos duas ferramentas para isso. A primeira é o material, o desejo que adquiro a ponto de absorver desejos externos, desejos de outras pessoas.

Existe apenas um ponto em mim que deseja caminhar em direção à espiritualidade, embora eu não saiba o que é. Sinto que algo está faltando. É apenas um ponto de desejo. Não tenho volume neste ponto, nem superior, inferior, direito ou esquerdo.

Não consigo sentir nada ali, exceto um desejo insaciável – quero algo, mas não sei exatamente o quê. Posso tentar imaginar a espiritualidade, mas não importa o que eu invente, é tudo fantasia deste mundo, não a realidade verdadeira.

Como posso dar volume a este ponto? Preciso me conectar com um organismo especial, completo e perfeito, com um grande desejo criado pelo Criador: Malchut do Infinito. Para mim, é um grupo, mas, na verdade, é a humanidade inteira. Mas, como não sei o que é a humanidade inteira, um grupo me basta. Este é o primeiro componente.

Se tento me conectar com um grupo e consigo me conectar com alguma parte dele, como se cortasse uma determinada área dele, ela se torna minha. Acontece que já estou ganhando volume, e esse volume é o meu desejo. Se eu já tenho um desejo tão grande, e não um ponto, posso começar a sentir algo nele. O que me falta? Falta-me esse desejo de ser como a luz. Ou seja, o primeiro estágio é a aquisição do desejo, o segundo é a correção do desejo e o terceiro é a realização do desejo. É isso!

Para obter o desejo, preciso me anular diante do grupo, diante de sua unidade, conectar-me a eles como uma gota de sêmen presa à parede do útero. Este é o primeiro estágio.

O segundo estágio é estar com meus amigos, devo tentar fazer minha entrada no grupo, minha conexão com eles, com o propósito de dar, para que o desejo que estou ganhando agora seja semelhante à luz.

Eu consigo isso usando a luz circundante (O”M), a luz que retorna à fonte, o que é chamado de “Luz da Torá”.

Depois disso, o desejo é preenchido com a luz de Chochma.

Portanto, ao ler uma fonte como O Livro do Zohar, que tem grande poder, devemos: sentir em nós mesmos um desejo comum e querer que nosso desejo comum seja corrigido, que nos tornemos tão generosos quanto a luz.

Para que tal correção ocorra, devemos esperar por ela durante a leitura do Livro do Zohar, para que nossos desejos, nossa união, sejam em prol da doação, para que nos sintamos como um todo único e nos tornemos verdadeiramente uma Shechina, um “lugar” onde a luz superior, o Criador, é revelada. Se corrigirmos esse “lugar” com o propósito de doar, pelo menos até certo ponto, nesse sentido o Criador será revelado nele.

Ou seja, eu me conecto com o grupo como um todo, em doação mútua, garantia mútua, unidade, com a ajuda da luz que retorna à fonte, dando a todos nós a sensação de uma conexão integral comum. Então, na medida em que nos unimos, revelamos a qualidade de doação, a luz do Criador reinando em nós.

Portanto, tentemos não nos esquecer desta tarefa e percebamos que permanecer constantemente nestes esforços para construir tal imagem para mim é o meu trabalho interior, que agora farei enquanto lemos o Livro do Zohar. Afinal, durante a leitura do Zohar, uma grande luz surge. Estamos preparando o desejo correto para que ela o corrija e o preencha?

Da Lição Diária de Cabalá de 13/05/2011, O Livro do Zohar, “Mishpatim”

A Natureza Começou A Remover Sua Tela Protetora, Parte 2

739Pergunta: Como a humanidade pode criar o equilíbrio que existe instintivamente na natureza, mas está ausente nos seres humanos?

Resposta: O ser humano não possui o instinto de equilíbrio com a natureza . É por isso que lhe é dada a oportunidade de construir a sociedade humana por conta própria e, por meio de seus esforços, alcançar a força da conexão e a mente que lhe permitem alcançar o equilíbrio.

Portanto, combater a poluição ambiental é inútil, pois a principal fonte de poluição é o ser humano, que entrou em uma nova era. Se ele não cuidar de sua própria correção, mesmo uma perturbação mínima, apenas um grama de inclusão inadequada na natureza, desequilibra todo o sistema natural. E é isso que estamos apenas começando a ver agora.

A humanidade não desaparecerá, mas até o último momento qualquer tipo de catástrofe é possível: a natureza nos afogará no mar, nos congelará, nos assará com calor extremo e nos queimará em incêndios florestais.

Pergunta: Durante muitos anos, os Estados Unidos realizaram testes de armas nucleares em dois atóis no Oceano Pacífico, que naturalmente se tornaram impróprios para habitação humana. Mas a natureza floresceu ali de forma extraordinária, como em nenhum outro lugar. Como resultado, os cientistas concluíram que os danos causados pela presença humana são piores do que os da radiação nuclear. Como isso é possível?

Resposta: A natureza sabe como curar os danos causados a ela em níveis inferiores, mas é claro que mesmo isso tem seus limites. Se o dano for muito grande, as mudanças se tornarão irreversíveis.

Pergunta: Que tipo de dano um ser humano causa no “nível humano”?

Resposta: O homem não causou nenhum dano até os últimos cem anos. Todo o seu dano reside no fato de não estar em equilíbrio com a natureza, que é sua obrigação como elemento central dela.

A principal razão não é o dano mecânico causado à natureza, nem que o homem a queime ou a seque, mas o fato de que deveríamos ter começado a nos equilibrar com a natureza desde a época do ARI, desde o século XV, ou pelo menos desde a época de Baal HaSulam, que definiu aquele período como a “última geração”. Nossa inconsistência com o sistema integral da natureza — esse desequilíbrio — é o que causa todos os desastres.

Claro, isso não significa que ao atingir o equilíbrio com a natureza, teríamos permissão para poluí-la, mas simplesmente não pensaríamos em prejudicá-la e agiríamos instintivamente de forma correta.

Estar em equilíbrio com a natureza significa alcançar relacionamentos bons e integrais entre as pessoas — em pensamentos, desejos e intenções — sem prejudicar a sociedade humana e toda a natureza em geral, bem como o sistema superior.

Ser integral em pensamentos significa perceber todo o sistema da natureza como um único organismo. E, de acordo com as conexões adequadas entre as pessoas, todos os outros níveis — inanimado, vegetativo e animal — se elevam, tornam-se incluídos no sistema geral e são corrigidos com o ser humano. Então, não haverá catástrofes e o equilíbrio será estabelecido em tudo.

Uma condição muito rigorosa opera: “O indivíduo e o coletivo são iguais”. Isto significa que uma pessoa pode causar tanto dano quanto toda a humanidade.

Da Conversa de 09/06/17, “Cataclismos Climáticos”