Quando A Intenção Governa A Ação
Pergunta: Vemos as ações, mas não vemos as intenções. É possível perceber a magnitude da intenção e compará-la com a magnitude da ação?
Resposta: Um Kli consegue sentir a grandeza da intenção de acordo com o princípio: “Pelas Tuas ações, nós Te conhecemos”. Como posso apreciar uma mãe que dá e dá se eu só recebo e recebo, sem ter a capacidade de retribuir?
Quando começo a aprender o que significa doar, ou quando cresço e os mesmos desejos que minha mãe tinha surgem em mim no plano físico, eu me lembro do que ela fez por mim, entendo o quanto ela me amava e compreendo suas intenções. Só consigo discernir as intenções de alguém se eu mesma tiver as mesmas intenções.
Não pode haver adesão (Dvekut) no desejo de receber. Todos permanecem constantemente em seu desejo de receber, que não muda. Mas o desejo de doar, chamado de intenção que transcende o desejo de receber, muda. Ao mudar minha intenção, o que significa mudar o desejo de doar, posso compreender outra pessoa e suas intenções.
O Criador não possui intenções nem ações. É somente em relação a nós que Suas ações podem parecer más, para depois se revelarem boas. Isso ocorre porque O alcançamos através de nossos próprios Kelim (corpos). Nossa sensação se divide em Kli e intenção. Uma ação pode ser de recepção, enquanto a intenção, a forma da ação, é de doação. Portanto, podemos ter partes dentro de nós que são opostas umas às outras. Mas não há nada assim no Criador.
Já que recebemos Dele em nossos Kelim, também dividimos o que recebemos em duas partes: como é sentido em nossos Kelim e como é sentido em nossa consciência, em nossa percepção da intenção. Podemos pensar que o Criador está agindo mal, mesmo que Sua intenção seja boa. Mas da parte Dele só existe uma ação direta.
Quando posso receber diretamente o que emana Dele? Quando alcanço a mesma intenção que Ele tem, e meu Kli percebe imediatamente sua expressão correta e direta. Então eu a decifro não através dos meus Kelim de recepção, mas apenas de acordo com minhas intenções de doar.
Lembro-me de que, antes de uma cirurgia no hospital, um médico se aproximou de mim. Era um homem de dois metros de altura e 120 quilos. Ele disse que eu ia sentir um desconforto, então sentou-se em cima de mim e quase me esmagou até a morte. Minha caixa torácica ficou dilacerada, e ele disse que ia fazer uma abertura. Pegou algo parecido com uma furadeira e enfiou no meu peito. Isso foi feito sem anestesia, porque eu estava em uma situação que não podia esperar.
Oscilei entre a consciência e a inconsciência, mas não senti ódio por ele. Mais tarde, conversamos sobre isso, e ele ficou surpreso por eu me lembrar de tudo o que havia acontecido. Normalmente, as pessoas perdem a consciência completamente. Mas eu me lembrava, e para mim, foi uma lição muito valiosa. Uma pessoa inflige tanta dor a você que você deseja morrer para escapar da sensação, mas não sente ódio por ela. Isso demonstra que a intenção tem domínio absoluto sobre a ação, mesmo dentro do nosso mundo.
Da Lição Diária de Cabalá de 23/07/26, Rabash, “O que significa ‘Quem chora por Jerusalém é recompensado com a visão de sua alegria’ na Obra?”
Pergunta:
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Na sabedoria da Cabalá, falamos de dois tipos de natureza: a natureza do Criador e a natureza do ser criado. Não podemos mudar nossa natureza, mas, por meio da intenção de doar, podemos torná-la semelhante à natureza do Criador.
Antes de atingirmos o estado de sentir o mestre, não temos os conceitos de “em prol de receber” ou “em prol de doar”. É tudo brincadeira de criança, um período preparatório que devemos atravessar para acumular diversos Reshimot (registros espirituais) para o futuro. A intenção é adquirida através da percepção do doador, sentindo outro, distinto e diferente de nós.
Pergunta:
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Qualquer ação que uma pessoa realiza sem uma intenção interior, sem uma noção do porquê de estar fazendo-a, é uma ação inanimada no nível do “Domem” (inanimado). No entanto, as próprias ações preparam intenções em uma pessoa.