Textos com a Tag 'Desejo'

Internalizar Os Desejos De Outra Pessoa

219.03Isso é chamado de “a tristeza da Shechina”. Ou seja, é o fato de o Criador não poder doar alegria e prazer como Ele deseja, pois Seu desejo é fazer o bem às Suas criações (Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’ na Obra?”).

Pergunta: Por que dizemos “a tristeza da Shechina” e não “a tristeza do Criador”?

Resposta: Porque a revelação do Criador em relação ao ser criado aparece como uma imagem espelhada da Malchut corrigida. Isso serve de exemplo para Malchut de como ela deveria ser. Mas, é claro, essa é a tristeza do Criador pela incapacidade de doar aos seres inferiores.

Rabash escreve que a luz é chamada Shochen, e o vaso que a luz envolve é chamado Shechina. Assim, a Shechina é a percepção da dor do Criador no ser inferior, porque este a sente em seus próprios vasos.

O Criador deseja doar-lhe. Isso não se refere exatamente ao Criador em si, mas à atitude do Criador para conosco.

Pergunta: Mas por que não se trata da relação do Criador consigo mesmo?

Resposta: Porque essa revelação ocorre em Malchut, que está em um estado onde pode sentir a tristeza do outro e trabalhar com isso na doação.

Em essência, a tristeza da Shechina é a tristeza de Malchut. Isso não significa que o Criador se arrependa ou sinta tristeza; antes, Malchut revela quão grande é a sua própria tristeza, quão profundamente lamenta que o Criador não possa lhe doar.

Tudo aqui está focado especificamente no vaso do ser inferior, porque o vaso do ser inferior está pronto para sentir essa dor, já tendo passado pela correção de Hafetz Chesed. Caso contrário, não seria capaz de sentir a dor de outro.

Hafetz Chesed significa que eu não desejo nada para mim mesmo e, portanto, sou capaz de ser preenchido com os desejos do outro.

Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’, na Obra?”

O Desejo No Qual O Criador Se Revela

243.04Pergunta: Você fala com grande confiança sobre coisas que lhe são claras. Mas por que temos um véu tão escuro sobre os olhos? Por que somos incapazes de ouvir?

Resposta: Porque você ainda não atingiu esse nível de desenvolvimento do desejo. No momento, você é como uma criança pequena que olha para um adulto e não entende o que ele quer dela.

Suponha que exista em você um desejo que chamaremos de círculo A. E em mim também existe um desejo que chamaremos de círculo B. Esses dois círculos devem ser alinhados de modo que um segmento comum seja formado entre eles.

Este segmento comum são as partes sobrepostas do seu círculo e do meu; sua natureza deve ser tal que eu não perceba a mim mesmo e você dentro dele, e você não perceba a si mesmo e me perceba; em vez disso, percebemos uma terceira entidade, algo compartilhado, separado de nossos outros desejos, com a qual somos incapazes de nos conectar desta maneira.

Este é um desejo de um nível superior. Está acima dos nossos outros desejos atuais. Através dele, posso entrar na outra pessoa. Ou seja, o segmento comum, separado do nosso eu individual e representando o lugar onde existimos uns dentro dos outros, é precisamente esse campo, esse desejo, no qual o Criador se revela.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada”, 09/10/10

Desejo, Pensamento E Razão

121Pergunta: Como confiar nos sentimentos e desejos que existem em um mundo egoísta, em um corpo egoísta? Como descobrir a veracidade dos desejos e sentimentos que emergem?

Resposta: Não há verdade em nossos desejos. Todos os sentimentos e pensamentos são egoístas.

Portanto, devemos nos empenhar apenas em atrair a luz superior, que gradualmente revelará a depravação de cada sentimento e de cada pensamento, e, nessa medida, seremos capazes de corrigi-los. Uma pessoa não pode, nem mesmo segundo sua natureza egoísta, reter dentro de si aquilo que lhe é prejudicial.

Pergunta: Qual a relação entre desejo, pensamento e razão?

Resposta: A base da nossa natureza é o desejo (o coração). O pensamento (a mente) existe apenas para classificar e direcionar corretamente os nossos desejos. É por isso que somos compostos de coração e mente. A inteligência é necessária para lidar adequadamente com os desejos.

Existe o desejo de desfrutar e a reflexão sobre como realizar esse desejo.

O desejo (coração) é primário, o pensamento (mente) é secundário. A razão serve ao desejo.

Da Lição de Cabalá em Russo, 13/05/18

Sinta O Desejo Único

938.05Pergunta: Como se forma um estado de repouso na espiritualidade? O que devemos fazer nesses estados?

Resposta: Vocês devem estar conectados uns aos outros através da qualidade de doação mútua, de modo que cada pessoa sinta o cuidado que lhe é oferecido por toda a dezena, por todo o grupo. Isso é tudo.

Vocês sentirão que têm força ao se aproximarem um do outro e uma compreensão do propósito dessa proximidade. Isso reside no fato de que vocês sentirão seu único desejo e desejarão direcioná-lo ao Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 20/12/25, “Chanucá”

Desejo Apaixonado

232.031Pergunta: Você nos aconselha a pedir ao Criador que nos corrija e nos complete. Como devemos pedir essa plenitude da maneira correta?

Resposta: Seu coração deve desejar a qualidade da doação e da conexão com o Criador, e sua mente deve compreender esse estado e se unir a Ele para que esse estado entre em seu coração como um anseio apaixonado: “Esta é a única coisa que eu quero”.

Pergunta: Mas aprendemos que não devemos pedir por nós mesmos. Aqui parece haver um viés de egoísmo. Como devemos lidar com isso da maneira correta?

Resposta: Você só pode processá-lo corretamente se pensar nele a partir de um estado de amor.

Da Lição Diária de Cabalá de 20/12/25, “Chanucá”

A Física Dos Nossos Desejos

587.02De fato, você deve saber que a razão para o nosso grande distanciamento do Criador, e para a nossa propensão a transgredir a Sua vontade, reside em uma única razão, que se tornou a fonte de todo o tormento e sofrimento que suportamos, e de todos os pecados e erros em que falhamos. Certamente, ao removermos essa razão, nos livraremos instantaneamente de toda tristeza ou dor. Imediatamente nos será concedida a comunhão com Ele em coração, alma e força. E eu lhes digo que essa razão primordial nada mais é do que “nossa falta de compreensão da Sua orientação sobre as Suas criações”, o fato de não O compreendermos adequadamente (Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”).

Temos um grande problema com definições corretas. O estilo dos textos Cabalísticos às vezes parece tão religioso que nos afasta da realidade e da perspectiva adequada a partir da qual deveríamos nos relacionar conosco e com o mundo como uma certa ordem de forças e sistemas com suas inter-relações características, vetores, indicadores numéricos e dados de medição.

Estamos acostumados a essa abordagem específica; portanto, termos seculares precisam de definições modernas e claras para que não cometamos erros ou nos confundamos com nossas suposições.

Por isso, Baal HaSulam escreve que a razão para o nosso distanciamento do Criador é que não O compreendemos. Esse mal-entendido relaciona-se principalmente à definição de termos.

“A Introdução ao Estudo das Dez Sefirot” é a mais importante de todas as introduções de Baal HaSulam. Ela precede sua obra principal, mostrando-nos em que tipo de sistema de inter-relação estamos inseridos, o que acontece entre nós e como nos conectamos uns com os outros e com a totalidade da realidade. Saímos de nós mesmos para o espaço entre nós, onde uma força nos afasta. Ao começarmos a superar essa força, formamos um campo diferente, não um campo de rejeição, mas um campo de convergência – distância.

Agora existe negatividade, rejeição (–) entre nós; é um campo no qual todos nos rejeitamos mutuamente. Cada um está pronto para sentir apenas a si mesmo, e esse estado é chamado de “este mundo”. Se sairmos de nós mesmos e começarmos a sentir o que existe entre nós, esse estado é chamado de “mundo superior”.

A rejeição entre nós é um “crime”: como escreve Baal HaSulam, transgredimos a vontade do Criador. O desejo de união entre nós é chamado de “mandamento” (+). A transição da transgressão para o mandamento é uma “correção”. O esforço que faço para passar do crime ao mandamento, do meu egoísmo, de receber para dar, é chamado de “esforço”.

Posso mensurar todas essas forças: o quanto desejei receber, o quanto superei, o quanto me transformei de receptor em doador, quanta força exerci, quanto esforço investi, até que ponto senti anteriormente meu desejo egoísta e, nele, este mundo, até que ponto agora me desapego de mim mesmo e começo a sentir o mundo espiritual superior na direção externa, e com que intensidade, em que nível. Tudo isso pode ser mensurado.

É com isso que a ciência da Cabalá lida: a física dos desejos humanos. Claro que você e eu ainda não podemos realizar tais medições na prática, pois ainda não dominamos as forças relevantes. Mas, em geral, você pode trabalhar com todos esses parâmetros de forma concreta, verificando de fato nossa relação: o quanto eu lhe dou e o quanto eu recebo de você. Para isso, precisamos transcender nossa natureza e assumir uma posição objetiva fora dela (além do receber, além do dar, além de tudo), observar de fora e medir o que está acontecendo.

A capacidade de fazer isso é chamada de “restrição”, que nos permite simplesmente nos desconectar de nossa natureza. Podemos não ser capazes de nos libertar completamente dela, mas podemos garantir que ela não nos domine. Isso é chamado de “libertação” dela. Depois disso, podemos realmente medir todos os parâmetros.

Da Lição de Cabalá no Congresso de Toronto, 16/09/11

O Desejo É Primário, A Mente É Secundária

 281.01Comentário: O desejo desenvolve a mente. Você diz que não é o inteligente que aprende, mas, mesmo assim, a pessoa se torna mais inteligente.

Minha Resposta: Mas essa razão surge como resultado de novos sentimentos, sensações e mudanças nos desejos.
Comentário: Assim, surge um desejo mais forte e, por causa disso, a mente se expande como um efeito colateral.

Minha Resposta: Não, não é um efeito colateral. É realmente um efeito auxiliar. Serve aos desejos aumentados e transformados.

Mas sempre pensamos que os desejos eram apenas uma espécie de paixão, algo diferente, e que a mente era algo em que podíamos confiar. Na realidade, não é assim. Começamos a perceber que tudo é completamente diferente, o mundo está organizado de maneira oposta, precisamente porque o desejo é a base da matéria.

Ou seja, se você age apenas dentro do nosso mundo, então o conhecimento está acima dos desejos. Mas se você deseja entrar no mundo superior, começa a entender que todo o seu progresso depende da mudança e da correção dos seus desejos. Portanto, eles se tornam o principal objetivo a ser abordado. E o conhecimento e a razão são adjacentes, como algo auxiliar.

Comentário: Eu não diria isso. Afinal, todo o seu conhecimento prévio permitiu que você expressasse certas coisas.

Minha Resposta: Mas nada além disso. Apenas na minha profissão como professor, mas pessoalmente, não preciso. Inteligência interior, ou seja, desenvolvimento interior, ajuda, claro, mas depende do tipo de alma.

Estou falando sério. Quero que as pessoas entendam que o nível de conhecimento terreno, seja ele qual for — psicológico ou científico — não oferece absolutamente nada para o avanço espiritual de uma pessoa. Para explicações, para o trabalho, para algo externo, talvez ofereça. Mas não para a própria pessoa.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. Razão e Sentimentos”, 05/10/10

A Mente A Serviço Do Desejo

115.06No desenvolvimento espiritual, a educação, a razão e as habilidades mentais não têm absolutamente nenhum significado.

Vi isso por experiência própria. Sempre me considerei inteligente; queria me desenvolver e, naturalmente, respeitava a razão, a compreensão e o conhecimento. Para mim, era simplesmente divino quando uma pessoa sabia, entendia, percebia, pensava, analisava e sintetizava tudo o que sentia e percebia. Mas, no fim, descobre-se que ninguém precisa de nada disso. É incrível que ninguém precise.

Na verdade, o trabalho espiritual se resume a finalmente perceber, com seus cérebros desenvolvidos, que você não precisa deles. Tudo o que você precisa é fazer coisas que causem a influência da luz superior sobre você. Isso mudará seus desejos, não sua mente, mas seus desejos. De acordo com os novos desejos, uma nova mente se desenvolverá para servi-los. Isso é tudo.

Demorei muito para finalmente perceber que o conhecimento não é importante; ele só é necessário para invocar a luz superior.

É por isso que todos os caras inteligentes que vêm estudar Cabalá e querem desvendar tudo rapidamente com seus cérebros e seguir em frente, “se chocam” como ondas contra essa parede de pedra até começarem a perceber que o oposto é verdadeiro.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Razão e Sentimentos”, 05/10/10

O Centro Do Desejo

938.02Pergunta: Você diz que precisamos nos unir como um só. Onde exatamente precisamos nos unir? Não é no mesmo mundo físico, mas em algum lugar acima. Onde?

Resposta: No centro do nosso desejo.

Pergunta: Onde esse centro está localizado?

Resposta: Nosso desejo está no coração de cada um de nós. A conexão dos corações nos dá a noção do centro em que devemos nos sentir.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá de 03/10/25, “O Estudo das Dez Sefirot

Unidos Em Um Desejo Comum

942Pergunta: Nós nos esforçamos tanto para unir nossos desejos que muitas vezes nos confundimos. Deveríamos, de alguma forma, amolecer nossos corações para que eles se unam ou deveríamos tornar nossa aspiração comum tão forte que rompa a barreira entre nós?

Resposta: Antigamente eu costumava escrever as demandas que surgiam em mim enquanto lia os artigos, sem ainda saber como seria possível unir todos esses desejos, direções e intenções com os amigos e me incluir neles, até que senti que é precisamente o nosso desejo comum que pode nos unir uns aos outros e ao Criador.

Agora vocês têm todas as oportunidades para isso. Nada mais é necessário, exceto imaginar que estão conectados uns com os outros e com o Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá de 07/10/25, “Preparação para Abrir o Coração no Congresso”