É Necessária A Tradução Da Linguagem Dos Ramos

209O mundo espiritual e a alma são simplesmente desejos em sua forma direta e pura. Mas a ciência da Cabalá fala sobre estados em que a alma está revestida de um corpo. Os Cabalistas não descrevem os estados de uma alma que não está revestida de um corpo, embora, é claro, os conheçam e estejam conectados a eles.

A alma de uma pessoa que se eleva acima do Machsom, acima da fronteira do mundo espiritual, até o ponto da barreira antiegoísta, já se sente livre do corpo.

Durante a vida neste mundo, enquanto a alma de uma pessoa está alojada em um corpo, ela deve corrigir todos os seus desejos para que o corpo não represente nenhuma barreira entre ela e outras almas que não possuem corpos. Tal estado é chamado de fim da correção (Gmar Tikkun).

É necessária uma linguagem especial para descrever os estados da alma, pois toda a nossa linguagem se baseia apenas em conceitos deste mundo. Então, de onde podem vir as palavras para descrever os estados da alma?

Os Cabalistas perceberam que, embora o corpo seja feito de matéria completamente diferente, sua estrutura é análoga à estrutura da alma. Portanto, é possível chamar as partes da alma e as ações espirituais pelos mesmos nomes das partes do corpo e suas ações, mesmo que não haja nenhuma conexão entre elas. Assim, foi inventada a “linguagem dos ramos”.

Acontece que os Cabalistas usam a linguagem terrena comum para descrever fenômenos espirituais, mas se quisermos ler sobre o que acontece com a alma e não com o corpo, devemos buscar um significado espiritual nas palavras, e não um material. Ou seja, mesmo que ainda não conheçamos o significado espiritual das palavras, precisamos permanecer com essa questão e não imaginar imagens materiais. Caso contrário, jamais sairemos deste mundo.

Os Cabalistas nos deram a linguagem dos ramos e nos obrigaram a estudar os livros Cabalísticos para que, durante o estudo, nos esforçássemos para compreender o que está oculto por trás dessas palavras, quais qualidades ou fenômenos espirituais. Ou seja, tentamos traduzir o que está escrito da linguagem terrena e humana para a espiritual, como se traduzíssemos cada palavra de uma língua para outra.

Da Lição Diária de Cabalá 06/01/26, Rabash, “Na Minha Cama à Noite”