Do Temor Ao Amor

252No caminho espiritual, existem diretrizes que nos conduzem à correção final. Esse caminho se divide em correções, a primeira das quais é chamada de Ira — medo ou temor.

No Livro do Zohar, surge uma pergunta: de onde pode vir esse temor se o Criador é bom e pratica o bem, se Ele é perfeito e está acima de todos os cálculos para Si mesmo? Por que, então, alguém deveria temê-Lo? Não convém ao Criador, que reside na perfeição absoluta, agir de uma maneira que cause medo. Como isso é possível?

O Zohar explica que existe um tipo de medo chamado medo no nível deste mundo, quando uma pessoa teme punições para si mesma e para sua família neste mundo. Além disso, ela teme o que lhe acontecerá no mundo vindouro, embora este seja um conceito mais elevado. Mesmo assim, ainda é medo de punição.

Mas quando uma pessoa corrige seus Kelim para Kelim de doação e adquire uma tela (Masach), ela deixa de temer o Criador por completo, porque vê que Ele é bom e faz o bem. O Criador lhe é revelado, e ela começa a compreender que, mesmo antes, sentia medo não porque o Criador existe e pode puni-la, mas porque, dentro de seus Kelim não corrigidos, ela temia receber punição. Na verdade, não existe punição vinda de cima. A separação do Criador é a própria punição.

Assim, a pessoa se depara com outro tipo de medo: o temor que talvez não consiga doar. Essencialmente, essa é a própria correção; é o que lhe dá a capacidade de construir os Kelim de doação de sua alma. Na revelação desse temor, a pessoa recebe a plenitude chamada amor. Portanto, o amor é resultado do temor.

Na medida em que ela teme ser incapaz de doar, a luz a preenche e lhe transmite uma sensação de amor, um sentimento de semelhança com o Criador, equivalência com Ele em qualidades, unidade e adesão com o Criador. Portanto, o conceito de temor é uma correção. Porque inicialmente somos criados com o desejo de receber, e isso deve ser para fins de doação; caso contrário, não sentiremos deleite.

Da Lição Diária de Cabalá 07/01/26, Rabash, “Sobre o Medo e a Alegria”