Textos arquivados em ''

Em Direção Ao Hisaron Comum

938.03Pergunta: Como podemos reunir nossos pequenos Hisarons (deficiências) em um Hisaron comum?

Resposta: Estejam mais próximo dos seus amigos, entendam os outros o máximo possível e unam-se uns aos outros.

Então, podemos formar um Hisaron mais ou menos comum. Claro, não em tudo, mas de tal forma que já possamos nos elevar em direção ao Criador e exigir Dele a realização.

Pergunta: À medida que avanço, descubro repentinamente que meu Hisaron não estava totalmente correto, pois, como resultado do avanço, aprendo algo novo. Como posso preservar o conceito do Hisaron correto se, com o tempo, me decepciono com ele?

Resposta: O fato de você se decepcionar é bom. Significa que você precisa substituir seu Hisaron por outro, mais elevado.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá de 12/08/25, “Primeiro Exija e Peça”.

Tu B’Av — O Momento De Escolher A Noiva

744Bina é a qualidade da fé em sua forma abstrata, mas essa fé se realiza em Malchut, pois a fé só pode ser aplicada na prática onde existe a qualidade da recepção. O desejo de receber surge pela primeira vez no estágio de Chochma, mas não se realiza pelo lado do ser criado.

O desejo de doar surge em Bina, mas ainda sem realização prática. Da combinação de ambos surge o quarto estágio (Dalet), onde deve haver fé e, de acordo com a medida da fé, há recepção. O desejo de receber em Malchut resulta do desejo de doar de Bina e do desejo de receber de Chochma, que Zeir Anpin unifica plenamente.

O 15o dia de Av (Tu B’Av) é considerado um dos dias mais auspiciosos para Israel. Um bom dia é aquele em que se pode dar o máximo ao Criador. Tu B’Av simboliza receber para doar, mas como uma promessa para o futuro, quando Malchut já tiver sido corrigida. Atualmente, embora haja uma ascensão dos mundos, ela se deve a um despertar do alto e não à obra do inferior.

O fim da correção ocorre em Purim. Tu B’Av representa a união dos desejos de Malchut sob todas as condições adequadas e emerge das quatro fases, representadas como quatro grupos de donzelas em busca de noivos: Chochma, Binah, Zeir Anpin e Malchut.

“O que diriam as beldades entre elas? Volte os olhos para a beleza, pois a mulher só existe para a beleza”.

“O que diriam as bem-nascida entre elas? Olhem para a família, pois uma mulher é apenas para os filhos”. Em O Olho de Jacó, ele acrescenta: “As ricas entre elas dizem: ‘ Olhem para as ricas’. O que diriam as feias entre elas? ‘Aceitem o que vocês tomam para o Criador, contanto que nos coroe com moedas de ouro’” (Rabash, “O Décimo Quinto Dia de Av”).

Assim, todas as etapas se passaram — Chochma, Bina, Zeir Anpin — até que chegou a vez de Malchut, e foi revelado que o Reino dos Céus (Malchut Shamayim) deve ser pobre e destituído, não rico, belo ou nobre. Somente através do nosso trabalho nos tornamos capazes de permanecer leais a isso.

Este festival personifica nossa busca, nossa desilusão com nossa própria força, nossa prontidão para, por qualquer meio, nos separarmos do desejo de receber e permanecermos fiéis à doação, sem exigir nada para nós mesmos. Peço ao Criador que me proteja do meu desejo de receber, meu maior inimigo. Devo odiar meu egoísmo tão profundamente que não sucumba a nenhuma tentação.

Que meu ego simplesmente morra — ele não receberá nada! Que eu mesmo desapareça — não importa, pois devo atravessar o ponto de restrição total e nascer do outro lado da barreira, o que significa a morte do meu desejo de receber para meu próprio bem. Isto é vida e luz para mim, pois a vida só existe além desta barreira (Machsom).

Para isso, é preciso chegar à quarta fase, Malchut, a noiva feia, pobre e humilde chamada “fé”. Se, apesar de sua pobreza e humildade, eu conseguir permanecer leal a ela, significa que alcancei a fé. Esta é a condição para alcançar Malchut: concordar em me apegar somente a ela, independentemente de todas as outras formas de sedução.

A fé é aceita sem quaisquer condições; caso contrário, não é fé, mas um cálculo ou transação. A fé não pode ter um fundamento egoísta; quero me livrar do cálculo egoísta. Sem isso, não posso entrar no mundo espiritual. Esta é a condição de entrada: purificar-se dos desejos egoístas e permanecer apenas na doação. A qualidade da doação é a ausência de qualquer cálculo para benefício próprio.

Se eu me esforçar para alcançar a fé, passarei por todos esses estágios, um após o outro, e encontrarei as “noivas” que precedem Malchut — a bela, a rica e a nobre. No final, chego ao ponto em que não desejo nada além de me libertar de toda essa “nobreza”. Quero que haja apenas o Criador, e que eu não exista. Só então a vida espiritual começa.

Estou pronto para abandonar todos os cálculos e me apegar ao Criador sem qualquer deliberação. Assim, torno-me um embrião espiritual. Quero que o programa do Criador me governe, determine todo o meu comportamento, pensamentos e desejos. Que outro motor opere dentro de mim.

Agora, meu motor egoísta gira e busca como ganhar mais, ter mais sucesso e me deleitar. Mas eu quero um novo motor, um que me volte constantemente ao Criador e não busque nada para si mesmo, para que um novo programa de doação atue em mim. Isso significa que a luz superior se revela dentro de mim e me concede uma nova visão da vida, e com esses novos olhos, eu vejo o mundo superior.

Dentre todas as “noivas”, dentre todos os desejos, após longos discernimentos, escolhemos aquela que nada exige além de adesão, para basear toda a sua recepção unicamente na fé. Essa noiva parece feia ao desejo de receber; carece de nobreza, riqueza e beleza. No entanto, precisamente quando não recebo nada em troca do meu egoísmo, posso ser totalmente leal ao Criador. Estou pronto para morrer enquanto puder permanecer leal a Ele. Esta é a condição para cruzar o Machsom.

Tu B’Av é a escolha do Reino dos Céus (Malchut Shamayim). Depois do dia 9 de Av, nada me resta. Tudo ruiu, o Primeiro Templo e o Segundo. Então chega o dia 15 de Av, quando posso basear meu relacionamento com o Criador unicamente na qualidade da doação. É por isso que o dia 15 de Av é considerado o maior feriado.

Graças à revelação da ruína no dia 9 de Av , no dia 15 de Av eu ganho a habilidade de manter o Reino dos Céus, de escolher a verdadeira noiva, Malchut.

As quatro noivas que escolhemos representam nossas atitudes em relação ao grupo; esperamos receber dele riqueza, conhecimento e nobreza. Mas, no final, vejo que não receberei nada, exceto uma coisa: através da lealdade a eles, alcançarei a lealdade ao Criador. E este é o meu maior tesouro.

Tudo isso parece feio para o meu desejo de receber. Não vejo nada de bom neste grupo e os rejeitaria de bom grado — no entanto, é precisamente por meio desta forma que posso chegar ao Criador, se a aceitar. O mundo inteiro demonstra como me odeia por me envolver em doação e como me apoiaria se eu fosse tão egoísta quanto todos os outros.

O mundo se torna muito perspicaz nesse aspecto. Ninguém me acusa de recepção egoísta, mas todos me atacam por buscar a doação. E se eu mudar, imediatamente me prometem uma vida boa e o retorno das três noivas vantajosas — os estágios Aleph, Bet e Gimel.

Aqui, é preciso ser muito direto e não fazer concessões. O Criador me confundirá em todos os sentidos, mas a condição para cruzar o Machsom é dizer: “Melhor a morte do que uma vida assim”. Então, verei como todas essas ilusões se dissolvem e desaparecem.

A verdadeira noiva é aquela que permanecerá comigo sob a condição de que eu esteja pronto para aceitá-la como ela é, mesmo a mais feia do mundo. Ela não tem beleza, nem riqueza, nem nobreza, nada de atraente. Por que, então, eu a amo e me sinto atraído por ela? Porque somente nesta forma ela pode me levar ao Criador.

Vejo que é o Criador quem brinca comigo através de todas essas ilusões. Ele me tenta com riqueza, inteligência, conhecimento e nobreza, e suborna minha vaidade. Mas, no fim, entendo que a grandeza do Criador está na modéstia. Portanto, devo rebaixar meu orgulho e minhas exigências, e buscar não beleza ou nobreza, sabedoria ou riqueza, mas apenas o desejo de me unir de todo o coração, e então poderei “casar-me”.

O período do dia 9 de Av é um tempo de morte e destruição. Mas a partir do dia 15 de Av, a partir do jubiloso dia de Tu B’Av, quando escolhemos a verdadeira Malchut Shamayim, iniciamos a preparação para o encontro, para a conexão entre nós e a adesão ao Criador, agora com o desejo correto.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/08/19, Escritos do Rabash, Décimo Quinto Dia de Av

Três Passos Para O Criador

528.03Estamos em um estado chamado “este mundo”. A razão de estarmos neste mundo é para nos elevarmos, através de nossos próprios esforços, ao nível de equivalência com o Criador, para alcançar Seu nível, como é dito: “Você verá seu mundo durante sua vida”.

A ciência da Cabalá é um método de revelar o Criador à criação neste mundo. Como O revelamos? Tornando-nos semelhantes a Ele. Somente se eu adquirir um desejo como a luz, meu vaso espiritual, serei capaz de revelar a luz, o Criador, nele.

Como posso me tornar um vaso para revelar a luz e preencher-me? Recebemos duas ferramentas para isso. A primeira é o material, o desejo que adquiro a ponto de absorver desejos externos, desejos de outras pessoas.

Existe apenas um ponto em mim que deseja caminhar em direção à espiritualidade, embora eu não saiba o que é. Sinto que algo está faltando. É apenas um ponto de desejo. Não tenho volume neste ponto, nem superior, inferior, direito ou esquerdo.

Não consigo sentir nada ali, exceto um desejo insaciável – quero algo, mas não sei exatamente o quê. Posso tentar imaginar a espiritualidade, mas não importa o que eu invente, é tudo fantasia deste mundo, não a realidade verdadeira.

Como posso dar volume a este ponto? Preciso me conectar com um organismo especial, completo e perfeito, com um grande desejo criado pelo Criador: Malchut do Infinito. Para mim, é um grupo, mas, na verdade, é a humanidade inteira. Mas, como não sei o que é a humanidade inteira, um grupo me basta. Este é o primeiro componente.

Se tento me conectar com um grupo e consigo me conectar com alguma parte dele, como se cortasse uma determinada área dele, ela se torna minha. Acontece que já estou ganhando volume, e esse volume é o meu desejo. Se eu já tenho um desejo tão grande, e não um ponto, posso começar a sentir algo nele. O que me falta? Falta-me esse desejo de ser como a luz. Ou seja, o primeiro estágio é a aquisição do desejo, o segundo é a correção do desejo e o terceiro é a realização do desejo. É isso!

Para obter o desejo, preciso me anular diante do grupo, diante de sua unidade, conectar-me a eles como uma gota de sêmen presa à parede do útero. Este é o primeiro estágio.

O segundo estágio é estar com meus amigos, devo tentar fazer minha entrada no grupo, minha conexão com eles, com o propósito de dar, para que o desejo que estou ganhando agora seja semelhante à luz.

Eu consigo isso usando a luz circundante (O”M), a luz que retorna à fonte, o que é chamado de “Luz da Torá”.

Depois disso, o desejo é preenchido com a luz de Chochma.

Portanto, ao ler uma fonte como O Livro do Zohar, que tem grande poder, devemos: sentir em nós mesmos um desejo comum e querer que nosso desejo comum seja corrigido, que nos tornemos tão generosos quanto a luz.

Para que tal correção ocorra, devemos esperar por ela durante a leitura do Livro do Zohar, para que nossos desejos, nossa união, sejam em prol da doação, para que nos sintamos como um todo único e nos tornemos verdadeiramente uma Shechina, um “lugar” onde a luz superior, o Criador, é revelada. Se corrigirmos esse “lugar” com o propósito de doar, pelo menos até certo ponto, nesse sentido o Criador será revelado nele.

Ou seja, eu me conecto com o grupo como um todo, em doação mútua, garantia mútua, unidade, com a ajuda da luz que retorna à fonte, dando a todos nós a sensação de uma conexão integral comum. Então, na medida em que nos unimos, revelamos a qualidade de doação, a luz do Criador reinando em nós.

Portanto, tentemos não nos esquecer desta tarefa e percebamos que permanecer constantemente nestes esforços para construir tal imagem para mim é o meu trabalho interior, que agora farei enquanto lemos o Livro do Zohar. Afinal, durante a leitura do Zohar, uma grande luz surge. Estamos preparando o desejo correto para que ela o corrija e o preencha?

Da Lição Diária de Cabalá de 13/05/2011, O Livro do Zohar, “Mishpatim”

A Natureza Começou A Remover Sua Tela Protetora, Parte 2

739Pergunta: Como a humanidade pode criar o equilíbrio que existe instintivamente na natureza, mas está ausente nos seres humanos?

Resposta: O ser humano não possui o instinto de equilíbrio com a natureza . É por isso que lhe é dada a oportunidade de construir a sociedade humana por conta própria e, por meio de seus esforços, alcançar a força da conexão e a mente que lhe permitem alcançar o equilíbrio.

Portanto, combater a poluição ambiental é inútil, pois a principal fonte de poluição é o ser humano, que entrou em uma nova era. Se ele não cuidar de sua própria correção, mesmo uma perturbação mínima, apenas um grama de inclusão inadequada na natureza, desequilibra todo o sistema natural. E é isso que estamos apenas começando a ver agora.

A humanidade não desaparecerá, mas até o último momento qualquer tipo de catástrofe é possível: a natureza nos afogará no mar, nos congelará, nos assará com calor extremo e nos queimará em incêndios florestais.

Pergunta: Durante muitos anos, os Estados Unidos realizaram testes de armas nucleares em dois atóis no Oceano Pacífico, que naturalmente se tornaram impróprios para habitação humana. Mas a natureza floresceu ali de forma extraordinária, como em nenhum outro lugar. Como resultado, os cientistas concluíram que os danos causados pela presença humana são piores do que os da radiação nuclear. Como isso é possível?

Resposta: A natureza sabe como curar os danos causados a ela em níveis inferiores, mas é claro que mesmo isso tem seus limites. Se o dano for muito grande, as mudanças se tornarão irreversíveis.

Pergunta: Que tipo de dano um ser humano causa no “nível humano”?

Resposta: O homem não causou nenhum dano até os últimos cem anos. Todo o seu dano reside no fato de não estar em equilíbrio com a natureza, que é sua obrigação como elemento central dela.

A principal razão não é o dano mecânico causado à natureza, nem que o homem a queime ou a seque, mas o fato de que deveríamos ter começado a nos equilibrar com a natureza desde a época do ARI, desde o século XV, ou pelo menos desde a época de Baal HaSulam, que definiu aquele período como a “última geração”. Nossa inconsistência com o sistema integral da natureza — esse desequilíbrio — é o que causa todos os desastres.

Claro, isso não significa que ao atingir o equilíbrio com a natureza, teríamos permissão para poluí-la, mas simplesmente não pensaríamos em prejudicá-la e agiríamos instintivamente de forma correta.

Estar em equilíbrio com a natureza significa alcançar relacionamentos bons e integrais entre as pessoas — em pensamentos, desejos e intenções — sem prejudicar a sociedade humana e toda a natureza em geral, bem como o sistema superior.

Ser integral em pensamentos significa perceber todo o sistema da natureza como um único organismo. E, de acordo com as conexões adequadas entre as pessoas, todos os outros níveis — inanimado, vegetativo e animal — se elevam, tornam-se incluídos no sistema geral e são corrigidos com o ser humano. Então, não haverá catástrofes e o equilíbrio será estabelecido em tudo.

Uma condição muito rigorosa opera: “O indivíduo e o coletivo são iguais”. Isto significa que uma pessoa pode causar tanto dano quanto toda a humanidade.

Da Conversa de 09/06/17, “Cataclismos Climáticos”

A Possibilidade De Adquirir A Qualidade De Doação

608.02Pergunta: Dizem que primeiro alcançamos a qualidade de doação e só então recebemos bondade e deleite. Mas o que podemos doar se ainda não recebemos nada?

Resposta: Não importa o que podemos ou não doar. Estamos falando da possibilidade de adquirir a qualidade de doação.

Então, com base nas forças que atraio e desejo combinar para que somente elas existam dentro de mim, aproximo-me das qualidades de doação, até que elas me influenciem a ponto de eu estar em completo alinhamento com elas. Dessa forma, começarei a agir na qualidade de doação.

Da Lição Diária de Cabalá 09/08/25, “Subjugando o Coração”

Trabalho Em Relação Aos Amigos

530Pergunta: Eu entro nos desejos das pessoas com quem tento me unir e sinto que invejo seus Kelim. Como devo agir nesta situação: simplesmente conectar tudo ao Criador? Essa é a correção ou existe alguma outra maneira de lidar com a inveja?

Resposta: O trabalho é apenas em relação ao seu círculo, aos seus amigos com quem você está percorrendo todo este caminho. Se você se anular cada vez mais em relação a eles, você avançará e receberá mais do Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 09/08/25, “Subjugando o Coração”

A Luz Das Boas Ações

276.01Isso ocorre porque é uma lei natural de qualquer ser que qualquer coisa fora do seu corpo seja considerada irreal e vazia.

E qualquer movimento que uma pessoa faça para amar outra é realizado com uma luz refletida e alguma recompensa que finalmente retornará a ela e a servirá em seu próprio benefício. Portanto, tal ato não pode ser considerado “amor ao próximo”, pois é julgado por seu fim. É como um aluguel que só se paga no final.

Entretanto, o ato de alugar não é considerado amor ao próximo.

Mas fazer qualquer movimento apenas como resultado do amor pelos outros, sem nenhuma centelha de luz refletida ou esperança de qualquer tipo de recompensa em troca é completamente impossível por natureza (Baal HaSulam, Matan Torah [A Entrega da Torá]).

Isso significa que não se deve tentar praticar supostas “boas ações” uns para com os outros. Se fizermos isso sem atrair a luz que retorna à fonte, continuamos sendo o mesmo egoísmo e não nos aproximamos da correção.

Em primeiro lugar, devemos ter o cuidado de atrair a luz e só então, precisamente com a sua ajuda e poder, agir. Se eu agir sem a luz, serei guiado pelo meu egoísmo e me enredarei ainda mais, desviando-me do caminho reto que leva à correção.

Pergunta: Se eu quiser fazer algo para o benefício de outra pessoa, qual a diferença se há luz nisso ou não?

Resposta: Se você age simplesmente por si mesmo, isso é resultado do seu egoísmo. Mesmo que tal ação possa parecer, vista de fora, muito boa e gentil (você pode estar ajudando a todos e distribuindo presentes), você ainda precisa se esforçar e investir energia. Isso significa que você precisa receber uma compensação; caso contrário, não conseguirá fazer nada.

Pela lei da conservação de energia, você deve repor o que gastou. Essa reposição de energia é chamada de recompensa que você recebe por fazer o bem aos outros.

Por exemplo, você distribuiu doces e, em troca, recebeu honra. A honra é mais valiosa para você do que os doces, e é por isso que você pratica boas ações e recebe um belo bônus pelo qual vale a pena trabalhar. Esse é o cálculo feito dentro do desejo de desfrutar.

Mas se você pratica uma boa ação através do poder da Torá, a luz, então você não considera a si mesmo, mas apenas o quanto ela contribui para a correção do mundo, pois este é o desejo do Criador. Portanto, você faz tudo para corrigir o mundo.

Então, você poderá ver o benefício de suas ações, isto é, o prazer que elas trouxeram ao Criador. Você poderá ver isso com a condição de não obter nenhum prazer egoísta com isso, mas sim colocar uma cortina sobre esse conhecimento e manter a intenção em prol da doação.

Da Lição Diária de Cabalá de 25/12/15, Escritos do Baal HaSulam, “Matan Torá” [A Entrega da Torá]

Teste A Nós Mesmos

942Pergunta: Você disse que todos os modelos espirituais devem ser imaginados dentro de si. Suponha que eu vá a um seminário e imagine que estou doando, respondendo a perguntas. Mas, como resultado, experimento bem-aventurança, prazer e contentamento. Nesse caso, estou trabalhando para doar com o propósito de receber, ou estou trabalhando para doar e simplesmente receber uma recompensa?

Resposta: Depende de você. Você deve se examinar e agir de modo que sua resposta ao que o Criador lhe faz seja correta, isto é, que o leve a sentir as verdadeiras forças, suas intenções e seus objetivos, e que você possa influenciá-las.

Da Lição Diária de Cabalá de 09/08/25, “Subjugando o Coração”

A Natureza Começou A Remover Sua Tela Protetora, Parte 1

738Pergunta: Em 2017, o furacão Irma assolava as ilhas do Caribe; foi o mais poderoso da história do Atlântico até então. O furacão se aproximava rapidamente da Flórida quando foi anunciada a evacuação da população, sob ameaça de destruição e inundações.

Ao mesmo tempo, milhares de quilômetros a oeste, a situação era exatamente oposta: havia seca e calor intenso, o que levou a incêndios florestais de grande porte. O que está acontecendo com a natureza?

Resposta: Todos falam em proteger o meio ambiente, que devemos proteger a natureza em sua forma original, para preservar o equilíbrio natural. Na natureza, um devora o outro, e assim um certo equilíbrio é mantido. Quando o homem chega e distorce esse equilíbrio, o que afeta animais e plantas, até a terra começa a rachar e secar.

As pessoas sempre acreditaram que devemos proteger a natureza, como se o homem se destacasse dela e devesse preservar sua forma e equilíbrio corretos entre matéria inanimada, plantas e animais. Nos últimos 50 a 60 anos, grande atenção tem sido dada à proteção ambiental, e acredita-se que isso nos garantiria uma vida digna.

Mas a ciência da Cabalá diz que essa é a abordagem errada. A natureza se desequilibra justamente por causa do homem, que não está em equilíbrio com ela. A razão não é que ele polua a natureza, queime árvores, are a terra ou bombeie água.

O homem também deve fazer parte do ecossistema como um todo. A humanidade deve mudar e se tornar integral, como toda a natureza, e ocupar e preencher a célula que nos foi atribuída entre os níveis inanimado, vegetal, animal e humano do ecossistema.

Ou seja, estamos falando em corrigir o próprio homem. Mas ninguém jamais falou sobre isso. Todos pensavam que o principal era não estragar a natureza inanimada, vegetal e animal, e que tudo ficaria bem. Todos os esforços estão sendo feitos para isso, todas as organizações estão focadas apenas em como queimar menos petróleo e poluir menos o meio ambiente. Mas e o homem?

Por não termos uma abordagem integral à natureza em geral, nós mesmos causamos o seu maior desequilíbrio. Na verdade, a única razão não é a atitude negativa do homem em relação à natureza, mas sua falta de inclusão no sistema geral.

No sistema geral, existe uma lei especial segundo a qual o indivíduo e o geral são iguais. Isso significa que o poder de um indivíduo não corrigido, nem mesmo suas ações destrutivas, mas a atitude interior, é suficiente para arruinar todo o sistema.

O indivíduo e o geral são iguais é uma condição severa para estar em um sistema integrado onde todos nos encontramos contra a nossa vontade. Afinal, basta que eu cometa a menor ação ilícita para perturbar meu equilíbrio com o sistema em apenas um grama, mas, devido à integralidade do sistema, causo milhões de vezes mais danos com minha violação microscópica.

Afinal, meu grama é multiplicado pelo que está incluído em cada elemento do sistema. Portanto, o dano é geral.

Ainda não compreendemos que o individual e o geral são iguais, ou seja, zero ou 100%, e que não pode haver nada entre eles. Mas estamos nos desenvolvendo de tal forma que a natureza esconde nossa participação verdadeira e integral em seu sistema.

É por isso que não temos muita influência sobre a natureza. Como um juiz misericordioso, ela nos avalia de acordo com o nosso nível de desenvolvimento. Se a natureza não nos tivesse protegido, teríamos chegado ao ponto da destruição completa, não apenas de nós mesmos, mas de todo o universo.

É somente através da ocultação que uma certa barreira protetora se forma. Embora eu esteja errado em tudo, tenho pouco impacto na natureza. No entanto, a natureza já começou a mudar, começando com a última geração, o que é um sinal de que é hora de corrigirmos nosso envolvimento.

Quanto mais avançarmos, mais a natureza removerá o escudo protetor, a barreira entre o homem e a natureza em geral. E teremos que nos integrar na consciência, no coração, na percepção, em todas as ações: físicas, mentais, internas, em nossas relações uns com os outros e em relação a todo o sistema, até alcançarmos a adesão completa a ele.

Você pode chamar isso de fusão com a natureza ou com a força superior, mas precisamos fazer isso. Precisamos entender que estamos em uma sala de aula. A natureza, ou o Criador, nos ensina e nos ensinará de forma muito concisa e rápida. Isso pode acontecer por meio de explosões nucleares, furacões, incêndios ou epidemias.

A natureza tem muitas maneiras de levar a humanidade à razão para que ela entenda que deve estar equilibrada e em plena harmonia com a natureza, como o mundo inanimado, vegetativo e animado.

Rochas, plantas e animais não têm inteligência para ir contra a natureza; eles agem de acordo com seus instintos. Mas nós, humanos, com toda a nossa maldade, devemos agir da mesma forma que os animais agem instintivamente para atingir o mesmo nível de conformidade com a natureza.

Como isso é possível se não temos esses instintos?! É por isso que precisamos da força superior para equilibrar o nosso mal. E a força superior só se revela dentro da nossa conexão.

Da Conversa de 09/06/17, “Cataclismos Climáticos”

Se Houver Peso No Coração

533.02Pergunta: O Criador está sobrecarregando meu coração. Estou em um estado muito baixo e, ao mesmo tempo, permanece um vislumbre de que meu amigo também está com o coração pesado. Para qual coração minha oração deve ser dirigida primeiro?

Resposta: Esta não é uma pergunta simples. Mas se a reduzirmos a uma pergunta comum, então uma pessoa sob o domínio do egoísmo decide por si mesma com o que deve começar a lutar e o que exatamente deve humilhar.

Portanto, em geral, a questão sempre se resume a quem devo obedecer neste estado.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/08/25, “Correção do Coração”