Três Passos Para O Criador

528.03Estamos em um estado chamado “este mundo”. A razão de estarmos neste mundo é para nos elevarmos, através de nossos próprios esforços, ao nível de equivalência com o Criador, para alcançar Seu nível, como é dito: “Você verá seu mundo durante sua vida”.

A ciência da Cabalá é um método de revelar o Criador à criação neste mundo. Como O revelamos? Tornando-nos semelhantes a Ele. Somente se eu adquirir um desejo como a luz, meu vaso espiritual, serei capaz de revelar a luz, o Criador, nele.

Como posso me tornar um vaso para revelar a luz e preencher-me? Recebemos duas ferramentas para isso. A primeira é o material, o desejo que adquiro a ponto de absorver desejos externos, desejos de outras pessoas.

Existe apenas um ponto em mim que deseja caminhar em direção à espiritualidade, embora eu não saiba o que é. Sinto que algo está faltando. É apenas um ponto de desejo. Não tenho volume neste ponto, nem superior, inferior, direito ou esquerdo.

Não consigo sentir nada ali, exceto um desejo insaciável – quero algo, mas não sei exatamente o quê. Posso tentar imaginar a espiritualidade, mas não importa o que eu invente, é tudo fantasia deste mundo, não a realidade verdadeira.

Como posso dar volume a este ponto? Preciso me conectar com um organismo especial, completo e perfeito, com um grande desejo criado pelo Criador: Malchut do Infinito. Para mim, é um grupo, mas, na verdade, é a humanidade inteira. Mas, como não sei o que é a humanidade inteira, um grupo me basta. Este é o primeiro componente.

Se tento me conectar com um grupo e consigo me conectar com alguma parte dele, como se cortasse uma determinada área dele, ela se torna minha. Acontece que já estou ganhando volume, e esse volume é o meu desejo. Se eu já tenho um desejo tão grande, e não um ponto, posso começar a sentir algo nele. O que me falta? Falta-me esse desejo de ser como a luz. Ou seja, o primeiro estágio é a aquisição do desejo, o segundo é a correção do desejo e o terceiro é a realização do desejo. É isso!

Para obter o desejo, preciso me anular diante do grupo, diante de sua unidade, conectar-me a eles como uma gota de sêmen presa à parede do útero. Este é o primeiro estágio.

O segundo estágio é estar com meus amigos, devo tentar fazer minha entrada no grupo, minha conexão com eles, com o propósito de dar, para que o desejo que estou ganhando agora seja semelhante à luz.

Eu consigo isso usando a luz circundante (O”M), a luz que retorna à fonte, o que é chamado de “Luz da Torá”.

Depois disso, o desejo é preenchido com a luz de Chochma.

Portanto, ao ler uma fonte como O Livro do Zohar, que tem grande poder, devemos: sentir em nós mesmos um desejo comum e querer que nosso desejo comum seja corrigido, que nos tornemos tão generosos quanto a luz.

Para que tal correção ocorra, devemos esperar por ela durante a leitura do Livro do Zohar, para que nossos desejos, nossa união, sejam em prol da doação, para que nos sintamos como um todo único e nos tornemos verdadeiramente uma Shechina, um “lugar” onde a luz superior, o Criador, é revelada. Se corrigirmos esse “lugar” com o propósito de doar, pelo menos até certo ponto, nesse sentido o Criador será revelado nele.

Ou seja, eu me conecto com o grupo como um todo, em doação mútua, garantia mútua, unidade, com a ajuda da luz que retorna à fonte, dando a todos nós a sensação de uma conexão integral comum. Então, na medida em que nos unimos, revelamos a qualidade de doação, a luz do Criador reinando em nós.

Portanto, tentemos não nos esquecer desta tarefa e percebamos que permanecer constantemente nestes esforços para construir tal imagem para mim é o meu trabalho interior, que agora farei enquanto lemos o Livro do Zohar. Afinal, durante a leitura do Zohar, uma grande luz surge. Estamos preparando o desejo correto para que ela o corrija e o preencha?

Da Lição Diária de Cabalá de 13/05/2011, O Livro do Zohar, “Mishpatim”