Textos arquivados em ''

Aderir Ao Criador

232.03Se alguém me perturba, tenho que aceitar isso como uma “ajuda contra mim”, o que me mostra onde ainda não aderi ao Criador.

É por meio dessa perturbação que me aproximo do Criador e, portanto, desejo a essa pessoa tudo de bom e abençoo tanto no mal quanto no bem. Afinal, é graças a essas perturbações que tenho a oportunidade de ascender em direção ao Criador a cada momento. Sem elas, eu não seria capaz de progredir.

Portanto, por um lado, na vida material, devo me defender e lutar contra tais perturbações. Mas, em essência, no meu trabalho interior, eu as aceito plenamente e agradeço tanto pelo mal quanto pelo bem.

São precisamente essas perturbações que nos trazem correção, mesmo que nos custem muito esforço, dinheiro e tempo. O principal é lidar com elas corretamente, ou seja, travar uma guerra contra elas para, acima delas, pedir a adesão ao Criador.

Eu entendo que o Criador me enviou essas perturbações e quero aderir a Ele junto com elas. Afinal, minha devoção ao Criador é testada pela força com que me apego a Ele.

Digamos que eu queira fixar uma carga de cinco kg no teto. Para isso, preciso de cola que suporte pelo menos cinco kg e um pouco mais para garantir a segurança. Portanto, avalio a resistência da cola pelo peso da carga. Se eu fixar a carga e ela cair, significa que a cola é mais fraca que o peso da carga. Ou seja, minha devoção ao Criador é menor que a perturbação que Ele enviou.

Mas se eu peço ao Criador para me ajudar a aderir a Ele com uma força maior que a perturbação, e fico preso ao teto junto com todo esse problema, isso significa que adquiro fé acima da razão, a força de adesão, que é mais poderosa que a perturbação sentida dentro da razão.

A cola que recebo do Criador é a luz que me vem a pedido, o poder de doação, Bina, com o qual me aderi ao Criador em doação a Ele. Quero me unir a Ele acima dessa perturbação com a qual Ele me afasta de Si mesmo, para que todas as transgressões sejam cobertas com amor ao Criador.

Não há justo que não tenha pecado. Sempre caímos ao nos concentrarmos na perturbação em si, na pessoa que nos causa problemas ou na situação. Nunca estamos preparados para a perturbação, porque cada vez que ela é nova, um novo Reshimo da quebra se revela. E somos forçados a cair e sucumbir ao engano, como se o problema não viesse do Criador.

Mas logo no momento seguinte, é necessário retornar à percepção correta. Isso se chama “beliscão do diabo”; uma leve beliscada é suficiente para trazer a pessoa à razão.

No início, grito “ai” pela sensação de perturbação, e o segundo “ai” vem da compreensão de que não se trata de uma perturbação, mas sim do Criador me puxando para Si. Tudo isso acontece em uma única respiração. A única resposta a cada perturbação é aderir ainda mais fortemente ao Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 24/08/19, “Não Há Outro Além Dele”

O Ponto De Apoio Está No Criador

183.01Pergunta: Como é possível equilibrar a necessidade de explicar a culpa das pessoas pelo que está acontecendo, por um lado, e, por outro, garantir que elas aceitem isso?

Resposta: Como Baal HaSulam explica no final da Introdução ao Livro do Zohar, toda correção começa de dentro, da parte mais íntima de nós mesmos.

Se você encontrar um ponto de apoio no Criador dentro de si mesmo e, a partir deste ponto, influenciar a si mesmo e ao grupo, e a partir deste ponto alcançar o mundo inteiro, você será capaz de explicar, estar certo e autoconfiante. Não haverá dificuldade em fazer isso. Mas somente se você tiver esse ponto de confiança no Criador.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá de 14/05/25, Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”

A Garantia Mútua É O Meio De Adesão Ao Criador

231.04Como analisar e verificar a estrutura interna? Isso fica cada vez mais claro. Um recém-nascido que ainda não precisa de pernas não as tem? Ele as tem! Mas por que se ele ainda não precisa delas? Deixe-as crescer em um ano! Mas não…

Obviamente não sentimos, mas mesmo as partes que só sentimos mais tarde já estão se desenvolvendo. Todas elas estão em nosso desenvolvimento interior.

Pergunta: Todas as nossas ações, como a garantia mútua, são um meio de nos fundirmos com o Criador. A fusão é a recompensa que desejo receber. Preciso verificar a recompensa desejada com mais cuidado: o que exatamente ela me dará? Ou é melhor deixar esse esclarecimento para depois; quando for necessário, tudo se manifestará?

Resposta: “A ação final está no pensamento inicial”. Não podemos iniciar nenhuma ação a menos que priorizemos o objetivo final. Ele deve estar no início; caso contrário, a ação em si, ou a intenção, ou o pensamento, serão simplesmente animalescos.

Tal pessoa é chamada de “desequilibrada em sua consciência”. Se alguém não sabe por que está agindo, se não tem um objetivo claro, é chamado de confuso, ou infantil, ou louco.

Pergunta: Então eu quero entender que tipo de adesão eu deveria me esforçar para alcançar?

Resposta: Imagine o objetivo final na medida em que você o esclareceu, não importa em que medida. O principal é que você, de alguma forma, “o agarre pela cauda” e diga: “Aí está! Estou trabalhando para alcançá-lo. Agora tenho que fazer isso e aquilo para finalmente alcançá-lo”.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá de 13/05/25, Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”

Os Judeus E As Nações Do Mundo Têm Tarefas Diferentes

448.4Existe alguma diferença hoje entre os judeus e as nações do mundo que estão despertando para buscar a espiritualidade, para o trabalho espiritual?

De acordo com o que Baal HaSulam escreve no final da Introdução ao Livro do Zohar, antes de mais nada, devemos despertar aqueles que são habitualmente chamados de “o povo de Israel” neste mundo.

Isso não está de acordo com a aspiração deles de aderir ao Criador, nem de buscar indivíduos como nós na disseminação global, mas simplesmente trabalhando com as pessoas. É isso que estamos fazendo agora. E esse trabalho, como se vê, é o mais difícil.

A questão é que, para aqueles que supostamente pertencem ao povo de Israel, aqueles que têm “judeu” escrito no passaporte, você deve apresentar uma acusação real: a de que eles são inerentemente culpados de não cumprir seu papel neste mundo, apesar de serem judeus. Claramente, ninguém quer ouvir isso.

Quanto às nações do mundo, você as aborda com uma tarefa diferente. Você diz: “Vocês devem ajudar os judeus a cumprir a correção que será revelada ao mundo por meio deles”. É isso que AHP devem fazer em relação a Galgalta veEynaim. Ou seja, vocês pedem ajuda a eles, mas não os acusam de não fazerem correções porque os vasos de recepção não podem realizá-las. Se pudessem, teriam recebido a Torá.

Diz-se que o Criador tentou dar a Torá a cada uma das 70 nações, mas elas não conseguiram aceitá-la. Portanto, não há queixas contra elas.

E quando elas já souberem o que o processo de correção implica e a razão do propósito da criação, então você poderá exigir participação e ajuda delas, mas somente depois disso! Como está escrito: As nações do mundo carregarão Israel nos ombros e os levarão a Jerusalém. Então você verá que, de fato, o mundo inteiro está pronto para participar de tudo em prol da correção.

E quanto ao fato de hoje sermos acusados de sermos uma parte sem propósito, isso se deve ao fato de nós, que vivemos em Israel, afirmarmos que a parte interna da Torá, a sabedoria da Cabalá, ou seja, os meios para atingir o propósito da criação, é desnecessária. É por isso que as nações do mundo nos tratam dessa maneira.

O Baal HaSulam escreve sobre isso de forma muito clara e direta. Dessa forma, nós mesmos determinamos a atitude do mundo em relação a nós e a medida do sofrimento ou da paz serena em todo o mundo.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá de 13/05/25, Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”

O Amadurecimento Gradual Das Almas

284.06A alma de Abraão, como todas as almas, é resultado da quebra de Adam HaRishon. Dentro de todas essas almas existem várias partes, e à medida que se desenvolvem naturalmente, do início da correção ao seu fim, isso leva ao surgimento de almas especiais que começam a sentir que o mundo não é como parece para o restante das almas.

Os sentimentos das almas advêm do fato de que seus discernimentos ainda não atingiram uma medida suficiente para revelar e sentir que, embora a imagem externa do mundo pareça conter muitas forças separadas, existe uma imagem mais profunda na qual todas essas forças são governadas por uma única força.

Estamos precisamente nesse estado porque, em nossa atitude em relação à vida, não a percebemos como governada por uma única força que nos influencia com uma única intenção que deseja nos trazer prazer. Não compreendemos que a atitude do Criador em relação a nós se revela de várias formas, de acordo com as mudanças em nosso próprio estado. No entanto, Ele próprio é um, único e unificado.

O contraste entre Terach e Abraão se repete essencialmente entre nós no fato de que nós, como Abraão, queremos revelar algo diferente do que o mundo vê e do que nós mesmos éramos em nosso estado anterior, que é chamado de “geração anterior”.

É necessária uma prontidão especial na alma para sentir a demanda de revelar a natureza, toda a realidade, como um único sistema, uma única força, um único pensamento.

Essa ideia só pode ser apreendida pela camada mais “refinada” de almas que emerge como resultado da quebra de Adam HaRishon. Então, mais e mais almas podem começar a se juntar a elas. De geração em geração, o desejo de receber aumenta em todas as almas. As almas das gerações anteriores são essencialmente as mesmas almas que retornam em ciclos posteriores, apenas com um desejo adicional de receber, com a revelação de Reshimot “mais espessas” e substanciais.

Mas, como as almas passam por sofrimento neste mundo precisamente porque se tornam mais espessas, esses sofrimentos as preparam para começar a fazer perguntas e a sentir cada vez mais que algo está faltando, algo que traria ordem e unificaria todas as forças da realidade, para sentir que por trás de toda a diversidade de forças visíveis deve haver um único programa, um único pensamento.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá de 14/05/25, Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 152


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 152

Por que o progresso exige primeiro entrar no mal e só daí ir em direção ao bem?

Há várias razões para isso. O desejo de receber tem duas qualidades. Uma qualidade é a atração pelo descanso, e a segunda qualidade é o desejo de ser preenchido com prazer. Ou seja, a melhor situação para nós é estar em descanso e ser preenchido com prazer. Como ambos podem coexistir?

Para fazer com que o desejo de receber queira ser preenchido, precisamos criar nele uma falta de realização, um vazio. Devemos enxergar a escuridão dentro de nós, examiná-la, então ver exatamente o que precisamos e pensar em como alcançá-la e o que acontecerá quando nos sentirmos realizados. Precisamos estudar todo o estado oposto enquanto já estamos no estado de escuridão, e então, quando recebermos o estado oposto, verdadeiramente o desfrutaremos.

Quando ouvimos uma bela canção pela primeira vez, é difícil apreciá-la plenamente, pois é nova para os ouvidos. Podemos ficar impressionados com a sua qualidade. Mais tarde, desejaremos ouvi-la novamente e, quando já soubermos todas as letras e melodias de cor, nosso prazer pela canção aumentará, pois o vaso está pronto. Quando conhecemos a canção, a apreciamos mesmo um segundo antes de ouvi-la, desde a primeira nota, porque os vasos estão prontos e logo receberão plenitude.

Assim como no exemplo da canção, a preparação deve ser feita para cada realização. O vaso deve estar preadaptado à sua realização a tal ponto que, mesmo antes de recebê-la, já possa senti-la. O vaso deve ser desenvolvido a tal ponto que o prazer seja possível mesmo antes que a realização realmente chegue e, como resultado, de fato o desfrutemos.

Deve haver uma sensação de falta, uma sensação da grandeza do doador, a grandeza da própria realização, e assim por diante. Há muitas condições, sendo a principal saber como desfrutar. Esta é a sabedoria da Cabalá. É bastante complicado saber como receber.

De uma Palestra sobre o artigo “A principal diferença entre uma alma bestial e uma alma divina”, 09/06/02