Como A Criação Se Manifestou

144O trabalho só pode ser discutido onde há um lugar para o trabalho. Em que se pode trabalhar? A única coisa que existe em toda a criação é o desejo de receber. Como o Criador criou esse desejo? Através do fato de Ele ter se afastado dele, e um vazio ter permanecido como consequência. Este é o desejo de sentir a presença do Criador. Este é o primeiro Kli.

É claro que este Kli ainda não possui nenhuma independência, apenas uma necessidade (Hisaron) da presença do Criador. O Criador é a totalidade da natureza, e o Kli é sua cópia, o Hisaron dessa natureza. E daí? Afinal, ainda não há criação, porque a criação é algo independente, algo que age fora do programa do Criador, fora de Seu desejo.

O que significa “fora”? Oposto ao Criador, oposto a Ele. Como pode esse desejo, criado graças à presença do Criador e sendo Sua impressão, no qual não há absolutamente nenhuma independência e que não sente nada separado do Criador em si mesmo, adquirir alguma qualidade que seja completamente independente d’Ele?

A questão é: se desde o princípio existe uma única força, um único desejo, como pode surgir outra coisa completamente separada dela? Pareceria que deveria haver alguma conexão, acompanhada de controle, observação e orientação. Mas, nesse caso, como podemos chamar de criação uma criação que, em determinado momento, se separou do Criador, se inicialmente ela não existia?

Para esse propósito, o Criador criou um estado no qual duas qualidades coexistem: a Sua e a qualidade oposta a Ela. Da comparação dessas duas qualidades, surgiu a criação. A criação é o resultado da sensação do Criador e da ausência dessa sensação. A atitude em relação à presença do Criador, baseada na diferença entre “sentir” e “não sentir” o Criador — essa é a criação.

A Criação é chamada de tela, intenção e, claro, foi formada a partir de Hisaron. Mas este Hisaron deve ser especial: a falta de sensação da presença do Criador se desenvolve em uma necessidade de sentir o Criador e chega a um desejo de estabelecer uma relação com o próprio Criador.

Aqui, existem três parâmetros: Hisaron, o prazer, e aquilo que estabelece a relação entre eles. Tudo isso é chamado de Kli, a luz, e a tela entre eles. Podemos falar da existência da criação somente quando temos esses três parâmetros. Mas se um deles estiver faltando, o conceito de “criação” não pode existir.

Assim, tudo depende do desejo dirigido à presença do Criador, da relação entre essas duas entidades diametralmente opostas. Uma pessoa é um Kli preparatório, mais precisamente, ainda não um Kli, mas o que deve se tornar um Kli, uma criação. E se o desejo correto não começar a se formar dentro dela, isto é, o desejo pela presença do Criador, ela não poderá, em seu trabalho, começar a determinar a intenção: em que forma ela está pronta e concorda com a Sua presença.

Da Lição Diária de Cabalá 22/07/26, Rabash, “O que são os “vasos de um leigo” no trabalho?”