Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Semelhante À Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa ser semelhante à Luz?

Resposta: A Luz é a característica de doação que se realiza em nós apenas numa forma, a conexão mútua. Portanto, o que eu devo doar, dar, e para quem? Como? O que eu tenho? Suponha que eu lhe dou o meu café ou uma fatia de pão…

Não. O meu dar não se refere a dar algo externo, mas sim, eu me dou. Isso significa que eu realizo uma adesão com você, com seus desejos, aspirações e anseios. Com isso eu me torno um completo ajudante para você. Nós produzimos a característica de doação desta maneira, ou, uma característica ainda maior, o amor. É assim que a nossa semelhança e equivalência com o Criador é realizada. Como Ele está dentro de nós, Ele quer ser descoberto. Isso também é o que queremos em relação a cada amigo.

Por isso, é impossível tornar-se semelhante ao Criador antes de se transformar em ser como Ele com a ajuda da doação superior aos seus amigos, ou pelo menos um deles; isso não importa. Quando você não trabalha para o seu próprio bem, você está completamente indiferente ao resto do mundo, você não o sente e ele não tem gosto. E se você consegue se conectar com ele, você se torna semelhante ao Criador.

Todo o mundo externo é a revelação do Criador numa forma que é o nosso oposto. No momento em que atraímos este mundo até nós e nos tornamos aderidos a ele, com amor por todos, pelos nossos inimigos, nossos adversários, as massas de milhões de pessoas que são completamente sem importância para nós, de forma gradual, em círculos, desenvolvemos uma relação idêntica com o Criador. O Criador se encontra neles, e nós O descobrimos neles. Isso é chamado de: “Eu habito no meio do meu povo” (II Reis 4:13).

Da Convenção em Sochi 25/08/14, Lição 2

Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 2

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Torá nos diz que o Criador disse a Abraão para qual terra ele deveria ir ao sair da Babilônia. Portanto, ele inicialmente sabia para onde estava indo?

Resposta: Não. Não se trata de coordenadas num mapa. Se não pensamos em milênios de história, também não consideramos quilômetros da superfície da Terra. Tempo e distância não têm controle lá. Quando o sentimento interior de uma pessoa, chamado de “seu Criador”, lhe diz o que procurar, aonde ir, isso significa que ela deve se mudar não para outro local, para um novo local de residência, mas para o próximo estado espiritual, que será ser chamado de “a terra de Israel”.

Pergunta: Essa é a “terra” que ele encontrou em si mesmo?

Resposta: Claro. Porque o conceito de “terra” (Eretz) é derivado de “desejo” (Ratzon). “Eretz Yisrael” (terra de Israel) significa o desejo que visa “direto ao Criador” (Yashar-El). Quando você chega ao ponto em que todos os seus desejos são direcionados ao Criador, então se diria que você chegou, entrou “na terra de Israel”, mesmo que você esteja no Canadá, na África, nos EUA, ou em qualquer lugar. Depois de tudo, o corpo não é levado em conta. A questão toda está no desejo de uma pessoa.

Vamos voltar a Abraão. Ele trabalhou com seus alunos na unidade. Muitos Cabalistas escrevem sobre isso, especialmente Maimônides, o grande Cabalista do século XI e XII. Abraão começou a trabalhar com eles de acordo com o sistema do “ama ao próximo como a ti mesmo”, e assim começou a se unir, montar e “formar” uma sociedade totalmente nova a partir deles, em que todos estavam conectados internamente a todos os outros.

Estados, países e pessoas também estão conectados, mas externamente, o que significa que eles têm sistemas de assistência à saúde, segurança social, leis, educação, etc., mas não estamos falando sobre os sistemas externos, mas os sistemas internos de conexão entre as pessoas. Esta abordagem de Abraão é diferente do conceito de Nimrod, que ofereceu às pessoas se dispersar de forma a não interferir uma com a outra e, ao mesmo tempo, mantendo contato à distância.

Pareceria, de fato, deixar os diplomatas negociar, deixar os comerciantes levar caravanas ao longo da “Rota da Seda”, ou “dos Vikings aos Gregos”, deixar os marinheiros descobrir a América, etc. Mas aqui nós estamos falando de outra viagem, sobre a conexão interna uns com os outros. Nós não estamos falando de corpos, mas de intenções, foco e superação de obstáculos internos. A pessoa viaja não nas montanhas, e não através do deserto do Sinai, mas através do deserto da alma, porque sente que a sua atitude para com os outros é um deserto que a seca, em que não há nada com que se preencher.

É por isso que a maneira de se aproximar de outras pessoas é através do deserto. Então, a pessoa realmente se aproxima delas; internamente, através do “deserto de Sinai”, ela chega à “terra de Israel”. Aqui ela encontra o seu desejo “que mana leite e mel”, que emanando, “irradiando” todas as coisas boas.

Em essência, este é o “paraíso”. No passado havia um deserto, ou mesmo “inferno”, e agora o “Jardim do Éden”. Indisposição de entrar em contato com outras pessoas, o ódio ao próximo, tudo isso é transformado em bondade.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

A Influência Diversa Da Luz

Dr. Michael LaitmanA Luz é a característica de doação, e o Criador é identificado em nossa percepção da Luz. Na verdade, há a Luz superior e algo mais elevado, a sua origem, o que pode não ter as mesmas características, ou seja, que é algo completamente desconectado de nós.

Isto é porque nós sentimos o Criador com as nossas características, com as nossas sensações, com os nossos Kelim, com os nossos sentidos; e através destes, nós O julgamos, atribuindo a Ele nomes e características adequadas. Na verdade, nós não sabemos como Ele se sente fora de nossos sentidos, nem sabemos Sua imagem. A pessoa dá nomes ao Criador de acordo com a forma como O percebe.

A sensação do Criador pode ser diversa, multifacetada e variada. A Luz é chamada de sensação do Criador, o qual nos ensina, corrige, preenche e molda. É apenas a maneira como a criança percebe seus pais em várias formas: como professores e educadores, protetores e aqueles que estão preocupados com ela.

Assim, a Luz é tal percepção do Criador, onde, em princípio, não O sentimos. Mas nós sentimos o poder que nos molda, corrige e transforma, para que possamos senti-Lo.

Em outras palavras, a influência do Criador em nós, que nos prepara para sentir o Criador, é chamada de Luz. Certamente o Criador e a Luz são a mesma coisa. Isso ocorre porque apenas esta fonte existe fora de nós. Além Dele, só nós existimos, como apenas uma pessoa. Em última análise, cada um de nós vai começar a perceber o resto como partes Dele sem intermediários.

De qualquer forma, nós percebemos tudo assim. No início, nós exigimos a Luz do Criador e só depois queremos adesão com Ele. Este é o relacionamento correto com Ele. Se você quiser atingir um estado de equivalência com Ele, se relacionar com Ele, como Ele se relaciona com você, então você deve pensar sobre como mudar e se corrigir. Neste caso, é possível aproximar-se Dele. Então, a nossa relação com a Luz será direcionada para ser corrigido e tornar-se semelhante ao Criador com a doação mútua, como o anfitrião e o convidado.

De qualquer modo, a Luz é dividida em muitas influências diferentes sobre nós. É a Luz da razão ou a Luz das sensações, sob cuja influência nós começamos a sentir e entender quem somos e de que forma estamos separados do Criador.

Toda compreensão é construída sobre a nossa diferença em relação ao Criador. Mesmo em nosso mundo, quando nós vemos as pessoas ao nosso redor ou um estado particular, não importa o que, estamos sentindo o Criador. Parece-nos que estas são algumas pessoas ou imagens. Nós só estamos sentindo o Criador.

Assim, não devemos nos enganar. Quando uma pessoa está envolvida com algo ou alguém, especialmente com os amigos, ela deve entender que está envolvida com o Criador. “Não há outro além Dele”. Esta é uma das explicações; que não há mais nada além da pessoa e o Criador. E tudo o mais que parece existir para nós, são fragmentos de minha alma. Assim, o principal é o relacionamento com o Criador, pois esta é a Torá.

A Torá é todos os estados que temos de percorrer até a equivalência total com o Criador. Esta é toda a Luz que nós temos que perceber para que a mudança aconteça dentro de nós desde a nossa primeira característica egoísta até a conclusão total da correção.

Primeiro nós passamos por uma contração do ego; depois disso a sua neutralização, e depois uma correção, ou seja, a utilização do ego com o propósito da doação. Conforme essas correções, nós percebemos o Criador e começamos a ver que Ele se relaciona conosco como um pai preocupado que está nos ensinando.

Especificamente, nós sentimos a influência do estudo, e isso é chamado de “Luz”. Quando a extensão dessa influência é percebida, como resultado disto, nós sentimos o próprio Criador. E nós O sentimos de forma diferente, de uma maneira nova o tempo todo, graças a essas características e observações que já estão corrigidas.

Da Convenção em Sochi 25/08/14, Lição 2

Sentir O Coração Comum

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós sentimos um estado especial quando mergulhamos profundamente no workshop e perdemos a noção do tempo; o tempo passou e nós sequer notamos. Isso significa que nós atraímos a Luz?

Resposta: Eu não quero desapontá-lo, mas esta não era a Luz. Claro, se você estava ocupado com outra coisa que lhe interessava, você sentiria o mesmo estado. Você não deve se preocupar se tudo ao seu redor desaparece ou não, não tem sentido.

Você se vê no interior dos amigos? Você sente seus movimentos como seu: seus desejos, intenções, direção e mudanças? Você sente as mesmas sensações internas que o amigo sente porque há um coração batendo comum dentro de você? Nós devemos tentar examinar isso.

Pergunta: O Criador espera que nos voltemos a Ele. E, voltando-se a um amigo, dando a ele, eu devo esperar algo em troca?

Resposta: Quando você se volta a um amigo, você se volta ao Criador. O que você espera em troca? O que você quer Dele? Você quer certa conexão interna e adesão, a fim de atingir a raiz superior e descobrir como você O agrada com isso? Tudo já está incluído em tal ação, mas deve ser vestido em números específicos, e na roupa específica.

Da Convenção em Sochi 25/08/14, Lição 2

Ver O Mundo Como O Paraíso

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós criamos uma arma tão poderosa que todos nós temos a oportunidade não só de nos anular e dissolver, mas também de nos desenvolver, crescer para o bem da sociedade.

Nós aprendemos a nos sentir como um único conjunto. O que nós precisamos adicionar para sentir o Criador de forma mais clara? Para onde devemos fazer um esforço além da lição, além de orar pelo sucesso de nossos amigos?

Resposta: Tudo o que eu sinto ao meu redor é a minha alma, é tudo eu, mas, na minha percepção, todas as pessoas são separadas de mim pelo meu ego. Se eu o neutralizo, vou parar de senti-las como contrárias e opostas a mim. Eu vou começar a desejar para elas o que desejaria para mim anteriormente, ou seja, o melhor. Então, eu vou estar usando a mim mesmo, o meu ego, da maneira certa, para corrigi-lo.

Não se trata de ter a atitude certa para com os outros, nem do amor ao próximo; pelo contrário, é para corrigir o meu ego dentro de mim.

Como eu posso corrigir isso? Apenas de acordo com os exemplos que vejo: este aqui eu não amo por essa razão, e aquele por outros motivos. Aquele é distorcido, este é repulsivo, mal, e assim por diante. Meu ego retrata uma imagem emocional para mim do meu relacionamento para com todos. Eu critico todos, assim como todo mundo faz, pois eles têm algo a criticar nos outros, como está escrito: “Com o seu próprio defeito ele estigmatiza [outros] como impróprios” (Talmud Kiddushin 70a).

Eu critico o mundo que é retratado a mim como terrível, e o vejo cada vez pior, porque o ego está crescendo. Nós percebemos o mundo desta maneira, de acordo com a forma como o ego nos retrata: pessoas lutando, alguém mata alguém, tudo possível. É assim que o ego projeta uma imagem do mundo para nós, não dentro de nós, mas fora de nós, para que tudo seja percebido de forma mais vívida, clara e proveitosa.

A fim de corrigir o ego, um indicador muito bom foi dado a mim. Eu devo alcançar um estado tal onde vejo o mundo como o Jardim do Éden (paraíso): as pessoas se amam, elas só estão fazendo o bem para o outro, e se fundem num todo único de amor mútuo.

Além disso, é a mesma coisa na natureza inanimada, vegetal e animal. Isso depende da correção interna da pessoa. O mundo em si não muda; é permanente. A pessoa é quem muda e vê o mundo de forma diferente. Isto é toda a correção.

Quando vocês estão juntos, você percebe uma situação como esta, onde não vê nada de negativo nos amigos?

No início, um parece preguiçoso para você, outro parece sujo e desorganizado, e um terceiro é barulhento. Um irrita a todos com sua pompa e outro com seus gritos. Ninguém sabe o seu lugar. É assim que você avalia todos em primeiro lugar.

Será que agora você pode dizer que essas pessoas estão mais perto de você, que você não vê quaisquer rostos distorcidos, quaisquer olhares nocivos? Isto porque, quando você vive com alguém, você não presta atenção em seus defeitos e o percebe como uma espécie de imagem geral. Por exemplo, uma criança não vê a sua mãe, mas sabe que há alguém grande próxima a ela: esta é a sua mãe.

Você pode dizer a mesma coisa sobre o seu relacionamento com os amigos? Algum tipo de mudança ocorreu neles, pelo menos parcialmente? Você sente, mesmo egoisticamente, que não consegue imaginar sua vida sem eles? Você sente esses fragmentos de você que estão espalhadas por toda a Rússia, como se o seu corpo fosse despedaçado e espalhado por diferentes locais?

A sensação de uma pessoa deve ser exatamente assim, realmente a tal ponto que vocês vão começar a sentir um ao outro, experimentando estados paralelos, e, depois disso, um único estado comum de subida ou descida. Vocês inclusive vão começar a sentir os estados fisiológicos mútuos: como este tem uma dor de estômago e aquele uma dor de cabeça.

Houve um tempo em tempos antigos, quando estes eram os requisitos de um médico. Isto é porque a medicina não era baseada em todos os tipos de dispositivos, mas na sensação do médico do estado do paciente, porque ele era um médico divino. A correção era uma profissão onde um corrigia o outro. Portanto, sentindo-o, ele tinha que trabalhar em conjunto com a Luz para transmiti-la ao paciente, para ajudá-lo. Este era um medicamento completamente diferente.

Desta forma, é necessário examinar o que nos falta o tempo todo para que a situação dos corpos separados desapareça e todo mundo se torne “como um homem com um coração”. Eles vão se mover em sincronia. Eles vão entender e sentir o outro, onde todos devem idealmente estar em todos os momentos. Este não é o movimento Browniano; não é caótico. Pelo contrário, é internamente coordenado porque uma única Luz age e influencia a todos.

Se nos dirigirmos assim, vamos aumentar a nossa sensibilidade. Então, vamos começar a sentir como uma força única está agindo dentro de nós, nos reunindo conforme a nossa sensibilidade a ela, no grau necessário, pelo nosso anseio interno e atração constante.

Este é todo o nosso trabalho comum que só pode ser feito coletivamente. Uma pessoa pode pular, caminhar, fazer um esforço, mas, para ela, nada sairá disso. Basicamente, ela está fazendo tudo certo, mas a prova de que ela está fazendo isso para o bem do Criador, é quando ela realiza estas atividades em conjunto com os outros, querendo se conectar com eles.

Por quê? Porque o ego foi criado especificamente para nos separar, e, anulando-o, a pessoa se dirige ao Criador, em direção à equivalência com Ele. O ego é um auxiliar que não podemos prescindir.

Da Convenção em Sochi 25/08/14, Lição 2

O Professor Está Esperando Por Você Na Entrada

Dr. Michael LaitmanO aluno recebe toda a Luz (a Luz que Reforma e a Luz de preenchimento), através do professor (Rav). A ordem dos níveis nunca muda e o papel do aluno é o de ansiar a se aderir ao professor.

Nós temos um exemplo no Livro do Zohar sobre o Rav Chiya que jejuou por quarenta dias para ver o Rav Shimon, seu professor, que os tinha deixado. Quando ele não conseguiu vê-lo, ele jejuou por mais 40 dias.

Isto, obviamente, não se refere a um jejum físico, mas a ações espirituais. O Rav Chiya ascendeu ao nível de Bina de Bina superior e corrigiu-se a tal ponto na Luz de Hassadim onde foi recompensado com o nível de conexão com seu professor num nível muito elevado. Isso significa que ele viu o Rav Shimon sentado na assembleia superior, e é graças ao Rav Chiya que ele revelou a sabedoria superior, a Luz de Hochma, e a mente oculta, Mocha Stima’a.

Pergunta: Como nós podemos alcançar tal revelação?

Resposta: Nós devemos tentar ansiar por aquilo que o professor diz. É claro que nem você nem eu estamos em níveis como Rav Shimon e Rav Chiya, mas, sem dúvida, chegaremos a esses níveis no futuro. Nesse caso, isso deve servir de exemplo para nós, não na conexão física psicológica, mas na verdadeira conexão interna. Tudo o que podemos aprender e receber através da mente externa e do preenchimento interior vem do professor.

Caso contrário, o professor não pode fazer nada por nós. Ele está na posição de um pai que pode dar ao seu filho apenas o que o filho pede. Se o filho está cheio de energia e tem inteligência e vontade, você pode inscrevê-lo em diferentes clubes, professores particulares, e levar livros e jogos educativos para ele que possam ajudá-lo a desenvolver e avançar para um nível maior e mais elevado. Mas se o filho é autista e com déficit em seu desenvolvimento mental, a única coisa que um pai pode fazer é se preocupar com sua existência física, suas necessidades físicas, na esperança de que um dia sua mente desperte.

Tudo depende da deficiência do aluno e esta é uma conexão de sentido único em que apenas a deficiência do aluno abre o professor e obriga o professor a se abrir e não a se fechar. Isso é chamado de dor de criar os filhos, quando o professor é forçado a se fechar em função da distância que os alunos mantêm dele.

Isso acontece com todos os alunos e eu mesmo já passei por isso de uma maneira muito dramática. Nós temos que estudar esse estado também, a fim de entender que somos responsáveis ​​por tudo. A revelação do professor e, depois a revelação do Criador, ocorrem de acordo com os vasos do aluno, e de acordo com a forma como ele se preparou no trabalho com os amigos.

É somente através da conexão com os amigos que a pessoa pode ansiar pelo professor e, através dele, pelo Criador. Nós temos que encontrar a paixão comum nessa conexão e, assim, encontrar a direção certa. Caso contrário, não encontramos e a ocultação não nos ajuda.

O professor ensina a você onde e como abrir uma abertura através da qual você pode entrar no Criador. Imagine que, de repente, você descobre alguma ocultação no ar em algum lugar, bem aqui, e pelas dicas que o professor lhe dá (ele nunca irá lhe dizer direta e claramente, não espere isso) você entende como abrir um buraco no ar e entrar.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/08/14, Escritos do Baal HaSulam

Uma Abertura Na Parede

Dr. Michael LaitmanPara entrar no mundo espiritual, a pessoa precisa ser equipada com desejo, e o desejo espiritual é o desejo de unidade. Nossa unidade é o próprio lugar onde o mundo espiritual está localizado.

Existe você e eu. Se uma pessoa sente só a si mesma, ela experimenta o mundo corpóreo e vive em seu ambiente. Mas nós queremos cobrir a diferença e começar a estabelecer uma conexão entre nós. Eu me esforço pelos seus desejos (1) para recebê-los (2) e senti-los como se fossem meus. Por esta razão, eu me volto para a Luz como para algo externo, embora ela também resida entre nós. A Luz me dá forças para me unir com você, e nessa unificação, eu descubro algo novo.

Quando nós nos aproximamos e trabalhamos juntos em Arvut (responsabilidade mútua, a garantia mútua), uma dimensão mais profunda se revela para mim como se em nossa unidade uma abertura para o mundo superior se abrisse.

Baal HaSulam descreve isso da seguinte forma: se nós sentimos que entre nós há uma parede que não nos permite conectar, se quisermos romper essa parede e pedimos por isso, então a Luz desce e faz uma abertura nela. Ao contrário de uma porta, ela se abre de repente, e só então você vê que ela havia sido inicialmente “planejada” lá.

Como resultado, você entra no desejo do outro e ele se torna como o seu próprio. Esta entrada é a saída para o degrau superior: o Kli que você anexou a si mesmo acaba por ser o seu mundo recém-adquirido. Desta forma, você anexa Kelim mais novos, ou as almas, e ao fazê-lo, expande seu mundo. Você continua ascendendo os 125 degraus da escada espiritual, o que significa que se une com todos os desejos, apesar de seu egoísmo e ódio.

Portanto, verifica-se que você adquire a Luz no desejo de outro quando deseja realizar a doação a ele. Você preenche o desejo do outro, e para você, acaba por ser a Luz Superior.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/10/10

A Urgência De Sochi E O Avanço A São Petersburgo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nem todo mundo tem a oportunidade de vir para a Convenção em São Petersburgo, em setembro. Como todos os amigos do mundo podem se ajudar a se conectar a ela?

Resposta: Essa Convenção vai envolver o grupo de Sochi, isto é, aqueles amigos que estavam fazendo o trabalho de disseminação em Sochi neste verão, e em três dias, temos que passar pelo que eles passaram.

Certamente, não só aqueles que estão vindo para São Petersburgo vão participar, mas sim todos os nossos grupos e estudantes de todo o mundo. Portanto, todos nós juntos, como um todo, ao sentir internamente tudo o que eles sentiram e experimentaram em Sochi, com certeza vamos adquirir um novo nível. Nós estamos diante disso. Nós estamos esperando deles a preparação para a realização da Convenção em São Petersburgo.

Não há nenhuma obrigação de vir fisicamente à Convenção. Uma viagem não é pertinente a isso. A distância não significa nada. Eu vi isso no exemplo dos nossos grupos na América do Sul, que se aderem a nós sem separação por meio da conexão integral e estão estreitamente relacionados com as lições diárias. Eles simplesmente não têm sentimento de desprendimento ou distância.

É a mesma coisa com os amigos em Sochi que sinceramente me deixaram ir para casa depois de uma visita de um dia, para que na noite seguinte, eu pudesse transmitir uma lição para todos. Eu sinto que eles também têm o mesmo sentimento, a mesma conexão, a mesma realização e satisfação com as lições.

Portanto, todos nós estamos conectados, e não há problemas para ninguém com relação à conexão com a Convenção. Alguém que realmente não pode vir para a Convenção não precisa se dar ao trabalho e investir esforços sobre-humanos para além dos limites de sua capacidade. É preferível organizar Convenções espelho em seus grupos, onde você mantém contato máximo, e eu lhes garanto a mesma intensidade de conexão e o mesmo entusiasmo. Se você está conosco, então nós estamos com você como se estivéssemos num único lugar.

Em geral, nós queremos que a experiência em Sochi seja transmitida a todos em sensação. Nossa grande comunidade mundial estará integrada com o que eles passaram e suas experiências, de modo que este será um nível muito bom.

Nossos amigos, homens e mulheres, alcançaram uma boa e bela cooperação e integração mútua lá, uma dedicação verdadeiramente real. Nós esperamos que também estejamos integrados a eles. É por isso que os amigos existem.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/08/14, Escritos do Baal HaSulam

O Longo Caminho Para O Bem

Dr. Michael LaitmanDurante o desenvolvimento espiritual uma pessoa passa por uma série de etapas antes de chegar ao desespero. Do desespero ela experimenta ainda mais todos os tipos de estados até que descobre que só o Criador pode ajudá-la.

Se estamos num grupo, então, como se diz, “Eles ajudaram cada um a seu próximo” (Isaías 41: 6). Nós lembramos um ao outro que o Criador é o único que está nos dando todos os tipos de exercícios e que por trás de todos esses estados que acontecem conosco, devemos descobri-Lo a cada momento. Mas nós estamos confusos por esquecer isso nesses momentos em que tudo isso está vindo para que possamos pedir a Ele para ser revelado. Sozinhos somos incapazes de descobrir o Criador.

Sobre isso, Baal HaSulam escreve no artigo, “Não há Outro Além Dele”: E o benefício das rejeições é que através delas a pessoa recebe uma necessidade e um completo desejo pelo Criador para ajudá-la, pois vê que de outra forma está perdida.

Portanto, nós temos que concentrar toda a nossa atenção na forma de descobrir o Criador em tudo o que está acontecendo conosco. Nós devemos verificar o que os Cabalistas nos recomendam quando estamos estudando, quando estamos num grupo, e quando estamos disseminando, para que todas essas atividades sejam dirigidas para descobrir o Criador em cada situação que acontece com cada um de nós e com todos nós juntos.

O Criador só ajuda as pessoas que realmente querem se aproximar Dele. É impossível para elas pararem no meio do caminho e permanecer na situação falsa em que se encontram.

Se um Reshimo, o desejo de se aproximar do Criador, é verdadeiramente despertado nelas, Ele as ajuda, colocando-as em situações ainda mais complicadas, onde é ainda mais difícil de compreender, entender e concordar que tudo vem do Criador. Ou Ele as deixa relaxar; tudo está bem, tudo é maravilhoso: elas estudam, avançam, disseminam, tudo está indo bem e não lhes falta nada.

Mas se a pessoa investe esforço em todas as circunstâncias, tenta reunir desejos adicionais com a ajuda do grupo e trabalha com o público externo, todos esses desejos adquiridos dos amigos ou do mundo externo se tornam partes de sua alma, se ela reúne todos os seus desejos, todas as deficiências pela realização, todos os seus fracassos na vida. Ela os transforma num único desejo, uma única demanda voltada ao Criador. Portanto, Ele organiza tudo isso para eles. E então ela não pode justificar o Criador e fica tão confusa que não está preparada para atribuir tudo apenas ao Criador; ela acha que pode existir todos os tipos de outras causas e forças.

E ao começar a se envolver com elas, a pessoa de repente vê que não está ligando tudo ao Criador. Da mesma forma, não consegue dizer que tudo o que está acontecendo é para o bem. Então, ela tem uma razão para avançar, há o imperativo de gritar para o Criador ajudá-la, para que Ele lhe dê a percepção correta, de modo que Ele possa ser descoberto. Mas isso não é porque a pessoa está confusa. Neste caso, ela estaria pedindo a partir do ego para que as coisas fossem melhores e mais agradáveis para ela, para que tudo ficasse bem.

Pelo contrário, ela quer permanecer confusa e tem reclamações contra o Criador. Por não concordar com Ele, ela O culpa pelo que está acontecendo no mundo e não pode levar a si mesma a um estado em que vê que todos os eventos que estão acontecendo no mundo, mesmo nas piores situações mais difíceis, tudo isso é a misericórdia superior e tudo está vindo do bom e que faz o bem.

E todas as situações vis e terríveis apenas passam sobre o nosso ego para que possamos nos afastar dele e nos purifiquemos, e assim todos eles vão permanecer no ego, ao passo que nós nos desprendemos dele e seguimos em direção ao Criador.

Isto significa que os golpes só nos ajudam a nos distanciar do ego e a passar para o outro lado. Eles não passam sobre nós, mas sobre o nosso ego e são sentidos em nós na medida em que aderimos a ele. Mas se subirmos sobre ele, então os golpes continuam lá, dentro do ego.

Da mesma forma, por meio desses golpes, nós devemos entender que esta é a Luz Superior que está brilhando mais forte do que o normal, mas ela não pode brilhar dentro do ego; então, dentro do ego ela é sentida como o oposto, como escuridão. Essa escuridão na densidade do nosso desejo, do inanimado, vegetal, animal e falante, nos traz a sensação de um mundo cheio de sofrimento.

Se dentro do desejo no nível falante nós construímos um grupo, com a sua ajuda nós podemos nos desprender de todo desejo egoísta. Então nós nos levantamos elevamos como uma nave espacial e decolamos rumo ao Criador.

É assim que nos desprendemos de todas as sensações ruins e ficamos muito felizes com isso, porque começamos a descobrir que não há outro além Dele e que Ele é o bom que faz o bem, e agora podemos dizer isso sobre Ele e não culpa-Lo. Nós vemos a verdade e por isso estamos felizes, não que agora sentimos que as coisas são boas para nós, mas porque podemos dizer coisas boas sobre o Criador.

Da Convenção em Nova Jersey 09/08/14, Lição 4

O Caminho Para A Adesão Com O Criador

Dr. Michael LaitmanShamati 1: “Não há outro além Dele”: O homem deve sempre tentar se ligar ao Criador. A adesão com o Criador é uma indicação de que tudo o que acontece está vindo somente Dele, e que Ele age e me influencia apenas com a ajuda da Luz; “Não há outro além Dele”, e Ele é o “bom e benéfico”. Eu tento descobrir esses dois fatos e continuar me aderindo a eles. Eu tento com todas as minhas forças e eu tenho certeza de não deixar nenhum deles.

Em tudo o que acontece, eu primeiro olhe para dentro de minha mente e vejo que isso vem como uma influência sobre mim do bom e benevolente e que “não há outro além Dele”.

Na representação que se desenvolve dentro de mim de todo este mundo e do que está dentro de mim, todo esse sistema me dirige no sentido dessa fonte que apresenta esta representação do nosso mundo, esta vida e eu. É aqui que Ele quer que eu descubra somente Ele através de todo esse teatro, até que o teatro desaparece e só Ele e eu permanecemos em adesão.

Portanto, não temos outro trabalho a não ser nos orientar assim em todos os momentos de nossas vidas. E tudo o mais é projetado para ajudar nisso: estudar a sabedoria da Cabalá, a fim de atrair a Luz que Corrige e despertá-la ainda mais para que ela ilumine mais fortemente. Eu devo estar num grupo com os amigos para que eles frequentemente me lembrem disso.

Eu devo estar envolvido com a disseminação para mostrar como essa força única age no mundo, porque eu saio para o mundo, querendo levá-lo para um acordo onde ele estará conectado num único conjunto que está integralmente ligado com o “não há outro além Dele”. Todas essas atividades são concebidas apenas para que por trás deste mundo, por trás dos amigos, por trás do estudo, eu descubra o Criador com quem estou em adesão.

É assim que sempre foi. Mesmo agora, nós estamos neste estado, só que está oculto. Isto me traz muita confusão. Esta ocultação é chamada de Olam (mundo), da palavra “Alama” (ocultação).

Nós temos que remover este mundo, remover esta ocultação, e assim, tudo o que estamos sentindo agora com nossos sentidos vai desaparecer, toda a natureza inanimada, vegetal e animal. Tudo vai se tornar conexão entre nós, entre os nossos desejos conectados. Dessa forma, nós descobrimos o poder único, o bom e benevolente. Tudo acaba no estado de “um recebe um”, uma criatura é preenchida por um Criador. Este é o fim da correção.

Da Convenção em Nova Jersey 09/08/14, Lição 4