Notas Não São Necessárias Na Escola

583.01Comentário: “A escola não ensina a ser feliz”. Foi o que escreveu um menino de onze anos.

Minha Resposta: Isso mesmo! Na escola de hoje, eles simplesmente demonstram que a monotonia, a obediência e a supressão da felicidade são condições normais.

Pergunta: Mas, em princípio, o slogan da escola deveria ser: “Devemos ensinar as crianças a serem felizes”?

Resposta: Sim, devemos criar pessoas felizes.

Precisamos de uma escola que ensine a atitude correta em relação ao mundo, à vida, aos amigos, aos professores e aos pais, e isso não exige notas que outra pessoa lhe dê, mas sim que, quando você for ensinado, você mesmo dê a nota a si mesmo.

Pergunta: É possível fazer tais exigências até mesmo a uma criança pequena?

Resposta: É isso que devemos buscar. Explique isso para que eles próprios possam avaliar disciplinas, livros didáticos, seus instrutores e assim por diante.

Comentário: Então a criança pode dizer: “Hoje eu não estava bem. Eu deveria ter lido isso e trabalhado um pouco nisso”.

Minha Resposta: Isso é bom.

Pergunta: Existe o medo de errar. A escola não ensina que é possível e necessário errar. Aliás, é isso que o menino de onze anos diz. Você acha que se deve errar?

Resposta: Concordo com ele.

Pergunta: Então, um erro é algo importante? É preciso cometer erros?

Resposta: É inevitável.

Pergunta: E se eu cometer um erro?

Resposta: Tudo bem. Vou consertar, vou aprender ainda mais com isso do que com algo que fiz sem erro.

Pergunta: Então é ainda mais importante que você avance sem falhas?

Resposta: Nós constantemente cometemos erros e nos corrigimos, cometemos erros e nos corrigimos.

Comentário: Trolagem e zombaria dos colegas de classe geralmente são culpa dos professores que expõem as crianças ao ridículo.

Minha Resposta: Para viver em tal sociedade, a criança precisa aprender a se relacionar corretamente com a sociedade, com o ambiente, que isso é possível, que isso existe e existirá até que corrijamos nossa natureza. Que é a natureza do homem que o impele a estar acima dos outros a qualquer custo.

Pergunta: E o fato de eles me menosprezarem agora é apenas da natureza humana?

Resposta: Sim, essa é a natureza deles, nada pode ser feito. Mas preciso entender a natureza deles e, de alguma forma, perdoá-los, aceitá-los como são. E talvez até corrigi-los dessa forma.

Pergunta: E eu deveria sentir que essa também é minha natureza; é a mesma, e eu posso fazer o mesmo?

Resposta: Naturalmente, sim.

Pergunta: Então, você gostaria de introduzir as palavras “natureza humana”, “egoísmo humano” quase desde a primeira série, para que uma criança pudesse sentir isso?

Resposta: Ainda mais cedo.

Comentário: A quantidade de dever de casa. “Acho que o dever de casa não afeta o desempenho e a educação das crianças”, diz o menino de 11 anos.

Minha Resposta: Acho que a lição de casa causa repulsa, ódio pela escola. Portanto, não é necessária. O que é necessário é simplesmente que a criança vá lá (independentemente do que lhe ensinem e como ensinem, melhor ou pior, mais ou menos interessante), mas volte de lá sem essa lição de casa pairando sobre ela.

Pergunta: Para que ela não tenha esse fardo, de “preciso fazer isso urgentemente, como vou para a escola amanhã!” E em vez de lição de casa, o que deveria haver?

Resposta: Em vez de dever de casa, deve haver tempo totalmente livre, um pouco estruturado, mas sentido como livre, com o que ela mesmo gostaria de se ocupar.

Pergunta: Ela mesma? Para encontrar seu próprio nicho?

Resposta: Sim, todo mundo em alguma coisa. Tínhamos muitos clubes naquela época. Não sei, provavelmente não existem mais.

Comentário: Acho que não. Havia casas de pioneiros, clubes.

Minha Resposta: Havia uma Casa de Pioneiros enorme! E havia um número enorme de clubes, e todos eram gratuitos. Você ia, se inscrevia onde quisesse. Até em vários, se quisesse! E ia, estudava.

Comentário: Você se lembra do clube de modelos, de rádio.

Minha Resposta: Sim, e você não pagava por nada. Fui, entre outras coisas, a um clube de fotografia. Papel fotográfico, produtos químicos, tudo era de graça. Absolutamente tudo de graça! Isso é incrível!

Comentário: E com que carinho os professores do clube tratavam as crianças!

Minha Resposta: Sim, pessoas com um caráter assim trabalhavam lá.

Pergunta: Para onde foi tudo isso? O que havia de tão ruim nisso?

Resposta: O tempo! O tempo não é o mesmo. Caímos numa maré de azar.

Comentário: “Nós caímos nisso”, esse deveria ser o nome desta história.

Minha Resposta: Sim.

Comentário: “A escola não prepara você para a vida adulta”, pensa esse garoto.

Minha Resposta: Na verdade, acho que nada pode nos preparar para a vida adulta. Simplesmente mergulhamos nela, como em um redemoinho. E pronto. Então cada um sai à sua maneira.

Pergunta: O que é preparação para a vida adulta, se é que estamos falando sobre isso?

Resposta: Aqui é necessário criar imagens especiais, totalmente nítidas e realistas da vida.

Pergunta: Na escola? É certo para as crianças aprenderem a se livrar delas, a lidar com elas, e assim por diante?

Resposta: Sim, discutir e assim por diante. Por outro lado, para dar a elas alguns padrões, mas realistas. Por exemplo: “Como você agiria se…” e você contasse uma história.

Comentário: Sabe, a conclusão deste menino é muito interessante. Ele diz: “Acho que a matéria principal na escola poderia ser uma matéria em que aprendêssemos a nos entender. Afinal, a capacidade de comunicação é a coisa mais importante”.

Minha Resposta: Isso mesmo!

Comentário: É como se ele estivesse ouvindo você.

Minha Resposta: Façam-no Ministro da Educação. E pronto.

Comentário: Nenhum conhecimento é necessário, apenas tais conclusões.

Minha Resposta: E colocar todos esses ministros na escola.

Comentário: Exatamente!

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 13/08/25