Tudo Foi Criado Com Um Pensamento
Tudo foi criado por um único pensamento, e esse pensamento único abrange e inclui tudo, desde o início da criação até o seu fim. Tudo o que provém dele está contido ali, o que, devido à nossa falta de correção, nos parece quebrado e contraditório ao extremo.
Mas toda essa divisão e separação, todo o “antagonismo” e oposição entre essas partes, existe apenas em nós, na nossa percepção. Simplesmente nos falta a unidade para vê-las como um todo único, onde cada detalhe complementa o outro.
Se corrigirmos nosso desejo equipando-o com uma intenção em prol da doação, esses dois polos (o esquerdo e o direito) se fundirão e se unirão na linha do meio. Então, para nós, tudo se unirá em um só, tanto a força do Criador quanto a força da criação. Compreenderemos que todas essas forças separadoras, que nos separaram, eram necessárias apenas para revelar nossa unidade. Sem elas, não teríamos sido capazes de alcançá-la! A vantagem da luz é alcançada de dentro da escuridão.
A vantagem da luz, da unidade, da doação, do amor, só é alcançada através da escuridão, através de seus estados opostos. Caso contrário, não seríamos capazes de alcançá-la, de compreender e sentir o sabor da adesão. Uma pessoa compreende tudo apenas através do contraste de dois opostos.
Portanto, no pensamento da criação, há apenas uma qualidade. Mas na própria criação, duas qualidades opostas foram incorporadas para que ela pudesse se corrigir e unificá-las em uma só. Ao fazer isso, ela se torna semelhante ao Criador.
A perfeição do Criador reside em Sua qualidade singular: a doação. A criação se aperfeiçoa quando inclui duas qualidades: o desejo de receber, mas com a intenção de doar. Sua intenção é a doação e, em contraste, possui o desejo de receber realização. É precisamente a partir da diferença entre essas duas qualidades que ela percebe a unidade.
É por isso que se diz: “Quanto maior a pessoa, maior o seu ego”. A maior separação e oposição são reveladas pouco antes de atingir o mundo do infinito. Lá, a pessoa sente uma lacuna infinita entre a recepção e a doação, a total impossibilidade de uni-las e fazê-las se complementar. É isso que ela sente logo antes de fazer a correção final.
Da Lição Diária de Cabalá de 15/05/11, Escritos do Baal HaSulam, “Estudo das Dez Sefirot”