O Que Existe Além Da Matéria?

761.2Pergunta: Na Cabalá, existem dois conceitos fundamentais: o Criador e a criação. O que são eles?

Resposta: Inicialmente, existe uma força incorpórea, sem nome, sem nenhuma propriedade que possa ser definida de alguma forma e que não tem nada a ver conosco.

Essa força é chamada de “Atzmuto”, que em hebraico significa existir por si só; ou seja, é algo que não tocamos e não podemos pesquisar.

Pergunta: E nunca a alcançaremos?

Resposta: Não podemos dizer isso porque lidamos apenas com a nossa própria correção. Não sabemos o que começaremos a alcançar e revelar depois de nos corrigirmos.

Atzmuto dá origem à qualidade de doação e amor. Essa qualidade é o que chamamos de Criador. Ela só pode ser definida em relação à criação. Não pode haver Criador sem criação e criação sem Criador. Ambos emergem de Atzmuto simultaneamente: a luz e o desejo dentro dela. O desejo é chamado de criação, e a luz é chamada de Criador.

O desejo do Criador é doar, preencher, amar. O desejo da criação é receber, ser amado, absorver.

Gradualmente, essas duas forças mutuamente opostas começam a se desenvolver através das quatro fases de luz direta, das quais emerge o desejo de receber, que completa sua formação na quarta e última fase, Malchut.

De Malchut, os mundos se ramificam: Adam Kadmon (o protótipo do futuro humano), Atzilut, Beria, Yetzira e Assia. Seu propósito é o enfraquecimento gradual da luz e o desenvolvimento simultâneo do desejo: quanto menos luz, maior o desejo. O desejo se desenvolve até o nosso mundo, absorvendo a luz.

No processo de desenvolvimento do desejo, ocorrem muitas ações diferentes. Quando ele atinge o nosso nível, ele se quebra, absorve a luz e começa a se desenvolver em uma aparência de luz. É isso que acontece conosco.

O fato é que corporalmente, na forma em que nos percebemos agora, não existimos. Nosso mundo e nós mesmos somos uma ilusão em nossas sensações. Percebemos tudo apenas dentro de nós mesmos.

Pergunta: Se não existimos, por que sentimos uns aos outros e ao mundo?

Resposta: É porque temos uma comunhão de sensações por meio das quais podemos interagir uns com os outros.

Muitas vezes, não nos entendemos porque, além dessa semelhança, também temos desejos e pensamentos individuais. Portanto, interpretamos o que percebemos de forma diferente. Mas, nas sensações, concordamos uns com os outros.

Por exemplo, temos a sensação compartilhada de que há uma mesa à nossa frente. Esses acordos naturais estão inicialmente intrínsecos a nós porque somos construídos com base no mesmo princípio.

Pergunta: Se não há realidade corpórea, o que existe?

Resposta: Todo o nosso universo, tudo ao nosso redor e nós mesmos somos um conjunto de ondas. Até os físicos concordam com isso hoje.

Pergunta: Os físicos dizem que, se olharmos para os elétrons, os vemos como partículas corpóreas. Mas, se ninguém estiver olhando para eles, eles se comportam como ondas. Por quê?

Resposta: É porque as ondas externas a nós também somos nós. Tudo é falado e sentido apenas em relação a nós. Não há nada que possamos perceber fora de nós mesmos.

Pergunta: Por que isso não é ensinado nas escolas? As pessoas se tratariam de maneiras bem diferentes.

Resposta: Quando eu era criança, nos ensinavam que o universo existe eternamente e é infinito em tamanho. Hoje, a ciência refuta isso e afirma que o universo existe há quatorze bilhões de anos e tem dimensões definidas. Ou seja, estamos em constante desenvolvimento.

Mas esse conhecimento não mudará as relações entre as pessoas. Que diferença faz para uma pessoa o que os cientistas dizem? Antes de tudo, pense em seu sustento, saúde e diversão. Uma pessoa é um organismo animal comum que deseja “pão e circo”.

Da Lição de Cabalá de 11/10/17, “Princípios Cabalísticos, Seu Significado e Aplicação Espirituais”