Textos na Categoria 'Educação'

Um Jogo Que se Transforma em Vida

A natureza nos desenvolve gradualmente, em etapas. Cada vez, em cada etapa, através de cada geração, podemos adquirir mais e mais razão e sentimento, passamos a conhecer a natureza e a criação, elevar-se acima de tudo, e aprender a perceber, a dominar …. E, evidentemente, no final de seu desenvolvimento, o homem de fato atinge o mais alto nível de realidade.

Neste caso, vamos dar uma olhada no que nos ajuda a desenvolver, que forças nos operam.

Vamos examinar o quadro como um todo através de um exemplo particular de uma criança. Na ausência de fatores externos humanos, ele ou ela irá desenvolver-se como um animal sob a influência de seus impulsos naturais e necessidades. Neste caso, uma criança não vai amadurecer ao nível das coisas que a humanidade criou para ela. Se ela não é colocada em uma sociedade de pares, não saberá como se comportar com outras pessoas, como se conectar, jogar e se comunicar com elas, como usá-las, ajudá-las, e procurar a sua ajuda.

Por outro lado, se organizarmos um ambiente para ela: um jardim de infância, uma escola, os educadores, e os jogos, se os pais constantemente tentarem desenvolvê-la por meio de estímulos externos que irá chamá-la pela frente em vez de impulsos naturais que a empurram por trás, seu crescimento vai acelerar muito. Pode ser ensinado a ela música, desenho, escultura, dança, informática, e muitas outras coisas desde que nós fornecemos  a ela esses meios do exterior. [Leia mais →]

Liberdade Dentro Da Imagem Estreita Da Vida Familiar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Uma vez, uma mulher disse que sua liberdade é limitada por certas obrigações para com seus filhos, família, marido, casa, etc. Ela se sente mais livre dentro dessas obrigações. Mas, se tudo isso lhe fosse tirado, seu sentimento de liberdade desapareceria.

Resposta: Isso é verdade. Quando uma pessoa carece de limites estritos, é difícil para ela determinar onde a liberdade está, e ela simplesmente se sente perdida, porque a liberdade absoluta parece-lhe como uma absoluta falta de liberdade.

A liberdade, tal como qualquer outro sentimento, é definida entre o negativo e o positivo nela. Portanto, dentro de certos limites e a oportunidade de permanecer, agir e existir confortavelmente dentro deles, o que significa gerenciá-los, realizando quaisquer obrigações e desfrutar o seu alcance, isto é percebido como liberdade.

Mas, a questão é que quando nos tornamos parte integrante da nossa sociedade contra a nossa vontade, de acordo com o plano da natureza, somos incapazes de nos sentir aptos a criar o quadro correto, porque ele está sendo violado todo o tempo; por um lado nos tornamos mais interligados com os outros, e por outro lado, nós não sentimos que podemos fazer algo por conta própria dentro da nossa própria estrutura, porque dependemos de uma quantidade enorme de fatores externos.

É por isso que a única maneira de superar nossos limites é entrando no sistema integral, que dá a sensação de liberdade.

A natureza inevitavelmente nos empurra para nos sentir “encurralados” em um estado de necessidade, em uma luta constante pela sobrevivência dentro de nossa própria estrutura, em todos os lugares; em nossas famílias, no trabalho, em casa, na rua, em qualquer lugar afinal.

É aqui que temos que mostrar às pessoas que a liberdade só é adquirida pela correta interação com os outros: global e harmoniosamente.

Uma pessoa, especialmente uma mulher, importa-se apenas com os seus limites, seu conforto, dentro desses pequenos limites no nível animal e egoísta da existência. Quando ela tem um lar, uma família, filhos, responsabilidades, e ela é competente, capaz e equipada para proporcionar o bem-estar de toda sua pequena família, então, é claro, ela pode ter uma sensação completa de confiança, liberdade e realização.

Não é tão simples com uma pessoa moderna, mesmo uma mulher moderna. Ela aspira entrar nos negócios e se realizar. Mas, ainda assim, o determinante, a orientação básica do caráter feminino é dirigida à família, e para que as coisas estejam bem nela.

No entanto, vemos que as famílias estão quebradas. As últimas estatísticas são ameaçadoras! O número de divórcios e famílias com um só dos pais é maior do que 50%!

Aqui nós observamos uma tendência em empurrar a pessoa para fora do seu pequeno círculo familiar, onde ela se sente confortável apoiada por seus parentes, onde é suficiente para ela poder cuidar de sua casa e obter quaisquer necessidades para sua casa. Apesar de sua mente, o homem está sendo empurrado em direção a algo maior contra sua vontade.

Nós estamos amarrados com todos os outros. Nosso bem-estar interior depende de todo mundo. Assim, a educação integral é simplesmente necessária aqui para compensar a insegurança, os medos e a ausência de liberdade.

À medida que subimos ao próximo nível, adquirimos exatamente a liberdade, apesar do nosso atual princípio egoísta.

Quando eu me conecto com os outros, eu adquiro algo em comum com eles, desejos comuns e o entendimento comum de que, quando decidimos tudo juntos, interagindo uns com os outros, e não de outra maneira, é que eu me sinto livre.

Minha liberdade depende de mim. Ela não depende dos outros, porque todos os outros no grupo integral começam a parecer totalmente corrigidos para mim. Eles já estão no estado integral da garantia mútua, conexão, e eu só estou apenas começando a sentir que ainda preciso adicionar e me ajustar. Em geral, cada pessoa se sente assim em relação aos outros.

A pessoa adquire uma necessidade completamente nova para lutar constantemente por um bom relacionamento com todas as pessoas.

Este é um nível totalmente novo. Ainda é egoísta, mas ao mesmo tempo, é um nível diferente e desejável, onde eu sinto que me falta uma maior integração. É que, depois de entrar nele, realizando uma virada psicológica dentro de mim, como se puxasse o gatilho e mudasse para o oposto, eu, de repente, adquiro liberdade.

É como quando um feto nasce do ventre da mãe; ele fica com a cabeça para baixo e parece perder tudo o que tinha, após o que ele aparece num mundo novo: nós precisamos virar de cabeça para baixo, começar a entender o mundo de outra maneira, e então, nós nasceremos num novo mundo integral.

Da “Palestra Sobre Educação Integral” #9, 15/12/11

A Singularidade Do Sistema Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando me deparo com a lei da garantia mútua e a vejo em ação, eu imediatamente começo a monitorar os outros para que eles não façam um furo no barco, e eu, de forma puramente egoísta, saliento que eles não deveriam fazer isso.

Resposta: Com uma abordagem correta, altruísta, eu ajo diferentemente. Eu digo a mim mesmo: “Eles são todos perfeitos, eu posso estar totalmente certo a respeito deles. Eu só tenho que me monitorar para que eu os complete corretamente”.

Se eu me comportar corretamente no esquema integral, todo o esquema será corrigido. É uma noção invertida da mesma lei, onde cada um é responsável por todos. Se, enquanto existo dentro de um sistema integral, eu me comporto corretamente, eu obrigo todo o sistema integral a fazê-lo também. Se alguém quebra a lei, todo o sistema falha.

A engenharia tem vários sistemas, entre eles um integral. Há um sistema discreto com início e fim estritamente definidos, onde todas as partes que trabalham se comunicam umas com as outras através de impulsos. Depois, há um sistema que fica estimulado por um sinal que recebe, então se acalma, chega a um estado de equilíbrio, e somente depois é que se pode medir seu resultado como uma solução para um problema. Este é o chamado sistema integral analógico.

Uma perturbação e, naturalmente, uma média, uma acalmada acontece em tais sistemas. Você não seria capaz de observar os resultados, até tudo se acalmar e chegar a um denominador comum, uma solução.

No início, quando você dá um sinal, você, digamos, leva um ambiente egoísta a um estado perturbado. Então, a correção ocorre. Aos poucos, o equilíbrio entre todas as partes do sistema é alcançado; o sistema se acalma. Então, você mede o potencial que resulta da sua conexão. Se falarmos da sociedade humana, o resultado alcançado é aceito por todos de maneira uniforme, igualitária e gentil; todos tentam manter este estado porque é muito confortável para cada um.

De “Lições sobre o Novo Mundo” # 8, 15/12/11

Quem Salvará O Afogamento?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em meados da década de 1960, houve um incidente em Paris, quando uma pessoa se afogou numa piscina na frente de 150 testemunhas oculares, porque ninguém veio em seu socorro Se houvesse apenas uma pessoa lá, ela a teria salvo, mas agora é como se a responsabilidade fosse diluída entre 150 pessoas. Então, a lei é de que quanto mais pessoas existirem, menor a responsabilidade pessoal de cada uma delas. Como podemos fazer com que essa lei seja integral?

Resposta: O que significa “garantia mútua”? Eu sou responsável por todos. O geral e o particular são iguais em seu poder e influência: é isso que significa a lei da garantia global mútua.

Se dentro do sistema integral final (e nós o tomamos como ponto de partida de qualquer explicação), estiver faltando até mesmo uma partícula minúscula – eu, você ou ele – este não será capaz de funcionar. Não será capaz de operar 100%. Ele vai quebrar, e não 99% ou 50%, mas 100%, porque um sistema integral implica a participação de absolutamente todos.

Em última análise, a lei é tal que um é igual a todos, um é importante para todos. Não há ninguém que possa escapar disso, optar por não participar.

Na educação integral nós apresentamos um exemplo simples: nós (toda a humanidade) estamos num grande barco Se eu fizer um buraco debaixo de mim no fundo do barco, todo mundo se afoga. Eu posso dizer: “Sinto muito, amigos, este é um assunto pessoal. Eu quero me afogar. Ou quero tomar um banho. É isso! Não tem nada a ver com vocês. Que direito vocês têm de entrar em meu território e me advertir ou mandar em mim?”.

Se nós existimos no âmbito de uma lei da natureza (no mesmo barco, como na Arca de Noé), se alguém fizer o buraco, vamos todos nos afogar.

Assim, conclui-se que a responsabilidade não pode ser distribuída entre todos. Pois para cada pessoa a responsabilidade é a mesma como é para todas as outras. É por isso que cada pessoa que está ao redor da piscina e vê que alguém está se afogando, deve imaginar que se ela não fizer nada, ninguém o fará. Então, todos mergulhariam na água.

De “Lições sobre o Novo Mundo” # 8, 15/12/11

Conformidade Não É Uma Coisa Ruim

Dr. Michael LaitmanPergunta: A psicologia materialista discute o conceito psicológico da conformidade, quando uma pessoa submete-se à opinião da maioria. Do ponto de vista dos psicólogos, a conformidade é uma coisa ruim, enquanto a não conformidade é boa. Talvez, da perspectiva da integralidade, a conformidade seja uma coisa muito positiva.

Resposta: Em primeiro lugar, a subordinação de uma pessoa à sociedade e seu ambiente circundante é uma lei da natureza. Em outras palavras, não há verdade ou falsidade, nem bom ou ruim, nada – há apenas as diretrizes do ambiente, e eu as cumpro, eu sou criado dentro delas. O que o ambiente proclama ser bom ou ruim, certo ou errado, eu aceito como tal.

Nós podemos nos convencer de que sabores salgados são doces, não há problema! Se o ambiente começa a se referir ao sal como sendo doce, finalmente começarei a consumir doces salgados. Ele altera os nossos parâmetros fisiológicos internos, de tal forma que nos transformamos completamente.

Não podemos dizer se é bom ou ruim. Estamos apenas afirmando um fato. Afinal de contas, será que eu posso dizer algo de ruim sobre a aceleração em queda livre ou outros parâmetros físicos? Isto é o que existe. A maneira como aplicamos isso é outra história. Mas dizer que é ruim e que por isso devemos mudar e distorcer uma pessoa, isso realmente é ruim. Nossa tarefa é aplicar corretamente as leis da natureza com o objetivo de alcançar nossa equivalência, compatibilidade e harmonia com ela.

Pergunta: Acontece que uma lei psicossocial como a conformidade é uma grande vantagem que nos ajuda a unir…

Resposta: Nós somos capazes de mudar uma pessoa exatamente em virtude do ambiente circundante. O meio de comunicação de massa, a sociedade e a educação, tudo isso constitui o ambiente circundante. Nós influenciamos seletivamente uma pessoa de fora a fim de transformá-la. Este é o nosso único instrumento de influência sobre uma pessoa.

De “Lições sobre o Novo Mundo” # 8, 15/12/11

Acima Do Nível Da Morte

Dr. Michael LaitmanA educação (formação) integral despe a pessoa de praticamente tudo o que caracteriza a nossa sociedade moderna. O que resta é apenas a sua existência normal, pacífica e regular (que chamamos de nível bestial, mas não com desdém, visto que este é o nível em que nosso corpo físico existe). Neste ponto, a pessoa dedica todos os seus recursos apenas para dominar o nível seguinte, o de “Adão”, o nível da garantia mútua, da ascensão e unidade universal. É precisamente em nossa unidade que revelamos o próximo nível de nossa existência: a realização da eternidade e perfeição.

E isso é possível, já que ao romper com o seu corpo animal e atingir o quadro completo da natureza (seu mecanismo, dinâmica e as forças que permeiam do início ao fim todo este processo), a pessoa se conecta e se associa a este processo e já vive de forma simples nesse nível. É como se ela rompesse com seu próprio corpo (nós ainda não conseguimos imaginar esse estado) e se associasse com a unificação comum alcançada e existisse dentro dela a tal ponto que mesmo que o seu corpo morra, ela não sente a morte. É como se isso fosse a morte de seu amado animal de estimação que vive ao lado dela. Ela não sente que o seu “eu” perde algo assim.

Como nosso corpo representa meramente a soma de nossos desejos e nossa noção de “eu”, se não nos associamos a ele, é como se vivêssemos separados dele. Este é também um problema psicológico, mas que pode ser superado no decurso da educação integral.

Nós precisamos trazer gradualmente nossos alunos a isso, já que o problema da morte, apesar das constantes tentativas de “engarrafá-la”, dirige o ser humano. Em qualquer tarefa que estabelecemos para nós mesmos, nós incluímos, inconscientemente, este elemento e somos obrigados a enfrentá-lo. Qualquer decisão que tomamos: ter filhos, sustentar uma família, parecer de certa maneira aos olhos da sociedade, etc., qualquer coisa pressupões um elemento de inclusão do “eu” em algo fora de nós mesmos, uma vez que desta forma, é como se continuássemos.

De “Lições sobre o Novo Mundo” # 8, 15/12/11

Todos Por Um E Um Por Todos!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você pode esclacerer mais o conceito de “garantia mútua”? O que é que você quer dizer com isso?

Resposta: O propósito da criação do universo é trazê-lo à homeostase. O ponto final do desenvolvimento de qualquer subsistema é o equilíbrio de todos os sistemas. Resulta da pesquisa da natureza inanimada, vegetal e animal: todos estes níveis lutam pelo equilíbrio.

Por que é que o vento sopra? A pressão num lugar é superior que em outro lugar. Quaisquer parâmetros físicos desequilibrados lutam, em última instância, pelo equilíbrio, o meio termo, a interligação mútua e permeação. Todos os níveis da natureza são suportados pelos demais: plantas, minerais, animais, e por aí fora; todos eles existem em constante circulação mútua.

O último degrau, chamado “Adão” ou Homem (a imagem geral conjunta), precisa de incorporar todos os níveis anteriores em si próprio. Seres humanos têm de atingir tal estado colectivo, reciprocidade na ligação, onde eles serão precisamente aqueles que estarão a determinar toda a estrutura global correcta da natureza, a sua harmonia. Uma pessoa precisa de apreender isto através do entendimento, percepção, e estudo desta imagem.

Precisamos estudar os sistemas integrais nos quais tudo está interligado: início, fim, meio, e centro. Não há uma única coisa que determine algo, mas todos e tudo determinam tudo o resto. É como uma imagem holográfica, e o nosso universo, assim como praticamente quaisquer dos seus fragmentos, incluindo nós próprios, está organizado de acordo com este princípio.

É por esta razão que o nosso estado final se caracteriza pelo facto de toda a gente ser responsável por todos os outros. Todos por um e um por todos! E isto aplica-se à humanidade inteira.

Esta imagem, claro, parece fantasia, completamente oposta à nossa realidade de hoje. O nosso desejo ou razão simplesmente não funciona nessa direcção. Mas a natureza irá forçar-nos a isso. Começando no nosso tempo e indo para a frente, estamos a entrar numa crise que é determinada precisamente pela nossa falta de equilíbrio, as nossas interligações incorrectas com cada um de nós.

Por isso, começando num grupo pequeno, com esta visão do futuro, somos obrigados a definir constantemente esta condição perante nós próprios. Independentemente de como apelidarmos este sistema futuro; mesmo se for “comunismo”, ainda assim é o sistema mais estável pretendido pela natureza. E ele irá ser apreendido, uma vez que este é o estado de equilíbrio.

Agora, surge uma questão: “Como o apresentaremos às pessoas? O que quer dizer garantia mútua?”

Mesmo agora, vemos pelo exemplo da União Européia (UE), que não é capaz de unir-se, que a ausência de instrução e educação integral não lhes permite ver correctamente a situação onde estão. Eles escolhem constantemente soluções egoístas, lineares em vez de “redondas”. Eles se relacionam constantemente consigo mesmos como um sistema discreto e não análogo. Nisso recai o seu problema. É por esta razão que todas as suas resoluções não levarão a lugar algum.

Esta será uma desintegração muito longa, talvez até mesmo uma guerra mundial. Ou, talvez, como resultado do sofrimento, eles irão gradualmente chegar a uma decisão correcta, porque há já pessoas que falam da necessidade de unidade completa e absoluta.

Mas pode a completa união de 27 países ser atingida?! Mesmo se você os limitar a dez países, será ainda uma divisão enorme por todos os parâmetros. Assim, a educação é necessária.

Educação, sua base e objectivo esperado, é aquilo a que chamamos de interacção mútua integral ou garantia mútua, quando atestamos e somos responsáveis uns pelos outros e criamos a nossa sociedade exatamente desta forma. Os medos desaparecem. Preocupações desaparecem. Eu sei exactamente o que preciso fazer na sociedade. Tenho a certeza absoluta que receberei a mesma coisa que toda a gente. Estou confiante que terei tudo o que é necessário para a vida.

Desta forma neutralizamos quaisquer problemas que possam emergir em algumas perturbações sociais. Certamente, esta é uma imagem idealista. Por isso, precisamos chegar a ela gradualmente.

Da “Lição Sobre o Novo Mundo” #8

Este Mundo Cruel, Cruel

Dr. Michael LaitmanPergunta: Suponha que juntemos pessoas num grupo para educação integral, e elas têm de atravessar muitas etapas: conhecer-se entre si e começarem a sentir-se seguras. Na Rússia, a última fase leva metade do tempo destinado à educação porque as pessoas não confiam umas nas outras. Elas têm uma experiência enorme com o impacto negativo do ambiente numa pessoa. Leva tempo para a pessoa relaxar, para acreditar que ninguém lhe deseja fazer qualquer mal. Com o que é que este período deve ser preenchido?

Resposta: É muito difícil trabalhar com pessoas que continuam a voltar para um mundo grosseiro e cruel. Elas relaxam um pouco dentro do grupo, mas para elas é como um jogo que lhes permite tomar um “comprimido” e se acalmar por algum tempo. E depois, quando elas voltam ao mundo cruel, tudo desvanece.

Elas percebem que chegaram ao grupo apenas para relaxar mas não para se tornarem diferentes. Elas não conseguem permitir-se a si mesmas ser diferentes porque então elas estariam indefesas neste mundo; elas acabarão como pequenos coelhinhos peludos no meio de lobos e raposas. Portanto, este é o grande problema.

O grupo precisa criar o seu próprio micro-clima e ser relativamente grande, de forma a conter uma pessoa dentro do seu quadro. A pessoa deve sentir o seu apoio, seja em casa ou no trabalho: através de chamadas telefónicas, mensagens de texto, e por aí fora. Isto é, as pessoas deveriam permanecer constantemente num estado de garantia mútua, apoiando-se mutuamente, e preocupando-se com o micro-clima que aparece quando nos moldamos numa pequena sociedade.

Na realidade esta sociedade pode ser artificial. Qual é a diferença? Sentimo-nos bem por dentro. Em certa medida, é um refúgio psicológico.

Quanto à Rússia, eu acredito que tudo pode mudar lá muito rapidamente porque as pessoas estão preparadas para isso internamente. Elas não estão separadas em classes sociais; foram apenas divididas artificialmente. O seu conhecido passado Socialista, quando a liberdade e a igualdade ainda estavam na agenda, ainda encontra a sua força e se manifesta dentro delas.

Portanto, se fosse possível remover a terrível negatividade externa que explode através da comunicação social e, especialmente desta chamada cultura, então penso que isso poderia ser alcançado rapidamente. As pessoas acumularam tal potencial negativo que abraçariam com prazer algo completamente diferente.

Da “Lição Sobre o Novo Mundo” #8

Uma Equipe Unida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qualquer dinâmica de grupo passa por vários estágios. A primeira fase obrigatória é a fase da segurança. Antes que a pessoa se abra, ela precisa sentir que está num espaço seguro onde ninguém vai ferir ou humilhar.

Resposta: E o mais importante, este espaço tem que ter a qualidade conhecida como garantia mútua.

Para alcançar o objetivo, nós precisamos do apoio de todos os outros, como, por exemplo, numa boa equipe de ataque ou no exército, quando eles entram numa missão de reconhecimento e todo mundo se sente confiante no fato de que os outros vão sempre lhes dar cobertura. Você avança porque para você a sensação de “eu” já desaparece e, em vez disso, há a sensação de “nós”. Essa sensação é tão forte que nem sequer importa para você decidir se quer viver ou morrer, a coisa mais importante é implementar a idéia comum.

Quando as pessoas estão unidas através de uma idéia compartilhada, elas perdem os interesses individuais, enquanto o comum, o coletivo, começa a influenciá-las de tal forma que, por causa da execução de seu objetivo comum, a sua idéia compartilhada, elas já não se importam de que forma isso vai ser atingido por elas pessoalmente.

Se alcançarmos tal estado de união da sociedade, a pessoa sobe exatamente ao grau chamado de “Adão”. Ou seja, nós precisamos ter um objetivo que sempre estará diante de nós. Precisa ser por nós: não por uma pessoa com quem nós trabalhamos, mas por nós. Caso contrário, se nós não começarmos a lutar por este objetivo, a natureza vai nos empurrar, de forma muito dolorosa, por meio de tremendo sofrimento, em direção a ela com as suas forças coercivas. De uma forma ou de outra, no estado final, nós teremos que chegar a esta forma de comunicação entre nós, esse tipo de união.

Da “Lições sobre o Novo Mundo” # 8, 15/12/11

A Coabitação Civilizada Ou “Bazar” Europeu?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Suponha que todos nós possamos decidir que os estrangeiros que vieram ao nosso país para trabalhar causem prejuízos. Mas como podemos concordar com alguma coisa mais positiva e integral?

Resposta: Uma coisa é falarmos de uma família, onde as pessoas são forçadas a chegar a um acordo, ou seja, elas têm devem concordar ou se separar. Mas se estamos falando do tipo de egoísmo que não nos obriga a estar juntos, como no exemplo dos trabalhadores estrangeiros, então isso é uma coisa completamente diferente. Aqui temos que chegar a um sentido de necessidade da convivência integral, terrena e civilizada, que precisa ser construída baseada na educação.

Muitas vezes me perguntam:

– Você israelense?
– Sim.
– Você tem um problema com seus vizinhos?
– Claro! Quem não sabe disso?
– Concorda com a abertura das fronteiras do país? Você pode viver com eles em paz?
– Claro!
– Então, por que não faz isso?
– Eu concordo! Mas só depois educamos uns aos outros.

Eu não seria capaz de viver no mesmo apartamento com o meu vizinho até que um completo entendimento mútuo surgisse entre nós. Mas para que isso ocorra é preciso passar pelo processo de educação, para que ambos se entendam, sintam e se aproximem. Sem isso você não pode abrir as fronteiras.

Na Europa, eles abriram as fronteiras e agora querem fechá-las novamente. Por quê? Bem, porque durante os 20 anos de existência dos mercados europeus, eles não se ocuparam com a educação das pessoas.

Eu diria mesmo que era um “bazar” Europeu, nem sequer um mercado, porque eles não perseguiram a educação ou integração dos povos. Há um número enorme de culturas, línguas, de tudo. “Nós somos a Europa!”. Em que, exatamente, vocês são a Europa? Hoje está se tornando claro que este é simplesmente um conjunto de pessoas completamente incompatíveis. Depois de todo esse tempo, alguma nacionalidade européia foi criada a nível mundial, algum tipo de cultura compartilhada? Não. Pelo contrário, as contradições estão começando a se manifestar-se externamente cada vez mais.

Em outras palavras, a educação deve preceder absolutamente todas as ações.

Da “Lições sobre o Novo Mundo” # 6, 14/12/12