Deixe O Burro Olhar Apenas Para A Estrada

235Pergunta: Por que a autoridade do Criador é vivenciada como um fardo pesado que deve ser aceito com esforço, como um jugo?

Resposta: Porque a autoridade da doação é dirigida contra a nossa vontade, contra o nosso ego. É por isso que a percebemos como um fardo pesado, como um fardo.

Antes de mais nada, preciso organizar uma rotina para mim, uma que se torne uma estrutura, um fardo, para que eu trabalhe “como um boi para o fardo e um burro para a carga”. Devo entender que esse trabalho é desagradável ao meu “burro” (desejo — Homer, burro — Hamor). Trato minha natureza como um burro, sobre o qual eu, como dono, quero colocar um fardo, um jugo que o contenha e force essa força — o “boi” ou “burro” a trabalhar.

Cubro seus olhos com antolhos (tapa-olhos), dou-lhe comida, crio restrições e realizações para obrigá-lo a realizar as ações que preciso. Dessa forma, não o estou matando nem punindo, mas sim trabalhando com minha inclinação natural de maneira deliberada e orientada a um objetivo.

Não sou eu quem faz as correções, é a luz quem faz. Eu apenas realizo todos os preparativos para que meu “burro” faça seu trabalho exatamente como necessário, para que a luz possa influenciá-lo. É por isso que trago meu controle: rédeas, um jugo, um freio. Mais importante ainda, eu cego seus olhos para que ele não se distraia com nada irrelevante para o caminho reto, e para que ele veja apenas a estrada à frente.

Isto é o que significa colocar uma carga no burro. Mas eu faço tudo isso para o seu próprio benefício! Porque depois, como se diz: “O boi conhece o seu dono, e o burro, o cocho do seu dono”. É nesses desejos, corrigidos com a intenção correta, que finalmente recebemos a realização.

Da Lição Diária de Cabalá 11/10/11, Escritos do Baal HaSulam, Matan Torá [A Entrega da Torá]