Relacionamentos Espelhados
Pergunta: Ao falar sobre o relacionamento entre homem e mulher, você descreveu o “princípio do espelho”, segundo o qual vejo um reflexo de mim mesma no meu parceiro, pois irradio meu egoísmo para ele. O que isso significa? Se me parece que meu marido não me valoriza, significa que eu não me valorizo?
Resposta: Por que você exige mais reconhecimento dele? Em essência, é o seu egoísmo que exige essa satisfação. E o que ganhamos se nos elevarmos acima do egoísmo e não fizermos tais exigências?
Primeiro, ao fazer isso, não sofreremos com a sensação de desvalorização por parte do nosso parceiro. Segundo, adquirimos, assim, uma nova qualidade. A demanda por respeito e poder revela seu oposto: ao superar uma certa qualidade egoísta e começar a superá-la, recebo uma qualidade oposta a ela. Isso me permite ganhar uma nova ferramenta, uma nova atitude em relação ao mundo.
Por exemplo, se antes eu exigia atenção e respeito do meu parceiro, agora me torno mais modesta em minhas reivindicações. Afinal, eu já entendo que, se eu olhar objetivamente, ele me trata com bastante normalidade; foi simplesmente o meu egoísmo que inflou o nível das expectativas. Então, vamos ceder, vamos reduzir nossas exigências egoístas.
Quero que meu parceiro seja atencioso, cuidadoso e cumpra suas promessas. Quero acabar com suas intermináveis ”ofensas” em tudo o que diz respeito aos assuntos domésticos, com a negligência dos meus interesses e com a falta de demonstrações de amor e carinho. Afinal, com o passar dos anos, o marido liga cada vez menos para a esposa para perguntar como ela está, cuida cada vez menos dela. E assim, se eu diminuir minhas reclamações, se não contabilizar as queixas e me esforçar muito — porque para mim isso ainda é muito importante —, anulo o antigo e deteriorado vínculo entre nós.
Eu me elevo acima das exigências infladas e me relaciono com meu parceiro com amor, como uma mãe com seu filho. Mesmo que do lado dele ainda haja “crime”, apesar dos meus esforços, mantenho o princípio: “O amor cobre todos os crimes”.
Como posso ajudar meu parceiro, considerando que ele também se juntou à estrutura do nosso curso? Dou-lhe um exemplo e também desperto nele a prontidão para a mesma relação recíproca. Assim, aqui reside um convite para uma nova vida. Em essência, abro-me para receber uma nova atitude do meu parceiro. E verifico essa atitude não de forma egoísta; pelo contrário, o que importa aqui é que ambos desenvolvamos mutuamente o nosso relacionamento acima do egoísmo e nos apoiemos mutuamente.
Com o meu exemplo, ajudo meu parceiro a superar o egoísmo. Eu me esforço, converso com ele sobre como a vida será boa se superarmos nossos impulsos naturais, básicos e egoístas. E, como resultado, o exemplo e o apoio mútuos nos levam para cima.
Além disso, cada um de nós agora olha para o mundo corretamente, com sensatez, com prontidão para ceder. Repetidamente, vejo o mundo em comparação comigo mesmo como algo perfeito. A nova perspectiva me permite vê-lo como a natureza perfeita. Não se trata mais apenas do meu parceiro, o mundo inteiro se torna meu espelho.
Este é um tipo de treinamento psicológico, um método psicológico de altíssima qualidade, que permite à pessoa ascender a uma nova percepção da realidade, do mundo, da família e das relações com o parceiro; é uma percepção que não tínhamos antes.
Claro que devemos primeiro praticar isso na família e, no final, construiremos um novo mundo, novos relacionamentos. E aqui a mutualidade é necessária. Ambos devemos entender que representamos algo como um pequeno “laboratório” no qual dois egoístas se esforçam para usar corretamente o egoísmo que se desenvolveu neles. Em nossa geração, ele cresceu a tal ponto que destrói tudo, e queremos usá-lo como alavanca e construir relacionamentos saudáveis acima dele, que permitam que a vida continue. Caso contrário, só a ruína nos espera.
De KabTV, “Nova Vida 32 – Novo Tipo de Relacionamentos”, 11/07/12