Fronteiras Abertas Da Vida
Pergunta: Não entendo o que significa ceder sem anular meu próprio desejo. Qual é a diferença entre uma concessão na qual me anulo e uma na qual não me anulo?
Resposta: Uma concessão na qual eu me anulo é quando alguém fica em cima de mim com um pedaço de pau e depois de alguns golpes eu não tenho escolha a não ser desistir do meu desejo e fazer o que o portador do pedaço de pau exige.
Mas a concessão de que falamos na educação integral é algo que faço por livre e espontânea vontade. Quero ceder porque entendo o que ganho ao fazê-lo.
Entendo que não tenho outra maneira de crescer, expandir e estender meus limites se não me anular. Concessão significa anular meus próprios limites e permitir que qualidades, desejos e objetivos estranhos entrem em mim. E eu os aceito como se fossem meus. Caso contrário, não crescerei e não serei capaz de me conectar com ninguém. Permanecerei para sempre dentro do meu eu inflado, que em essência é um zero inflado, trancado por todos os lados.
Absorção, assimilação e inclusão mútua são condições necessárias para o desenvolvimento; são uma forma de vida. Todos nós já vimos filmes em que duas células se encontram, se fundem em uma só e então começam a se multiplicar e se expandir em um novo corpo. Isso só é possível porque cada célula se rende e se abre para a outra a fim de se unir. Sem isso, não haverá vida — este é todo o segredo.
Isso precisa ser explicado e enfatizado da perspectiva da sociedade. Por outro lado, estamos sendo empurrados nessa direção pela crise global que exige que comecemos a conectar nossas células mortas e isoladas e construir um corpo vivo a partir delas.
Abro meus limites e tento usar meu desejo, meus hábitos e todas as minhas habilidades para satisfazer o desejo de outra pessoa. Minha concessão reside no fato de que desconsidero a mim mesmo para satisfazer o desejo do meu próximo. Com isso, adquiro seus sentimentos, sua razão e seus pensamentos.
Tudo começa com uma conversa. Cada um deve imaginar um mapa interno do seu parceiro. O que cada um de nós deseja do outro? O que ele exige e o que gostaria de ver no outro? Começamos a praticar essas discussões.
Mas não fazemos isso como uma família comum tentando simplesmente melhorar o relacionamento, mas sim para adquirir e construir novos sentidos em nós mesmos, capazes de perceber o outro. Dessa forma, eu saio do meu egoísmo e começo a enxergar o que está acontecendo ao meu redor.
Se uma pessoa consegue se corrigir dessa forma dentro da unidade familiar, também terá sucesso no trabalho, nos relacionamentos com os outros e, por fim, alcançará o equilíbrio com toda a natureza. Dessa forma, nos sintonizamos para perceber a realidade externa. Não vivo mais apenas dentro de mim, mas começo a absorver informações do ambiente externo. E fora de mim existem vastas forças que atualmente não conheço nem sinto.
De KabTV, “Nova Vida 40 — A Chave para um Bom Relacionamento é a Concessão Mútua”, 25/07/12