Conheça Seus Limites

532Fazer qualquer movimento apenas como resultado do amor pelos outros, sem nenhuma centelha de luz refletida ou esperança de qualquer tipo de recompensa em troca é completamente impossível por natureza (Baal HaSulam, “Matan Torah [A Entrega da Torá]”).

E isso ainda precisa ser revelado. As palavras são corretas e maravilhosas, mas uma pessoa precisa realizar muitas ações voltadas para a doação, dedicar muitas horas de estudo e se esforçar muito para se unir a outros para chegar à conclusão de que não tem a menor chance de realizar um ato de doação.

É claro que se pode admitir imediatamente que se é um egoísta que não se importa com ninguém, que não valoriza ninguém e a quem tudo é indiferente. Mas isso não atesta a revelação do vaso, o Kli; qualquer um pode dizer isso sobre si mesmo. Concordamos com isso sem palavras desnecessárias.

O problema é perceber o mal dentro de si, compreender que, mesmo que deseje, é incapaz de realizar qualquer ato de doação. Isso significa conhecer a própria natureza, conhecer os próprios limites. Com todas as suas forças, usando todas as possibilidades e meios, a pessoa se pressiona a revelar a doação ao próximo e descobre a mais pura recepção egoísta. Ela não encontra nem um por cento de doação.

E quanto mais tento fazer o bem a alguém, mais minha intenção original se revela a mim depois de todos esses esforços enormes. Antes, eu não sabia disso e não conseguia detectá-la, mas agora acontece que todas as minhas ações visavam ganho pessoal.

Este é um estudo muito profundo. Só recebo essas lições depois de me esforçar. Com a alma pura, começo a trabalhar, desejando beneficiar os outros o máximo possível, e me uno a eles, esquecendo-me completamente de mim mesmo. Aos meus olhos, meus amigos são tão importantes que simplesmente me perco, desapareço entre eles. E, no final, após cada ação, a imagem oposta me é revelada: fiz tudo em meu próprio benefício.

Essa verdade se manifesta como uma recompensa, como um prêmio pelos meus esforços para realizar a doação máxima e pura do coração.

Então, graças aos meus esforços, chego ao resultado final, ao que é dito: “Eu criei a inclinação ao mal”.

A entrada se abre diante de mim, a compreensão destas palavras. Começo a perceber o que o Criador criou. Até então, eram apenas palavras.

Então, como de costume, passo por quatro estágios de desenvolvimento e chego à necessidade da Torá como tempero, isto é, um método de correção. Começo a entender o que é a Torá, o que é o tempero, o que ele acrescenta à inclinação ao mal, de que forma deve ser usado e como funciona. Mesmo que eu esteja apenas no início do caminho e ainda não tenha experiência, o meio chamado “tempero da Torá” já me foi revelado superficialmente.

E também, a luz que retorna à fonte (a luz que reforma), que está embutida nela, me é revelada. Estamos falando de conceitos diferentes; a Torá e a luz não são a mesma coisa.

É por isso que receber a Torá é uma questão muito complexa. Além disso, surge a pergunta: quem me dá a Torá? Afinal, essa doação é necessária, e é precisamente graças a ela que chegamos a receber a Torá.

Da Lição Diária de Cabalá de 06/07/11, Baal HaSulam “Matan Torá [A Entrega da Torá]