Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Evolução Do Método Desde Adão Até Os Nossos Dias

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá trabalha apenas no reino das leis físicas. Não há nenhuma complexidade, misticismo ou religião nela. Nós estudamos a lei mais essencial da criação, que é a descoberta da força superior, a energia mais elevada. É mais elevada porque, de acordo com a sua categoria, inclui dentro dela todo o resto das forças.

Assim como todas as ciências estão empenhadas em descobrir as características da natureza, a sabedoria da Cabalá também está envolvida na descoberta, mas apenas de sua característica essencial, que é essa força universal.

Nós estudamos de que maneira ela é revelada em nosso mundo e como os Cabalistas conseguiram descobri-la através de seu desejo de compreender que o mundo é fragmentado e deve estar conectado em completa harmonia. Através de seu anseio pela harmonia do mundo, eles começaram a entender que o poder de unificação está faltando em nosso mundo.

A primeira pessoa que descobriu esta força 5774 anos atrás, foi Adão, que entendeu que o mundo existe graças a uma força única e singular que une todos os componentes da criação.

O próximo grande Cabalista foi Abraão. Ele não descobriu apenas A Força Superior e sua revelação, como Adão e dez gerações de estudantes que vieram depois dele, mas o movimento, a evolução da natureza. Abraão compreendeu a razão para a evolução que necessariamente levou Adão a descobrir a força superior, a revelação da força dentro dele de se transformar para se tornar como ela, ou seja, para subir ao mais alto nível de realização e desenvolvimento.

Todos os níveis, inanimado, vegetal, animal, e especialmente humano, que existe dentro das três categorias anteriores, são direcionados para isso, a fim de levar a humanidade à necessidade de se unir sob a influência de duas forças opostas.

Uma delas é a força egoísta, negativa, que afasta as pessoas umas das outras. A segunda é a força positiva, altruísta, que pode ser revelada para ajudar a unir todos.

Quando estas duas forças são gradualmente reveladas cada vez mais, a pessoa começa a trabalhar. Ela as encerra em si mesma, muda, e compreende a sua reciprocidade. Ao estar entre elas, ele as manipula como duas rédeas ao construir a si mesmo, e, assim, sobe cada vez mais até a realização completa das duas forças dentro dele.

Este é todo o desenvolvimento do homem, a sua evolução. Isso é especificamente o que Abraão descobriu, e por isso seu método é evolutivo. Ele foi descoberto durante a crise que a humanidade experimentou na antiga Babilônia.

As próximas gerações de Cabalistas descobriram mais profundamente a espiritualidade. Primeiro de tudo, a Shevirah (quebra) de um desejo humano num número imenso de desejos particulares que existem em cada um de nós, e como conectá-los, foi descoberta.

Nós ainda não sentimos isso, não vemos o desejo interior de cada um, de que forma é possível usá-lo, em que tipo de combinação, nem como ver esse padrão dentro do qual estamos conectados ao completar um ao outro. Cada um de nós é versátil, e em cada aspecto de nossa natureza multifacetada e suas características, seus gostos, deve-se conviver com os outros de forma muito precisa.

Acontece que um sistema n-dimensional foi criado onde cada um preenche a todos de forma absoluta e ninguém pode estar fora deste sistema. Só então, quando todos os fragmentos egoístas separados começam a ansiar pelo outro e a se conectar, eles vão começar a procurar por si mesmos dentro deste sistema.

Ao se mover em direção um do outro, com dificuldade, eles se encontram, usando a força superior geral. Nós nos voltamos a ela para que ela execute estes movimentos em nós. Nós queremos nos aproximar, mas não sabemos como. Sob a influência da força superior, nós começamos a perceber e entender isso. E o que é exigido de nós, em suma, é um desejo de que podemos criar juntos um no outro ao mostrar um exemplo do quanto queremos essa proximidade e unidade.

À exceção de um desejo e anseio de unificação, nós não precisamos de nada. A força superior executa a segunda metade do trabalho, razão pela qual isso é chamado de meio-shekel. Isso significa que eu tenho que dar a primeira metade, e o Criador dá a segunda metade. Do meu lado, só anseio e desejo são necessários, e que esse desejo vai ser certo num determinado grau. E será certo se eu mantiver as regras de comunicação no grupo. Então nós vamos atrair a força de unificação e ela vai terminar o trabalho, nos infectar e ser descoberta dentro de nós.

Da Convenção em São Petersburgo 18/09/14, Lição Preparatória 2

Exílio: À Beira Da Luz E Da Escuridão, Parte 3

laitman_749_01Pergunta: Será que os judeus permanecem como um só povo no sentido espiritual da palavra após a destruição do Primeiro Templo?

Resposta: Eles estavam conscientes de sua incapacidade de resistir ao egoísmo que os controlava. Este fato está documentado em livros históricos e crônicas.

Há muitos materiais que cobrem o assunto. Eles foram escritos no passado remoto pelos participantes imediatos dos eventos, não por pesquisadores contemporâneos.

Os judeus eram uma nação altamente alfabetizada. Eles passavam seus conhecimentos de geração em geração. Seus escritos foram preservados, sistematizados e classificados. Assim, eles foram bem conservados por séculos.

Por isso, o povo percebeu claramente: “Não existe um Criador entre nós!”.

Pergunta: Ainda assim, o que eles levaram para o exílio? O que eles carregam com eles? Anteriormente, eles observavam os princípios de Abraão, mas o que eles levaram depois que ocorreu o colapso?

Resposta: Eles se lembravam de sua história muito bem. Não é que eles eram totalmente inconscientes, como se tivessem sido atingidos na cabeça. Além disso, a queda nunca acontece de imediato; ela se desdobra gradualmente, as pessoas lentamente esfriam, deixam seus estados anteriores para trás, e continuam a fazer tentativas frustradas de voltar para seus estados anteriores.

Nós nos esforçamos nos agarrando ao nosso passado, mas somos incapazes de fazer isso. Ao mesmo tempo, fazendo tentativas de voltar a ele, mesmo que não alcancemos resultados, continuamos a explorar e rever nossos estados anteriores, mantendo-os em nossa memória.

É semelhante à distribuição da Luz num Partzuf e sua posterior saída dele: TANTA. No último estágio, quando tudo o resto já se foi, tudo o que resta são lembranças (Reshimot). No entanto, nesta fase, elas são bastante frescas e são chamadas de vasos (Kelim). Estes tipos de vasos estão corretos. Eles refletem as sensações certas, as definições do que está acontecendo dentro de nós; só neste momento, a pessoa percebe que estado se encontrava antes. Na época que estávamos naquele estado, nós não entendíamos o que isso realmente significava para nós.

Isso acontece na vida cotidiana também. Muitas vezes, nós dizemos a alguém: “Você vai se lembrar dessa situação e a compreenderá de forma diferente depois” Portanto, alguma coisa sempre fica quando perdemos nossas situações passadas e quando não está em nosso poder interromper a tendência das perdas.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje”, 03/09/14

Descarte Esta Lâmpada!

laitman_424_02Se uma pessoa não tem nenhuma conexão com o Criador, isso não é chamado de ocultação. Ocultação significa que eu conheço as qualidades e caráter do Criador, talvez não cem por cento, mas num grau particular. E sei que isso está agora oculto de mim.

Suponha que eu sei que o meu amigo está na mesma sala como eu e posso reconhecê-lo pelas suas características particulares; por isso eu digo que ele está oculto (escondido) agora. Isto significa que a ocultação é uma espécie de revelação. Isso é porque eu sei que é especificamente ele que está oculto. Não é que eu tenha uma total falta de conhecimento e desprendimento.

A ocultação é um tipo de realização. É semelhante a um especialista que verifica todos os componentes. De repente, ele descobre que há uma falta de informação em algum lugar que ainda precisa ser descoberta. Algumas facetas singulares do fenômeno permanecem ocultas. Mas tudo é revelado a ele.

Não pode haver ocultação sem que haja revelação. Se você não reconhece um amigo, não reconhece o seu rosto, sua voz, como você pode dizer que ele está escondido? Quando você diz que alguém está escondido, isso significa que você sabe quem ele é. Isto é muito importante. Em outras palavras, a ocultação é uma parte inseparável da revelação e algo essencial para a descoberta.

Através da ocultação eu desperto para o que eu preciso descobrir, através de que meios, exatamente o que está oculto de mim e por quê. Em outras palavras eu desenvolvo Kelim em mim para uma descoberta súbita. Quando eu projeto e acumulo dentro de mim a deficiência certa, então, vem a descoberta.

Portanto, eu vejo que esta ocultação estava em mim; ao sentir essa ocultação, o Criador me desperta para descobri-Lo. Eu não preciso acender uma lâmpada numa sala para ver o amigo. Eu só preciso descobrir meus Kelim internos, e então eu o sinto num nível mais interno e profundo do que se acendesse a luz e simplesmente visse.

O Criador realmente me desperta através da ocultação. Desta forma, Ele me diz: “Anseie por Mim um pouco mais forte, descubra um desejo ainda maior por mim, então você vai Me sentir! Descarte a lâmpada e a luz que vem dela, comece a Me sentir dentro, o meu desejo, o meu coração. Nós não precisamos da luz anterior, em vez disso, nós teremos uma nova Luz do sentimento mútuo entre nós”.

Agora você entende o que o Criador está tentando atingir através da ocultação? Ele desperta um estrato de sentimentos mais internos em você.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/08/14, Escritos do Baal HaSulam

Meu Dia De Autojulgamento

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que uma ofensa a uma pessoa é pior do que uma ofensa ao Criador? Será que isso significa que a pessoa não pode gerenciar com o Criador, a menos que gerencie com aqueles que a rodeiam?

Resposta: Você não pode se voltar ao Criador se houver pessoas no mundo a quem você prejudicou. Nós só podemos influenciar o Criador através das pessoas de acordo com a lei do “do amor dos seres criados ao amor do Criador”.

Afinal, o Criador está oculto e só podemos revela-Lo doando às pessoas. Esta é a razão da sabedoria da Cabalá ser chamada de sabedoria oculta. Ela nos ensina como realmente dar às pessoas a fim de descobrir o Criador por trás delas. Se não soubermos isso, nunca seremos capazes de fazer o bem às pessoas por nossa doação, nem seremos capazes de doar ao Criador. Acontece que nós vamos chegar ao fim da nossa vida sem qualquer resultado positivo.

Pergunta: E se eu feri um amigo e quero fazer as pazes com ele. Basta pedir o seu perdão, como é habitual antes de Yom Kippur?

Resposta: É claro que não basta se você só pede o perdão do amigo apenas para se limpar (purificar) diante do Criador no Yom Kippur. A fim de fazer isso você está pronto para dar qualquer coisa ao amigo como presente, desde que você possa ter certeza que ele vai perdoá-lo e você vai ser capaz de justificar-se diante do Criador.

Mas isso é melhor do que nada, uma vez que chegamos à Lishma (em Seu nome) a partir de Lo Lishma (não em Seu nome). Fazer realmente a paz com um amigo significa começar a amá-lo, o que significa restringir seus desejos pessoais e estar realmente pronto para fazer tudo por ele. Esta é a correção da intenção no coração quando não resta cálculo pessoal, o que significa que tudo o que acontece comigo não importa. Tal correção chamada verdadeira doação é exigida de nós e só a sabedoria da Cabalá pode nos ensinar.

Nós podemos dizer que a essência do Yom Kippur é o resumo, o esclarecimento, de quantas restrições eu posso realizar em mim para poder agir com amor e doação aos outros depois daquele dia. Através do amor das pessoas eu atingirei o amor do Criador. O “dia do juízo” é o dia do meu autojulgamento.

De KabTV “Uma Nova Vida” 30/09/14

Ser Atraído Apenas Ao Bem

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu tentei de várias maneiras trabalhar com o ego, e até agora ele é muito forte dentro de mim. Como a pessoa pode trabalhar com a bajulação, o oportunismo, a hipocrisia?

Resposta: Nós não trabalhamos com o ego. Nós só trabalhamos no sentido positivo. Deste modo, o lado negativo muda gradualmente para o lado positivo. Sob nenhuma circunstância nós perdemos tempo em algo negativo e não choramos que temos muitos atributos que não são bons. Isso deveria nos incomodar o mínimo!

Esse é o trabalho da Luz. A Luz virá e corrigirá tudo. Meu problema é atraí-la para mim. Mas se eu me sentar, chorar e me bater, nada virá disso. Nós só podemos atrair a Luz começando a elevar em importância os atributos através dos amigos, através do atributo da unidade, mostrando a todos que o queremos.

Assim, o nosso trabalho não está em aprender sobre meus maus atributos, saboreando-os, chafurdando neles e chorando amargamente: “Veja como eu sou mau!” Essa é a pior coisa a fazer. Ao fazer isso, nós estamos culpando o Criador por nos fazer assim, uma vez que tudo o que acontece vem Dele.

Pelo contrário, quando nós ansiamos pelo bem e começamos a entender e nos tornar conscientes de que todo o mau está simplesmente inscrustado e que parece que vale a pena para nós subir sobre ele e inclusive ansiar pelo bem, então tudo isso se torna muito necessário e importante. Mas isso é apenas quando ansiamos pelo sentido positivo!

Da Convenção em São Petersburgo 18/09/14, Lição Preparatória 2

Como Se Pede Pelos Outros?

Dr. Michael LaitmanPergunta: De qual estado nasce a oração? É de dentro da absoluta escuridão, quando eu não tenho entusiasmo e entendo que não consigo me conectar com os amigos, ou deve haver algum entusiasmo sobre esta unidade e conexão, ou eu devo chegar ao extremo dos limites de minha capacidade, quando não consigo conectar com ninguém, e daqui surge a intenção?

Resposta: Nem um, nem outro. Oração é o desejo que é inserido no sistema, acarretando movimento em seu interior. Como resultado disso, o sistema é alterado e reconstruído, e você sobe um nível mais alto. Pode ser que você não sinta isso, mas você começa o avanço. Uma operação como esta no sistema só pode existir quando você pede pelos outros.

Pergunta: Mas eu sou um egoísta. Como posso pedir pelos outros?

Resposta: Você tenta mecanicamente, fingindo como se estivesse pedindo pelos amigos. Esteja imbuído com isso, que eles estão ao seu redor. Até mesmo suas experiências serão mecânicas e falsas; isto não importa. Acima de uma mentira como essa, que é chamada de “receber para mim mesmo”, Lo Lishma (não em Seu nome), a Luz virá toda vez e começará a corrigi-la. Na verdade, não é mentira; pelo contrário, é o seu verdadeiro estado. Mas se você, como uma criança, tenta brincar de estar no estado certo, você vai crescer adequadamente.

Da Convenção em St. Petersburg 18/09/14, Lição Preparatória 2

Acoplado Ao Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu estive em Sochi por dez dias e vi como os amigos trabalhavam duro, como abelhas recolhendo o néctar das flores. Eu quero transmitir tudo isso não só para o grupo de dez, mas a todos! No entanto, parece-me que eu não posso fazer isso, é difícil para mim. Como eu faço para superar este medo, o que eu faço com ele?

Resposta: Este é um medo bom; preocupação com os outros é muito útil. Mas, ao mesmo tempo, isso deve ser em conjunto com a atitude correta para com o Criador.

Nós devemos trabalhar juntos com Ele como parceiros; isso é o que está faltando. Isto ocorre quando nós damos metade e Ele dá metade. Nós damos o nosso desejo, a nossa deficiência, e Ele dá o seu poder de correção para essa deficiência. Portanto, nós devemos sentir que estamos juntos com Ele numa única dança, num único movimento, ligados com Ele o tempo todo.

A sabedoria da Cabalá coloca você diante do Criador e começa a mostrar de que maneira você pode doar a Ele, de que maneira Ele doa a você, porque não há mais ninguém além de nós dois. Isto é o que está faltando em nossa preocupação, em nossa ansiedade e apreensão, para sentir que estamos juntos nisso com o Criador. Experimente a sensação de que estamos trabalhando juntos com Ele, como um casal.

Da Convenção em São Petersburgo 18/09/14, Lição Preparatória 2

Benevolência Sob Raios-X

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) é o dia mais importante do ano para o povo de Israel. Qual é o significado espiritual deste dia especial? Como devemos nos relacionar com ele, a fim de corresponder às suas raízes espirituais e transferir a nossa vida para um novo grau?

Resposta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) não é simplesmente uma tradição. Ele reflete um estado de espírito especial no desenvolvimento de uma pessoa. Não devemos olhar para este dia separadamente, mas como parte do ciclo de todo o ano.

Após a conclusão de um ano, sendo este o ciclo de mudanças internas, nós avaliamos tudo que passamos, o que é chamado de “arrependimento”. Assim, nós decidimos que isso é necessário para se subir a um novo grau, para se começar o ano novo (Rosh Hashaná), para fazer a transição para um novo estado, superior, mais puro e exaltado. Então, nós coroamos o Criador, a força de doação e amor, estabelecendo-O a reinar sobre nós como a propriedade mais sublime.

É quando nós começamos a nos julgar: será que nós estamos realmente na propriedade de doação? Todas as nossas propriedades são divididas em dez partes, dez Sefirot. E nós estamos esclarecendo que desejos nessas dez partes podem ser corrigidos, e quais não podem.

Em essência, a alma de uma pessoa precisa ser corrigida. E a alma é todos os nossos desejos, que ainda estão corrompidos e precisam de correção.

Pergunta: O que exatamente precisa ser corrigido: suas ações ou a alma?

Resposta: Em nosso mundo, as ações são realizadas com mãos e pés, ou através de palavras. Mas a sabedoria da Cabalá explica que o mais importante é a intenção corrigida, que é o verdadeiro desejo de uma pessoa.

Ações sozinhas não são suficientes, porque eu posso realizá-las simplesmente por hábito. Então, é realmente mais difícil para eu não fazê-las do que fazê-las. E estas podem ser as ações que eu de outra forma nunca teria feito na minha vida se não tivesse me acostumado a elas desde a infância.

Neste caso, já não é o cumprimento de um mandamento, mas tradições incutidas na infância que são executadas automaticamente. Para alguém poderia ser difícil realizá-las, mas para outra pessoa, é difícil não fazê-las.

É por isso que não estamos falando de uma ação, mas de uma intenção. Uma ação, afinal de contas, não muda: como a temos feito, assim vamos continuar. Mas, na intenção, na atitude de uma pessoa em relação à ação executada, sempre há mudanças.

A chave é a atitude de uma pessoa para com aqueles que a rodeiam. Afinal, “ama ao próximo como a si mesmo” é a grande lei da Torá. Este é o ponto de vista do qual eu preciso verificar a mim mesmo, a fim de ver o quanto sou capaz de amar o meu próximo.

A força superior é uma força de doação e amor, e nosso objetivo é nos tornarmos como ela. É por isso que precisamos alcançar o grau de homem, Adão, que significa semelhante (Domeh) ao Criador. Mas como podemos verificar isso? Onde está o médico que me irradiará com Raios X e me dirá exatamente o quanto sou semelhante ao Criador?

Esse médico não existe. Portanto, a pessoa precisa verificar a si mesma por conta própria. Este tipo de máquina de Raios-X requer uma luz especial, que nos abalisa. Esta Luz é chamada de Luz que Reforma.

Se eu estou estudando a verdadeira Torá, ou seja, a sabedoria da Cabalá, graças a ela eu começo a ver a verdade. Eu vejo o quanto sou egoísta, o que é exatamente é ruim em mim, e o que precisa ser corrigido, como se eu brilhasse Raios-X em mim mesmo.

Isso só é visível para mim, e os outros podem não notá-lo. Depois de eu ter me visto na imagem de Raios-X, torna-se claro para mim o que precisa ser corrigido. A Torá organiza esta imagem em que eu só vejo intenções, e apenas ao nível da profundidade que sou capaz de corrigir. Tudo o resto eu não vejo, e pode permanecer até o próximo ano.

Logo após o início do novo ano, eu me encontro nestas sessões de Raios-X, que são chamadas de dez dias de arrependimento. Eu irradio o meu coração, esclarecendo minhas intenções no que diz respeito aos que me cercam em cada ação, e recebo de volta as imagens.

A Cabalá explica que Malchut ascende à Bina e compara-se a ela. Malchut é o nosso desejo egoísta, que se eleva à Bina, o desejo de doação, esclarecendo o quanto difere dela, o quanto estamos longe de cuidar de nossos próximos, das boas relações, e como estamos apenas pensando em nosso próprio benefício.

Pergunta: O que é mostrado nestas imagens de Raios-X?

Resposta: Esta imagem é em preto e branco. Ela mostra o quanto de branco há em você, isto é, as intenções para o benefício de seu próximo. E o preto aponta para as intenções para o seu próprio benefício, que você pode corrigir.

Assim, o escopo do nosso trabalho nos é revelado. Este é um trabalho pessoal que está guardado cada um de nós, mas visa ao que é comum, à doação a todos, e através deles, ao Criador, visto que do amor pelos seres criados chega-se ao amor pelo Criador. O Criador é uma força, integrando todos juntos, e não algo que existe fora. Está escrito: “O Criador habita entre o seu povo”.

Assim, se eu me esforço em unir com todos e quero me transformar num todo com eles, eu revelo o sistema integral global que generaliza a nossa unidade, o qual é chamado de Criador. É assim que ele se revela em nossa percepção.

Portanto, durante o Yom Kippur, nós precisamos nos esforçar em amar o nosso próximo tanto quanto possível e o máximo possível, e mesmo para além do povo de Israel, estendendo-o a toda a humanidade. Esta é a razão pela qual durante o Yom Kippur é costume ler a história sobre o profeta Jonas, a quem o Criador instruíu a conduzir a cidade de Nínive, que simboliza o mundo, à correção.

De KabTV “A Nova Vida”, 30/09/14

Buscar O Diálogo Correto Com O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante anos nós temos vindo estudar Cabalá. Nós compreendemos o nosso caminho, nos esforçamos pela propriedade de doação, mas, no último momento, surge o medo de como combinar recepção e doação, ou seja, o medo diante da propriedade de doação. Eu entendo que isso deve ser feito não só para mim mesmo, mas em prol do Criador. Como podemos não temer isso?

Resposta: Quem lhe dá esses sentimentos? Quem controla seus sentimentos e sua mente? Quem está dentro de você e faz com que você tenha essas percepções? O Criador. Portanto, fale com Ele, na medida em que Ele aperta o controle em você, e configura seu aparelho sensual e pensante por meio de certa excitação.

Por qual motivo Ele está fazendo isso? Se você começar a se conectar com Seu trabalho e começar a explorar o que Ele faz com você e com que finalidade, você vai começar a sentir o Criador e a si mesmo como parceiros.

Afinal, Ele produz tudo, não em você, mas em seu suposto desejo, que Ele também criou e sobre o qual está trabalhando agora, causando certos distúrbios dentro dele. De acordo com estes distúrbios, você tem que encontrar a resposta correta do que você gostaria que Ele fizesse; ou você concorda que Ele faz algo que deseja, mas ensina a você como se relacionar corretamente com Ele. Comece a buscar o diálogo correto com o Criador.

No entanto, se você começar a fazer isso e não tomá-lo por meio do grupo, não vai ser o Criador, mas apenas as suas conclusões psicológicas, emocionais e mentais. O Criador está dentro do grupo de dez. Este é o problema de todos os psicólogos e outros pesquisadores que não conseguem entender onde Ele esconde.

Pergunta: Você disse que o desejo pela propriedade de doação se manifesta por um momento, e depois nós o perdemos, voltamos a senti-lo por um momento, e o perdemos novamente. A fim de sentir nossa união, nós devemos desejar tudo isso junto em um segundo?

Resposta: Um desejo coletivo de curto prazo não vai nos ajudar. Nós precisamos acumular certo potencial por certo tempo para que a nossa tensão seja correta. Isso é chamado de “mundo, ano, alma” (Olam, Shana, Nefesh). Ou seja, apesar de todas as transformações que estamos vivenciando, se dirigirmos isso corretamente para o objetivo, nos unirmos, encontrarmos o ponto superior entre nós, e nos aderirmos a ele, então nós acumulamos gradualmente a tensão necessária e a revelação do Criador ocorre.

Da Convenção em São Petersburgo 18/09/14, Lição Preparatória 2

Sozinho Num Mundo Infinito

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós sabemos que um grupo de dez amigos é um Partzuf espiritual. Como eu posso ver dez Sefirot entre dez “burros?”

Resposta: A palavra “burro” (Hamor) deriva da palavra hebraica “matéria” (Homer). Trabalhando num grupo de dez, você verá que destes dez burros (matérias), você é o mais baixo. Malchut e todas as outras nove Sefirot são categorias superiores e puras de doação. Você é o único egoísta não corrigido.

Você vai descobrir que a matéria de todos os nove burros está realmente concentrada em você. Isso significa que você “é o maior burro com um enorme ego e todos os outros diante de você não são pessoas, mas anjos, na categoria de amor e doação. Você vai entender que ninguém no mundo precisa ser corrigido, exceto você, e que todos os outros estão totalmente conectados com o Criador! Apenas você é a parte não corrigida da criação. Você deve olhar mais de perto e vai descobrir isso.

Da Convenção em São Petersburgo 18/09/14, Lição Preparatória 2