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Sob O Poder Do Temor

Dr. Michael LaitmanRabash, “Artigo 31”: Diz-se: O que o Criador exige de nós? Apenas temor diante Dele.

Isso significa que o Criador (um sistema da natureza superior que possui apenas uma força que se manifesta através do sistema) insere “algo” em nossos pensamentos… isto é, Ele nos faz uma pergunta.

Não há nenhuma outra força no universo, exceto “não há outro além Dele”. Claro, o Criador nunca faria uma criação que fosse contra Ele; no entanto, Ele criou o pensamento (contra Si mesmo) para que apareça o temor Dele…

É como se uma pessoa seguisse o Criador no seu desejo de encontrar e revelá-Lo examinando em que tipos de interações entre nós Ele pode ser encontrado.

Nós não podemos imaginar como isso é fácil. Tudo está bem diante de nós, mas nós olhamos para longe e não vemos o que está ao nosso lado. Não há nada além de uma barreira psicológica. Assim que mudamos e saímos de nós mesmos, nós começamos a sentir o Criador nas conexões entre nós.

Eu me movo em direção aos outros e saio de mim. De repente, revela-se que a força natural que conecta, regula e mantém tudo junto sob a forma de um perfeito equilíbrio existe bem aqui, junto conosco.

Nós somos aqueles que distorcem o equilíbrio e a harmonia de nossas intenções, desejos e relacionamentos egoístas. Nós sentimos que somos nós que estamos estragando o equilíbrio e a harmonia. Então, é claro que o mundo é algo que é criado exclusivamente por nós contra o pano de fundo da perfeição.

A realização se refere a procurar o Criador usando a fé acima da razão. A realização acontece quando encontramos as propriedades que estão além deste nível material, acima de nossas considerações terrenas e contrárias à nossa lógica. Todas as nossas percepções se originam do desejo de receber para o nosso próprio bem. É por isso que não podemos concordar com algo que contradiga este desejo.

Por outro lado, o mundo real está fora de nós; é a nossa percepção externa. Por isso é que a fé acima da razão é uma condição que todos nós temos que finalmente alcançar ao sentir as coisas que acontecem fora de nossas necessidades e aspirações naturais egoístas.

Por causa da questão do pecador, a pessoa tem que concordar repetidamente com o poder do Criador sobre nós. Este processo é chamado de “temor”.

As questões do pecador são o constante elevar das necessidades, demandas e pensamentos sobre as maneiras de agradar a nós mesmos. É um movimento permanente para nós mesmos. É quando nós cuidamos apenas de nós mesmos em todas as possíveis formas e em todos os níveis. As questões dos pecadores nos sãos dadas de propósito para que depois de nos livrarmos delas, começamos novamante a avançar.

E assim por diante, sem fim, nós caímos no egoísmo ao cuidar de nós mesmos em nossos pensamentos e desejos. Então, nós fazemos esforços e subimos novamente. Esse processo continua até que nos cansamos e nos recusamos a cumprir este trabalho. Ele continua até que chegamos a compreender que somente o ambiente pode nos apoiar nesse processo e nos ajudar a aprender a pensar nas outras pessoas.

Se ficássemos no estado de garantia mútua e mantivéssemos o pensamento sobre ajudar uns aos outros, não apenas a nós mesmos, tudo seria muito bom. Por que isso é assim então? Porque nós somos incapazes de pensar nos outros. Nós continuamos a cair em nossos próprios desejos. No entanto, se formos capazes de pensar nos outros e ao mesmo tempo, pedir ao Criador para nos ajudar, Ele irá estender a ajuda para nós já que Ele responde apenas a esses tipos de pensamentos e orações, porque eles são semelhantes às Suas propriedades.

Portanto, assim que começamos a aspirar servir aos outros e a pedir ao Criador para nos conceder assistência, Ele responde imediatamente e nos ajuda, uma vez que nós, o grupo e o Criador estamos na mesma sintonia e num movimento comum. Se fizermos isso por conta própria, sem o Criador, nada vai acontecer. Mesmo se nós estivermos junto com o grupo, não vai acontecer. Deve haver o sistema de um triângulo: eu, o grupo e o Criador.

Essa estrutura deve também ser acompanhada pelo temor. Nós temos que ser cuidadosos e vigilantes para não nos desviarmos do nosso caminho ou perdermos a direção correta. Nosso egoísmo irá nos separar, nos dividir interiormente e sussurrar: “Por favor, esqueça o Criador e o grupo. Nada há de errado em abandoná-los! A principal coisa é também pensar em si mesmo, ou apenas nos outros sem envolver o terceiro elemento.”

Neste ponto, nós precisamos de um apoio tremendo. Quantos mais nós participarmos deste movimento, melhor. A massa geral das pessoas que assegura um avanço absolutamente correto é chamada de 600000 almas.

É um número condicional que sequer é um número, mas um avanço geral que causa o impacto de Zeir Anpin em Malchut. Como Zeir Anpin consiste de seis Sefirot que influenciam Malchut, influenciando um ponto em Malchut com a Luz de Hochma, seu nível multiplica por 600.000.

Assim, ao receber apoio, nós realmente nos tornamos capazes de sentir temor e permanecer constantemente em estado de permanente aspiração para avançar.

Isto explica o significado da frase: “O Criador fez todos O temerem”. Cada estado ruim que a pessoa sente é essencial para mantê-la em seu estado atual.

Em outras palavras, se ela ainda não subiu as escadas da grandeza do Criador, ela não tem chance de superar a si mesma. Somente quando a pessoa sente a grandeza do Criador, seu coração se rende. Isso significa que ela já subiu os degraus do temor.

Como a pessoa pode entender que atingiu o estado de temor, o nível correto de excitação, e sabe como cuidar dos outros? Isso acontece quando ela percebe que ao cuidar os outros ela sente a satisfação do Criador. O Kli (vaso) só se torna corrigido quando recebe satisfação. Até então, nós temos que continuar procurando a realização, tanto em quantidade e qualidade para que nossa preocupação, apreensão e temor sejam formulados corretamente e coincidão com o nível que está acima do nosso ego.

Por isso, nós recebemos a grandeza do grupo, a importância dos nossos amigos, como um meio de conexão entre nós, como uma ferramenta de exercício. Isso é feito exclusivamente para sentir a satisfação do Criador no final do processo; a gratificação dentro de nossas dez Sefirot que só podemos sentir juntos na conexão entre nós. Quando nós nos amarramos num nó, nós começamos a nos sentir como uma unidade dentro do unificado.

Naturalmente, a pessoa desaparece quando chega a um estado de conexão global. Ela perde a “individualidade”. De um “eu” individual, ela muda para “nós”, de “nós” para a unidade onde “eu – nós – o Criador” é um todo. Diz-se: “Ele e Seu nome são Um”. O Criador é a Luz e Seu nome é um Kli (vaso).

Portanto, todas estas perguntas e outros inúmeros obstáculos levam a pessoa a sentir a necessidade do Criador, de Sua ajuda.

Em outras palavras, nós não somos capazes de fazer perguntas e sequer conseguimos corrigir erros, uma vez que quando nos deixamos levar, nós cometemos erros que imediatamente nos fazem cair. A fim de cometer erros corretos, nós temos que aspirar a avançar. É dito: “Eu criei a inclinação ao mal e a Luz para corrigi-la”. Como o mal se manifesta? Onde o podemos detectar e vê-lo?

Acontece que estas palavras não são sobre o mal que existe neste reino material, e não é o mal de nossos relacionamentos mútuos. Nem uma única pessoa no mundo sabe o que o mal feito pelo Criador é na verdade. A maldade que deve ser corrigida se revela em nós apenas quando aspiramos à unidade no caminho certo.

Se nós aspiramos pela unidade e nos esforçamos em nos conectar corretamente no avanço mútuo e se ao compartilhar o temor, nós conseguimos ajudar os outros, não só a nós mesmos, então podemos começar a sentir nossa natureza egoísta, percebemos quão fortemente somos repelidos por ela e quão extensivamente nós odiamos, não só uns aos outros, mas também a nós mesmos. Esta revelação é tão nojenta que a repelimos. Nós paramos de procurar por outras qualidades negativas internas.

Neste momento, ocorre o reconhecimento do mal. O Criador nos avisa antecipadamente que é Ele quem fez a inclinação ao mal e que somos nós que devemos revelá-la ao aspirar por Ele. Então, nós precisamos de um tipo especial de temor. Nós temos que fazer esforços não para nos esquivar deles, e nos controlar, inspecionar e verificar regularmente.

Nós temos que dar uma olhada se nós evitamos inconscientemente a revelação do nosso egoísmo como algo muito desagradável para nós. Pelo contrário, nós temos que apreciar o processo de revelação do mal dentro de nós, uma vez que é uma etapa essencial no nosso avanço. É por isso que temos que estar preparados para lidar com sensações muito desagradáveis e apreciá-las, porque elas estão acompanhando o nosso avanço rumo ao Criador.

Ao mesmo tempo, nós nunca devemos esquecer sobre a grandeza do Criador. Não podemos imaginar o que é a força superior, o que, de fato, existe no universo e não apenas na imagem limitada que sentimos agora. É impossível compreender em que medida a imagem que habita em nossos pensamentos e sensações é artificial.

Os cientistas já descobriram que estamos num estado dormente, que vivemos de ilusões e dentro de uma matriz que cria uma imagem distorcida, um sonho. Nosso egoísmo nos tranca dentro de nós mesmos, razão pela qual consideramos tudo o que acontece como se acontecesse dentro de nós. Somente quando nós saímos e paramos de nos sentar na concha de nós mesmos é que começamos a sentir o mundo real.

Antes que isso aconteça, é muito difícil visualizar o que é a realidade superior. Não é como o nosso universo, nada como o sistema solar e a Terra ou a sua superfície. Nós apenas visualizamos estas coisas como se estivéssemos dormindo, em nossos sonhos.

Da Convenção em São Petersburgo “Dia Um” 19/09/14, Lição 1

O Temor Que Não Sentimos

laitman_289Pergunta: A conexão de medo e amor é de temor pelo Criador? Ou será que é uma nova sensação que, por enquanto, não é revelada em nosso mundo?

Resposta: Nós não estamos falando do que é revelado em nosso mundo, ou seja, nos desejos egoístas. Visto que não há nada neles, exceto o medo animal por sua existência corpórea e amor pelos prazeres que preenchem a sua existência animal.

Nós não estamos falando do que é sentido no corpo animal, mas tentando nos imaginar existindo na doação, onde reinam dois atributos: o amor e o temor. Nós só pensamos no que está acontecendo fora de nós, ou seja, o que nos direciona externamente aos outros e através deles ao Criador, ao atributo de amor e doação geral.

Pergunta: Por que não sentimos esse temor que você está falando?

Resposta: Isso é um sinal de que vocês ainda não passaram pelos discernimentos necessários ao seu avanço.

Quando uma pessoa está muito preocupada com alguma coisa, está agitada e preocupada, um sentimento aparece em que ela está se esforçando e não está recebendo o que deve. Então ela começa a pensar: “Qual é o problema? Isso deve ocorrer, mas não está ocorrendo”.

“Eu tenho estudado tantos anos, tantos anos trabalhando em mim mesmo, fazendo um monte de disseminação. Eu tenho feito tanto. O que eu ainda não completei? Onde eu errei? Por que não vejo nenhum avanço? Pode ser que o avanço seja que eu não o vejo!? Mas eu também preciso saber isso”. Isto significa que há uma demanda que surge para a pessoa, mas ela surge de acordo com seus esforços.

Da Convenção em São Petersburgo 19/09/14, Lição 2

Temor: A Base Para Um Trabalho De Sucesso

laitman_938_07Pergunta: Depois de duas horas de trabalho no workshop, nós recebemos a sensação de satisfação e alegria da conexão. Qual deve ser o nosso próximo passo? Qual deve ser a nossa oração para não “desperdiçarmos” este estado em vão?

Resposta: Nós começamos o nosso workshop com temor. Não podemos esquecer que esta é a base para um trabalho bem sucedido. Tudo o que fazemos se baseia nisso. O que quer que eu possa estar fazendo fisicamente, onde quer que meus pensamentos possam me levar, eu estou sempre monitorando meu receio: “Eu tremo por dentro? As minhas esperanças e aspirações estão se tornando realidade? Eu estou avançando ou não?”

É bem possível que eu esteja caindo em como eu me sinto. Isso é bom ou ruim? Em muitos eu vi que não estavam felizes, porque acreditavam que aqui eles seriam elevados nas asas do amor. Enquanto outros percebiam isso como o estado certo e identificaram corretamente o grau de temor.

Assim, quando começamos a nos preocupar: “O que está acontecendo comigo?! Por que não estou ascendendo?! Por que não estou na conexão correta com os outros?! Onde está o meu ardor, indignação, desespero?!”, então há o temor de que há algo errado com o que está acontecendo comigo. Este é um excelente estado!

Não é à toa que o primeiro mandamento é chamado de mandamento do temor, medo, preocupação. Mas não só de nós mesmos, mas de como vou ser capaz de chegar verdadeiramente à qualidade de doação.

Que tipo de temor pode existir na propriedade de doação? Em primeiro lugar, subindo acima de si mesmo, anulando-se, pois só assim o temor pelos outros surge em mim. Eu busco apenas ver aonde e como posso ajudar meus amigos a se conectar uns com os outros e sentir esse temor de uma forma que isso permeasse a todos. Temor significa cuidado mútuo, preocupação mútua para que cada um de nós possa ser um elemento correto para os outros.

Ao mesmo tempo, eu dirijo o meu pensamento para todo o grupo mundial. Será que vamos ser capazes de conseguir isso? Será que vamos finalmente pensar nisso constantemente? Eu preciso ter o cuidado de cumprir minha missão no que diz respeito a todos os amigos do mundo! Este é o que contém o meu temor e não um temor egoísta pelo meu próprio eu.

Eu preciso me preocupar com todos, sentir os amigos como uma mãe sente seus filhos. É atenção interna e suporte. Não vamos alcançar nada se navegarmos nas ondas do nosso egoísmo. E se não estiver dando certo, clamar, orar, pedir. Mas nós precisamos estar fazendo alguma coisa.

Agora, nós recebemos uma adição de egoísmo. Antes do Congresso, nós estávamos inspirados, prontos para nos agarrar no que fosse preciso para não voar. Agora, ao contrário, não sabemos como subir. Essas são as regras: para superar esse grau, nos recebemos um peso adicional, e temos que levantá-lo.

Nós precisamos fazer isso junto. Nós devemos sentir a nós mesmos como interconectados, apoiando um ao outro.

Eu também investi muito esforço, tempo, saúde e vida, a fim de que algo desse certo. Eu também olho para tudo isso, assim como cada um de vocês, do ponto de vista da implementação. Nós dependemos uns dos outros. Assim como o meu sucesso é determinado por vocês, cada um de vocês determina o sucesso de todos.

Da Convenção em São Petersburgo 09/09/14, Lição 2

Temor Espiritual Não Pode Ser Sem Amor

Dr. Michael LaitmanNo Livro do Zohar, está escrito: Evocar o temor de ambos os lados do amor (durante os períodos de “julgamentos” e períodos de misericórdia e benevolência) é essencial. Durante o tempo de misericórdia e sucesso em Seus Caminhos, é necessário que o temor desperte diante do Criador para se evitar cometer pecados e evitar que nosso amor por Ele “esfrie”.

Não existe tal coisa como o temor da punição. Não há punição alguma. Só para o nosso desejo egoísta parece que estamos sendo punidos por nossos erros.

Semelhante à forma como nós egoístas nos relacionamos neste reino, nós assumimos que há recompensa ou castigo para tudo. Toda a nossa vida se passa entre essas duas categorias e esclarecimentos: “Como eu posso me sentir melhor, como posso me recompensar? Como posso me esconder de punições?”

O caminho espiritual encontra-se acima deste nível. Não há qualquer ajuste de contas egoísta, nem com o sinal de mais nem com o de menos. Lá, não tem nada a ver com recompensas ou retribuições. Na espiritualidade, nós somos os únicos que criam uma escala de recompensas e reembolsos espirituais.

Quando a pessoa recebe a chance de se preocupar com os outros, é uma recompensa. Se por algum motivo ela é incapaz de cuidar dos outros, considera-se que seja um castigo.

A verdadeira realidade só pode ser alcançada quando expomos nossos sensores corporais fora de nós mesmos e começamos a sentir a vida não internamente, mas externamente. Nós temos que reconhecer e senti-la. É por isso que se diz: “Você vai ver o seu mundo enquanto ainda estiver vivo”. No entanto, mover-se nesta direção só se torna possível se conectarmos temor com amor.

Dos artigos do Baal HaSulam e do Rabash e pela nossa própria experiência, nós sabemos que o amor nunca vem sem temor. O verdadeiro temor espiritual não pode ocorrer se não for acompanhado pelo amor. Nós trememos porque estamos com temor de que o nosso amor possa enfraquecer ou que o amor daqueles que se preocupam conosco diminuirá. Nós estamos em perigo, não porque só gostamos de estar juntos como dois egoístas que estão muito contentes por estarem juntos. Em vez disso, nós nos preocupamos que não vamos deixar que o Criador nos ame porque não O agradamos amando ao próximo.

Estas são sensações comuns. Nós as experimentamos somente no nível do temor. O temor é necessário para nos fazer subir acima do nosso egoísmo e trabalhar com ele inversamente.

…A fim de evitar cair na maldade e diminuir nosso amor pelo Criador, nós temos que conectar o temor com amor.

O mesmo acontece no “outro lado do amor”, no momento dos julgamentos rigorosos quando Ele nos julga por nossos atos. O despertar de temor diante do Criador é essencial para que nós não vamos caíamos no estado de julgar a nós mesmos de acordo com critérios egoístas.

Da Convenção em São Petersburgo 19/09/14, Lição 1

Não Devemos Deixar O Amor Esfriar

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Carta no 2: Eu aconselho você a temer que seu amor possa esfriar, mesmo que nossas mentes rejeitem essa possibilidade.

Quando nós estamos apaixonados, parece vai durar para sempre. No entanto, nós sabemos que neste mundo tudo é temporário. Este estado de coisas também se aplica à espiritualidade, uma vez que lá nós também continuamos subindo nas próximas etapas. Assim, é natural que os estados atuais desaparecerão lá também. É por isso que não há nada que seja permanente e por isso qualquer condição será sempre substituída por outra, seja uma ruim com uma boa, ou uma boa com uma ruim.

Ainda assim, faça todos os esforços possíveis para multiplicar o amor. Se há uma maneira de aumentar o amor, mas a pessoa não aproveita, isso é considerado uma “omissão”. É “como se” a pessoa desse um grande presente para um amigo: o amor que se revela no coração de seu amigo no momento de dar é diferente do amor que permanece no coração de seu amigo após o ato de dar acabar.

Em outras palavras, o amor desaparece gradualmente. Ele “esfria” a cada dia na medida em que vai completamente embora e chega a uma fase de esquecimento. É por isso que o beneficiário da doação deve procurar os caminhos para considerar o ato de dar como recorrente e novo a cada dia.

Isto é, nós temos que renovar constantemente a sensação de amor e nunca permitir que os nossos sentimentos esfriem. Tudo acontece dentro de nós. Para manter essa sensação, nós não temos necessariamente que receber novos presentes a cada vez. Esta regra também se aplica a unidade entre nós que deve ser instigada numa base contínua.

Nós chegamos a um estado em que cada um de nós se preocupa com os outros como se eles fossem nossos filhos pequenos, os nossos entes mais próximos e queridos. Assim, nós nos esforçamos em dar a eles tudo o que eles querem. Se conseguirmos fazer isso, vamos fornecer aos outros tudo o que eles realmente precisam, e o Criador se manifestará entre nós como resultado da nossa equivalência com suas propriedades.

Nossa atitude para com o outro e Sua propriedade de amor e doação absoluta vão de alguma forma coincidir. Pelo menos eles vão chegar ao primeiro nível de equivalência entre os 125 degraus. É a questão mais importante para nós. Nós estamos num estado de prontidão permanente e tudo está em nossas mãos.

Nós devemos constantemente pedir ao Criador para dar aos amigos tudo que eles querem, ou seja, correção e revelação. Revelação é a propriedade de doação e amor entre nós. Isso é exatamente o que queremos dizer com o termo temor: um estado de se preocupar com os nossos amigos que é semelhante ao cuidar de nossos filhos de dois lados, pelo julgamento e pelo amor.

Do lado do julgamento, nós devemos realmente nos preocupar que vamos perder a chance como fizeram os alunos do ARI quando ele os convidou a ir à Jerusalém para levar o mundo a um estado de correção. Naquela época, tudo apoiava a força superior para ser revelada a eles, na medida em que a força superior estava pronta para agir neste mundo e corrigi-lo. No entanto, os alunos do Ari encontraram desculpas para não obedecer o convite do seu professor. Alguns deles não apareceram porque suas esposas não quiseram deixá-los ir e outros estavam ocupados.

Isso explica por que temos que manter o estado de temor e nos preocupar que não teremos sucesso. Em cada momento e minuto, nós temos que esclarecer como devemos tratar os outros e apoiar o Kli (vaso) general de uma forma que ele finalmente chegue a certa condição que permitirá que o Criador se revele a nós.

É como se nós estivéssemos enfrentando atualmente o Juiz, e como se recebêssemos a última oportunidade, ou fosse concedida a palavra final. Imagine-se neste estado! Visualize que estamos diante do julgamento e que temos que preenchê-lo com amor mútuo. Nós só vamos ser capazes de fazer isso se pedirmos ao Criador para preencher as lacunas entre nós.

Não somos nós que nos aproximamos em nossos corações, mas sim é o Criador que preenche o vazio egoísta entre nós com amor. Quando a distância entre nós é multiplicada pelo amor, uma conexão de grande intensidade emerge. É por isso que a nossa proximidade só acontece devido ao Criador preenchendo os espaços vazios entre nós. Ele nos conecta, coordena e une. É por isso que o nosso trabalho é chamado de obra do Criador (Avodat a-Shem).

Nós só O atraímos para fazer o trabalho de corrigir e reforçar a nossa conexão.

Da Convenção em São Petersburgo 19/09/14

Se Eu Não For Por Mim, Ninguém Vai Me Ajudar

laitman_259_01Nós precisamos usar a frase, “Não há outro além Dele”, com muito cuidado e não ceder a ela em todas as circunstâncias, justificando a nós mesmos.

Será que você alcançou Aquele de quem você diz: “Não há outro além Dele?” Não. Contudo, você usa essa expressão sempre que for conveniente para você. Você não tem o direito de usar como uma máxima o que os Cabalistas obtiveram com seus Kelim (vasos) de realização. Você não os tem! No entanto, você leva este conceito como uma fórmula pronta e começa a usá-la. Isso é errado; você não pode fazer isso!

Tudo o que eu digo decorre dos Kelim em que existo atualmente. Se eu tenho esses sentimentos e realizações dentro de mim, eu devo prosseguir a partir desta fórmula, porque sou capaz de operá-la, e, se não, qual é o uso de minhas palavras?

Se eu não estou nesse nível, por que deveria estar pensando nele e imaginando algo assim? Se eu estou simplesmente estudando teoricamente, esta é uma questão diferente. No entanto, na prática, ao trabalhar no grupo, se eu sempre vou dizer, “Não há outro além Dele”, não vou crescer e vou continuar a ser um pequeno animal. Todos os crentes religiosos dizem isso.

Pergunta: Como o conceito “Não há outro além Dele” se liga ao fato de que devemos ativar nossos próprios esforços?

Resposta: Antes de iniciar o trabalho, a pessoa não aceita o princípio, “Não há outro além Dele”, e faz tudo por seu próprio esforço.

Na Carta # 16, Baal HaSulam escreve que cada dia antes de começar a trabalhar, a pessoa precisa dizer: “Se eu não for por mim, quem será por mim”, e fazer o que for necessário para ganhar o pão de cada dia.

No entanto, à noite, depois de ter terminado o seu trabalho, ela diz: “Não há outro além Dele”, porque o Criador pensou nela com antecedência, e ela ganhou tudo não devido a seus próprios esforços, mas porque isso estava prestes a ocorrer.

Da Convenção em São Petersburgo 21/09/14, Lição 6

Exija Explicações Do Criador

Laitman_514_02Pergunta: Nós sempre dizemos: “Não há outro além Dele”, e usamos isso em todos os lugares como um plugue. Se, por exemplo, alguém me machuca ou me irrita, eu reajo em conformidade, mas então eu me lembro “Oh, mas isso veio do Criador. Bem, já que é Dele, então está tudo bem”.

Como podemos chegar a tal estado, quando eu reajo ao amigo com a mesma admiração que faço para com o Criador: “Ah, mas esse é meu amigo!”

Resposta: Isso é incorreto. Nós não conseguimos alcançar o Criador, e é por isso que você diz, “Ok!”, reafirmando a si mesmo e concordando com o que está acontecendo. Esta é a complacência, como se costuma dizer, “O ópio para as massas”.

Na realidade, é preciso que haja a realização do absoluto perfeito. Quando você realmente entender, sentir e alcançar o Criador, então o seu acordo com Ele irá adquirir uma força real.

Até então, você continuará consolando-se com “Não há nada a ser feito. O Criador é …” Como eles escrevem em apólices de seguro, “Atingido por um raio; nada poderia ser feito. Quem é o culpado? É uma força externa”.

Pergunta: Talvez haja uma falta de análise aqui?

Resposta: É só uma falta de realização! Esta não é uma questão da mente, mas de órgãos de realização, os Kelim (vasos). É necessária uma reação correta.

Em primeiro lugar, nós temos que exigir que se torne claro exatamente o que está acontecendo. Exija, e não simplesmente concorde, uma vez que, com isso, você passa por cima de tudo o que Ele está fazendo com você. Ele quer desafiá-lo a um sério sentimento mútuo, um esclarecimento, mas você preventivamente concorda, “Não, não, não há necessidade disso; está tudo bem”.

Exija esclarecimentos do Criador!

Da Convenção em São Petersburgo 21/09/14, Lição 6

Irradiar Alegria E Energia

laitman_939_01Comentário: Eu tenho essa sensação de que em nosso Grupo de Dez não observamos as regras do workshop. Se fôssemos observá-las, a conexão seria alcançada muito mais rapidamente. Eu acho que é por isso que estamos apenas prejudicando os outros círculos.

Resposta: Veja como as crianças pequenas crescem, quantas quedas levam, quanta bagunça fazem, e quantas coisas quebram. Nós estamos passando por estados muito sérios e intensos.

Primeiro de tudo, nós temos que agradecer ao Criador pelo que estamos passando. Insatisfação e crítica não são ruins. No entanto, por outro lado, nós precisamos entender que sofrer quedas, solavancos, levantar-se, chorar, etc., tudo isso é necessário e natural. Sem isso, nem os humanos nem os animais poderiam se desenvolver. No entanto, para os animais tudo isso acontece instintivamente, enquanto que para nós é através de tentativa e erro.

Apesar do conselho dos sábios, das fontes e instruções originais, a pessoa ainda não sabe o que está fazendo, no que está se metendo, e onde está indo. Ela simplesmente concorda com tudo, porque está sendo empurrada em direção a isso de cima, sendo acionada desde dentro. Aos poucos, nós estamos começando a perceber cada vez mais com o que estamos lidando, os estados que estamos atravessando, tanto contra a minha natureza e junto com a minha natureza.

Não devemos passar por cima deles, pois vale a pena tentar sair da nossa natureza original, porque se aprofundar mais só é possível quando você está tentando sair dela, somente no sentido positivo.

Ao fazê-lo, a pessoa não deve mergulhar em seus sentimentos, devorar sua própria carne, chorar no ombro de alguém e revelar a fraqueza para si e os outros, e se pode lhe parecer que você é uma pessoa de verdade e agir de acordo com seus sentimentos, então você não será capaz de se mover nessa direção, pois deve ser sempre no sentido da Luz.

Por isso, nós sempre devemos estar representando um diante do outro, mostrando entusiasmo, apoio, felicidade e realização. Todo mundo deveria ter um enorme sorriso vibrações efusivas de felicidade como se já tivéssemos recebido o que desejamos. Nós precisamos estar firmemente conectados uns aos outros e sentir que juntos somos um todo indivisível.

Na Torá está escrito que um grande número de pessoas saiu do Egito e se dividiu em dezenas, centenas e milhares. Se começássemos a somar esses números, teríamos uma população de muitos milhares, todos interconectados.

Além disso, a divisão em dezenas é necessária para que possamos unir num trabalho interno. É por isso que eu estou pedindo: misturem-se entre vocês. No entanto, mais importante, façam isso com um sorriso e coração aberto.

Cada um de nós é responsável por todos os outros. Se alguém está de mau humor, tem um vazio em seus olhos, e assim por diante, então eu sou responsável por tudo o que está acontecendo com ele. Isso significa que eu não estou irradiando a alegria e a energia que deve preencher todos. Se eu me relaciono corretamente com todos e quero irradiar energia positiva, eu certamente vou começar a receber de Cima.

Assim, tudo o que pudermos estar fazendo, estamos pensando em como preencher todos os outros com alegria, felicidade, confiança e garantia mútua.

Da Convenção em São Petersburgo 21/09/14, Lição 3

Na Conexão Entre Nós

laitman_942Meu objetivo na Convenção de São Petersburgo era garantir que cada um de nós fosse capaz de admitir para si mesmo que a espiritualidade é alcançada na conexão entre nós, e não em qualquer outro lugar.

Se uma pessoa quer alcançar o mundo espiritual, ela deve pensar em imergir profundamente na rede que a conecta com os outros amigos e com toda a humanidade. Só através desta rede nós podemos visar ao Criador em intenções e ações.

É por isso que eu procurei isso para entrar em sua mente e sentimento, para que vocês pudessem sentir que isso é possível e que a nossa unidade, de certa forma, já está aparecendo entre nós.

Nós estamos trabalhando com desejos. Eles são muito semelhantes, muito próximos um do outro. Retirem a si mesmos das características externas e traços de personalidade dos amigos, porque quando vocês começam a trabalhar com uma pessoa internamente estas coisas não têm significado.

O que nós podemos fazer para que com qualquer pensamento sobre a espiritualidade, cada um de pense no grupo e não em si mesmo pessoalmente? Como podemos nos acostumar a fazer isso? Este é o nosso maior problema.

No entanto, nesta Convenção nós já começamos a perceber que a espiritualidade é alcançada através da interconexão geral. Nós mesmos criamos e construímos o mundo espiritual. Não há mundos superiores. Há uma força potencial, chamada Atzmuto, a essência inatingível do Criador. Assim que nós criarmos o substrato correto entre nós, esta força instantaneamente se manifestará com todos os seus elementos.

Portanto, a coisa mais importante para nós é perceber que a espiritualidade existe internamente, na conexão entre nós, e a partir daí o Criador já está ao nosso alcance.

Da Convenção, em São Petersburgo 21/09/14, Lição 5

Esforçar-se Pela Conexão Ideal

laitman_943Pergunta: No meu trabalho espiritual, eu sou incapaz de me conectar com o Criador e o grupo. O que devo fazer?

Resposta: Quem me deu esse grupo? Quem me trouxe a ele, organizou tudo? Quem dirige todas as pessoas que estão sentadas na minha frente?

No grupo de dez, há nove pessoas além de mim, e todas estão prontas para se unir comigo. Quem está dirigindo a todos, quem os escolhe, prepara e empurra para conexão com o outro? Que força faz tudo isso se não o Criador? Não há nenhuma outra força. Eu só preciso revelar como Ele faz isso, como Ele guia a todos pelas cordas, como um mestre de marionetes, e de que maneira Ele nos reúne.

E onde eu estou? Quem de nós tem livre arbítrio, onde ele se manifesta e em que o movimento interior preciso?

Então eu começo a pensar, a olhar para os outros e perceber que o Criador fez tudo, e Ele nos deu a oportunidade de aumentar o desejo de conexão mútua, a fim de revela-Lo, de modo que de mestre do fantoche oculto Ele se torne um mestre revelado, aquele que irá preencher todos os espaços vazios entre nós. De repente, com todas as nossas forças, propriedades e intenções, com nossos desejos e pensamentos, nós começamos a nos completar de uma forma que organiza um sistema perfeito, onde todos se encaixam de forma ideal.

Portanto, além da possibilidade de se conectar perfeitamente, para aspirar à unidade, tudo o resto é feito pelo Criador. Nós só precisamos mostrar o movimento em direção à conexão ideal. E isto também será feito por Ele, mas nós precisamos tentar nos manter aspirando por isso.

Nós não sabemos, não entendemos, e não sentimos. Nós só queremos que isso aconteça, com a ajuda Dele.

Da Convenção em São Petersburgo 19/09/14, Lição 2