Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

A Divisão Do Povo De Israel

Dr. Michael LaitmanO Sumo Sacerdote é o ponto mais alto, a maior intenção com a qual uma pessoa se comunica com o Criador. Em nosso mundo, ele era escolhido pela grande assembleia.

A divisão hierárquica do povo de Israel começou no tempo de Moisés. Depois que ele recebeu a Torá e levou o povo ao deserto, seu sogro Jetro ensinou-lhe como organizar corretamente a hierarquia do povo.

Antes disso, as pessoas sempre estavam num círculo, reunidas em torno do Monte Sinai e sentindo que eram iguais. No Êxodo do Egito, elas precisaram trabalhar nas três linhas, integrando corretamente seus desejos egoístas, organizados de acordo com uma hierarquia com a intenção altruísta que tinha que ser circular. Isso aconteceu porque apesar de estar dirigida ao Criador, ela era derivada do centro do círculo. Como é possível integrar essas duas coisas? Para isso, Jetro deu a Moisés um método para lidar corretamente com as pessoas.

As pessoas devem ansiar em se tornar redondas em sua intenção, mas não na sua obediência mútua com movimentos em direção ao Criador. A igualdade pode ser apenas na intenção, porque desde o início os desejos não são nossos. Eles são dados a cada um de nós desde Cima.

Jetro sugeriu dividir as pessoas em dezenas, centenas, milhares, e assim por diante. Cada uma das doze tribos foi para seu acampamento. Foram proibidos todos os tipos de unificações e conexões entre elas. Por exemplo, não era permitido se casar com outras pessoas de outra tribo. Cada tribo tinha que se manter, mas, ao mesmo tempo, elas tinham que avançar juntas.

A combinação correta entre os indivíduos e uma única unidade foi revelada através da escolha de ministros para dezenas, centenas e milhares, enquanto o Sumo Sacerdote era escolhido da tribo de Levi, que era composta somente de levitas e sacerdotes (Cohanim).

Desta forma Jetro estabeleceu e organizou o trabalho hierárquico com o ego, porque ele tinha sido um agente do Faraó. No entanto, como ele conhecia precisamente todo o sistema do Faraó, ele podia ser um intermediário entre o Faraó e Moisés.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 21/05/14

Venham Depressa Para A Terra Prometida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde nós estamos hoje? O povo de Israel deixou o Egito, recebeu a Torá no Monte Sinai, entendeu que tinha algum tipo de tarefa, uma missão, e depois? Que tipo de tarefa foi colocada diante de nós hoje?

Resposta: Nossa verdadeira tarefa hoje é desenvolver o povo de Israel na terra de Israel, de modo que eles saibam o que devem fazer para se sustentar e continuar a existir.

Quando o nosso povo garantir a sua existência, eles deverão explicar por que existem, por qual propósito superior. Só se realizarmos este propósito superior e ansiarmos em levar toda a humanidade à adesão com o Criador é que merecemos estar conectados com Ele.

Este conhecimento deve chegar ao povo, e nós vamos atrair a Luz que deve nos iluminar quando vamos nos depararmos com isso através do nosso desejo de se conectar e servir de exemplo ao mundo inteiro. No entanto, se não nos conectarmos, essa mesma Luz vai nos iluminar por sua parte de trás.

Se não estamos prontos para abordar esta Luz, ela vai ser revelada em nós de uma maneira oposta, e, como resultado, vamos experimentar desgraças, como guerras, desastres e outro holocausto como o que passamos há 70 anos.

Nós vemos no dia a dia como a situação do mundo está se desenvolvendo e se tornando pior. Todo mundo está começando a falar sobre o antissemitismo como se fosse um fenômeno normal. Ninguém tem mais vergonha, e ninguém o considera ruim. Inglaterra, Escandinávia e Espanha, basicamente todos eles, são reconhecidos como sendo abertamente antissemitas, como se isso fosse autoevidente.

Na verdade, eles estão certos, afinal de contas, nós não temos transmitido o método de correção ao mundo. Nós não temos realizado a nossa obrigação.

Comentário: O problema é que nem todo mundo acredita que esta é realmente a nossa obrigação, a nossa função.

Resposta: É necessário ouvir o que os sábios, os Cabalistas, dizem. Não temos outra escolha. Nós nunca iremos alcançar a verdade, enquanto não tivermos corrigido a nós mesmos e não alcançarmos a revelação. Portanto, não podemos sentar e esperar até que a verdade se torne conhecida de nós. Ela nunca será conhecida de nós, se não avançarmos em direção a ela.

Nós acolhemos todos neste mundo à conexão e unidade simples. Nós não somos obrigados a esperar até os céus se abrirem e vermos o mundo espiritual. Sente-se num círculo com outros e em 20 a 30 minutos você vai ver como você começa a sentir este poder superior. No centro deste círculo, no centro da nossa conexão, nós sentimos a origem de uma força única.

Isso é possível e deve ser feito de forma rápida entre todos os filhos de Israel! O problema é que não é à toa que esse povo é chamado de “dura cerviz”. Apesar de tudo isso, você não deve se desespere, pois o povo de Israel em relação a todo o mundo é como os Cohanim e levitas entre o povo de Israel.

Embora ainda não estejamos prontos para ser Cohanim e levitas, o povo de Israel que almeja ser Yashar El (direto ao Criador), seremos obrigados a isso, visto que o mundo vai exigir isso de nós.

No momento em que começarmos a perceber seriamente essa tarefa em conjunto, e no momento em que começarmos a realizar essa unificação do povo de Israel, o mundo inteiro vai sossegar. Todo mundo vai olhar para nós e dizer: “Veja o que eles estão fazendo! Vamos esperar. Eles iniciaram algo especial”.

As nações do mundo vão sentir isso, porque dentro delas estão as raízes da quebra devido ao pecado de Adão HaRishon com a árvore do conhecimento, e se Israel começar a corrigir esse pecado, as nações do mundo vão sentir isso, “Oh! Eles estão fazendo essa correção! Nós nem sabíamos que era possível corrigir isso e chegar mais perto, enquanto que os judeus estão fazendo isso!”

As nações do mundo irão imediatamente mudar a sua atitude em relação a nós. Nós começaremos a correção e ela será imediatamente conhecida pelo mundo inteiro. Nós nem sequer precisamos anunciar isso. Não muito tempo atrás, eu publiquei um grande artigo no maior jornal americano, The New York Times, e depois disso, no jornal inglês The Telegraph e no jornal italiano Corriere Della Sera. No entanto, no futuro, não haverá necessidade de anunciar nada. As próprias nações do mundo vão escrever sobre isso, porque elas mesmas vão sentir isso.

No entanto, se não as levarmos a tal correção e não realizarmos a nossa missão, o antissemitismo, que estamos testemunhando agora, vai continuar a crescer. Então, venham. Vamos atravessar o deserto rapidamente e chegar à terra de Israel.

De KabTV “Os Capítulos da Torá com Shmuel Vilozni” 02/02/15

Seiscentos Mil Amantes Leais


Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”: Com essa responsabilidade coletiva, cada membro da nação se tornou livre das preocupações com as necessidades do seu próprio corpo, e pôde observar a Mitzva, “Ama ao próximo como a ti mesmo”, em toda a sua extensão, e dar tudo que tinha a cada membro necessitado, pois não se preocupava mais com a existência do seu próprio corpo, já que sabia que agora havia seiscentos mil amantes leais, prontos a lhe prover subsistência”.

Eu vou ter sucesso na obtenção da garantia mútua com a condição de que vou sentir segurança pessoal. Essa segurança vem do ambiente que me mostra que está preocupado comigo, tanto que neutraliza em mim qualquer necessidade de pensar em garantir minha existência. Portanto, eu dependo do ambiente. A principal coisa é encontrar um ambiente que me influencie com o poder da garantia mútua, pois através disso, eles neutralizam meu ego e me forçam a esquecer de mim mesmo e amar os outros.

Isto significa que tudo se encontra nas mãos da sociedade que pode me transformar num amante de todo o povo, só se eu quiser isso. É possível pegar a pessoa mais cruel e incontrolável, e se todos nós a cercarmos com garantia mútua, ela será forçada a alcançar o amor ao próximo.

Uma pessoa depende cem por cento do ambiente. Mas o seu trabalho é obrigar o ambiente a influenciá-la com a ajuda do poder da garantia mútua. Na medida em que ela faz isso, conforme ela se torna sensível a receber o poder da garantia mútua dos outros, dessa forma ela atinge o amor ao próximo.

Mas este é um círculo fechado. Mesmo o melhor ambiente não vai ser capaz de transmitir o poder da garantia mútua a uma pessoa, se ela não tiver sensibilidade. Nós reconhecemos em nós mesmos o quanto somos insensíveis às influências externas. Na infância, nossos pais se esforçavam em nos influenciar, mas nós os desanimávamos. Portanto, por seu lado, a pessoa deve influenciar a sociedade, e na medida em que faz isso, ela se torna cada vez mais sensível à influência da sociedade.

A influência deve ser mútua. Não podemos tomar pessoas comuns e cercá-las com o poder da nossa garantia mútua, porque elas se tornarão ainda mais egoístas. Nós temos que educá-las para que elas entendam que isso só funciona assim: eu em relação à sociedade, e a sociedade em relação a mim. Mas se o grupo me influencia e me traz o poder da garantia mútua, ele me muda e me direciona ao amor ao próximo.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/05/14, Escritos de Baal HaSulam

Um Prisioneiro Do Amor

laitman_527_02Pergunta: Quando minha filha tinha 10 anos de idade, ela atravessou a rua diante de um veículo e eu senti como se quisesse morrer. Você pode chamar isso de amor verdadeiro?

Resposta: É um sentimento instintivo natural pelo qual você não trabalhou.

Pergunta: Mas eu tenho investido nela e a criado.

Resposta: Cada animal faz o mesmo. De uma forma ou de outra, esse sentimento vem sem um esforço intencional de sua parte. Portanto, não é o verdadeiro amor ao próximo. Em sua percepção, a sua filha não é outro, mas sim parte do seu próprio corpo; sua conexão e atitude com ela permanece no nível corpóreo, no nível animal, e não tem nada a ver com o nível humano: do homem (Adão).

Pergunta: Portanto, qual é o nível humano? Será que eu tenho que amar toda a humanidade como os meus próprios filhos?

Resposta: Não, não dessa forma. Primeiro você tem que verificar em que medida você se ama, em cada detalhe e em cada situação. Então, nesse sentido, você tem que transmitir esse amor à humanidade em cada detalhe e situação.

Pergunta: Para ser honesto, eu não só não gosto deles, mas realmente não posso suportá-los, e você fala desse amor…

Resposta: Sim, acima desse sofrimento você vai aprender até que ponto ama a si mesmo. Comparando-se a eles, você vai aprender sobre o seu amor-próprio.

Pergunta: Hoje, o oposto é verdadeiro: quando eu ouvia nas notícias que certo líder político estava indo para a cadeia eu me alegrava e comemorava isso. Parece estranho que alguém possa ficar feliz em saber que outra pessoa está prestes a sofrer nos próximos seis ou sete anos. Eu até sentia dor como resultado da minha falta de compaixão. Afinal de contas, o que me importa se ele vai para a prisão?

Resposta: Quanto mais os outros sofrem, melhor você se sente. Uma pessoa sempre examina a si mesma em comparação com aqueles que a rodeiam. Se você está num lugar onde as pessoas recebem meio quilo de pão e um litro de água por dia, um simples sanduíche fará você se sentir superior aos outros. Agora você não precisa nem olhar para ele, mas nessa situação ele seria muito precioso para você. Tudo é relativo.

Pergunta: Será que isso significa que quando alguém vai para a cadeia eu deveria realmente me magoar como resultado?

Resposta: Claro.

Pergunta: Este é o amor do qual falamos?

Resposta: Sim, você deve se magoar como se tivesse sido trancado atrás das grades.

Pergunta: Isso é possível?

Resposta: Se você deseja sentir isso, a Luz vai fazer isso por você. Então, você vai sentir que sofre com o mundo inteiro e, assim, também será capaz de corrigir o mundo inteiro. Caso contrário, você não será capaz de fazer isso.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/14, Escritos de Baal HaSulam

A Torá É Um Guia Para O Amor

Dr. Michael LaitmanA Torá já existe há milhares de anos e nós devemos entender o que ela representa. Basicamente, há um meio em nosso mundo através do qual é possível atingir o objetivo da criação. Mas qual é o objetivo da criação? Venham, vamos esclarecer isso.

Na minha frente está o universo, as estrelas, o sol e a lua. Sob os meus pés está a Terra, e nela toda a natureza inanimada, vegetal e animal, e os seres humanos. Tudo isso existe. Por que existe? De onde vem isso? O que é isso? Com que finalidade isso existe?

A Torá explica tudo isso para mim. Ela é projetada para me informar por que e para que eu vivo, as razões da minha existência e qual o resultado, para onde estou indo. Em suma, a Torá pode me ensinar tudo sem deixar qualquer espaço ou local vazio.

Portanto, como alguém adquire esse conhecimento? Como alguém penetra esta vasta e maravilhosa sabedoria que se encontra acima da nossa realidade e se estende até os mundos espirituais?

É possível alcançar isso por meio de regras gerais definidas que me parecem muito longe da natureza e suas leis, como a física, química, biologia, zoologia, e outros campos da ciência natural. Em vez de me trazerem fatos científicos, eles dizem: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”.

Isso não está claro para mim. Dê-me fórmulas precisas! O amor é uma ideia simplista. Ninguém sabe o que fazer com ele; cada um puxa-o para si mesmo em tudo o que gosta, e o “rola” de um lado para o outro. Em última análise, nós não damos qualquer seriedade, estabilidade ou poder real a essa característica.

No entanto, se uma pessoa sofre, as coisas se tornam sérias; isso nós compreendemos. Considerando que o amor carece de força aos nossos olhos, ele carece de clareza; ele não está na base da fundação do mundo. Portanto, é muito difícil para nós internalizar o conceito chamado a “grande regra geral da Torá”. Nós não podemos nos relacionar seriamente com ele.

Mas, na realidade, uma abordagem que se move através do amor possui maior peso e não pode ser destruída. Esta é uma “regra de ferro” a partir da qual é impossível desviar-se; ela nos obriga a passar por todas as restrições, todas as ameaças, por tudo, para que possamos atingir o conceito de “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”. Especificamente ao se alcançar a característica do amor, nós exploramos todo o mundo, o compreendemos e atingimos toda a realidade.

Assim, o amor verdadeiro é diferente do que nós imaginamos para nós mesmos; nós ainda temos um problema com isso quando nos relacionamos com este conceito com a maior seriedade e começamos a compreendê-lo.

Uma vez, muitos anos atrás, eu estava presente no funeral de um jovem casal que foi morto num acidente logo antes de seu casamento. Ao recitar o Kadish, o rabino chefe da cidade, uma pessoa que compreendia a sabedoria da Cabalá, disse com lágrimas nos olhos que o que nos falta é o amor, que só graças a isso nós podemos corrigir todos os crimes e defeitos.

Eu não o entendi na época, e pensava que, provavelmente, esta é a forma como se costuma dizer um elogio. Só muito mais tarde, depois de ter estudado há algum tempo, eu entendi o que ele quis dizer. No entanto, todas as outras pessoas se relacionaram com suas palavras como eu no início, apesar de haver muitas pessoas espiritualizadas lá…

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/14, Escritos de Baal HaSulam

Uma Convenção Pelo Método De Abraão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que quem for à Convenção encontrará sua alma e começará a vida espiritual?

Resposta: Ele vai tentar fazer isso. Talvez, isso seja alcançado não de uma só vez, mas ele certamente irá se mover na direção certa.

Por isso, os Cabalistas convidam muitas pessoas de todos os lugares para a sua Convenção, a fim de se unir. Nós cantamos, dançamos, ouvimos conversas, palestras, realizamos workshops em círculos, e temos reuniões de amigos (Yeshivat Haverim). Milhares de pessoas de todo o mundo se reúnem, desde os locais mais remotos, como Austrália, Nova Zelândia, América do Sul, Japão e China.

Os Cabalistas reúnem todas essas pessoas e as ensinam a se conectar mutuamente, de acordo com o mesmo método que foi estabelecido por nosso antepassado Abraão.

Portanto, nós aumentamos o poder da nossa conexão com cada Convenção. Aos poucos, nós chegamos a tal conexão, a qual será suficiente para revelar o nosso próximo estado, o grau superior, o mundo espiritual. Este é o objetivo das Convenções Cabalísticas.

De KabTV “Uma Nova Vida” 08/02/15

Um Mosaico De Desejos

Dr. Michael LaitmanEu não preciso mudar meus desejos. Eu não preciso limitar, quebrar ou suprimi-los, mas apenas dirigi-los adequadamente ao objetivo certo.

Está escrito: A Torá, “Levítico” 21: 5: Não farão calva na sua cabeça, e não raparão as extremidades da sua barba, nem darão golpes na sua carne.

Primeiro eu escolho dois desejos e descubro como posso conectá-los para que juntos eles alcancem o próximo nível ao se unir neste nível num todo. Depois, no próximo nível, eles vão encontrar mais desejos que também podem se conectar e se unir a fim de atingir uma união completa naquele nível. Isto continua de acordo com uma hierarquia, até que o desejo mais superior conecta todos os outros desejos de tal forma que o Criador possa ser revelado.

Embora os desejos estejam conectados e focados na unidade, eles são diferentes. O resultado é um mosaico, onde cada parte complementa as outras até que elas atinjam a perfeição. Por um lado, a perfeição é revelada nele, mas, por outro lado, nós vemos diferentes partes, cores e formas.

Nós podemos ler este mosaico e compreender a sua unidade, uma vez que ele é feito de muitas partes. Se fosse a simples revelação e clareza da unidade na forma de uma Luz branca, seria muito mais difícil para nós entender isso. Mas, quando um mosaico de desejos joga todo um arco-íris de cores, nós percebemos isso como uma melodia.

Pergunta: Este colorido não muda para uma única cor mais tarde?

Resposta: Ele é percebido como um todo, mas, na verdade, é feito de muitos tons. Caso contrário, não seríamos capazes de sentir algo.

Nós ouvimos a harmonia na música, e apesar de existirem milhares de sons e diferentes transições, nós percebemos tudo como uma harmonia geral, como uma unidade. Mas se nós simplesmente espalhássemos o sistema de notas (a partitura) em seus componentes, pareceria como se não houvesse unidade.

Na verdade, é por esta razão que quando pessoas de diferentes nacionalidades, mentalidades e profissões se reúnem, elas podem chegar a um único objetivo, um único desejo. Quanto mais nós subimos rumo à unidade, maior será a diferença sentida entre nós, para que possamos alcançá-la.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 23/04/14

Como Uma Única Pessoa No Domínio Privado

Laitman_931-03Escritos do Rabash, Vol. 2, “Igrot” (Cartas) # 42: Como eles poderiam ser como um homem com um coração? Afinal, o que os sábios disseram é bem conhecido: “Assim como seus rostos são diferentes, suas opiniões são diferentes” (Talmud Yerushalmi Berachot, Capítulo 9, Coluna3, Halachah 1). Portanto, como eles poderiam ser como um homem com um coração?

Se nós estamos dizendo que todos estão preocupados com suas próprias necessidades, nós descobrimos que é impossível ser como um só homem. Certamente eles não são um como o outro. Contudo, se todos anulam seus próprios domínios, e estiverem preocupados apenas em beneficiar o Criador, então, suas opiniões não são individuais, uma vez que toda a individualidade foi anulada, e todos entram no domínio privado.

E esta é a ideia do que estava escrito, “o conhecimento dos habitantes é oposto ao conhecimento da Torá”. Isso ocorre porque o conhecimento da Torá é a anulação dos domínios privados, como os sábios disseram: “A Torá não é sustentada, exceto por alguém que se mata por ela”. Quando ele se mata por ela, isto ocorre por seu próprio benefício, e tudo o que ele faz é apenas em prol do céu. E isso é chamado de preparação para receber a Torá.

Nós sentimos a realidade dentro do nosso vaso, que é chamado desejo de prazer. Cada um serve este vaso, que ele recebe desde o início, e faz de tudo para preenchê-lo. Eu sempre faço um cálculo: quanto de esforço tenho que fazer para o benefício esperado? Vale a pena ou não vale a pena fazê-lo? Quanto eu preciso investir para ver o preenchimento dentro do meu vaso? É assim que existimos de momento a momento.

A minha dependência do meu vaso só pode ser anulada se nos conectarmos uns com os outros, e se concordarmos com isso, se começarmos a encontrar novos espaços na conexão entre nós que não sentíamos antes.

Afinal de contas, nós olhamos para tudo do ponto de vista do nosso desejo egoísta que domina toda a matéria, nos níveis inanimado, vegetal, animal e humano. Desta forma, nós obtemos impressões da nossa realidade interior, embora nos pareça ser uma realidade externa. Na verdade, este é o meu mundo interior que está gravado no meu desejo pessoal de prazer.

Os níveis inanimado, vegetal, animal e humano da natureza são os níveis 0, 1, 2, 3, 4: os níveis do meu desejo de receber onde sinto a minha realidade. Meu ego se encontra entre eu e os outros, separando-nos e fazendo com que eu me sinta só.

Se eu tento anular esta tendência de modo a poder chegar à conexão com o Criador através desta anulação eu descubro que há outro espaço que é diferente do espaço do desejo de receber egoísta. Eu começo a sentir que estou num novo espaço, num mar de forças de doação.

Todas essas forças que são descobertas na anulação do ego, me trazem a sensação do Criador, e, apesar de eu ter uma leve impressão disso, a fim de realmente descobri-Lo, eu preciso de um meio mais forte. Afinal de contas, eu só posso anular o ego e usá-lo em prol da doação através da força superior. Eu descubro que não tenho chance, nenhuma possibilidade, de alcançar a anulação pessoal através dos meus próprios poderes e compreensão.

Assim, está escrito: “A Torá não é sustentada, exceto por alguém que se mata por ela”. No entanto, a fim de me matar em prol da Torá, em outras palavras, em prol da correção, eu exijo a força superior. Como está escrito: “E a regra dos proprietários é o oposto da regra da Torá”. Quando uma pessoa começa a obter observações através do poder da Luz, tanto suas emoções como seu intelecto se tornam novos e completamente diferentes.

Assim, ela entende que todas as contradições que tinham eram apenas estímulos para a busca de soluções. No entanto, resolvê-los só é realmente possível através da Luz Superior.

De acordo com o ramo e a raiz, nós estamos no início do feriado de Shavuot, a festa da entrega da Torá. O feriado de Shavuot começa à noite e é dividido em dia e noite. Noite simboliza os dias de exílio, que são reunidos para a noite de Shavuot, de modo que nós aprendemos na noite de Shavuot porque queremos terminar o exílio e chegar ao seu fim.

Depois disso, nós decidimos que provavelmente já investimos o suficiente na anulação pessoal, e, assim, chegamos ao dia e à noite, os mesmos Kelim se transformam em Kelim de revelação. É assim que chegamos ao festival de Shavuot, a festa da entrega da Torá, e desde então, gradualmente, podemos avançar e constantemente corrigir todos os defeitos e aprender o quanto podemos ser como o Criador quando descobrimos como somos diferentes Dele.

Essa diferença entre a verdade e a imagem nos dá profundidade na compreensão do Criador, e, a partir desta profundidade, chegamos à adesão.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 01/06/14

Numa Pequena Jangada

Laitman_716_01Pergunta: Se cada pessoa que nos deixa está fazendo um buraco em nossa conexão, será que o nosso barco não está cheio de buracos?

Resposta: Não, essas pessoas não participavam da conexão e não tinham a intenção de estar integradas nela. Portanto, nós as afastamos de nós; simplesmente as jogamos no mar, em nosso mar coletivo egoísta chamado Malchut.

Pergunta: Quem está neste barco?

Resposta: No barco estão aqueles que querem estar no navio. O navio é o Masach (tela) que nos conecta, que nos une. Este navio é o início do Kli, a primeira condição para estarmos no navio de modo a não nos afogarmos no grande mar de nossas forças impuras (Sitra Achra).

No barco estão os “pontos no coração”, e sob ele está o grande mar de nosso ego. E o navio é usado como um Masach protetor, como uma jangada em que nos conectamos com nossos pontos no coração e não afundamos. À nossa volta, as ondas agitadas do mar tempestuoso de Sitra Achra nos assolam.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/06/14, Escritos do Baal HaSulam

Valor Adicionado

laitman_528_02Nós precisamos construir uma linha entre a Luz e o Kli, entre o desejo e o Criador. Nós fazemos isso de forma gradual, de acordo com 125 níveis, construindo a intenção correta para perceber a nós mesmos apenas a fim de doar aos outros ou ao Criador.

Para fazer isso, eu recebo o poder de correção da Luz que Reforma. Ela me corrige e me dá tudo o que é necessário. Mas cabe a mim encontrar um anseio pela meta dentro de mim. Eu devo ser o fator inicial; caso contrário, não há criação. Afinal, se eu quero que a Luz faça tudo para mim, é como se eu realmente não existisse.

Inicialmente, o Criador criou o desejo. Este pertence a Ele. Eu sou o que desejo que corre para a Luz de acordo com a forma como ela brilha. Um jogo é realizado comigo desde Cima, como foi dito alegoricamente pelos Cabalistas: o Criador joga com o Leviatã que Ele criou. Com a Luz, Ele joga: onde quer que ela brilhe, é para aí que o Leviatã se volta. Mas isso ainda não significa que eu realmente existo, já que por enquanto eu sou completamente gerenciado.

Apesar de entender e sentir que toda a minha vida é como uma caça à isca, eu não tenho essa consciência como resultado dos meus esforços. Eu recebo a sensação de que estou correndo atrás da isca e que não sou diferente da natureza inanimada, vegetal e animal.

Mas, além disso, eu recebo uma Reshimo (reminiscência) que desperta dúvidas em mim: “Por que estou correndo? Qual é o benefício? Qual é o objetivo?” Então, eles me dão uma pergunta adicional, que é “Qual é o propósito da vida?” E isso é feito para que eu possa agora começar a trabalhar por conta própria.

Enquanto eu não tiver feito a pergunta: “Para quê?”, eu posso correr atrás de vários prazeres toda a minha vida, que é o que todo o mundo faz. Nós consideramos pessoas que são especialistas proeminentes ou cientistas famosos como inteligentes, mesmo que estejam perseguindo as iscas como todos os outros. Esta não é a sua adição, uma vez que realmente não estão fazendo nada e não têm liberdade de escolha. Olhe para o mundo através do filtro das intenções e você vai ver o vazio. Não há natureza inanimada, vegetal e animal e não há sete bilhões de pessoas, mas sim tudo é puro. Não há lugar adicional que uma criatura deva criar por si mesma. Apenas em algumas, onde a verdadeira pergunta sobre o sentido da vida tem despertado, pode-se produzir um desejo independente. Mesmo esse desejo foi dado a elas de Cima, mas elas precisam “trabalhar” com ele através do trabalho em grupo.

Portanto, onde nós vamos obter o poder para isso? Onde podemos encontrar o método? Como sabemos o que é exigido de nós?

É por isso que houve a Shevira HaKelim (quebra dos vasos). Se tivesse havido uma criatura, ela não teria tido nada a ver; ela não teria sido capaz de fazer qualquer coisa. Não é por acaso que Adam HaRishon (o primeiro homem) foi chamado de um “anjo”, porque ele pertencia ao nível animal. Mas quando há outras pessoas ao meu lado que fazem a mesma pergunta, nós podemos apoiar uns aos outros através da conexão de nossas perguntas. Se vencemos o nosso ego, cada um de nós insere seus anseios em todo mundo, a sua adição, o significado de uma vida voltada à doação. E isso possibilita que nós avancemos.

É assim que eu uso os desejos que o Criador desperta em meus amigos. Mesmo que esses desejos não sejam nossos, nós os internalizamos dentro de cada um no grupo e isso já se torna o nosso trabalho, graças ao qual nós construímos um desejo ainda maior, um “valor adicionado” em cada um. Essencialmente, esta é a nossa forma de perceber a obra do Criador. É claro que a Luz é que realiza isso, mas nós a organizamos.

É assim que nós reproduzimos a operação que o Criador estava fazendo em Ein Sof (Infinito), produzindo um desejo. Mesmo que este não seja um novo e incomum ato criativo, apesar de tudo, é uma verdadeira adição. O Criador deu início à criação e, no final, nós a concluímos…

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/06/13, O Zohar