Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

A Verdadeira Religião E A Religião Do Exílio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu o compreendo, a sabedoria da Cabalá veio do judaísmo e todos os Cabalistas do passado eram muito religiosos. Qual é a verdadeira conexão entre a sabedoria da Cabalá e a religião?

Resposta: A sabedoria da Cabalá é o fundamento da verdadeira “religião”. Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo, “A Essência da Religião e Seu Propósito”.

As três principais religiões – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – são baseadas nos ensinamentos de nosso pai Abraão. Mas Abraão, especificamente, descobriu a sabedoria da Cabalá, que é a base de todas as religiões, e ele descreveu sua descoberta no livro Cabalístico, Sefer Yetzirah (Livro da Criação).

O princípio fundamental da religião que foi descoberto por Abraão é “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”. Assim também está escrito: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo é a grande regra geral da Torá”. Em princípio, este é entendido em todos os sentidos. Ou minimamente: “O que é odioso para você, não faça ao seu amigo”.

Toda a Torá fala sobre as boas relações entre as pessoas. Relações deste tipo existiam entre o povo de Israel antes da destruição do Segundo Beit HaMikdash (Templo) 2000 anos atrás, que foi destruído por causa da súbita erupção do ódio infundado.

Tudo gira em torno de apenas um ponto: boas ou más atitudes entre os judeus determinam o que vai acontecer com eles e todo o mundo em geral. Esta é precisamente a razão para o antissemitismo; é porque o povo judeu não pode chegar a um acordo entre si, e por isso o mundo inteiro sofre.

A sabedoria da Cabalá está envolvida apenas com a forma de atingir a conexão correta entre nós, e este é o fundamento de toda a religião. E o que tem sido considerado religião nos últimos 2000 anos é a manutenção de todos os tipos de tradições que parecem ser suficiente para as pessoas.

Esta é a forma que a religião adquiriu no exílio quando estávamos separados do princípio “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”, do desejo de se unir. Esta é a forma em que o povo judeu teve que amadurecer por 2000 anos, para sair às nações do mundo e ser misturado com elas, e depois disso voltar à sua terra.

Mas depois que voltamos fisicamente para a terra de Israel, precisamos reviver a sabedoria da Cabalá, para que ela viva entre nós e nos ajude a construir um povo e uma nação da mesma forma como era antes: com amor e unidade entre nós.

Não há restrições nisso. Se uma pessoa estuda o método de conexão, não faz diferença se ela é religiosa ou secular, de que país ou comunidade ela veio, ou se é um homem ou uma mulher. Todos devem estudar este método e o mais rapidamente possível, porque o nosso bom futuro depende disso.

A sabedoria da Cabalá nos ensina a perceber essa unidade, e de uma maneira prática possibilita sentir isso durante os workshops e na conexão nos círculos de discussão que levamos a toda a parte. Milhares de pessoas já participaram de nossas mesas redondas, e elas sentem que dentro de meia hora de discussão de acordo com o método da sabedoria da Cabalá, de repente experimentaram um sentimento estranho, uma iluminação, um despertar de inspiração e calor. E esse sentimento se espalha a todos os participantes.

Comentário: Eu fui capaz de participar dessas mesas-redondas que foram transmitidas de acordo com a antiga sabedoria da Cabalá. E eu me lembro que no início as pessoas que se reuniam eram muito céticas e até mesmo cínicas, lamentavam o tempo que estavam perdendo. Mas, ao final da noite, as pessoas simplesmente flutua´ram de excitação e emoção, foram às lágrimas e se abraçaram. Este foi um surto de força vital e calor que derreteu todo o gelo e a indiferença que separa nossos corações.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

O Erro Dos Que Não Se Importam

Dr. Michael LaitmanA humanidade chegou a um beco sem saída que já se faz sentir. Nós vivemos numa aldeia global moderna e relutantemente descobrimos que temos que nos conectar, começar a pensar e falar sobre isso. É hora de tomar o nosso lugar no nível humano dentro do sistema geral.

Um Perigo para o Sistema

Toda natureza (os níveis do inanimado, vegetal e animal) é global, integral e mutuamente conectada em todas as suas partes. Todos os seres criados, desde os juncos até os maiores predadores, são soldados num único sistema, e, juntos, mantêm a ordem geral. Por outro lado, nós não fazemos parte desse quadro. O homem é a única parte verdadeira e prejudicial na natureza. É porque não temos limites na satisfação das nossas necessidades. Isso é típico de toda a raça humana em todos os aspectos da vida, incluindo a família, o trabalho, as relações sociais, etc.

A taxa de divórcio, por exemplo, está crescendo e também o abismo entre pais e filhos. Os jovens acham cada vez mais difícil encontrar um companheiro e começar uma família forte. Essas mudanças extremas tiveram lugar nos últimos 50 anos ou menos. Elas têm inclusive um impacto sobre o povo judeu que sempre se preocupou em ajudar os jovens a se casar e ajudou com o começo de sua casa.

Indivíduos Inseparáveis

A razão para tudo isso é o nosso ego, que chegou a sua última fase.

O egoísmo se refere ao fato de que eu não posso me identificar com os outros. Eu sinto os outros apenas na medida em que posso me beneficiar deles. Idealmente, eu quero espremer tudo o que puder dos outros. Isto não é uma acusação, é claro, mas um fato psicológico sobre a natureza humana. Esta é a nossa natureza.

No entanto, por outro lado, nós temos encerrado o mundo inteiro em laços mútuos de uma única rede que não pode ser quebrada, no desenvolvimento global, econômico, financeiro, social, familiar e político. O problema é que esta rede está cheia de ódio, conflitos, confrontos, egoísmo e orgulho.

Consequentemente, o mundo treme como resultado dos contínuos obstáculos, preocupações e ameaças. A falta de unidade entre nós invoca inadaptablidade à natureza em geral e, portanto, o mundo sofre terrivelmente.

Não É Problema Meu!

Pergunta: A maioria das pessoas vive uma vida normal e, apesar de lucrar em detrimento do outro, elas não estabelecem qualquer armadilha especial e não conspiram contra aqueles que as rodeiam. Portanto, onde elas erram? É difícil se ver como um egoísta absoluto no fluxo contínuo de preocupações diárias, na luta constante para sobreviver.

Resposta: Isso é verdade. Mas se você se justifica dessa forma, você ainda sofre. Portanto, você deve descobrir o porquê. Isso requer uma abordagem científica sólida, mesmo antes de se referir à sabedoria da Cabalá, que resume e inclui todo o mundo.

Uma análise racional indica que sofremos porque não podemos nos dar bem, não podemos nos dar bem um com o outro.

Você pode perguntar o que se pode esperar de um homem pobre que vai trabalhar de manhã e volta à noite. Mas, essas pessoas pobres miseráveis ​​criaram uma rede de sete bilhões de partes que não possuem as conexões certas entre os nós. Esta é a razão pela qual estamos todos em oposição à unidade incorporados na natureza.

O que é exigido de nós hoje é a unidade e a conexão correta. Nós não vamos acabar com essa guerra se não entendermos o problema.

Mas cada um de nós se fecha em seu pequeno canto:

– Eu não sei de nada, o que você quer de mim?

– Você se sente mal. Você não quer corrigir e mudar as coisas?

– Eu quero, mas não é minha culpa; eu simplesmente vivo a minha vida normal.

Não é assim que se lida com os problemas. Nós gradualmente afundamos ainda mais em situações perigosas e o ritmo dos acontecimentos está acelerando de um ano para o outro. Alguns desses eventos já estão atrás de nós e devemos aprender com eles. Nós temos que finalmente perceber o que está acontecendo, em vez de se esconder em nosso covil, fingindo que não nos diz respeito, uma vez que a humanidade é feita de tais pessoas que dizem que não têm nada a ver com essas coisas.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

Arrependimento Através Do Grupo

Laitman_524_01Pergunta: O que significa olhar para todos os problemas através do “centro do grupo”?

Resposta: Qualquer um pode dizer que tudo vem do Criador. Isso não é um problema. A questão é como isso me obriga e como eu reajo de minha parte?

Nós não precisamos de um grupo para aceitar humildemente golpes. E não precisamos de um grupo apenas para perguntar sobre o Criador. Mas, para sermos dirigidos a Ele, precisamos de um grupo.

Assim, logo que começamos a nos perguntar sobre o sentido da vida, somos trazidos para o grupo de alguma forma. Todo o nosso trabalho é feito num grupo. E isso não for feito a fim de receber a doação do Criador. Eu também obtenho isso do mundo exterior. Mas o grupo possibilita que eu reaja a essa doação. Pois o problema não é sobre como receber Sua doação; ao contrário, é como responder a ela, como criar contato com o Criador de minha parte.

Eu preciso me corrigir desde dentro, a fim de estar conectado com o Criador. Isso ocorre porque os níveis de ascensão na escada espiritual são as minhas mudanças graduais, os níveis de integração na conquista da uma semelhança e equivalência cada vez maior. Eu preciso falar Sua língua, realizar as mesmas ações, abordar o seu Entendimento, ser cada vez mais congruente com Ele.

Tudo depende de mim. Ele vai me alcançar de qualquer lugar; não há nenhuma dúvida sobre isso. Além Dele, não há ninguém que opere em mim. Porém, sem um grupo eu não tenho possibilidade de responder. Eu simplesmente não entro na mesma dimensão, no mesmo espaço, na mesma matriz e nas mesmas condições em que Ele se encontra.

Se eu quero ser como o Criador, então eu posso fazer isso me aderindo cada vez mais ao grupo. Eu preciso criar Sua imagem, e para isso eu preciso conectar o grupo comigo até que eu finalmente seja como Ele. É necessário passar por todas as etapas, 125 níveis , a fim de se parecer com o Criador. E tudo isso acontece por meio do grupo.

Da Convenção na França, “Um Por Todos e Todos Por Um” 11/05/14, Lição 5

Não Há Terra De Israel Sem A Nação De Israel

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:1 – 25:5: Então disse o Senhor a Moisés no monte Sinai: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um Shabat para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas. Não colham o que crescer por si, nem colham as uvas das suas vinhas que não serão podadas. A terra terá um ano de descanso.

Nós vimos pela primeira vez o conceito de “a terra terá um Shabat (sábado) de descanso, um sábado dedicado ao Senhor” na seção semanal da Torá, Ba’har, já que não há Shabat da terra. Mas quando uma nação que obedece às leis espirituais vive naquela terra, tudo abaixo dessa nação, o mundo inanimado (a terra), vegetal e animal começam a adquirir os atributos dessa nação e seu efeito.

Portanto, não há terra de Israel sem a nação de Israel. Quando eles se reúnem nesse lugar, há um fenômeno correspondente com a nação de Israel na terra de Israel. As leis que operam sobre a terra são uma réplica das leis espirituais das pessoas que vivem nela.

Isso significa que os costumes dos povos que vivem lá se aplicam ao seu ambiente e, em particular, o seu dia de descanso, o Shabat. Este não é um período de férias, um dia de descanso, mas um dia inteiro de esforços, um estado espiritual especial, uma vez que existem correções muito especiais feitas no Shabat que as pessoas não podem fazer em qualquer outro dia.

Quando os estados espirituais de uma pessoa são replicados até os níveis mais baixos do inanimado, vegetal e animal (ou partes de nosso mundo), tudo muda e é definido de forma diferente. Por exemplo, uma semana, torna-se um ano. Porque a terra é um ano de prosperidade, um ano especial quando estamos absolutamente proibidos de trabalhar a terra. é um ano de Shmita.

Nos tempos antigos, este mandamento foi observado em Israel mais de 2000 anos atrás, antes da destruição do Templo. As colheitas do sexto ano foram o suficiente para os três anos que se seguiram, o que parecia acalmar todo mundo, “Não se preocupem, vocês terão colheitas suficientes por vários anos até que tenham uma nova colheita”.

Comentário: Mas a mente humana se opõe a este ditado: “Você tem que colher as colheitas a cada ano, como posso fazer uma pausa ?!”

Resposta: Nós estamos falando do estado espiritual de toda uma nação onde não se aplicam as leis de nosso mundo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

Trabalhando Com O Nível Inanimado Da Natureza

laitman_741_02O trabalho espiritual é o cumprimento da natureza egoísta do homem, a fim de atingir a meta superior: a unidade com os outros e, por meio dela, a unidade com o Criador.

Cada nível de seus desejos pertence a isso, incluindo o nível inanimado da natureza. Esta é a razão que, se eu anseio pela conquista da meta da criação, pela revelação do meu movimento rumo ao Criador, primeiro eu preciso me concentrar em todos os meus desejos no nível inicial, no nível zero.

Eu devo me ver como um zero total e constantemente manter e me segurar a esse nível. Isso significa que eu faço uma restrição (Tzimtzum) em mim mesmo e exibo o padrão inicial.

Depois, o Criador começa a trabalhar comigo ao mudar continuamente diferentes parâmetros, condições e relações em mim, e eu devo segurar e manter este padrão.

Quando eu me mantenho por um tempo sob estas condições, eu mesmo posso começar a mudar a mim mesmo e passar para o nível vegetal, sem esperar que Ele me jogue e me balance de um lado para o outro. Ao mesmo tempo, eu devo manter as intenções certas. Agora, eu mesmo mudo as diferentes condições dentro de mim, a fim de avançar.

Em outras palavras, eu posso avançar não de acordo com a velocidade, mas de acordo com o seu derivado, a aceleração, transcendendo-me a um nível de ordem superior, que é multiplicado por dez.

O nível inanimado da natureza é o nível em que eu me mantenho totalmente focado no objetivo da criação, não importa quais parâmetros externos me influenciam. Este é o lugar onde tudo começa, como é dito, tudo cresce a partir da terra.

Uma pessoa cresce a partir da terra. Se eu não quero mais ser um egoísta nas minhas relações mútuas com o ambiente, este é o nível da natureza inanimada, porque eu me seguro a ele ao determinar a qualidade através dele. Não importa o que é feito comigo, eu me seguro a minha linha.

Meu amigo e eu, por exemplo, mantemos continuamente relacionamentos bons e imutáveis, apesar das tempestades globais humanas, tragédias familiares e as mudanças sociais que atravessamos. Além disso, essas alterações podem estar em diferentes níveis: inanimado, vegetal, animal ou falante.

Nós temos que nos segurar a isso, apesar do impacto de diferentes fatores externos que nos mantêm separados: calúnia, conspiração, e assim por diante. O amor cobre todos os nossos problemas.

Este é o nível da natureza inanimada em que nos deparamos com todas as interrupções dos níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza. No entanto, apesar de todos os tipos de interrupções, nós ainda permanecemos conectados permanentemente, e, graças a elas, ascendemos e completamos o nosso trabalho no mundo de Assia.

Não é simples. A pessoa é fortemente afetada por todos os lados, mas ela sempre deve trabalhar elevando a grandeza da meta, pois, caso contrário, não será capaz de mantê-la. Os estados que ela deve enfrentar vai jogá-la de um lado para o outro.

Pergunta: Será que isso significa que eu me apresento como um zero total e digo ao Criador: “Você não pode me forçar a aceitar mais do que este nível. Eu posso tomar apenas 20%”?

Resposta: Não, eu não posso tomar nada. A terra não aceita nada, exceto no caso em que algo deve crescer a partir dela. Este já é o próximo nível, o nível vegetal, que pertence a terra.

Aqui, nós estamos diante de um dilema. Será que eu corrijo a terra para que ela produza o nível vegetal, ou será que eu quero trabalhar no nível vegetal, e, portanto, uso a terra?

Eu estou no mundo de Assia usando o mundo de Yetzira em prol do mundo de Assia, ou no mundo de Yetzira usando o mundo de Assia, a fim de subir acima dele. Baal HaSulam fala sobre isso na Introdução ao Livro do Zohar.

Esse é o nosso trabalho com a terra, com o nível inanimado da natureza.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 16/07/14

Face A Face Com O Criador

laitman_537O indivíduo e o grupo precisam se comportar como se eles estivessem em um diálogo constante com o Criador. Isto é a tal ponto que qualquer diálogo com qualquer pessoa no mundo não é importante para mim, visto que são todos gerenciados por uma força superior e basicamente não determinam nada.

Eu gradualmente limpo o mundo de todas as influências ilusórias. Eu estou num mundo, num ambiente natural, e com pessoas, uma multidão de forças e vários fatores que me influenciam: governo, vizinhos, família, amigos e inimigos. Mas eu começo a pensar: não, há um Criador acima que organiza tudo.

Ele determina todas as influências das forças da natureza sobre nós, porque eu vejo que as pessoas são incapazes de gerenciá-las. O Criador controla tudo isto: a chuva, o sol, terremotos e tsunamis.

Depois disso, eu atribuo o próximo círculo ao Criador: o governo. Eu entendo que o governo basicamente não decide nada e é gerenciado pelo Criador. Pois o Criador nos influencia através do governo, como é dito: “O coração dos príncipes e reis está nas mãos do Criador”.

Então eu também atribuo ao Criador todos os meus colegas de trabalho, todas as pessoas na minha cidade, minha família, e como minha esposa e meus filhos se comportam em relação a mim; eu posso dizer que tudo isso vem do Criador.

E depois disso, eu também me dirijo ao grupo. Eu gradualmente avanço de cima para baixo; eu atinjo tal estado onde todo o mundo (Olam) desaparece. Toda a ocultação (Alam) desaparece e eu vejo o Criador por toda parte no mundo.

E tudo o que preenchia este mundo: a natureza, o governo, pessoas que são familiares e que são estranhas para mim, minha família e amigos, todos se tornam um vaso no lugar onde o Criador é revelado, que é chamado de Divindade. Em vez deste mundo, eu vejo a Luz Superior que preenche toda a realidade.

Nada mais resta. Eu só vejo a Luz vestindo o mundo. Onde estão meus amigos, onde está a minha família, onde está o governo, onde está toda a natureza? Não há nada! Tudo desaparece, e eu estou face a face com o Criador.

Portanto, este é o princípio-chave: a cada momento acertar as contas com o Criador e esclarecer que tudo vem Dele. Ele primeiro quer que eu entenda que tudo o que acontece à minha frente é o Criador voltando-se para mim num determinado momento para que agora nestas circunstâncias eu alcance a adesão. E há cada vez mais adesão a cada segundo até eu atingir um estado de plenitude.

Da Convenção na França, Dia Dois, 11/05/14, Lição 4

Banquete De Um Cabalista

Laitman_506_2Maimônides, um grande Cabalista do século XII, filósofo, médico e astrônomo, dedicou um bom número de artigos médicos às refeições e à necessidade de alimento. Em particular, ele escreveu: “A comida deve ser mastigada completamente para receber prazer”, caso contrário a comida vai ser prejudicial, “e agradeça ao Criador por isso”.

No mundo espiritual, a comida é a Luz Superior que precisamos receber a fim de doar, ou seja, por prazer e não porque queremos satisfazer a fome, e não temos outra escolha.

É dito (mesmo entre aqueles que não eram Cabalistas) que, para mastigar os alimentos, é necessário mastigar 72 (Ayin-Bet) vezes com os dentes. Do ponto de vista espiritual, os dentes mastigam Ohr Chochma, dividindo o desejo numa multiplicidade de fragmentos, de modo que será possível misturá-los com Ohr Hassadim. E no mundo físico, isso é expresso na mistura dos alimentos com a saliva quando a pessoa mastiga.

É necessário comer tranquilamente entre os amigos ou a família (é desejável não comer sozinho), de modo que a cada momento nos sentimos agradecidos.

É assim que era com o meu professor Rabash; a refeição ocorria em silêncio total; ninguém dizia uma palavra. Nós cuidávamos inclusive os nossos movimentos, de modo a não perturbar os outros dentro de seus pensamentos mais íntimos.

Em geral, com a nossa educação atual, nós estamos acostumados a falar durante uma refeição. As pessoas se reúnem num café ou num restaurante para uma conversa entre elas, para se conectar e assim por diante. E aqui tudo é completamente diferente; tudo é feito em silêncio, trabalhando dentro de si mesmo, mas em relação aos outros. Portanto, o Rambam escreve que é “necessário comer em silêncio entre amigos ou na família, e se sentir agradecido a cada momento”.

Eu espero que, por fim, comecemos a ter refeições como essa.

Da Lição Diária de Cabalá 17/04/14, Perguntas e Respostas com o Dr. Laitman

L’Chaim – Pela Vida Espiritual

laitman_285_02Escritos do Baal HaSulam, Shamati # 173: “Ele disse sobre dizer L’Chaim (à vida) ao beber vinho, que é como nossos sábios disseram: ‘O vinho e a vida de acordo com os sábios e os seus discípulos’”. Isso é desconcertante: por que especificamente de acordo com nossos sábios? Por que não de acordo com o ignorante?

A questão é que dizer L’Chaim” implica a vida superior. Quando bebemos vinho, devemos lembrar que o vinho tem a sua fonte espiritual, o que implica “o vinho da Torá”, a Luz que vem como uma recompensa, e por isso nós dizemos, “L’Chaim!”, um lembrete de que devemos estender a Luz da Torá, chamada “vida”.

A vida corporal, no entanto, é chamada pelos nossos sábios, “Os ímpios, em suas vidas, são chamados de ‘mortos’”. Por isso, é especificamente nossos sábios que podem dizer, “vinho e vida”. Isso significa que só eles são qualificados a prolongar a vida espiritual. As pessoas incultas, no entanto, não tem nenhum desejo por ela ou as ferramentas para estendê-la.

O vinho simboliza Ohr Hochma (Luz da Sabedoria), a qual eu quero receber a fim de doar (com Ohr Hassadim). Se eu posso manter Ohr Hochma com Ohr Hassadim (Luz da Misericórdia) e não violar a acomodação entre elas para sentir a vida, então essa energia entra em nós de uma forma positiva.

Mas se eu não tenho suficiente Ohr Hassadim, então a Shevirat HaKelim (a quebra dos vasos) acontece e eu caio novamente no desejo egoísta. Então, eu aparentemente analiso se tenho suficiente Ohr Hassadim para receber Ohr Hochma, de modo que uma Luz pode ser vestida na outra. Então, Ohr Hochma é revelada, e o próximo nível é revelado em mim.

Uma análise como essa é chamada de L’Chaim, doar com fé acima da razão. Receber em prol da doação é o processo de comer, que se expressa na palavra, “L’Chaim” , o que significa que eu estou fazendo isso em prol da vida espiritual.

Eu transmito a Luz que recebo a partir de Cima através de mim, transmitindo-a aos outros, caso contrário, ela não entra em mim. Esta é a lei do mundo superior. Quando eu recebo a fim de doar, transmitindo através de mim para os outros, e eles por sua vez fazem a mesma coisa, transmitindo-a através de mim, isso é chamado de “L’Chaim“.

Portanto, quando nós bebemos vinho, nós dizemos, “L’Chaim!”, o que significa que nos lembramos de que é necessário se preocupar com a recepção direita da Luz da vida, a fim de atingir o nível superior.

Da Lição Diária de Cabalá 17/04/14, Perguntas e Respostas com Dr. Laitman

Um Lugar Para Trazer Um Sacrifício

laitman_749_04Pergunta: Na transição dos cinco sentidos do mundo para os cinco sentidos para sentir o Mundo Superior, onde há um lugar para “trazer um sacrifício”?

Resposta: No início, a pessoa não tem nada. Nós começamos a trazer sacrifícios durante o êxodo do Egito, quando o Criador parece exigir que se traga sacrifícios, a construção do tabernáculo para as “tábuas da aliança” e assim por diante.

Se a pessoa já se encontra num determinado grau de realização, é como se eles lhe dissessem: “O seu desejo é egoísta nesse grau, e outro desejo – em outro grau. É necessário cortá-lo neste grau aqui, e de lá – para outro grau”. Isso significa que eles lhe mostram como, em que medida, e com que acomodação aos outros desejos ela pode usar cada um de seus desejos com uma intenção em prol da doação.

Quando a pessoa sente claramente que está passando de um mundo para o outro, ela começa a sentir uma espécie de distanciamento do mundo. Isso já é aparente em algum grau nas pessoas que vêm estudar a sabedoria da Cabalá.

Depois disso um desejo claro pelo próximo estado é revelado, a descoberta do Criador. Mas a pessoa ainda não entende o que o Criador é, que tipo de característica é – doação e amor, e o que ela deve sacrificar para descobrir o Criador, que ela quer muito depois de tudo.

É claro que a pessoa precisa de um grupo, a fim de se desenvolver corretamente, para olhar para os outros e manter a sua inveja e desejo dentro dela, sua aspiração de avançar. Ela precisa sentir que não está sozinha.

Ela faz um Tzimtzum (restrição) em si, e se esforça para frente em todos os níveis. E os problemas são constantemente despertados dentro de si, que, aparentemente, a puxam para trás: retirada, indiferença e desculpas. Depois disso, ela dá um salto para frente; ela passa por experiências difíceis na forma das pragas do Egito, a divisão do Mar Vermelho, o deserto, e assim por diante.

Mas o principal é que só depois é que ela recebe instruções e orientações sobre o que fazer. Afinal de contas, ela não recebe imediatamente instruções sobre como trazer sacrifícios.

Em primeiro lugar, nós entendemos a importância do desapego deste mundo em que apenas o nosso corpo físico existe. E nós, com os nossos desejos, intenções e esperanças, avançamos para a realização do mundo superior, a característica de doação e conexão entre todos.

Como investigadores sérios nós queremos descobrir como os níveis  inanimado, vegetal e animal da natureza estão conectados, onde estão as forças que existem entre eles.

Nós gradualmente descobrimos tudo isso em duas etapas. Na primeira etapa, nós não queremos nada para nós mesmos, nós tentamos estar completamente separados da característica de recepção, e, desta forma, adquirimos uma característica chamada “Hassadim” (misericórdia).

Na segunda etapa, nós subimos totalmente ao nível de Hassadim, ao nível de Bina, depois de fazer uma correção em nossos desejos, quando eles são encontrados em separação total da recepção e de qualquer realização. Depois disso, nós começamos a transformar esses desejos em características de doação e amor. É aqui que o lugar para o sacrifício é revelado. Em outras palavras, nós devemos esclarecer a forma de santificar cada um dos nossos desejos, tudo o que está dentro de nós: inanimado, vegetal, animal, e falante.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 20/11/13

A Fonte Espiritual Mais Próxima De Nós É Pessach

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a conexão entre nós, com a qual nós saímos do Egito?

Resposta: Do Egito partem apenas desejos que querem se conectar, ou seja, apenas Israel. Todo o resto das partes do desejo de receber que não sente atração pela conexão morre no Egito; elas são o exército de Faraó.

Nós trabalhamos com a conexão entre nós num grupo; mas descobrimos que não estamos prontos para alcançá-la, de modo que “… e os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão…” (Êxodo 2:23). Isso significa que nós clamamos ao Criador e pedimos que Ele nos conecte.

Pergunta: Então, qual é o nosso trabalho? Nós devemos trabalhar em oração?

Resposta: A oração não pode ser artificial, pois ela é o trabalho do coração. No final de todos os meus esforços, depois de ter me convencido de que nada depende de mim, eu saio em oração.

É impossível orar pelo relógio, isso não é chamado de oração. A oração deve ser ajustada ao sentimento no coração. Portanto, neste momento, você pode estar num estado de “Yom Kippur” e em mais algumas horas estar num estado de “Pessach” (Páscoa Judaica). Isso não se refere ao tempo, mas a estados.

Portanto, por que há um grande significado no feriado de Pessach que está marcado no calendário? É porque as Luzes Superiores que chegaram até nós do “fim da correção”, através de todos os degraus da escada, alcançam o nosso mundo e até mesmo cria uma pequena iluminação nele. E nós queremos conectar essa iluminação com todas as luzes superiores de doação e  amor ao próximo, que nós ansiamos alcançar, para conectá-las junto ao mundo do Infinito. Assim, também em nosso mundo, nos ramos físicos, nós celebramos esse estado e queremos ser como ele mesmo no nível físico. Isto é particularmente relevante ao feriado de Páscoa.

Os demais feriados são muito elevados: Rosh Hashaná (abraçando a direita) e  Sucot (abraçando a esquerda) são grandes Luzes Circundantes. Mas tudo começa com Pessach. Por isso, é chamado de “cabeça” de todos os meses. O êxodo do Egito é o nascimento da espiritualidade, por isso esta fonte espiritual é a mais próxima de nós, estando bem acima de nossas cabeças. Os demais feriados são muito superiores.

Nós queremos nos aproximar desta fonte, ou seja, começar a nos conectar ativamente, tanto quanto possível. O símbolo do êxodo do Egito é a primeira conexão entre nós, e depois disso, nós adicionamos mais e mais “carne”, mais desejos, a esse ponto de conexão.

Mas o primeiro contato é o êxodo do Egito, razão pela qual é chamado de “nascimento” do homem – do que conseguimos acumular a partir das partes quebradas ao saltar sobre o nosso ego e da conexão entre nós. Isso é chamado de um verdadeiro “milagre”. Nós recebemos esta oportunidade graças à influência da Luz; de outra forma, é impossível.

Nós devemos nos preparar seriamente para este estado porque passamos muito tempo juntos nas refeições e nas aulas com todos os grupos no mundo e tentamos alcançar ativamente uma conexão. Nós esperamos ter sucesso na implementação disso; ainda temos tempo. Não há tempo na espiritualidade e nós podemos realizar isso muito rapidamente, atingindo pelo menos temporariamente este estado e descendo novamente. E há também uma segunda “Pessach” na outra semana. Alguém que não consegue perceber isso na primeira Pessach vai ter uma segunda oportunidade.

Pergunta: O que significa se conectar ativamente?

Resposta: Todos os nossos corações devem entrar em contato um com o outro num único ponto, chegando a um ponto de contato. Não basta apenas querer isso, mas sim, devemos realizar ativamente isso. A oração é despertada numa pessoa apenas no momento necessário, que vem como resultado da ação no mundo físico. Se eu faço alguma coisa e sofro totalmente com a falha, a partir deste ponto a oração irrompe.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/04/14, O Zohar