Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

O Ponto De Conexão Do Criador Com O Seu Reino

Dr. Michael LaitmanNo passado, toda a humanidade vivia junto na antiga Babilônia, apenas neste mundo. Mas, depois, um pequeno grupo saiu da Babilônia e começou a avançar em direção ao Criador antes de todos. Este grupo é chamado de “Israel”, porque anseia pelo Criador, Yashar-El (direto ao Criador).

Eles alcançaram o nível espiritual e depois caíram dele. Eles desceram ao Egito e saíram de lá, construíram o primeiro e segundo Templos, que foram destruídos, e acabaram retornando a este mundo e se misturaram com toda a humanidade. Agora, todos nós temos que sair deste mundo juntos.

Primeiro, o grupo de Israel sai do jeito que está, tendo sofrido a quebra e a incorporação mútua em todo o mundo. Agora, ele também é chamado de Israel, Yashar-El, e aqueles que sentem um desejo pelo Criador são atraídos a ele.

Assim como Abraão conduziu todos que o seguiram para fora de Babilônia, agora, também, quem quer avançar em direção â correção sai deste mundo. Afinal de contas, nós alcançamos a incorporação mútua completa.

Nós estamos no mesmo estado em que Israel estava uma vez, e precisamos nos amarrar a todo o mundo, por um lado, o que fazemos através da disseminação, e, por outro lado, nos conectamos ao Criador. Este é o nosso papel.

Nós trabalhamos com o mundo inteiro no nível corporal, mediante a disseminação da sabedoria da conexão em que temos muita experiência, mas trabalhar com o Criador é mais problemático, uma vez que não entendemos, não sentimos, e não sabemos como fazer isso. Nós estamos numa posição muito delicada quando se trata disso, e assim os Cabalistas nos dizem como estabelecer a nossa conexão com o Criador. Isto é a sabedoria da Cabalá.

O nosso papel é conectar o Criador à Malchut, ao desejo de receber, como seus portadores. Cada um de nós carrega partes de Malchut, mas uma parte não pode se conectar com a Luz, com o Criador. Deve haver dez Sefirot em Malchut, e ela deve ser vestida em ZA, que é o Criador. Ela deve atingir pelo menos o nível de seu Chazeh (peito).

Malchut começa a partir de um ponto aderido ao Chazeh de ZA, mas nós devemos atingir o ponto de conexão, a unidade, a fim de ser um ponto. Se todos nos conectamos como um homem em um só coração, este ponto, onde todos nos encolhemos e nos conectamos, aparece conforme nos anulamos e deixamos apenas um ponto para se conectar ao Criador.

Assim, Malchut se torna um ponto, e este ponto começa a se conectar com ZA. Caso contrário, não há nenhuma conexão entre Malchut e ZA, e sem nós, ele simplesmente não existe e está num estado quebrado, o que significa em nossa forma como seus fragmentos.

Da Conversa sobre a Importância da Disseminação 10/04/14

Dia Da Independência: Onde A Independência Começa?

Independence Day: Where does Independence Begin?No mundo corpóreo eu dependo de todos e de tudo. Eu não sei o que vai acontecer no próximo instante em diante. Mas quando se fala sobre a independência além do tempo, espaço, localização e movimento, aqui eu mesmo defino meus estados futuros, tornando-me livre de todos os fatores que podem me mudar contra a minha vontade.

Isso só pode acontecer num determinado caso: quando eu estou completamente conectado com o Criador que determina o presente e o futuro de todo o universo.

Baal HaSulam acreditava que a nossa independência começa com a efetiva criação do estado de Israel, porque a única maneira que podemos alcançar a unidade com o Criador é através da nossa própria interconexão. E isso vai acontecer, uma vez que não há elementos estranhos entre nós. É por isso que temos que nos reunir novamente nesta terra.

E quando as pessoas (judeus e não-judeus), que entendem sua missão e se esforçam pela união com o Criador, trabalham nisso, sua unidade, o círculo que elas criam entre si, as transforma num receptor da influência do Criador e um sensor, que revela o Criador dentro delas.

Nós começamos determinando inteiramente nosso presente e futuro, desenvolvendo e cultivando este sentimento, revelando o Criador, na medida da nossa unidade. Esta é a obtenção da independência.

É por isso que não há como alcançar a independência antes de nos transformarmos nessa estrutura e começarmos a trabalhar nela em nosso mundo. O trabalho espiritual começa com a criação física de um grupo, que se reúne num círculo e começa a cultivar a qualidade de doação, de intercâmbio e de interconexão.

Depois nós devemos nos posicionar de uma forma em que todos vão perder o seu “eu”, todos se transformam num “nós”, e, depois, esse “nós” se transforma num “um”, onde começamos a perceber a unicidade da qualidade de bondade e de amor, que é chamada de Criador.

Da “Palestra sobre o Dia da Independência”, 02/04/15

Junto Nós Amplificamos A Tensão Da Doação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que não existe nada além da realidade espiritual?

Resposta: Certamente. Esta é a mesma realidade em que nos encontramos agora, e nós começamos a ver como o poder superior funciona dentro dela. Há apenas duas forças: a força do desejo e a força superior que o reveste.

Essas forças estão começando a ser cada vez mais perceptíveis, na medida em que podemos ver que são as únicas forças agindo dentro da realidade, que elas não têm nenhuma substância, também são energia. Os físicos afirmam que o mundo é um campo de forças e que a matéria não existe.

Estudos mostram que há energia e força dentro da matéria. Assim, a matéria não tem significado, e mesmo assim ela existe. Só depois que todos os habitantes deste mundo estiverem conectados à rede e revelarem que estão atuando num campo de recepção e a força de doação, toda a matéria vai completamente desaparecer deste mundo, o qual é chamado de “imaginário”. No entanto, isso só vai acontecer no futuro, com a conclusão geral da correção.

Pergunta: De onde  uma pessoa obtém o poder de conectar tudo junto e ver a verdadeira realidade?

Resposta: Você não pode fazer nada sozinho. Você não pode mudar a sua percepção, se acostumar com a imagem correta, nem estudá-la. Isso só é possível se você estiver no ambiente apropriado que está trabalhando para isso, e no qual cada indivíduo, juntamente com todos os outros, compreende que deve construir a rede apropriada de conexão para descobrir a Luz superior.

Em todos os momentos, nós devemos trabalhar entre nós para nos transformarmos num Kli único, num único sistema, e constantemente desenvolvê-lo, adicionando a ele através de mais e mais interações. A Luz vai, portanto, ser revelada dentro do Kli através de subidas e descidas, as quais também vão se tornar cada vez mais sincronizadas. Nós começamos a nos sentir interconectados e a ter mais influência sobre o outro.

Cada um vai ver o quanto o seu caráter, a sua alma, o seu potencial interior, se torna acomodado a todos os outros, enquanto alguns deles sobem e alguns deles descem. Mesmo que todos nós avancemos juntos e passemos por subidas e descidas, cada um age de acordo com seu caráter, como vários componentes agindo dentro de um único sistema elétrico. Um deles é um resistor, outro é um condensador, e o terceiro é uma bobina.

Cada um vai através de uma subida, mas a subida num condensador e numa bobina são completamente diferentes, pois num condensador isso é expresso em mudanças no potencial e numa bobina é expresso num campo eléctrico. A subida é expressa de uma forma diferente de acordo com a raiz da alma, e, em princípio, todos estão passando pela mesma situação.

E uma vez que existem tantas diferenças entre nós, pode ser que haja uma subida incessante sem descidas. Pois cada um pode estar numa subida ou descida em relação a todos os outros, mas isso é considerado uma subida em relação a si próprio. Uma carga elétrica se move constantemente de um lugar para outro, mas toda mudança é para a melhoria da subida, elevando constantemente a tensão dentro do sistema e elevando-o gradualmente.

No momento, não há nenhuma conexão entre nós, e por causa dessa falta de conexão, cada um de nós sobe e desce. Mas se nós nos conectamos, não temos mais essas descidas. Como está escrito:  … e os filhos de Israel suspiraram por causa do trabalho, …. (Êxodo 2:23). Essa não era uma escuridão devido à falta de conexão, mas devido à falta de doação. Mas era realmente uma subida, pois ao se conectar com os outros, cada um tomou o trabalho dos outros para si. O negativo num lugar é compensado por um positivo em outro lugar, e vice-versa. Portanto, todo mundo está ascendendo. Assim, se estamos conectados, não há mais descidas, apenas subidas!

Visto que você está conectado com os outros componentes dentro de um sistema, é como se você estivesse transformando a corrente alternada em corrente contínua. A única coisa que falta é a conexão. Nós não estamos trabalhando nisso o suficiente.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/04/14, Escritos do Rabash

Percebendo O Futuro Juntos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que os animais sentem a natureza como um sistema em que tudo está conectado?

Resposta: Sim, eles sentem isso em seu nível.

Pergunta: E eles podem sentir o futuro, exatamente por esse motivo?

Resposta: Os animais só podem sentir algum tipo de ameaça à sua vida, mas não são capazes de transcender a preocupação de sua existência regular, bestial. Isso é chamado de instinto.

Os animais sentem a conexão com o sistema geral, mas para eles este fornece apenas as informações no nível animal. Os animais sabem o que vai acontecer. Assim, eles são mais cuidadosos do que os homens e seu comportamento é mais lógico.

Os animais não cometem erros! Eles têm todas as informações necessárias para existir, o que é chamado de instinto natural. O homem não tem isso.

Pergunta: Se eu tivesse tal instinto, a minha vida poderia ser melhor? Talvez eu não estaria no vermelho no banco, não teria uma úlcera, e não estaria vivendo em constante tensão.

Resposta: Essa é uma boa pergunta. O que é preferível? Visto que se você tivesse tal instinto, você seria um animal e não um homem. Os animais têm todas as informações para uma boa vida, ou seja, o sentimento de conexão com o objetivo da criação. E o homem não tem tudo isso. Por quê? Porque no nível falante a pessoa não recebe automaticamente a conexão com o objetivo da criação, mas deve adquiri-la por meio do autodesenvolvimento.

Cada pessoa tem esse potencial, mas é preciso avançar gradualmente. Você não pode pegar um transeunte ocasional e começar a convencê-lo de que ele precisa fazer isso. A pessoa precisa estar pronta para isso. Se ela sente que deve saber o futuro, então eu sou capaz de ensiná-la a fazer isso.

Comentário: Eu estou pronto para aprender! Eu realmente preciso saber o futuro, porque isso vai resolver todos os problemas para mim, e me explicar como se comportar com relação aos meus filhos e minha esposa e que profissão escolher.

Resposta: Você vai saber tudo! Se você tem tal pergunta ardente que lhe leva a se desesperar e exigir uma resposta, então este é um sinal de que você pode fazer isso.

No final do curso de educação integral (a sabedoria da conexão), você vai chegar à sensação de que todas as pessoas são partes inseparáveis ​​de um mesmo sistema, sem qualquer diferença entre elas, incluindo você. No início, basta chegar a esse sentimento em relação a um estranho, não em relação a um membro da família.

Pergunta: Isto é, se eu sinto em relação a um estranho como sinto a mim mesmo, baseado nisso vou criar dentro de mim a capacidade de ver o futuro?

Resposta: Sim. Você vai sentir a sensação integral, sair de dentro do seu ego, e sentir a mim, por exemplo. Você deve me sentir como você faz consigo mesmo. Se você é capaz de sentir algo fora de si mesmo como a si mesmo, toda a realidade se abre diante de você. Você abre os sentidos e pode ver tudo a sua volta de uma forma real.

Pergunta: Por que eu não posso aprender o pensamento integral sozinho com a ajuda do meu intelecto, sem a necessidade de outra pessoa?

Resposta: Para quem você sai de si mesmo se não for por outra pessoa? Isso não é filosofia abstrata, mas requer muita prática e ações com cuja ajuda examinamos todos os “prós” e “contras”. Não é simples. Depois de tudo, nós precisamos existir para além do sentimento do nosso “eu”. Essa é a primeira condição do pensamento integral.

Quando eu saio do meu “eu”, eu começo a sentir quem está fora de mim, e, na mesma medida, sinto tudo o resto. Eu abro a extensão dos meus sentimentos, a partir do nível dos meus cinco sentidos até a realidade completa.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/02/14

Da Babilônia Para A América Do Sul

Dr. Michael LaitmanPergunta: O grupo europeu do Bnei Baruch também deve se culpar se o mundo experimenta um desastre por causa de uma falta de conexão dentro de Israel?

Resposta: Hoje em dia, todo mundo é responsável por isso, ou seja, cada um que estuda a sabedoria da Cabalá e sente uma conexão dentro de Israel. Quando me refiro a Israel, refiro-me a todos os nossos amigos e grupos de todo o mundo.

Todos nós recebemos um despertar do Criador, assim como o grupo de Abraão recebeu na antiga Babilônia. Portanto, hoje, nós estamos na mesma situação de Israel (Yashar-El – direto ao Criador).

Não importa que um recebeu um despertar há 3500 anos na Babilônia, veio com ele até este dia, e outro recebeu este despertar na América do Sul apenas alguns meses ou anos atrás. De acordo com o mundo espiritual, não há nenhum significado nesses anos físicos.

Todos nós já estamos relacionados com Yashar-El, diretamente conectados aos Criador, e assim devemos transmitir a Luz através de nós para o mundo. Se fizermos isso, ele vai ser bom; e se não, vai ser muito ruim. Eu espero que consigamos.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/04/14, Temas Escolhidos: Dia em Memória do Holocausto

Um Ponto Que Se Expande Através Do Fermento Da Luz

laitman_275Malchut incluída em Bina – isto é, o desejo de receber que está incluído no desejo de doar – molda o desejo de doar em relação a si próprio. Como resultado dessa integração, o sistema de mundos é criado: Atzilut, Beria, Yetzira e Assia (ABYA), o sistema superior de governo que transmite a Luz do Infinito para nós desde cima.

Como resultado da integração entre Bina e Malchut, o desejo de receber torna-se complexo. A partir de agora, há um coração nele, que é Malchut, o desejo de receber, e o “ponto no coração”, que é o ponto de Bina. Esta é a alma, a criatura.

A criação inteira é dividida em duas partes: do lado de fora, há o sistema que está cercado pela Luz do Infinito, e dentro, há a alma. Até que o sistema alcance a alma, ele passa por 125 níveis de redução das Luzes, níveis de Ha’alama (ocultação), razão pela qual eles são chamados de Olamot (mundos).

A Luz que passa através de Yashar (direta) é chamada Ohr Pnimi (Luz Interna), e a Luz que brilha de fora é chamada de Ohr Makif (Luz Circundante). A Luz de Yashar nos desperta e nos dá a sensação do momento, e a Ohr Makif que vem por meio de Igulim (Círculos) nos dá o sentido do futuro. Se o futuro não me iluminar, eu não tenho nada para viver; eu não sinto propósito à frente, e isso é um problema. No entanto, se eu sequer tenho Luz no presente, eu morro. É desejável tanto para o presente como para o futuro me iluminar. No entanto, se eu não estiver conectado a uma sociedade, a futura Luz não pode me iluminar. Isso ocorre porque o futuro ilumina cada vez mais fortemente sempre que eu me conecto mais com o grupo, e se eu não estou conectado a eles, eu não tenho futuro.

Portanto, alguém que não trabalha no fortalecimento da conexão com o grupo perde força e, no final, sai, e se a pessoa não trabalha com a Luz do presente, ela nem revive a si mesma no estado atual. Nós temos que tentar arduamente nos prover com o futuro e o presente.

A “linha reta” e os “círculos” são duas formas de governo superior. Se uma pessoa trabalha em sua conexão com o grupo, ela descobre essas duas formas lá. Especificamente para esse fim, as formas de governo através da linha reta e dos círculos são criadas para levar a pessoa a uma conexão que irá preencher todo o seu vaso. Mas como ela consegue esse grande vaso se ela é apenas um ponto interior, no centro de todo o círculo? Assim como uma massa fermentada se expande, ela também precisa ser expandida pela Luz Superior e preencher todo o vaso.

O desejo de receber é um pequeno ponto criado “a partir do nada”. No entanto, se nós o transformamos para se tornar em prol da doação, ele é expandido para o tamanho de toda a criação.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/03/14, Escritos do Baal HaSulam

Venda e resgate

A Torá, “Levítico” 25: 47- 48: Se um residente não judeu ganha riqueza com você, e seu irmão se torna destituído com ele e é vendido a um residente não judeu entre vós ou a um ídolo (?) da família de um não judeu. Depois que ele é vendido, ele terá a redenção; um de seus irmãos deve resgatá-lo.

Um estranho é o ego externo que por si só torna-se um maior nível em relação ao povo de Israel (Galgalta vê Eynaim). Isto fala sobre os estados corrigidos. Então, se há um estrangeiro que se instala com você e levanta a mão, o que significa que ele torna-se grande e corrigido, então, seu irmão, que é menor do que ele em nível, a sua venda a um estrangeiro torna se sua correção. Você deve vendê-lo porque a entrada sob um nível superior com maior ego, chamado de um estranho, é a correção.

No entanto, depois de ter vendido seu irmão para um estrangeiro, você pode resgatar e comprá-lo de volta, pois ele já corrigiu-se ao ser vendido, o que significa que ele anulou-se para o estrangeiro. Quando a redenção resgatá-lo, ele retorna a você juntamente com a parte do estrangeiro que ele adquiriu no momento da venda. [Leia mais →]

Tornando-se Livre Da Dominação Do Ego

A Torá, “Levítico” 25:44 – 25:46: O seu escravo ou escrava a quem você pode ter das nações que estão em seu entorno, a partir deles você pode adquirir um escravo ou uma escrava. E também dos filhos dos moradores que vivem no meio de vós, deles você pode adquirir [escravos] e de suas famílias que estão com você, que foram gerados na vossa terra, e eles tornar-se-ão sua herança. Você deve prendê-los como herança para seus filhos depois de ti, como os bens adquiridos, e pode, assim, tê-los atendendo-o para sempre. Mas, como para os vossos irmãos, os filhos de Israel, um homem não deve fazer trabalhar o seu irmão com rigor.

A Torá nos diz sobre os diferentes estados egoístas a que somos submetidos, um dos quais é a escravização ao nosso ego.

Não devemos perceber o que a Torá nos diz como uma história sobre as relações mútuas entre as pessoas, uma vez que as relações mútuas neste mundo são preenchidas automaticamente de acordo com os nossos atributos naturais. A Torá nos diz apenas sobre os nossos estados internos. [Leia mais →]

Servos Do Seu Próprio Livre Arbítrio

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:39 – 25:41: Quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. Como diarista, como peregrino estará contigo, até o ano do jubileu te servirá. Então, sairá do teu serviço, ele e seus filhos com ele, e tornará à sua família e à propriedade de seus pais.

Se eu tenho desejos que não estão prontos para existir separadamente, devo mantê-los comigo e com toda a seriedade, “fazer com que caminhem com suas próprias pernas”. Depois de terminar todo o trabalho em todo o aglomerado de desejos, eles se separam e se afastam de mim de forma independente e continuam a sua existência independente.

Nós estamos sempre falando de desejos e não de corpos. Isso se refere a um esquema no qual um imenso desejo explodiu em 600000 partes que devem ser reconectadas umas com as outras para se transformar novamente num todo geral, embora o egoísmo e a rejeição mútua estejam queimando dentro deles. Tudo isso permanece, mas é coberto e neutralizado pelo amor.

Segue-se que este enorme ego e o enorme amor, que foi criado entre eles graças ao ego, permanecem e reúnem intensidade, realização interior, e unidade interna com o Criador. Portanto, todos os problemas só são necessários para revelar de forma mais óbvia o estado de nossa união com o Criador. Tudo gira em torno disso; não há mais nada.

Os servos são os desejos que não podem ser independentes, de modo que parecem ter sido vendidos como escravos. Ou seja, eu concordo que preciso, como uma criança pequena, ser governado por alguém grande, porque há mal em mim e eu quero alguém mais maduro do que eu para me controlar, senão vou continuar num mau caminho. Então, eu concordo com isso voluntariamente.

A pessoa que não pode servir e cuidar de seu ego por si mesma é subordinada a outra pessoa (um ego maior), e se estiver aderida a ela, está pronta para trabalhar com ela por o seu ego, porque, neste caso, aquele que é maior protegerá e cuidará dela. É como uma criança que compensa seus pais, dando-lhes prazer. É assim que a natureza nos criou. Eu dou ao meus pais prazer e em troca eles cuidam de mim. E se a natureza não tivesse me criado de tal forma que apenas com a minha existência eu desse prazer a meus pais, eles não se preocupariam em me cuidar. Portanto, o servo dá prazer ao seu dono e está pronto para trabalhar por ele. E o mestre assume a responsabilidade por ele, por sua vida e a satisfação de suas necessidades.

Em nosso mundo, nós entendemos errado a escravidão. A escravidão é um estado onde a pessoa entra por seu próprio livre arbítrio. Enquanto eu quiser ser um servo, eu continuarei a ser um servo. E se eu provar que quero ser libertado dos grilhões da servidão, isso vai acontecer imediatamente. Nós vemos isso no exemplo do Êxodo do Egito, que representa a servidão egoísta. Se você quiser abandonar o ego, então, por favor, tudo o que resta é mostrar aos seus desejos: para que você está pronto.

Eu estou pronto para viver de forma independente, sem o ego, e obter satisfação e comida para mim, para trabalhar no desenvolvimento deste processo? Eu entendo que isso não é em prol do ego, mas e prol do Criador? Como isto deve ser realizado? Se eu provo tudo isso, então, o caminho está aberto.

Pergunta: Mas, de um ponto de vista espiritual, um servo quer ter um mestre, pois isso é doce para ele, é uma boa situação. Por que ele deveria abandonar isso?

Resposta: A propósito, assim que aconteceu. A escravidão não era submissão e subjugação! Mas eu tenho que mostrar que amadureci, que quero e posso cuidar de mim e minha família. Eu já não tenho a necessidade de um mestre que me governe; eu estou pronto para me controlar. E o ego que me controla, sussurra-me: “Para que você quer isso, por quê? Viva com conforto!”

Nós vemos que sete bilhões de pessoas querem ser escravas. Não há ninguém que queira se tornar independente no lugar do Criador, ou seja, se preocupar com todos. Ninguém quer isso! Todo mundo quer a prosperidade material convencional, rodando entre eles, ajudando uns aos outros dentro de seu pequeno círculo fechado. Este é o seu pequeno mundo, e o que está fora dele não lhes interessa. Afinal, em um pequeno círculo, eu me sinto todos como eu. Enquanto que, num grande círculo, eu preciso saie dos limites do meu eu. Segue-se que a sociedade ainda não está suficientemente desenvolvida.

Eu só sinto parceria com alguém que é igual a mim e não me envergonho disso. A principal coisa é que eu vou ser como ele e ele vai ser como eu. Nós aspiramos a isso e prestamos muita atenção nisso. Todo o objetivo de nossa existência é alimentar a nossa besta (o corpo físico), e levar a pessoa a um estado de absoluta igualdade com todos. Isso cria uma situação muito interessante, um comunismo natural, onde existem pessoas de acordo com as leis da natureza, satisfeitos apenas com as necessidades mínimas de existência.

Suponha que eu plantei cenoura, repolho e batata no meu jardim. Para o inverno, eu tenho cinco sacos de batatas, dois sacos de repolho e não preciso de mais nada. Por que eu deveria trabalhar mais e trabalhar para outra pessoa? Seria pelo modo como os vizinhos olharão para isso?! Por que, de repente, eu deveria derrubar os limites do meu círculo? É assim que vivemos.

Comentário: É incrível, mas 70% – 80% das pessoas realmente não querem nem expandir seu lote de terra, porque o que elas têm é suficiente para elas.

Resposta: E este é um comunismo natural que se revela no nível animal. Afinal, os animais na florestal procuram sua comida para aquele dia, e no dia seguinte eles procuram outra coisa. Enquanto que, entre as pessoas, isso é revelado um pouco diferente. Elas sabem de antemão o mínimo que precisam para viver.

É possível superar esse estado? Deve-se tentar fazê-lo com a ajuda da sabedoria da Cabalá, que começa a desenvolver os desejos não no sentido negativo, no sentido do ego, mas no sentido positivo, no sentido do altruísmo. Componentes igualmente altruístas e egoístas vão crescer nas pessoas. É assim que elas gradualmente crescem.

Comentário: É interessante que os sociólogos têm tentado despertar as pessoas, convidando-as a desenvolver um negócio, e percebendo que não podem motivá-las a fazer isso.

Resposta: Negócios para pessoas como essas simboliza sair do seu equilíbrio normal. Elas sentem que estão na situação certa que é boa para elas; elas não precisam de mais nada. Elas têm algo para vestir, o que comer, e isso é o suficiente. E se algo está quebrado em algum lugar, elas vão fazer um pequeno concerto, colocar algum tipo de placa e é assim que vão continuar a viver. Como é dito num provérbio russo: “Um camponês não vai atormentar-se antes de começar a trovejar”. Somente uma necessidade urgente irá forçá-lo a fazer alguma coisa.

A sabedoria da Cabalá fala precisamente deste nível, mas não de uma forma tão anarquista, quando a pessoa é completamente irrelevante. Ela explica que o próximo estado corrido da humanidade é a preocupação consigo e com os outros. Mas isso é apenas num nível de existência necessário para a vida; tudo o resto é dirigido para o desenvolvimento espiritual.

Portanto, se os Cabalistas chegam a essas pessoas e trabalham em seu desenvolvimento interior, sem tirá-las da mesma boa situação em que estão, a alma começará a ser desenvolvida nelas. Se uma pessoa trabalha para si mesma, acreditando que não tem mais nada, ela vai continuar a trabalhar para si mesma, e os Cabalistas irão desenvolver a sua alma, acrescentando o egoísmo espiritual, não físico.

Pergunta: É possível chamar a presente existência dessas pessoas de escravidão?

Resposta: Não, pois essas pessoas têm uma sensação de liberdade. Eu cuido de mim, eu ajudo meu próximo porque ele vai me ajudar, por sua vez. Nós dependemos uns dos outros. Nós somos como uma família. Eu não penso em nada além disso. Portanto, eu sou livre!

Pergunta: E se adicionarmos um componente espiritual a isso, é possível expandir o círculo gradualmente?

Resposta: Não. Não é necessário expandir o círculo, mas apenas aumentar a conexão entre as pessoas. Afinal de contas, as pessoas vivem para se sentir bem em si mesmas e apreciar uma a outro. Mas, na verdade, é especificamente os Cabalistas que criam esse componente de prazer entre elas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/11/14

Ao Pé Da Montanha

Dr. Michael LaitmanA porção semanal da Torá BaHar (Sobre a Montanha) nos fala sobre as leis que o Criador deu à nação através de Moisés. Estas são as leis que uma pessoa tem que cumprir dentro dela. Há uma montanha de egoísmo em cada um de nós, que é a mesma Torre de Babel, mas que agora é retratada a nós como o Monte Sinai (Sina – ódio).

A força superior está acima de seu cume e nos ajuda a satisfazer o ego e transformá-lo numa montanha sagrada, no Monte do Templo. Então nós construímos o Templo em cima dele, o Criador é revelado no vaso acima do nosso ego.

Se ficarmos ao pé da montanha e estivermos prontos para amar um ao outro, ser mutuamente responsáveis um pelo outro e ser como um homem em um só coração, recebemos a Luz da correção, chamada de Torá, e podemos transformar toda a montanha de ódio numa montanha de amor. É somente em cima dela que podemos construir a casa do Senhor.

Durante a entrega da Torá, apenas Moisés pôde subir o Monte Sinai. Então ele perde completamente sua santidade, pois o Monte Sinai é sagrado somente quando a pessoa recebe a Torá. Caso contrário, é apenas uma pilha de egoísmo. É por isso que a Torá nos diz alegoricamente como transformar a montanha de ódio numa montanha onde construímos o Templo.

De Kab TV “Segredos do Livro Eterno”12/11/14