Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Perguntas Sobre O Trabalho No Grupo – 3

laitman_934Pergunta: Podemos dizer que ao cumprir os desejos espirituais dos amigos no grupo eu estou no caminho de Achishena (apressando o tempo)? E se eu preencho meus desejos pela espiritualidade, esse é o caminho de Beito (a seu tempo)?

Resposta: Beito não é a realização de seus desejos, mas o avanço forçado sob a pressão do sofrimento.

Pergunta: É possível usar exercícios físicos simples e jogos ao ar livre como meios para conectar o grupo?

Resposta: Sim.

Pergunta: Competições esportivas Cabalísticas onde a vitória é determinada pela coerência da equipe?

Resposta: Perfeito!

A Primeira Revelação Do Criador

laitman_940Pergunta: Você geralmente fala sobre a unidade entre os amigos, mas será que consegue discernir entre sentimentos corporais e espirituais? Depois de aprender tantos conceitos, pode haver uma confusão comum: o que é um bom ou mau humor, o que é a alegria que deriva de conexões comuns, e quais são seus sentimentos em geral.

Será que é possível inclusive discernir esses sentimentos ou tudo funciona conforme o método da fé? É tudo muito contraditório. Um dia eu sinto que tenho uma boa vida, estou de bom humor e amo o mundo inteiro; no dia seguinte, sinto que odeio todos. Afinal, esses sentimentos mudam de acordo com o avanço de uma pessoa e de acordo com a sua ascensão espiritual. Isso tudo é muito semelhante à maneira como construímos nossas relações no mundo corporal e como nos sentimos a respeito de outras pessoas!

Resposta: Somente o trabalho contínuo e persistente no grupo, discutindo as relações mútuas com os amigos e comparando seus atributos com o caráter do Criador, podem orientar suas relações imitando e se assemelhando ao Criador. Assim, vocês irão criar a imagem do Criador entre vocês, o primeiro nível do mundo superior: Nefesh do mundo de Assia. Essa será a sua primeira revelação do Criador.

Nova Vida # 353 – Passado, Presente, Futuro

Nova Vida # 353 – Passado, Presente, Futuro
Dr. Michael Laitman em conversa com Oren Levi e Tal Mandelbaum ben Moshe

Por um lado, como é possível conduzir uma vida além do passado, presente e futuro, e como as conexões entre nós podem ajudar a influenciar o nosso futuro?

Resumo

Sentir “apenas este momento” significa morrer ou aprender a superar o passado, presente e futuro. É possível descobrir o nosso cronograma de desenvolvimento, o programa da criação, e controlar a vida. Esse é o prazer supremo!

A pessoa pode tentar treinar sua mente para aproveitar o “aqui e agora”, e pronto. Mas este não é o propósito da existência.

O propósito da existência humana é desenvolver ferramentas para gerir o seu futuro como o presente.

Toda a natureza está conectada, interdependente. O desenvolvimento da espécie humana também está se dirigindo para a conexão mútua. Alguém que quer desfrutar ao máximo a partir de agora até o final de seus dias deve construir uma boa relação com todos. Se você machucar alguém no caminho para o seu prazer pessoal, isso vai voltar para você. O mundo é redondo. Se uma pessoa cria conexões de amizade e amor mútuo com todos, assegura uma boa vida para si mesma.

No caminho para uma conexão completa com os outros, você precisa verificar a sua atitude para com eles ontem, a fim de melhorar. Não se devore com relação ao passado, basta decidir que a partir de agora você quer corrigir o relacionamento. Através da sabedoria de conexão e de exercícios especiais, eu começo a sentir que os outros e eu somos um.

E quando eu começo a incluir toda a realidade dentro de mim, tudo se torna eu. Eu me torno ilimitado.

De KabTV “Nova Vida # 353 – Passado, Presente, Futuro”, 17/04/14

Perguntas Sobre O Trabalho No Grupo

laitman_938_07Pergunta: Como eu lido com as minhas queixas sobre o meu amigo? Eu devo me sentar com ele e discutir o que não gosto, ou devo manter isso comigo mesmo e tentar me convencer mentalmente de que ele é melhor?

Resposta: Discuta isso no grupo, porque o Criador está dando isso a você para uma maior conexão para a Sua revelação no grupo.

Pergunta: Será que trabalhar na conexão significa querer sentir os desejos dos amigos como o meu? Se sim, de quais desejos dos amigos nós estamos falando: todos os desejos dos amigos ou apenas os desejos dos amigos pelo Criador?

Resposta: É apenas os desejos dos amigos pelo Criador.

Pergunta: Nós podemos dizer que a indicação do aparecimento das Dez Sefirot é a felicidade da união no grupo? 

Resposta: Esta é uma das sensações que acompanham.

Como Posso Satisfazer Desejos?

laitman_940Pergunta: Como posso reconhecer os desejos do meu amigo? O que significa doar espiritualidade e satisfazer os desejos do meu amigo?

Resposta: O desejo do seu amigo é revelar o Criador. No entanto, ele só pode fazer isso se tiver a mesma propriedade de doação que o Criador, pelo menos no nível mínimo.

Você pode ajudar seu amigo a obter a propriedade do Criador trabalhando na espiritualidade juntos. Assim, haverá uma ação entre você e ele que vai atrair a Luz que Reforma.

A Luz é uma propriedade de doação e amor. Ao se aproximarem, vocês estarão se tornando mais semelhantes à propriedade da Luz, e você vai estar acumulando a propriedade de doação e amor entre você e seu amigo. A Luz vai começar a se manifestar entre vocês, e vocês vão senti-la como a revelação do Criador. É assim que você deve trabalhar com o seu amigo.

Da Convenção Em Moscou, Dia Dois, 03/05/16, Lição 5

Faraó E O Grupo

laitman_528_02Pergunta: Nós discutimos o ponto que o Faraó é a força que nos separa do grupo, que é a causa de estarmos divididos e de todas as brigas entre nós. O Faraó é uma força da natureza.

Como podemos realmente trabalhar com essa força no grupo? Como podemos trabalhar com essas forças poderosas? O que podemos fazer com elas e o que não podemos fazer?

Resposta: O Faraó, o egoísmo, está em seu caminho quando vocês querem se aproximar. Vocês devem se aproximar para começar a senti-lo. Primeiro, vocês vão sentir que ele é o bom Faraó, os sete anos de saciedade e, depois, o mal Faraó, os sete anos de fome, no final dos quais as dez pragas atacam o egoísmo, pelas quais você vai ser jogado para fora do egoísmo assim que sair do Egito. Todo o trabalho é apenas na aproximação acima de todos os distúrbios.

Perguntas Sobre Trabalhar Em Grupo

laitman_934Pergunta: Qual é a diferença entre a conexão entre os amigos e a unidade? A que devemos ansiar quando estamos no Grupo de Dez?

Resposta: Nós alcançamos a unidade real pelo anseio por conexão?

Pergunta: Eu estou em um grupo de vários homens. Três a quatro deles participam de todas as atividades, enquanto outros três a quatro homens não vêm regularmente para as atividades em grupo. Tal grupo não doa a mim, mas eu não quero “puxar o trem” sozinho. Eu acho que um grupo deve operar em sinergia.

É possível entrar no mundo espiritual sem um grupo ou eu devo ensinar os outros e, assim, criar meu próprio grupo?

Resposta: Tente fazer isso enquanto é um membro do seu grupo.

Os Resultados Da Convenção Não Foram Totalmente Revelados

laitman_214Pergunta: O que mais nos falta para construirmos o embrião espiritual após a série de Convenções poderosas que realizamos e o trabalho que fizemos para nos anular?

Resposta: Nós ainda não estamos conectados como um embrião, bem como não estamos conectados de modo a formar uma matriz onde o embrião possa se desenvolver. Nós só precisamos conectar; isso é tudo. Nós devemos nos conectar como um só corpo e ser como um homem em um só coração. Afinal, você ainda não quer isso. Você só está estudando.

Pergunta: Como eu posso, de repente, querer algo que não quero?

Resposta: Nós recebemos tal deficiência indiretamente através das ações que realizamos. Nós não podemos fazer nada contra o nosso ego diretamente, mas podemos estimular a Luz que Reforma indiretamente, a qual muda a nossa natureza.

Pergunta: Pode um grupo pequeno no nosso grupo maior se conectar e ser como um embrião, ou todo mundo precisa se conectar para conseguir isso?

Resposta: No momento, é impossível dizer com certeza como isso vai acontecer, porque essa situação nunca foi realizada antes. Nós temos que digerir completamente esse princípio. Não podemos ter certeza de que algo possa de alguma forma acontecer se ainda não foi realizado.

Existem infinitas opções na espiritualidade. Portanto, eu não sei como o grupo interno deve ser para se tornar um embrião que exista no útero, o grupo externo.

Nós estamos nos aproximando desse estado de forma gradual e muito rapidamente. Cada vez eu fico espantado com os nossos novos saltos súbitos. No entanto, não há exceções. Todos nós devemos se tornar um embrião de acordo com a nossa atitude para com o desejo de receber, e todos nós devemos se tornar um útero em nossa atitude para com o desejo de doar. Nós construímos tudo isso a partir de nós mesmos.

Nós devemos primeiro construir o útero, o nível de doação, e elevá-lo às alturas celestiais. Depois, abaixo dele, podemos construir o nível de recepção, que é o chão sob nossos pés. Primeiro há sempre uma linha direita, a doação, depois a linha esquerda, a recepção. Isso é o que se diz no livro Shulchan Aruch, que descreve os mandamentos. Esse livro nos dá muitas instruções práticas quanto ao nosso trabalho interno se pudermos interpretá-las como conceitos espirituais.

Pergunta: No que devemos trabalhar hoje?

Resposta: Devemos trabalhar na exaltação do atributo de doação e na construção da conexão entre nós sob a forma de um embrião. Devemos construir a conexão entre nós, que é o Criador, e a conexão, que é a criatura. Assim, veremos que esses são dois lados da mesma moeda.

Comentário: Mas não podemos ligar esses dois opostos!

Resposta: O Criador irá organizar essa oposição na forma da linha média. Não se preocupe. Não resta muito tempo. Nós demos um grande salto, e vamos sentir isso em breve. Nós ainda não vemos os resultados da Convenção, mas vamos vê-lo no futuro, e estamos avançando constantemente em direção a isso.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/12/14, Escritos do Baal HaSulam

O Egoísmo E As Pragas Do Egito

Laitman_049_01Pergunta: Como o ego sente as pragas do Egito?

Resposta: As pragas do Egito são sentidas quando o ego criado numa pessoa é construído na forma de Egito e Faraó, que é oposta à forma da nação de Israel e Moisés. Estes golpes são necessários para nos afastar do ego e para nos preparar para romper com ele.

Pergunta: Eu não entendo como podemos subir acima do ego e amá-lo ao mesmo tempo. Nós estamos acostumados a suprimir o nosso ego, erradicá-lo em todos os sentidos possíveis. O que significa subir acima dele?

Resposta: Significa que você deve concentrar seus desejos em preencher os outros e receber prazer com isso.

Pergunta: Como eu posso entender que o ego é mau se os grupos não falam sobre isso e tentam velá-lo através de jogos de amor?

Resposta: Nós devemos falar sobre isso!

O Feriado De Purim À Luz Da Correção Espiritual

laitman_572_03O feriado de Purim simboliza a futura correção completa de toda a humanidade.

Dois mil e quinhentos anos atrás, já havia uma correção parcial nas raízes espirituais, mas essa foi apenas uma preparação, porque tudo o que acontece na correção da sociedade humana deve passar por duas etapas.

A primeira etapa foi realizada em um pequeno grupo de pessoas que Abraão tirou da Babilônia e guiou até a destruição do Primeiro Templo (Beit ha Mikdash). Na verdade, este grupo passou por todas as etapas de correção, e uma das etapas era o estado chamado Purim. Purim vem da palavra “Pur – Lote” (Festa dos Lotes), e hoje todos nós devemos voltar a isso em conjunto com todo o mundo.

Como é contado no Livro de Ester, Assuero (Xerxes I), o rei da Babilônia, fez uma grande festa na qual descobriu que dois de seus ajudantes estavam tentando destitui-lo de seu trono.

Quem expôs essa conspiração foi Mardoqueu, um Cabalista, que estava no nível de Hassadim (Misericórdia) ou no nível de Bina, onde a pessoa não precisa de nada para si. Ela pode se corrigir apenas neste nível e continuar a subir só se atrair outras pessoas e transmitir a Luz de Hochma (Sabedoria) através de si, o que significa que ela realiza o papel de Bina.

Bina é dividida em duas partes. A parte superior, GAR de Bina (Galgalta ve Eynaim de Bina), opera apenas com a doação sem querer nada para si, e a parte inferior, ZAT de Bina, recebe a Luz de cima, de Hochma, para transmiti-la aos Tachtonim (Inferiores) se eles exigirem.

Se ninguém precisa disso, então é dito alegoricamente que “Mardoqueu estava sentado na porta do rei” (Ester 2:19) na entrada para a cidade de Susa (Shushan). Isto é porque ele compreendeu que, se fosse necessário obter algo do rei – ou seja, do Criador – a fim de transmiti-lo aos outros, isso só poderia ser feito por meio de Suas características, transmitindo tudo através de Bina, o atributo de doação. Assim, Ohr Hochma vestida em Ohr Hassadim passaria a todas as criaturas e seria uma bênção para elas.

No entanto, quando Mardoqueu expôs a trama dos dois traidores e estes foram levados para fora para serem executados, o rei não o promoveu e não lhe deu presentes dignos de um rei. Por que? É o que é dito na Megila (da palavra “Gilui – Revelação/Descoberta”).

O conselheiro do rei, Hamã, era contra Mardoqueu. Em sua opinião, o principal era atrair Ohr Hochma no desejo de receber, o que significa atrair os prazeres nos desejos egoístas e tornar-se preenchido por eles.

Mardoqueu entendeu que isso era impossível, porque, se a Luz é inserida no desejo de receber, há uma Shevira (quebra). Portanto, há a obrigação de vestir Ohr Hochma na Ohr Hassadim, e somente nesse caso essas duas Luzes podem ser recebidas no desejo de receber. Portanto, eles discordavam.

Mardoqueu é a Kav Yamin (Linha Direita), apenas Hassadim. A principal coisa é Hassadim, e a Ohr Hochma só pode ser recebida na medida em que pode ser vestida em Ohr Hassadim e complementá-la. A Kav Smol (Linha Esquerda) é Hamã, que queria receber Ohr Hochma diretamente.

O resultado foi algo interessante. Em vez de dar a Mardoqueu uma recompensa por seu resgate, ele compensou Hamã, elevando-o a uma posição superior, honrada e muito exaltada. Mardoqueu não sabia o que fazer, mas, apesar de tudo, sentou-se à porta da cidade e convenceu a todos que era impossível de se comportar como Hamã.

Imagine uma pessoa que se encontra numa divisão interna. Por um lado, ela quer muito receber Ohr Hochma, e pode fazer isso porque tudo o que é derivado do Criador, ou seja, do rei, vem até ela. Por outro lado, Mardoqueu afirmava que isso era impossível, que é preciso agir apenas de acordo com Ohr Hassadim, o atributo de doação. No mesmo grau que você adquire o atributo de doação, você pode receber Ohr Hochma.

A rainha Ester, sobrinha de Mardoqueu, desempenha um grande papel nessa história. Ela foi levada ao palácio do rei, para que depois pudesse ser o fator de ligação entre Mardoqueu e o rei. Isso significa que Ester é Malchut, o desejo feminino que pode atrair a Luz Superior. Assim, a Luz está segura de passar por Mardoqueu, e depois disso, Hamã seria integrado nela, mas apenas no caso em que isso fosse acompanhado da recepção correta da Ohr Hochma.

Então, a rainha Ester contou ao rei sobre o complô dos dois funcionários que queriam matá-lo e que Mardoqueu o expôs. Esses servidores simbolizam a Klipa (Casca) da Kav Yamin e Kav Smol, ou seja, os desejos egoístas que queriam explorar tanto a Ohr Hochma e a Ohr Hassadim só para si. O rei pendurou-os e, depois disso, favoreceu Ester ainda mais.

Uma pergunta pode ser feita: por que o rei elevou Hamã? Afinal de contas, ele deveria ter recompensado Mardoqueu por salvá-lo.

No entanto, Mardoqueu era um Tzadik (Justo). Tzadik é uma pessoa que não tem desejo de receber para si, porque não quer nada para si. Assim, é impossível recompensá-lo de qualquer maneira. Além disso, é impossível utilizar essa característica visto que, com a sua ajuda, é impossível atrair a Luz e subir de nível para nível. Em uma pessoa, é muito passiva.

Assim, quando o rei elevou Hamã, ele deu a Mardoqueu uma razão para ascender. Em outras palavras, quando os desejos mais egoístas surgem em nós, nós começamos a entender que precisamos de correção, e cabe a nós desenvolver a característica da Kav Yamin, a característica de Mardoqueu, dentro de nós, acima da característica de Kav Smol que continua a crescer.

Mesmo que nós não concordemos com isso, é difícil para nós superá-lo. No entanto, toda o nosso caminho é através da realização de boas ações. Nós chegamos às Convenções, estudamos, disseminamos, e de repente sentimos que caímos. O desejo de um trabalho espiritual desaparece de nós. Nós somos atraídos a todos os tipos de coisas. Nós começamos a brigar entre nós. O ego sobe. Então, o que pode ser feito? Essa é a elevação de Hamã.

Nós devemos entender que tudo isso é feito para o nosso benefício, para nos elevar para que possamos sentir isso. Tanto quanto o ego surge em nós, cabe a nós complementá-lo com a Kav Yamin, o atributo de doação. Assim, apesar dos acontecimentos, cabe a nós estar em guarda o tempo todo e saber como lutar contra eles.

O avanço espiritual baseia-se pisando em duas pernas, direita – esquerda, direita – esquerda, e assim por diante. Isto é, cabe a nós estar tanto em estados opostos entre nós e tentativas de subir e se conectar acima desses estados. É muito importante não esquecer na parte masculina, e, especialmente, na parte feminina do grupo, que deve haver um claro entendimento de que o grupo está sempre avançando, apesar das atitudes que são reveladas nele.

A principal coisa para nós é ansiar constantemente pela conexão, e sob essa conexão, diferentes correntes são formadas, saltos egoístas. Tudo isso é correto e bom. Neste caso, vemos através das ações de Ester, a parte feminina, como é bom que exista uma mulher forte no grupo que esteja conectada ao Criador, o que significa que ela entende o avanço corretamente, que ela pode ajudar a relaxar e equilibrar as duas forças de Hamã e Mardoqueu. Assim, o livro é chamado de Livro de Ester em seu nome.

Ester não apenas age assim. Ela se veste de uma maneira especial. Ela sai e se senta no caminho do rei. Isso significa que quando a Luz chega de cima, ela, a Malchut, senta-se naquele lugar e atrai a Luz através de seu desejo. Dessa forma, ela cria a conexão entre o rei (Keter), a Luz (a fonte de Chochma) e Mardoqueu (o atributo de Bina).

Essa mesma pequena Luz que passa do rei a ela é chamada de “cetro de ouro” (Ester 4:11). Como está escrito: “Quando viu a rainha Ester ali no pátio, teve misericórdia dela e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão. Ester aproximou-se e tocou a ponta do cetro” (Ester 5:2). Então, um pouco da Ohr Hochma passou à Bina, e Mardoqueu começou a agir.

À pergunta do rei: “Que há, rainha Ester?” (Ester 5:3), Ester responde: “Se for do agrado do rei, venha com Hamã hoje ao banquete que lhe preparei” (Ester 5:4), e o rei e Hamã vão até ela juntos.

Lá, Ester explica ao rei que, se Hamã usar seus desejos, toda a Luz passará às Klipot de Hamã, os desejos arruinados, e, assim, o rei não terá nada. Isso significa que todos os servos do rei, ou seja, todos os desejos, não vão agir para doar ao Criador, mas, pelo contrário, vão cair. Então, Hamã vai subir acima de tudo, incluindo o próprio rei.

O rei grita com raiva para Hamã, como ele poderia ter pensado uma coisa dessas? Com grande temor, Hamã cai na cama de Ester, o rei se irrita com Hamã, acusando-o de querer se deitar na cama, em vez dele mesmo! Visto que Hamã quer receber toda a Luz que vem do alto, isso simboliza uma situação como se ele violentasse Ester, pegasse todos os seus desejos, e os satisfizesse. Portanto, Hamã agora espera uma punição séria.

Deve-se salientar que as características de Mardoqueu, o atributo de Bina, estão dispersas por todo o reino de Assuero, o reino da Babilônia, que inclui 127 nações. A Babilônia simboliza toda a humanidade, uma vez que todos nós viemos da antiga Babilônia.

O rei envia emissários a todas as nações com a mensagem de que chegará o dia em que será necessário se levantar e matar aqueles a quem ele ordenar, mas a primeira mensagem não diz exatamente quem é necessário matar. Só na segunda carta é dito que é necessário matar aqueles que não podem se conectar uns com os outros, ou seja, matar as características egoístas que são reveladas nesse gigantesco desejo.

Portanto, o rei astutamente pede a Hamã: “O que se deve fazer ao homem que o rei tem prazer de honrar?” (Ester 6:6). Hamã responde que ele deve sentá-lo num cavalo, vesti-lo com roupas reais, e levá-lo por toda a cidade para que todos vissem a sua grandeza. Isso ocorre porque Hamã pensa que irá merecer tudo isso já que Ohr Hochma será inserida nos Kelim de Cabalá (vasos de recepção) e não nos Kelim de Hashpa’a (vasos de doação) visto que Mardoqueu não precisa de nada.

Agora, revela-se que é impossível receber diretamente a Luz dentro dos vasos de recepção porque ela desapareceria imediatamente como resultado do Tzimtzum Aleph (Primeira Restrição). Então, o rei ordena Hamã, “”Vá depressa apanhar o manto e o cavalo, e faça ao judeu Mardoqueu o que você sugeriu. Ele está sentado junto à porta do palácio real. Não omita nada do que você recomendou” (Ester 6:10).

Hamã passa por um sofrimento terrível, mas nada lhe resta fazer, exceto executar as ordens do rei. É assim que Mardoqueu percebe as condições necessárias pelas quais a Luz Superior vem do rei através de Mardoqueu a todos os habitantes da Babilônia e, finalmente, a Ester.

Posteriormente, nasceu um filho de Ester que se tornou o rei de Babilônia. Ele ajudou o povo de Israel a voltar do exílio babilônico para a terra de Israel e construir o Segundo Templo (Beit ha Mikdash). Isso é conhecido por nós da história já que a Megillat Ester (Livro de Ester) não fala sobre isso. Essa história alegórica termina com Mardoqueu se tornando o assistente do rei, o que significa que toda a Luz passa através dele de cima para baixo e se estende a todo o grande reino.

Os eventos descritos no Livro de Ester aconteceram cerca de 2.500 anos atrás, entre a destruição do Primeiro Templo e a construção do Segundo Templo. Eles pertencem ao final do segundo período de exílio na Babilônia.

Hoje, nós estamos no final do último exílio de 2.000 anos e estamos ascendendo à construção do Terceiro Templo .

O templo é o Kli global geral de recepção que foi planejado na antiga Babilônia 3.500 anos atrás, quando Abrão começou a explicar aos babilônios que todos eles devem se conectar. No entanto, ninguém o ouviria, com exceção de um punhado de alguns milhares de pessoas. Em última análise, todos os habitantes da Babilônia se espalharam por todo o mundo.

Na verdade, hoje nós estamos na mesma situação da Shevira (quebra) como na antiga Babilônia, no tempo de Abraão, e o que aconteceu com Abraão e seu grupo na época de Mardoqueu e Ester mil anos depois que eles deixaram Babylon deve acontecer agora conosco novamente.

Cabe a nós compreender que a revelação deve acontecer, mas apenas conforme a integração entre nós (que é o que Mardoqueu estava falando). Em primeiro lugar, isso será acompanhado pela ascensão de grandes egos, e esses serão obstáculos muito sérios. Em segundo lugar, a subida deve ser realizada com a ajuda de uma participação ativa da parte feminina séria.

Nenhuma fonte fala da importância do papel feminino na conclusão da correção de toda a humanidade, com exceção do Livro de Ester. O nome Ester indica Hastera (ocultação) e o que isso indica é que, embora o trabalho da parte feminina seja aparentemente em ocultação, ele tem uma importância muito grande na correção.

Não há necessidade de temer a revelação do ego. Em vez disso, deve ser entendido que ele é revelado, a fim de podermos utilizá-lo corretamente. Então, não faz diferença que ele queira se elevar e nos dominar, causando todos os tipos de divergências entre nós. Cabe a nós pará-lo a tempo.

Portanto, é claro para nós que podemos encontrar uma conexão com o Criador, com o rei. E com a ajuda de Ester e Mardoqueu (os atributos de doação) que são encontrados em nós, podemos ajustar e corrigir tudo, para que possamos unir todos os desejos juntos, incluindo os desejos mais egoístas de Hamã, e, finalmente, vamos levar o mundo inteiro a um Kli compartilhado cheio de Luz.

Isso é o que é falado no Livro de Ester. O feriado de Purim é dedicado a isso.

Purim vem da palavra “Pur”, os lotes que estão aparentemente dispostos entre Mardoqueu e Hamã, porque não está claro com quem é preciso avançar. A pessoa se encontra numa grande divisão interna que às vezes não sabe o que fazer.

Purim é precedido por outra ação espiritual, incorporada em nosso mundo sob o nome de Yom Kippurim (Um Dia como Purim – Ke Purim), quando descobrimos desejos vazios que somos capazes de preencher por causa da falta de Ohr Hassadim. Assim, em Yom Kippur (Dia da Expiação), nós não comemos e não bebemos como símbolo de que os nossos desejos não podem ser preenchidos porque lhes falta a correção da Ohr Hassadim, o desejo a fim de doar, a intenção em prol da doação.

Entre Yom Kippurim e Purim, há outro feriado, o feriado de Chanucá. Nesses dias, nós podemos acender uma Menorá, e essa atividade simboliza Ohr Hassadim que sobe de baixo para cima, a fim de doar. Isso significa que os desejos que descobrimos em Yom Kippurim nós corrigimos em Chanucá através de Ohr Hassadim e os preparamos para Purim, quando eles ainda vão ser preenchidos com Ohr Hochma. Estes três eventos continuam um após o outro e simbolizam a descoberta do Kli vazio, o seu preenchimento por meio da Ohr Hassadim, e depois disso, o seu preenchimento por meio da Ohr Hochma.

De Fundamentos de Cabalá 24/02/13