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Encontre O Criador

947A essência da assembleia é que todos estejam em unidade e busquem um único propósito: encontrar o Criador. Em cada dezena está a Shechina [Divindade] (Maor VaShemesh. Parashat VaYechi).

Quando nos reunimos na dezena, devemos nos preocupar com o Kli (vaso) no qual o Criador se revela, e não com a Sua revelação em si. Alcançar o Criador consiste em construir dentro de nós um estado no qual Ele certamente se revelará, pois Ele preenche tudo. Tudo o que precisamos é da base sobre a qual Ele possa se manifestar, nada mais.

Por exemplo, na escuridão do espaço sideral parece não haver luz. Mas se você colocar alguma barreira ali, verá que todo o espaço se inunda de luz, porque agora a luz tem algo contra o que se chocar, algo de onde refletir. Assim é em nosso estado: devemos pedir a criação do Kli (vaso), não a revelação do Criador.

Devemos prestar atenção a isso, pois então seremos direcionados com mais precisão para o que nos é exigido, o que depende de nós e o que devemos realizar, e o Criador se revelará imediatamente, automaticamente. Esta é uma lei da natureza.

Na medida em que criarmos condições adequadas para a Sua revelação, a propriedade do Criador se manifestará segundo a lei da equivalência de forma. Ou seja, se junto com os amigos eu criar uma propriedade mútua de doação, então, por meio disso, criaremos a condição para a revelação do Criador dentro de nós, entre nós.

A essência da assembleia é que todos estejam em unidade e busquem um único propósito: encontrar o Criador. Em cada dezena reside a Shechina [Divindade]. Certamente, se houver mais de dez, haverá mais revelação da Shechina

“Mais” está incorreto. HaVaYaH não inclui mais do que dez. É simplesmente dividido em dezenas fracionárias e específicas. Por “aumentar” não se entende uma quantidade numérica, mas sim a potência da unidade.

É muito importante saber que qualquer dezena ascende apenas através de uma unidade cada vez mais forte. Nosso sonho, nosso objetivo, é estar em uma dezena completa, uma que verdadeiramente consiste em dez indivíduos, que se desenvolve constantemente e, assim, ascende cada vez mais.

Da Convenção Internacional de Cabalá 05/09/19, Moldávia, Lição 0

O Método Para Sair Da Crise Global

263A sabedoria da Cabalá é um método para unir as pessoas. Ela ensina que, antes de tudo, uma pessoa deve corrigir a si mesma, e então tudo o que fizer será para o benefício dos outros.

Se tentarmos nos unir de acordo com nossos impulsos internos naturais, sem nos corrigirmos primeiro, conflitos e problemas começarão a surgir.

A sabedoria da Cabalá explica como se unir corretamente. É por isso que ela é tão importante para nós, especialmente em nossa época, quando famílias se desfazem, amizades se desfazem e as pessoas buscam cada vez mais viver sozinhas. Quando se unem, muitas vezes é por razões egoístas, o que acaba levando a conflitos explosivos e divórcios.

O egoísmo cresceu tanto que agora precisamos aprender o método da conexão verdadeira. Psicólogos e sociólogos não conseguem explicar completamente por que isso está acontecendo. Recentemente, porém, começaram a concluir que se trata de uma tendência global, e se veem perplexos diante dela.

A sabedoria da Cabalá deve se revelar no mundo moderno como um método de união positiva e benevolente. Ela é necessária onde quer que a humanidade descubra sua incapacidade de se unir de forma benéfica e comece a romper laços.

Como resultado, vemos divórcios em famílias, brigas entre crianças, confusões graves nas escolas, conflitos entre pais e filhos e tensões no ambiente de trabalho entre empregadores e empregados.

Conflitos ocorrem em todos os lugares: entre países, na política internacional, dentro de cada Estado e entre partidos políticos. Dentro de qualquer nação, há um choque de muitas opiniões, movimentos e facções contraditórias.

Em breve nos sentiremos completamente desconectados, dilacerados e distantes uns dos outros. A fragmentação atingirá proporções tais que a pessoa sentirá tantos desejos conflitantes, até mesmo dentro de si, que ficará confusa e perderá a paz e o equilíbrio interior.

A humanidade sentirá completo desespero e impotência, e essa crise está se desenvolvendo gradualmente, passo a passo. Em alguns países, ela se manifesta com mais intensidade, em outros, menos, por ora. Mas o isolamento se espalha como uma epidemia e, no final, atingirá o mundo inteiro.

A situação se tornará tão grave que ninguém saberá como se conectar adequadamente com os outros. Um bloqueio interno surgirá, ou seja, uma falta de compreensão e de empatia. É por isso que a sabedoria da Cabalá está sendo revelada: ela visa unir as pessoas em um só ser humano com um só coração. Ela tem o poder de fazer isso. Sem conexão entre nós, sem comunicação adequada, nosso desenvolvimento estagnará.

Já podemos observar sintomas dessa degradação no mundo, a julgar pelo que acontece com a geração mais jovem: o crescente distanciamento entre homens e mulheres que não desejam mais formar famílias ou ter filhos, e a popularidade cada vez maior das drogas. A pessoa quer se isolar e sentir o mínimo possível do mundo exterior, porque não encontra nele nada de prazeroso.

Portanto, a sabedoria da Cabalá, que trata precisamente da conexão correta entre as pessoas, se tornará altamente requisitada e necessária para todos.

Da Convenção Internacional de Cabalá de 17/07/15, “Um Coração para Todos”, Lição 0

O Congresso Está Apenas Começando!

938.03Nada nos impede de manter constantemente a melhor sensação que já tivemos em nossas vidas, aquela que experimentamos no congresso quando sentimos unidade, a conexão entre nós e o Criador, a revelação espiritual. Se eu me afastar desse estado, significa que a culpa é minha, porque não me esforcei o suficiente.

Recebemos um despertar vindo do alto, do Criador, e ele não deve desaparecer. O Ser Superior nos dá um exemplo de como devemos ser, e devemos continuar a segui-lo. O despertar não deve depender do local físico do congresso. Se não houver despertar, significa que a grandeza do Criador e a grandeza do grupo estão em falta, e isso pode ser desenvolvido ainda mais precisamente após o congresso, durante os tempos normais.

Os intervalos entre congressos devem ser vistos como oportunidades organizadas pelo Criador para que invistamos nossos próprios esforços neste mundo. A construção do corpo espiritual ocorre precisamente na escuridão, à noite. Precisamos enxergar todos os eventos de nossa vida como conectados por esse princípio, de modo que “Houve tarde e houve manhã, um dia”. Essa é a única maneira de percebermos nossas vidas.

Do alto, recebemos momentos de unificação e proximidade com o espiritual, para que possamos mantê-los mesmo quando o despertar divino se dissipar. Devemos preservar esse sentimento interior por nós mesmos, ao menos com a mesma força que nos foi dada do alto, como se não tivéssemos saído do congresso.

O Criador nos elevou até certo ponto e nos deixou, e devemos continuar nessa trajetória. Não é bom se cairmos, pois já temos um exemplo de como prosseguir. Então o Criador nos elevará ao próximo nível, e ainda mais alto, e assim por diante, sempre.

Quando o Criador nos deixa, Ele revela quais espaços precisam ser preenchidos com a Sua grandeza. A única coisa que falta é a grandeza do Criador.

O principal é fazer um esforço para permanecer constantemente conectado com os outros, como no congresso, e não deixar esse sentimento esfriar, mas sim cultivá-lo a todo custo. Então veremos que todos os eventos de nossas vidas — nosso retorno ao trabalho e todas as atividades cotidianas — são organizados pelo Criador justamente para esse propósito: preencher todos esses espaços vazios do dia a dia com despertar, inspiração espiritual e a importância do Criador.

Devemos manter esse estado e não nos permitir regredir. É precisamente aí que reside todo o trabalho. Não há muito em que trabalhar durante o congresso. O despertar dado do alto está atuando ali, e tudo acontece por si só. Mas hoje, por meio de nossos próprios esforços, orações e todos os meios possíveis, não devemos permitir que esse despertar esfrie. Agora é o momento de trabalhar.

Portanto, no congresso não “alcançamos” o sucesso, mas o “recebemos”. Hoje precisamos alcançar o sucesso. Pode-se dizer que o congresso, isto é, a reunião e a unificação, começa agora mesmo!

Se compreendermos corretamente como utilizar o tempo do congresso e o tempo entre congressos, perceberemos corretamente a unidade que alcançamos. Tudo é testado precisamente pelos estados cotidianos, onde reside todo o trabalho. Portanto, prossigamos!

Da Lição Diária de Cabalá 08/05/18, “A Grandeza do Criador”

Um Congresso É Uma Oportunidade Para Agradecer Ao Criador

938.04Algumas palavras sobre o recente congresso internacional de Cabalá, enquanto ele acontecia: sinto um espírito completamente diferente neste congresso em comparação com os anteriores; há uma aspiração especial de todos em direção à unidade universal, e eu me incluo nesse grupo. Isso não requer minha participação externa; o esforço interior de todos os amigos é suficiente.

Na abertura do congresso, cada participante compôs uma oração a partir do centro do grupo, e os amigos pediram que todas as orações incluíssem a oração do professor.

Minha oração é que todos nos sintamos reunidos em um só lugar, incluídos em um só coração, e que não sintamos nenhuma separação. Não creio que seja preciso um esforço enorme para nos unirmos, porque já estamos juntos.

Não há necessidade de tensão excessiva; que todos se sintam bem e à vontade. Afinal, já realizamos um extenso trabalho e aprendizado prévio. Agora, precisamos apenas perceber, ainda que levemente, a conexão, a unidade que já conquistamos. Podemos desfrutar desse estado justamente porque o merecemos por meio dos esforços que investimos.

O congresso é uma consequência, não um local de trabalho. É uma oportunidade para agradecer ao Criador. Mas nada deve obscurecer nosso desejo de conexão. Durante os três dias do congresso, podemos desfrutar dos frutos do trabalho que realizamos previamente.

Contudo, a conexão deve ser correta para que não comecemos a desfrutar de forma egoísta e acabemos cedendo. Este é o prazer da unidade, na qual desejamos nos unir a todos os nossos amigos, o prazer da conexão que está sendo revelada.

Há espaço para oração em tal situação? Certamente, pois o sentimento de unidade revela quão insuficiente ele ainda é.

Agradecemos ao Criador por nos conduzir, através de todas as nossas tentativas e esforços para nos conectarmos, à sensação de como “é agradável estarmos juntos”. Esta é uma oração de gratidão. A reunião de amigos, a refeição, tudo deve ser em gratidão pelo fato do Criador nos dar a oportunidade de estarmos conectados com todos, por nos trazer a este congresso e despertar a conexão entre nós. Nossa gratidão em si será a oração.

De uma Conversa durante uma Refeição 19/02/26

Sinta-se No Centro Do Círculo

942Eu sinto que estou participando de um congresso. Só no primeiro dia, 3.000 pessoas compareceram, 800 delas vindas de diferentes países, e outras 3.500 se conectaram virtualmente. Todas dizem que o congresso tem um ar excepcionalmente sério e responsável.

Portanto, o mais importante é manter a concentração para que cada aspiração seja feita com a intenção de alcançar o objetivo em sua verdadeira essência.

Eu desejo que todos os participantes sintam uma conexão no centro do encontro, no centro do congresso. Espero que todos sintam isso e que isso nos conduza adiante, passo a passo.

É muito simples: basta anular a si mesmo e elevar todos os participantes ao céu. Não há dúvida de que o Criador ficará satisfeito conosco.

Quando eu estudava com meu professor Rabash, jamais imaginei um movimento mundial tão amplo como o Bnei Baruch, envolvendo milhares de pessoas. Não sinto que isso tenha sido obra minha; tudo veio do Alto. Não há outro além Dele. Devemos ver o Criador no centro da nossa unidade e desejar apenas uma coisa: agradecer-Lhe por tudo o que Ele fez por nós.

Por um lado, fico feliz com o que está acontecendo hoje, mas, por outro, tenho certeza de que alcançaremos uma unidade tal que cada pessoa revelará que está no centro do círculo, conectada com todas as outras. Dentro dessa conexão, receberemos tudo o que nos foi destinado.

Este é o ápice do desenvolvimento: trabalhar por muitos anos, da manhã à noite, e, no fim, sentir que você não fez nada, mas o Criador fez tudo. Afinal, você permitiu que o Criador realizasse toda a obra por meio de você. A pessoa se entrega ao Criador e permite que Ele faça tudo pelo desenvolvimento do mundo através dela. Em última análise, a pessoa deve perceber que, na realidade, ela não fez nada, mas o Criador fez tudo, e tudo o que lhe acontece, ela deseja devolver ao Criador.

Você faz tudo o que o Criador quer que você faça, mas tudo isso se deve ao Criador. E o mérito de uma pessoa é apenas este: tornar-se um Kli digno do Criador.

De uma Conversa durante uma Refeição em 19/02/26

Façamos Tudo O Que Estiver Ao Nosso Alcance

939.02Assim, por um lado, cada pessoa deve sentir-se humilde e, por outro, orgulhar-se de que o Criador nos deu a oportunidade… (Rabash, “Propósito da Sociedade – 1”).

De toda a humanidade, Ele escolheu um punhado de pessoas e desejou que elas se aproximassem Dele, O revelassem e ascendessem ao Seu nível enquanto ainda viviam neste mundo. Esta vida não nos impede de viver no mundo espiritual e sentiremos isso até o fim da correção.

o Criador nos deu a oportunidade de viver em uma sociedade onde cada um de nós tem apenas um objetivo: que a Shechina [Divindade] esteja entre nós (ibid.).

Em outras palavras, revelar a presença do Criador entre nós.

Disso decorrem vários princípios. Em primeiro lugar, precisamos de uma sociedade que permita a cada pessoa reconhecer a importância da vida espiritual.

Claro, soa maravilhoso falar sobre alcançar a eternidade, a perfeição e a liberdade; sobre não depender de ninguém; sobre ser capaz de conquistar tudo o que desejamos; sobre sucesso, saúde e prosperidade nos acompanhando; sobre compreender toda a realidade e toda a natureza. É fácil dizer, mas a pessoa ainda não sente isso.

Em um breve artigo intitulado “Ocultação e Revelação da Face do Criador – 2”, Baal HaSulam descreve até que ponto uma pessoa altera sua percepção da realidade ao sentir o mundo espiritual. Sua percepção do mundo se transforma em seu oposto.

Os problemas, o sofrimento e tudo de ruim que ela via nas pessoas e no mundo, de repente, aparecem sob uma luz oposta. Descobre-se que tudo é bom e maravilhoso, e o mundo inteiro está repleto da presença do Criador. A pessoa se sente no nirvana, em uma grande e eterna exaltação espiritual, e todo o seu mundo se enche da força da energia espiritual.

Isso depende de quanto valorizamos o objetivo em nosso ambiente. Podemos resistir ao nosso egoísmo, que sempre nos puxa para trás, somente se a sociedade “lavar” nossa mente e coração com a mensagem da importância do objetivo.

Além disso, isso precisa ser feito artificialmente. Da mesma forma, o mundo comum captura nossa atenção com coisas supostamente importantes que devemos comprar, discutir e sobre as quais devemos pensar. Por quê? Porque é importante e lucrativo para alguém, e assim essa pessoa preenche minha vida com suas preferências.

Portanto, preenchamos nossas vidas com aquilo que é importante para nós. Temos essa oportunidade. Como escreve Rabash, devemos agradecer ao Criador por nos ter colocado em um ambiente através do qual podemos revelar a dimensão espiritual.

Faça o que puder, e a salvação do Senhor virá num piscar de olhos (Baal HaSulam, Carta nº 10).

Não nos é exigido que façamos nada além das nossas capacidades. O problema é outro: não aplicamos o esforço que somos capazes de fazer.

Baal HaSulam continua: O mais importante para vocês hoje é a unidade dos amigos. Esforcem-se cada vez mais por isso, pois pode compensar todas as falhas. Em outras palavras, não há nada mais importante. “Compensar” significa preencher, encobrir todas as falhas. Como está escrito: “O amor cobre todas as transgressões”.

Na verdade, as transgressões não são nossas, o egoísmo não é nosso, o ódio não é nosso; tudo isso foi criado pelo Criador. Como se diz: “Eu criei a inclinação ao mal”. Mas, para revelar a conexão que transcende tudo isso, nós, e especificamente nós, precisamos fazer o esforço.

Ao transcendermos o ódio, alcançamos um poder que nos eleva em 125 graus ao Mundo do Infinito. Portanto, em outra de suas cartas, Baal HaSulam escreve:

Ordeno que comecem a amar uns aos outros como a si mesmos, com toda a sua força, a sentirem as dores dos seus amigos e a se alegrarem com as alegrias deles o máximo possível. Espero que guardem estas minhas palavras e cumpram esta ordem plenamente (Baal HaSulam, Carta nº 49).

Do Congresso “Nós” em Nova Jersey, 02/04/11, Lição 5

Trabalho E Recompensa

571.08No entanto, existe uma lei natural que diz que ninguém é tão sábio quanto o experiente, e antes que alguém tente realmente fazer tudo o que pode, é totalmente incapaz de alcançar a verdadeira humildade, na medida real, como dito acima.

É por isso que devemos trabalhar arduamente em Kedusha [santidade] e pureza, como está escrito: “Tudo o que a tua mão puder fazer com a tua força, faça”, e compreender isto, pois é verdadeiro e profundo  (Baal HaSulam, Carta 57).

Ao trabalhar na unificação para formar um vaso para a doação, a pessoa cai em desespero. Então, surge nela um pedido genuíno, em resposta ao qual o vaso chega. Em outras palavras, a verdadeira necessidade de unidade também vem do alto. Nós, por nós mesmos, somos incapazes de alcançá-la.

Por mais que nos esforcemos, por mais que desejemos, estamos apenas nos preparando para um clamor, e o Criador nos dá o desejo. Neste mundo, uma pessoa não tem e não pode ter necessidade de unidade, por mais que se esforce. O esforço é necessário apenas para pedir.

Revelei esta verdade a você apenas para que não fraqueje nem desista da misericórdia. Embora nada veja, pois mesmo quando a medida do trabalho estiver completa, é tempo de oração, mas até lá, acredite em nossos sábios: “Não trabalhei e encontrei, não acredite”.

Quando a medida estiver cheia, sua oração estará completa e o Criador concederá generosamente, como nossos sábios nos instruíram: “Eu trabalhei e encontrei, acredite”, pois antes disso a pessoa não é digna de uma oração, e o Criador ouve uma oração (ibid.).

Em suma, o resultado do nosso trabalho é alcançar o pedido correto. Então chega o instrumento, o desejo correto de união.

Em geral, neste mundo, esperamos pela realização. Mas, no trabalho espiritual, a realização é o esforço. Se eu puder trabalhar para receber algo, se eu me esforçar, isso em si já é a minha realização. Portanto, não há restrições nem limitações a ela.

Contudo, no meu estado atual, sou incapaz até mesmo de considerar tal coisa. Afinal, todos os meus esforços são necessários para que eu queira doar aos outros, não para sequer começar a doar, mas para sentir a necessidade disso. Será isso possível? No entanto, este é precisamente o vaso espiritual.

É por isso que, em nosso trabalho, passamos por diversas etapas de preparação. Os Cabalistas já escreveram sobre isso mais de uma vez: na espiritualidade, o que nos parece uma recompensa é, na essência, trabalho, e o que nos parece trabalho é, na verdade, a recompensa.

Contudo, como resultado de nossos esforços, esse mesmo vaso nos é revelado, o desejo correto.

Do Congresso no Arava, Lição 6, 25/02/12

Aprecie A Atitude Do Criador

632.1Ele [o Criador] quer que eu sinta meu estado como eu o sinto, [nem bom, nem deficiente, nem ruim, nem doloroso, nem doente], e, por mim mesmo, não me importo com como me sinto, porque quero trabalhar para doar. Portanto, o principal é que eu preciso trabalhar para o Criador (Rabash, “O Significado da Verdade e da Fé”).

O ponto principal é este: se eu me direcionar para o que recebo Dele, devo pensar e examinar a mim mesmo. Sinto algo desagradável ou mesmo dor, ou, ao contrário, alegria? Isso depende apenas da pessoa.

Portanto, em nossa vida, podemos estar em constante autoexame. Estamos na fé, ou seja, no sentimento do Criador, em alguma proximidade, em intenção para com Ele, ou estamos simplesmente sucumbindo ao nosso egoísmo?

Se eu estiver direcionado para o objetivo, para os seres criados, para a dezena, para o Criador, então, em qualquer estado em que eu me encontre, seja ele qual for, não posso, ao mesmo tempo, sentir nada de terrível, nada de deficiente.

Não quero apenas atravessar este estado. Não sentirei nenhuma dor nele; pelo contrário, começarei a revelar grande prazer nele. Porque precisamente acima do desagrado, da dor, dos problemas, dos medos e da escuridão, posso revelar a luz, minha aspiração a ela e minha conexão com ela.

Portanto, em quaisquer circunstâncias, devo estar satisfeito com meu destino, meu trabalho e meu estado, e considerar como meu grande mérito o fato de o Criador ter me dado a oportunidade de me aproximar Dele.

Da Convenção Internacional de Cabalá, 07/09/19, Moldávia, Lição 4

A Dezena Como Um Cubo De Rubik

938.03Na multidão reside a glória do Rei”, conclui-se que quanto maior o número de pessoas no coletivo, mais eficaz é o seu poder. Em outras palavras, o coletivo produz uma atmosfera mais forte de grandeza e importância do Criador. Nesse momento, cada pessoa sente que considera tudo o que deseja fazer pela santidade, ou seja, doar ao Criador, como uma grande fortuna (Rabash, “A Agenda da Assembleia – 2”).

Tudo depende de quanto nós, no grupo, expressamos a importância do nosso objetivo, a importância de revelar o Criador e a importância de criar as condições para a Sua revelação. O principal é não esquecer isso e despertar constantemente em nós mesmos o fato de que o Criador é a luz que preenche tudo e que Ele se revela apenas na medida da nossa equivalência com Ele. Se atingirmos sequer 1% de semelhança, nessa mesma medida O revelaremos. E se houver 2% de semelhança, é essa a medida em que O revelaremos.

Portanto, por um lado, cada pessoa deve sentir que existe na dezena como um décimo dela. Por outro lado, deve sentir que é a Malchut dessa dezena e é responsável pelo desejo de toda a dezena.
Gradualmente, estudaremos todos os nossos papéis nessas dez partes, cada uma das quais moldará a alma comum, ou seja, desenvolverá qualidades adicionais dentro dela, e começaremos a sentir mais o Criador.

O quanto um embrião, ou mesmo uma criança pequena, sente o mundo? Falta-lhe os sentidos, as qualidades, para isso. Da mesma forma, devemos adquirir gradualmente a qualidade de cada Sefira e, assim, sentir o Criador cada vez mais intensamente. Ou seja, cada um de nós deve se posicionar como cada Sefira.

Assim, em diferentes combinações, em diferentes configurações, nos reuniremos e “giraremos” o Criador: em um estado, em outro, em um terceiro, como um Cubo de Rubik. Dessa forma, nos voltaremos uns em relação aos outros e revelaremos o Criador em transformações cada vez maiores.

Ao que parece, o que é uma dezena? Na verdade, revela-se uma infinita possibilidade de combinações de todas as qualidades e desejos, tanto do coração quanto da mente.

Da Convenção Internacional de Cabalá da Moldávia, 09/05/19, Lição 0

A Ciência Da Cabalá: Um Caminho Para A Harmonia Suprema

939.02Nós nos reunimos aqui para estabelecer uma sociedade para todos aqueles que desejam seguir o caminho e o método de Baal HaSulam [que nos descreveu todo este caminho], o caminho pelo qual subir os graus do homem e não permanecer como uma besta (Rabash, “Propósito da Sociedade – 1”).

Em nosso mundo, existem níveis da natureza (inanimado, vegetativo, animado e humano). Se quisermos transcender o nível humano, devemos nos unir uns aos outros.

Se, acima de todos os obstáculos, rejeições, ódio e falta de vontade de se unir, conseguirmos alcançar a conexão entre nós, não precisaremos de mais nada. A ciência da Cabalá não nos ensina nenhuma ação além da união mútua.

Se em qualquer grupo, em qualquer lugar do mundo, as pessoas forem capazes de superar a rejeição mútua e se conectar umas com as outras, elas revelarão o Criador, a força superior, o mundo superior, sua imagem eterna, chamada de “alma”, porque criarão a condição para a revelação da força superior na conexão entre elas.

Portanto, a ciência da Cabalá é universal; não possui limitações, exceto uma: acima do seu egoísmo, conecte-se com pessoas como você, que desejam se unir para revelar o Criador. Não há outras condições além dessa.

Baal HaSulam acrescenta: não adianta esperar que chegue o tempo em que possamos alcançar o objetivo do nosso desenvolvimento de outra forma. Sem dúvida, só o alcançamos através da conexão entre nós. Então veremos que a força superior está impulsionando a todos em direção à conexão: os níveis inanimado, vegetal, animado e humano.

Observamos como todos estão se conectando cada vez mais, quer queiram ou não, sob a pressão de todos os tipos de problemas e sofrimentos. O mundo está se tornando cada vez mais interconectado, e a tecnologia e os meios de comunicação estão se desenvolvendo nessa direção. É assim que a força superior, a única que opera no universo, impulsiona o mundo inteiro rumo à unidade por meio de grandes pressões e sofrimentos.

No entanto, um novo caminho, diferente, se abriu para nós: podemos avançar rumo à unificação por conta própria, acelerar esse processo e trabalhar com outros “eus” como em um laboratório, conectando-nos cada vez mais e observando o que conquistamos nesse processo.

Portanto, seguindo o conselho dos Cabalistas, nos unimos em dezenas, em pequenos grupos, para que seja mais conveniente e fácil para nós e para que possamos nos conectar de forma mais flexível e gerenciável, e ver como revelamos a força superior em uma forma ou outra de conexão. De acordo com o tipo de nossa unidade, nós a revelamos, pois nosso vaso determina a revelação da luz nele contida.

Portanto, não precisamos avançar contra a nossa vontade rumo ao objetivo final, onde todas as partes da natureza se unirão em uma forma integral e global, como um único todo. Podemos realizar essa obra não sob a pressão do sofrimento, mas com compreensão, consciência e autocontrole; podemos escolher o ritmo do nosso progresso, observar como estamos avançando e também atrair toda a humanidade para nos seguir.

Afinal, se os trouxermos conosco, puxando-os atrás de nós, nos tornaremos mais fortes, e a força superior se revelará com maior poder, porque não serão mais milhares de pessoas que se unirão, como em nosso grupo mundial, mas milhões ou até mais.

Assim, revelamos o poder da força superior em toda a sua profundidade, em todo o seu alcance, em todos os seus sistemas; compreendemos como ela reina sobre tudo e governa tudo, como todo esse sistema opera. Isso é chamado de revelação da Shechinah.

Não há maior prazer do que contemplar essa harmonia, como todas as partes da criação — diferentes, dispersas, odiando-se umas às outras, distantes umas das outras — se conectam e, entre elas, não apenas se revela uma conexão, mas o amor mútuo. Isso nos preenche e nos dá a sensação da vida eterna.

Da Convenção Internacional de Cabalá, 17/07/15, Guadalajara, Lição 1