Onde Está Meu “Eu”?

727Se tudo no universo se origina do Criador, o que resta? O que resta é um componente muito intrigante: meu esforço para sustentar a perspectiva de que tudo vem Dele.

Vamos supor que eu tenha me sintonizado com essa perspectiva, mas em um minuto ela desaparece, desliza ou distorce. Em um momento, posso sentir como se existisse independentemente, e o mundo ao meu redor girasse pela mão do Criador. Em outro momento, parece que todos os meus parâmetros são moldados pelo Criador dentro de mim, enquanto o mundo externo parece estável ou flutuante, mas de alguma forma separado.

Então, se eu quiser revelar o Criador, devo trabalhar continuamente dentro da ocultação. A ocultação está em reconhecer que tudo é condicionado por Ele e que “Não há outro além Dele”. Minha tarefa é perceber a mim mesmo e ao mundo adequadamente, separar o que não me pertence do que constitui meu “eu” — meus esforços.

E mesmo dentro desses esforços, devo analisar o que é verdadeiramente meu em meus esforços, e o que foi criado em mim pelo Criador. Pode ter me parecido que algo era obra minha.

Mesmo que ontem parecesse que eu queria seguir pessoalmente o caminho do Criador, ainda devo me corrigir e reconhecer que foi o Criador quem me concedeu esta oportunidade e não minha própria ação.

Assim, vemos que o trabalho dentro da ocultação começa a tomar forma como uma clara delimitação de onde o “eu” termina e onde o Criador começa. O “eu” realmente existe, e o que é esse “eu”? É evidente que meu corpo físico é temporário.

Se meus pensamentos e sentimentos não são “eu”, segue-se que somente através do discernimento correto de nossos esforços para formar uma percepção de “eu e do mundo ao redor” poderemos encontrar algo que seja verdadeiramente nosso.

Certamente, este “meu” não abrangerá os parâmetros fundamentais do mundo ou de mim mesmo, pois estes foram predeterminados muito antes de mim. Portanto, é em minhas tentativas de construir uma visão interna do mundo que meu “eu” pode ser encontrado, um resultado de minha busca pelo Criador, pela verdade e pelo sentido da vida. E este “eu”, essencialmente, é o que é chamado de “minha alma”. Esta é a essência do trabalho dentro da ocultação.

Da Lição Diária de Cabalá 04/09/19, Preparação para a Convenção na Moldávia, “O Trabalho na Ocultação”