Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

A Resolução Da Alma

Dr. Michael LaitmanÉ muito importante verificar-se: “O que me preocupa?” Cada momento que eu me sinto vivo e bem, eu estou cheio de preocupações. Então o que me preocupa?

Eu estou preocupado com meu próprio bem-estar, tranquilidade, realização, o que vai me fazer mais feliz: paz, segurança, comida e bem-estar familiar?

Ou eu estou preocupado com os amigos, como uma mãe com um bebê, buscando o que lhes falta e o que deve ser feito por eles? Eu me preocupo com o grupo como uma fiel babá? Isso significa que tenho que verificar a intenção das minhas preocupações.

Toda a criação desceu gradualmente ao nosso mundo no qual existimos na forma física e na situação mais inferior. Nós sentimos como se estivéssemos desconectados do mundo espiritual, quando, na verdade, isso não pode acontecer. Portanto, este mundo é chamado de mundo imaginário.

Nós achamos que existimos num mundo vasto, cheio de objetos físicos. No entanto, na verdade, é tudo espiritual, mas nós não reconhecemos ou sentimos isso.

Portanto, é muito importante verificar com que eu estou preocupado em cada momento. Entrar no mundo espiritual significa continuar a se preocupar com o que é essencial e vital na vida: comida, sono, saúde, dinheiro e relacionamentos com as pessoas, mas no fundo, eu sempre estou preocupado com o pensamento de como organizar o grupo para que ele se torne a Shechina (Divindade), um local para descobrir o Criador.

Eu devo me habituar a ser feliz com a minha preocupação com o grupo. Se eu paro de me preocupar com isso, então eu me preocupo porque não estou preocupado com os amigos. Isto deve se tornar habitual. Em nosso mundo, o hábito se torna uma segunda natureza.

Suponha que eles me dão um bebê que é um estranho, por quem não tenho sentimentos. Mas eu não tenho outra escolha, sou obrigado a me preocupar com ele dia após dia. Eu começo a me preocupar com ele, e ele se torna importante para mim. Em última análise, eu começo a pensar o tempo todo. É a mesma coisa em relação ao grupo. Nós devemos atingir este estado que é possível apenas graças à determinação, e retornar constantemente aos meus pensamentos sobre o grupo.

E depois de todos esses bons planos sobre como cuidar do grupo, sobre o meu apoio a ele ao atrair a Luz até ele, sobre o Criador e dar-Lhe satisfação, eu devo me perguntar onde Ele está e onde eu estou inconscientemente. Eu sempre devo esclarecer porque estou fazendo tudo isso. Certamente, eu espero receber alguma recompensa, mas o que exatamente?

Pode ser que nesse meio tempo, eu não esteja pronto para imaginar uma recompensa para mim. Pode ser que eu entenda que depois, pelo meu esforço, eu exija controle, respeito e transcendência da vida e da morte, algo tangível e muito importante para mim. E aqui eu devo examinar o que é mais importante para mim: a minha recompensa ou a capacidade de dar satisfação aos amigos e o Criador?

Será que eu posso renunciar à recompensa, ou pelo menos parte dela? E quando me abstenho de uma recompensa, não a substituo por algo mais, além de fama e da busca por honra?

O que significa dar prazer ao Criador? De que forma eu posso fazer isso e com quais desejos eu sinto isso? Através do que eu vou sentir que o Criador recebe prazer de mim? É necessário tentar separar meus desejos e a separação em tantas partes quanto possível e ver como trabalhar com eles. Quanto mais parâmetros eu tiver, mais vou desenvolver minha percepção.

É como pixels numa tela de computador que determinam a sua resolução: em um centímetro quadrado pode haver 200 pixels, poderia haver mil ou dez mil. Quanto mais pontos existirem, melhor, e mais clara se torna a imagem.

Acontece a mesma coisa também com nossos desejos. Quanto mais nós os examinamos, mais perto chegamos da verdade, da verdadeira percepção.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição #4

Não Permita Outra Catástrofe Em Escala Universal, Parte 1

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que quando uma pessoa ouve que não há outro além do Criador, a primeira coisa que ela pensa é em todo esse mal que ocorreu no mundo: guerras, o Holocausto que ceifou milhares de vidas?

Resposta: A pessoa não concorda com o fato de que não há outro além do Criador, porque parece que isso elimina a própria pessoa, incluindo a sua existência. Ela não entende isso.

Hoje, as pessoas não concordam com a forma como o governo superior trata o povo de Israel, o grupo que busca “direto ao Criador” (Yashar-Kel), que Abraão organizou como um só povo. Mesmo hoje, as pessoas ainda choram com o desastre.

Mas seria mais correto transformar toda a memória da catástrofe na base para correção. O Museu e Memorial do Holocausto deve mostrar por que ele ocorreu, de onde veio esta terrível falha, e o que deve nos ensinar. Ele se destina a nos ensinar como podemos sair desta aflição.

No lugar da catástrofe, nós podemos desenvolver uma nova atitude do povo de Israel para com o Criador que seja mais madura e proposital. Apenas lágrimas e juras de que nunca vai acontecer de novo não vão nos proteger de futuros desastres. Naquela época, não conseguimos evitar o desastre, e por isso não podemos hoje.

O que pode ser feito, a fim de sermos capazes de influenciar os acontecimentos e não permitir que isso aconteça novamente? Como podemos aprender com o passado e encontrar a força que nos permite, de agora em diante, agir de modo que isso realmente nunca aconteça de novo? Hoje, nós temos que corrigir os danos que não fomos capazes de eliminar nos dias da catástrofe. Portanto, isso ocorreu a fim de fazer as correções pelo caminho do sofrimento.

A unidade do governo superior é um fato muito difícil, que não é aceito por uma pessoa comum, com todos os problemas e tragédias desta vida que ela tem que passar. As pessoas não entendem como é possível que o Criador tratou tão mal a nação de Israel, que foi o grupo “aspirante direto ao Criador”, orientando-os através de tal sofrimento.

Basta olhar para o caminho que o povo de Israel passou, em todo o sofrimento experimentado por nós durante os 2000 anos de exílio. Por que isso aconteceu? Qual foi o nosso erro e por que não aprendemos com isso? Por que até hoje não queremos tirar conclusões? Na verdade, com o antissemitismo crescente dia após dia, hoje pode haver uma catástrofe muito pior do que a que ocorreu na Europa há 70 anos.

Este é um assunto muito doloroso, mas temos que discuti-lo. Não há saída, e nós temos que olhar para o que aconteceu em termos do propósito da criação e das forças que atuam na natureza. Nossa tristeza pela perda é apenas o passo inicial para a produção de uma ação prática através de uma educação ampla e correta para o povo de Israel e o mundo inteiro.

Esta educação deve mostrar às pessoas que forças terríveis podem ser reveladas se não as transformarmos em forças boas. A escolha está em nossas mãos! Nós mesmos escolhemos quem nos dominará: a força do mal ou a força do bem, Faraó/egoísmo ou Criador/doação; deve ser um dos dois.

Nós devemos explicar isso em programas de televisão, workshops e debates. Isso não se aplica somente aos judeus. Hoje, nós avançamos tanto que o mundo inteiro tem que ser incluído na correção. É por isso que o governo superior começa a tratar o mundo da mesma forma que tratava antes o povo de Israel.

No passado, o governo superior exigia apenas que o povo de Israel se aproximasse da doação, mas agora isso é exigido de todo o mundo. Assim, todo o mundo está no limiar de um grande sofrimento: a guerra de Gog e Magog, a terceira guerra mundial que foi descrita pelos profetas, até uma infinidade de problemas e desgraças. E tudo isso pode acontecer porque o mundo não está avançando no caminho correto.

Naturalmente, o povo de Israel vai sofrer mais porque tem que passar a Luz para o resto. Mas o mundo inteiro também estará envolvido nesse desastre. Não vai ser como antes, uma catástrofe só do povo judeu. Protestos, problemas e revoluções irão ocorrer em qualquer local do mundo. Nós já podemos ver a primeira agitação de conflitos, que são destinados a explodir no futuro e envolver toda a terra.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/10/14, Shamati # 1

Aquele Que Coloca Tudo Em Movimento

Dr. Michael LaitmanDurante o nosso estudo, nós primeiro descobrimos as ações do nosso ego em cada estado. Isso é chamado de um outro deus. É quando eu penso que faço as coisas por mim mesmo e que a minha vida é determinada pelos outros, como os líderes mundiais que mantêm a lei e a ordem, aqueles que estão perto de mim, os que estão distantes, amigos e inimigos. Em suma, eu vejo muitos fatores operacionais, tanto positivos quanto negativos.

Cada vez que eu fico mais forte, eu vejo que não é assim. Eu simplesmente olho para o que está acontecendo de errado e atribuo essas ações aos que me rodeiam. Mas quando a situação se esclarece, eu vejo que o Criador os coloca em movimento e que eles realmente não entendem o que está acontecendo. Ele é o único que os opera, a fim de me influenciar. Assim, mais uma vez eu descubro que não há outro além Dele.

Isso ocorre em cada estado. Cada vez eu finalmente descubro que não há nenhuma outra força diante de mim, mas Ele.

Isto também se aplica a mim: agora parece que estou me esforçando, agindo ou fazendo alguma coisa, organizando a minha conexão com os outros e que eu sou independente em meus pensamentos e desejos, mas é tudo mentira. O Criador governa tudo.

Por que vemos uma imagem diferente? É assim que seremos capazes de corrigir o vaso, os nossos desejos, e nossa capacidade de perceber e ver que não há outro além Dele e que só Ele opera na realidade.

Onde eu posso revelar isso? Nos estados, desejos e pensamentos que agora me fazem sentir confiante em saber que somos todos independentes. É em relação a essa noção que está escrito: “Como a vantagem da Luz sobre a escuridão”. Quanto mais eu atribuo uma independência mais definida e determinada a diferentes fatores, mais claramente eu finalmente descubro que não há outro além Dele.

Submetendo-me a diferentes mudanças que me guiam a favor e contra a unicidade do Criador, eu finalmente começo a descobri-Lo, não apenas em situações diferentes, mas também na intensidade, na espessura (Aviut) do meu desejo, não só em sua largura, mas também em sua profundidade. Eu vejo cada vez mais como ele opera em mim em cada detalhe externo.

Verifica-se então que, em vez dos amigos e do grupo, eu estou lidando com o Criador. Mas isso não significa que eu deveria desrespeitá-los. Pelo contrário, nesse meio tempo, eles alcançaram a equivalência de forma e por isso eu me identifico com eles como me relaciono com o Criador. Por isso, é dito: “do amor dos seres criados ao amor do Criador”.

Acontece que em todos os problemas e contradições, e em todas as minhas missões pela fonte desta vida de sofrimento, eu fui trazido à única fonte e vejo que na verdade é o Criador que apresenta toda esta realidade para mim. Anteriormente, a força contra ela me confundiu ao me mostrar que os outros são os culpados por tudo que acontece, inclusive eu, já que eu fiz tantos esforços. Agora, verifica-se que somente a Luz opera a favor e contra.

Eu, por outro lado, sou apenas um espectador, olhando para a obra de Deus, na única força que opera em toda a realidade.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição # 3

A Única Pessoa Má No Mundo

Dr. Michael LaitmanShamati # 1, “Não há outro além Dele”: E por mais que ela supere, ela sempre vê como está mais longe da santidade do que outros, que sentem que são um com o Criador.

Mas, por outro lado, ela sempre tem reclamações e demandas, e não pode justificar o comportamento do Criador, e como Ele se comporta em relação a ela. Isto lhe dói. Por que ela não é um com o Criador? Finalmente, ela passa a sentir que não tem parte alguma na santidade.

Eu vejo que todas as minhas intenções e desejos são a fim de receber. Eu quero me conectar com os amigos e revelar o Criador entre eles a fim de doar a Ele, mas depois de todas as minhas tentativas, eu descubro que essa não é a minha natureza.

Embora ela ocasionalmente receba um despertar do Alto, que momentaneamente a revive, logo depois ela cai em lugar de baixeza.

Isso significa que eu percebo minhas subidas e descidas julgando até que ponto eu me preocupo com o Criador através do grupo, por meio do qual Ele será revelado, e em que medida eu anseio em ver em tudo que “não há outro além Dele” e que Ele é o “bom que faz o bem”. Eu descubro atributos correspondentes no grupo, mas entendo que não posso participar dele por mim mesmo.

Acontece que não há ninguém para culpar além de mim. As pessoas comuns na rua são totalmente gerenciadas pelo Criador de uma forma natural e instintiva. Portanto, elas não são responsáveis por nada e são como justos absolutos, uma vez que apenas cumprem as ordens do Criador, sem qualquer participação da parte delas.

Eu vejo os amigos investirem todos os seus poderes a fim de doar e a única pessoa má no mundo, que quer sair do seu ego, mas não pode fazê-lo, sou eu. Acontece que o estado geral do vaso, da alma geral, depende apenas de mim.

Assim, o estado do Criador depende do resultado dos meus esforços. O Criador só pode apreciar os seres criados e ser revelado a eles se eu adicionar o meu centavo. Sem isso, o Criador não pode ser incluído e isso é culpa minha!

O homem deve sempre tentar se aproximar do Criador; isto é, que todos os seus pensamentos sejam sobre Ele. Isso significa que mesmo que ele esteja no pior estado, do qual não pode haver um declínio maior, ele não deve deixar Seu domínio, ou seja, que não há outra autoridade que o impeça de entrar em santidade, e que pode trazer benefícios ou danos.

Ou seja, ele não deve pensar que existe a força de Sitra Achra (Outro Lado), que não permite que a pessoa faça boas ações e siga o caminho de Deus. Em vez disso, tudo é feito pelo Criador.

Por um lado, nós temos que aceitar todas as ações que atravessamos. Há apenas uma coisa que eu não posso aceitar: o fato de que não posso justificar o Criador em todas essas ações, agradecer e louvá-Lo. Esta é a única coisa que dói.

Claro, eu não sinto pena de mim mesmo, mas pelo fato de que não posso adicionar a minha parte que faltava, meu centavo, a todo o vaso geral, a fim de que o Criador seja  revelado dentro dele e o desfrute.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/10/14, Shamati # 1

O Amor Neutraliza O Ego

Dr. Michael LaitmanA Convenção acabou e nós estamos prestes a voltar aos nossos grupos, a fim de nos conectarmos com outras pessoas. Nós estamos prestes sair deste grande salão e nos separarmos do nosso Grupo de Dez.

É claro, nós devemos manter contato com eles, mas devemos ver que tudo o que é adicionado ao meu Grupo de Dez, ou o que lhe falta, quando eu volto para casa é calculado desde Cima e é realmente com isso que eu deveria trabalhar.

O Criador nos deu tais condições de propósito e eu não deveria sentir pena que não estou ao lado do mesmo pequeno grupo ao qual me acostumei tanto nos últimos dias e com quem quero ficar para sempre. Não! Eu vou trabalhar com o mundo inteiro e com o meu grupo local.

Nós devemos atingir um estado onde há várias pessoas com quem eu possa trabalhar em todos os lugares, seja virtual ou fisicamente. Pode haver diferentes Grupos de Dez na manhã, ao meio-dia e à noite. Isso é apenas o começo e nós nos atemos a um determinado Grupo de Dez para sentir que lá podemos encontrar uma resposta, calor, intimidade e compreensão mútua.

Mas nós podemos sentir o mesmo quase que imediatamente em qualquer outro grupo. Se eu estou cercado de amigos de todo o mundo que estão avançando em direção a um objetivo, eu posso sentar em qualquer grupo e imediatamente sentir que estes são os mesmos amigos.

Não faz diferença se eu conheço bem ou não essas pessoas no mundo corpóreo. Se nós temos um objetivo comum, eu posso me conectar a elas como se as conhecesse há anos. Não faz nenhuma diferença o quão bem nós nos conhecíamo anteriormente.

É muito importante expressar o amor a todos os amigos, para que cada pessoa no grupo, no Grupo de Dez, sinta que é amada. O sentimento de amor neutraliza o ego se a pessoa deseja anular seu ego. Isto é porque o amor dos amigos evoca em mim um sentimento tão tranquilo que eu deixo de me preocupar comigo mesmo.

Então eu posso subir acima do meu ego! Eu estou livre de me preocupar comigo e posso doar e dar o meu amor como um presente para os outros porque já não tenho que pensar em mim mesmo.

É um ponto muito importante. Nós podemos concordar que vamos mostrar intencionalmente o nosso amor a um dos amigos e, assim, libertá-lo de seus problemas e preocupações. Experimentem e vejam como isso funciona bem, mesmo que não trabalhemos dessa maneira de propósito em relação a um dos amigos, cada um de nós ainda deve sentir que o grupo se preocupa consigo.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 4

Um Grupo De Dez Como Uma Ferramenta Para Adesão

laitman_934Se você quiser explorar a força superior, a sabedoria da Cabalá diz que é necessário criar um instrumento adequado para isso. É como os cientistas que criam instrumentos de medição: microscópios, telescópios, aceleradores de partículas, etc. Mas eles são apropriados apenas para substâncias físicas. Então, como podemos explorar a força que age em nós, na nossa essência?

Para isso, os Cabalistas recomendam a construção de uma estrutura de dez pessoas (Minyan) que tentam criar a interconexão completa entre si. Elas estabilizam a característica da Luz em seu ambiente, se estão prontas para isso ou não, por que querem criar um todo único de si mesmas acima de seus egos.

Tal estrutura já contém duas forças dentro dela: a nossa força egoísta natural e a força geral de doação, ou seja, o Criador. E o cálculo é simples: quanto mais nós superamos a força da separação com a ajuda do poder de unificação, mais nós correspondemos, nos assemelhamos e igualamos à Luz Superior.

Mesmo quando a doação sobe para um valor de um por cento, nesse grau nós nos assemelhamos a Luz e a sentimos. Nós a sentimos na medida em que o desejo de doar domina o desejo de receber.

Se nós tentamos fazer um esforço, apesar de nossa incapacidade de superar o nosso desejo egoísta, nós começamos a prestar atenção para onde há uma deficiência, quão fracos ainda estamos, por que não temos sucesso. Em seguida, um grito, um pedido, uma oração se desenvolve em nós para que a Luz nos ajude, nos dê força, e então nos conectamos. Certamente não temos o poder de nos conectarmos por nós mesmos. Isso vem apenas da Luz.

É assim que nós avançamos: a Luz age e nos influencia de acordo com nosso pedido; nós superamos nosso desejo de receber, absorvemos mais do desejo de doar; nos conectamos entre nós cada vez mais forte… Está escrito sobre isso: (Baba Batra 9b) “De centavo em centavo se acumula uma grande soma de dinheiro”.

Então chega o momento em que realmente podemos nos unir. Então, cada um sente como desaparece na conexão comum entre nós. “Eu” e os “amigos” já não existem; todos se fundem num só. E agora, neste estado de “união”, nós sentimos satisfação, a Luz Superior, o Criador, habitando entre nós.

Então nós podemos investigá-Lo. Em outras palavras, nós construímos e ativamos um dispositivo chamado “grupo”, um “Grupo de Dez”, (um Minyan); e agora podemos avançar, estabilizando-nos cada vez mais em diversas formas de conexão. E o Criador, de acordo com a nossa conexão mútua, será revelado cada vez mais.

Através da sua influência, a Luz também vai nos despertar para camadas cada vez mais profundas do ego. Nós sentimos resistência, descida, e todos os tipos de distúrbios, que possibilitam que nos voltemos à Luz Superior com força ainda maior para que ela venha e adquira o poder para vermos nossos defeitos e os métodos para a sua correção.

Este é o caminho, 125 níveis, que ao ascende-los nós finalmente alcançamos “equivalência de forma” com o Criador. Desta forma, nós descobrimos quão importantes são as características de medo e ansiedade para nós. Afinal de contas, apenas a preocupação e o medo, “Será que sou capaz de doar?”, nos empurram para frente.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 3

Não É O Sábio Que Aprende

Laitman_165Quando nós lemos os livros de Cabalá, somos capazes de atrair a Luz Superior que Reforma. Por isso, é muito importante na hora da aula manter a intenção correta em todos os momentos, lembrando o que se quer com todos e qualquer palavra que é lida.

Pode ser que eu não entenda nada nessas palavras sobre o próprio assunto. Eu vim para a aula e ouvi que era necessário abrir um livro. Eu o abro, leio e não entendo nada, porque as coisas escritas lá são completamente novas para mim. Mas isso não é importante, eu penso só na minha intenção: O que eu quero alcançar ao sentar e estudar?

Baal HaSulam escreve na “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, item 155, que os Cabalistas também projetaram seus livros para pessoas que ainda não estão em níveis espirituais e não entendem o que está escrito. Mas, precisamente graças ao estudo dos textos que elas não entendem e não por uma questão de entendimento, mas para receber a Luz, elas avançam.

É dito: “Não é o sábio que aprende”. Durante a aula, é importante decidir que eu não aspiro ao conhecimento. “Conhecer” significa conexão, subir ao nível adequado. “O Estudo das Dez Sefirot” fala sobre níveis tão altos que vai levar um longo tempo para eu alcançá-los.

Mas eu exijo a Luz que Reforma, o poder superior que vai me influenciar, corrigir, elevar, purificar e conectar. Eu peço que ela diferencie entre os desejos que são possíveis de corrigir e os desejos que são impossíveis de corrigir dentro de mim, de modo que ficará claro para mim o que devo trabalhar.

Isso ocorre porque existem tais desejos e pensamentos que valem a pena que eu os distinga e não toque. E outros, pelo contrário, devem ser despertos e descobertos. Por meio deles, eu posso me comunicar com o grupo e com o Criador.

Da mesma forma, eu preciso descobrir de que forma é possível ajudar o grupo: não é pelos meus desejos, mas pelos desejos dos amigos. Então eu me volto ao Criador e peço especificamente força em relação a esses desejos, para levar a Luz que Corrige para o grupo.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 4

Trabalho Bilateral

laitman_942Nossa conexão com o outro indica que estabelecemos uma aliança que nos obriga a estar preocupados em geral com todo o grupo, ou pelo menos por enquanto, com o nosso Grupo de Dez.

De acordo com este critério, será que eu posso analisar se estou desconectado dessa preocupação ou não? Será que eu penso neles o tempo todo ou não? O quanto sou atraído a eles e mantenho meus pensamentos neles mostra onde estou.

Graças à nossa capacidade de realizar ações físicas dentro de um pequeno grupo (um Grupo de Dez), o trabalho espiritual se torna um trabalho físico simples, visível e acessível para o escrutínio, análise e exame. Eu posso contar quantas vezes por dia eu pensei nos amigos, como me preocupei com eles, como elevei seu humor e lhes dei elevação e entusiasmo sobre a meta, e os alimentei com confiança e felicidade.

Eu preciso examinar a mim mesmo o quanto me adaptei ao princípio: “O fim da ação está no pensamento inicial”. O estado final é a conexão com o Criador. Por isso eu me conecto com os amigos agora. Portanto, eu preciso verificar se estou realmente pensando na minha conexão com o Criador ou será que esqueci completamente dela?

Se eu esqueço do Criador, toda a minha conexão com o Grupo de Dez não é boa. Ela não leva a nada, exceto dano. Esta será uma conexão egoísta regular, onde não há espiritualidade, como entre fãs de futebol ou uma unidade de combate militar.

Portanto, eu tenho que estar preocupado com isso o suficiente para falar disso, pelo menos, se ainda não tenho nenhum sentimento a respeito. Eu devo me lembrar que estou pronto para me conectar com os amigos, a fim de conquistar a adesão com o Criador. Isso significa que estou conectado para atingir a completa característica de doação.

Assim, já agora, desde o início, eu mostro aos amigos o quanto quero isso. Eu estou pronto para investir muita energia neles; para inspirar e servi-los. Eu estou pronto para fazer qualquer coisa por eles, a principal coisa sendo chegar ao Criador.

Por outro lado, eu posso me voltar ao Criador com um pedido para me ajudar a trabalhar com os amigos, para que eu seja capaz de ajudá-los, para se conectar e elevá-los. Pois é claro que eu mesmo não tenho força para isso, só posso pedir em nome dos amigos.

Isso significa que este é um trabalho de duas vias: do grupo para o Criador e do Criador para o grupo. No trabalho do grupo para o Criador, eu estou embaixo, para mim o grupo é um nível superior, e o Criador está acima desse nível superior. A diferença é quem serve como o canal que conecta, o transmissor.

Se eu quero chegar ao Criador por meio do grupo, eu uso o grupo como um canal que me conecta com o Criador. E se eu recebo energia do Criador para doar ao grupo, eu sou o canal que conecta o grupo com o Criador.

Eu devo imaginar constantemente este esquema, para ver mais de forma mais correta e precisa onde me encontro, especialmente durante a aula.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 4

Quando A Sanidade Leva Ao Caos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em que caso o método de Abraão, que ainda é retratado como irracional, será aceito?

Resposta: Hoje a humanidade está pronta para aceitar qualquer coisa ilógica, porque está começando a entender que a nossa racionalidade atual é realmente bestial e não funciona no nível da sociedade.

Curiosamente, agora há uma decepção total na lógica, na capacidade da sanidade do consumidor moderno de superar os problemas que continuam acontecendo. O egoísmo em si terminou; Marx estava certo sobre isso, e não há nada para falar sobre sua perspicácia.

Tudo o que resta é agir no nível da lógica elementar, explicar abstratamente para as pessoas ao lado: “É bom para todos nós estarmos conectados juntos por bons laços? Ótimo. É bom ganhar apenas o necessário e mais nós simplesmente não precisamos? Ótimo. É bom ter um único padrão de vida ideal para todos? Sim. E que tal nenhuma fome e doença, nem um enorme abismo entre ricos e pobres? Ótimo. O mundo inteiro se preocupa com a ecologia? Ótimo”.

Mas como nós podemos fazer isso se todos somos tão maus?

Aqui nós temos que mostrar às pessoas que existe um poder que pode perceber isso. De qualquer forma, mais cedo ou mais tarde, nós devemos chegar a este estado e quanto mais cedo for, menos sofrimento haverá. Se conseguirmos transmitir corretamente nossa mensagem, a humanidade já estará pronta para aceitar esta lógica.

Pergunta: Será que todos os judeus precisam retornar fisicamente à terra de Israel?

Resposta: Eu não penso assim. Eu creio que não importa onde a pessoa vive. É dito que a terra de Israel vai se expandir às fronteiras do mundo inteiro. Figurativamente falando, ela se estenderia ao longo de todo o globo.

Pontos de espiritualidade ocorrem em todo o mundo. Não importa onde a pessoa se encontra. Além disso, essas pessoas devem se tornar professoras para o mundo inteiro. Afinal, a humanidade anseia por algum método para a existência correta. Nós vemos que agora ela não existe em nenhum lugar; todo mundo vive só pelo hoje, temendo considerar o amanhã ou simplesmente não pensar nele. Ninguém tem uma estratégia realista de longo prazo e não há sequer uma tática normal para a conexão recíproca por causa de algum objetivo comum. Em vez disso, nós testemunhamos o movimento totalmente caótico de cada pessoa. Por isso, a nossa lógica será clara para a humanidade.

Junto com isso, há um pequeno truque aqui: a humanidade só será capaz de aceitar essa lógica e realizá-la depois que o povo de Israel se tornar o primeiro a aplicá-la à vida. É assim que o sistema geral está organizado; é especificamente essas pessoas, odiadas, teimosas, egoístas, etc., que devem, em primeiro lugar, perceber o método em si mesmas e proporcionar um exemplo. Assim que fizerem pelo menos um pouco, todo mundo vai começar a estudar com elas.

Isso ocorre porque a propensão de aprender com os judeus é latente em todas as nações do mundo. A base de seu ódio não é respeitada, mas há uma consciência básica que neste povo há algo superior, que é especificamente o que eles querem tanto aniquilar. Isso não deixa as nações descansar, já que está em seu caminho. Esta é uma reação natural, mas, no lado oposto, existe uma disposição interna em adoptar o que é novo e aprender. Assim, o nosso único problema está em criar a sociedade correta.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 24/09/14

Ser Como Todo Mundo Não É A Nossa Natureza

Dr. Michael LaitmanPergunta: O atual retorno do povo judeu à terra de Israel é uma fase natural?

Resposta: Claro.

Pergunta: Por que eles deveriam voltar a esta terra em particular?

Resposta: Nós não entendemos ainda. No entanto, as pessoas que estão num nível espiritual entendem as diferenças e a singularidade da raiz espiritual em cada um dos seres criados, incluindo animais e, além disso, das diferentes regiões da terra.

Assim, apesar do fato de que a terra aqui não seja fértil e não exista nada “santo” nela, ainda é dominada por certas forças espirituais, assim como um ramo que cresce de uma raiz espiritual.

Pergunta: O que devemos fazer sobre a forte resistência árabe?

Resposta: É perfeitamente natural. Afinal, se nós voltamos a esta terra, nós temos que voltar às nossas raízes espirituais. Em outras palavras, nós temos que cumprir a condição do “ama teu amigo como a ti mesmo”. É com base nesta condição que nós viemos aqui há muito tempo. Moisés nos trouxe até as fronteiras desta terra e faleceu em sua fronteira. Em seguida, seu discípulo, Josué, nos conduziu.

Nós chegamos a esta terra e quando nos estabelecemos aqui, tivemos que dar o exemplo para toda a humanidade, e mostrar como deve ser uma nação que vive corretamente em sua terra. Depois, nós começamos a construir o Templo e cumprir esta missão.

No entanto, nossas ações de hoje são totalmente opostas ao que temos que fazer e, consequentemente, é claro, nós somos constantemente confrontados com problemas de nossos vizinhos próximos e distantes.

Pergunta: Por que o ambiente árabe recebeu este papel?

Resposta: Isso foi escrito há muitas gerações, quando Abraão foi pai de Ismael e mandou-o embora com Hagar. A partir desse momento, há uma espécie de “competição” entre os dois irmãos Isaac e Ismael. Não há nada que possamos fazer sobre isso; o conflito será ainda maior, mas deve ser cumprido no nível espiritual.

Isto significa que, como nação, nós temos que subir ao nível do amor ao próximo, estar em boas relações com o outro, e ser um exemplo para toda a humanidade. Nesse caso, vamos ver imediatamente como tudo ao nosso redor se acalma. Primeiros nossos primos, os árabes, e depois o mundo inteiro vai acalmar a ira, e o ódio no mundo cessará.

Assim, as nações do mundo vão entender que há algo que elas realmente precisam aqui e que podem receber de nós o método para o renascimento da alma, que é o conhecimento que pode torná-las seres eternos. Elas vão começar a perceber que podemos levá-las a uma vida melhor, não só neste mundo, mas para sair para uma dimensão totalmente diferente, além das estruturas deste mundo. Tudo depende apenas de nós e eu acho que nós vamos chegar a isso.

Pergunta: Será que isso significa que há um significado em todas as reclamações que ouvimos contra nós?

Resposta: Elas só servem para nos unir e conectar. Se nossos vizinhos não pressionassem, nós nos destruiríamos e nunca nos uniríamos, mesmo no nível que estamos hoje. A pressão externa sobre nós, a rigidez e o ódio, tudo depende apenas da repulsão mútua que sentimos em relação um ao outro. De um modo geral, nós realmente determinamos o nível de ódio que as nações do mundo sentem em relação a nós.

Pergunta: Portanto, inconscientemente, as nações do mundo querem nos obrigar a ser os professores da humanidade?

Resposta: Sim. É assim que toda a humanidade se relaciona conosco. Todo o seu ódio é apenas para que acabemos por compreender que temos que fazer alguma coisa e que querer ser como eles, como todo mundo, é um “truque” bobo. Esta filosofia, esta abordagem, nos leva completamente no sentido errado.

A origem de Spinoza, a rebelião contra a singularidade independente não é a nossa raiz. Claro, foi proibido permanecer no nível anterior, naqueles tempos, uma vez que tinha chegado o momento para o desenvolvimento espiritual, e espiritual não no sentido que a humanidade imaginou, mas de acordo com as nossas raízes.

Comentário: Por outro lado, você falou sobre o fato de que os judeus também lideraram o desenvolvimento conceitual de toda a humanidade na Babilônia.

Resposta: Eles deveriam ter liderado isso muito tempo atrás, durante o êxodo da antiga Babilônia. Se tudo tivesse corrido bem, a espiritualidade deveria ter se espalhado amplamente após o Primeiro Templo e, gradualmente, todas as nações do mundo teriam aceitado o método da revelação do Criador. Eles teriam se unido e tudo teria terminado ali. Mas isso era impossível porque os babilônios ainda não tinham a raiz que a humanidade precisava. Eles tinham que recebê-la e só foi possível recebê-la quando o povo judeu foi quebrado e dividido entre si.

De KabTV “Babilônia, Ontem e Hoje” 24/09/14