Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Movendo-Se Para As Mãos Que Sustentam A Boa Força

Dr. Michael LaitmanPergunta: De que forma a revelação do Criador no momento da entrega da Torá é maior do que o que acontece na época do êxodo do Egito e da abertura do Mar Vermelho?

Resposta: A revelação do Criador no momento do Êxodo e a divisão do Mar Vermelho foram simplesmente ações realizadas pelo Criador. E a entrega da Torá foi uma transmissão do método e do poder do que é superior às pessoas, para que elas pudessem usar isso corretamente. Por isso é uma revelação tão importante.

Desta forma as pessoas tiveram a possibilidade, a oportunidade e capacidade, que através de seu esforço, poderiam realizar as ações necessárias para alcançar a adesão. Fora isso, nada é exigido de nós. Todo o resto das formas de ajuda, revelações e ocultações, exílios e resgates, tudo vem de cima como anjos do Criador, e são as forças que atuam na criação.

Mas a entrega da Torá significa que o poder de trabalhar por nós mesmos foi entregue em nossas mãos. Não houve maior evento do que esse, porque ele se refere a eu como uma pessoa que pode realizar algo de forma independente e pessoal. A oportunidade foi dada a mim para se assemelhar ao Criador, e não apenas que algo bom tenha sido feito para mim ao me permitir atravessar o Mar Vermelho ou me levar para fora do Egito.

Pergunta: De que forma o Kli que era esperado para a entrega da Torá era diferente do Kli para o êxodo do Egito?

Resposta: Era um Kli completamente diferente. O Kli para o êxodo do Egito é o desejo de ser separado da minha natureza egoísta, minha inclinação ao mal. Eu simplesmente quero que todo o meu mal sai de mim e não me mantenha na escravidão. Eu quero tirá-lo, arrancá-lo do meu coração e mente. Ele permanecerá em algum lugar atrás de mim, no meu AHP, mas eu quero me livrar dele: “Para ser um povo livre em nossa terra”, de bom grado.

Mas isso não é suficiente. Portanto, eu me livro dele e o que mais?

No momento da entrega da Torá, um poder superior foi dado a mim. Eu aparentemente tenho em minhas mãos o poder do Criador e posso remover o meu mal e trazê-lo de novo a mim mesmo quando entendo que preciso dele para poder corrigi-lo cada vez e subir desta maneira.

Em minhas mãos se encontra o poder do bem, o poder da correção. Antigamente, eu só precisava me perguntar, como é dito em Êxodo 2:23: …e os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e clamaram, e o seu clamor subiu a Deus. Este foi um grito de impotência: “Salva-nos, ajuda-nos, faça isso e aquilo”. E no momento da entrega da Torá, embora eu dependa Dele, nós nos tornamos parceiros.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 03/06/14

Nachshon É Uma Propriedade De Completa Doação

laitman_232_09Pergunta: Que propriedade Nachshon ben Aminadabe, o primeiro a saltar no Mar Vermelho, simboliza num homem?

Resposta: A Gematria (valor numérico) chamada Nachshon ben Aminadabe indica que a altura de sua condição espiritual é a propriedade de uma Bina limpa.

Ela lhe dá a oportunidade de se levantar contra uma parede de água. Por um lado, a água é esta propriedade macia, que é a base da vida, e, por outro lado, é uma propriedade dura como manifestada nas Gevurot, as forças do julgamento.

As forças duras e macias que se escondem na água só podem ser movidas por uma subida acima do egoísmo. Nachshon é capaz de fazer isso, porque antes de um homem se separar do egoísmo, tudo se parte na medida em que ele se adere completamente ao Criador.

Não há espaço vazio no mundo: ou recepção (egoísmo) ou doação (a propriedade do Criador). Uma vez elevado acima do ego, você não entra num vácuo, mas na propriedade do Criador, como Noé fez quando entrou na arca. O mesmo ocorre aqui, você entra na propriedade de doação, como se entrasse num casulo, e lá você existe nele. Este é o efeito de Nachshon. O mar machuca alguém, como na história do dilúvio, e outro é salvo.

Assim, as ações de Noé e Nachshon são as mesmas ações que ocorrem em diferentes níveis de egoísmo e voltam à estaca zero nos quatro estágios de desenvolvimento. Isso acontece em cada etapa. Este é o avanço espiritual.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 30/04/14

Há Esperança!

Dr. Michael LaitmanPergunta: A questão da unidade e da conexão nunca foi tão dominante. Até mesmo os pais de três meninos que foram sequestrados no ano passado continuam dizendo quanta força eles receberam da unidade e o quanto sentiram que seu problema era um problema de todos. Então, por que a unidade que sentimos entre as pessoas nos dias de hoje não é tão forte como era antes?

Resposta: Nós simplesmente vemos a falta de conexão numa resolução muito maior e com muito mais precisão. Em vez do que antes parecia correto, a escala tornou-se maior e agora vemos que não há nenhuma conexão hoje.

Pergunta: Como podemos provar a uma pessoa que os resultados, como os sequestros, podem ser alterados por ações de conexão?

Resposta: Você quer mostrar a uma pessoa uma conexão clara e direta e que se ela realizar a conexão num determinado lugar, isso vai levar a uma conexão em outro lugar. Você nunca será capaz de fazer isso.

Mas há muitos casos na vida em que temos a certeza de que nossas ações ajudam, embora não vejamos uma conexão direta. Portanto, as pessoas saem para demonstrar e participar de reuniões públicas. Eu não posso mostrar a uma pessoa uma conexão entre coisas que ela não pode perceber com seus sentidos, uma vez que esta é a revelação das ações do Criador à criatura. Ela ainda não chegou a um nível tal, uma vez que não tem os sentidos que lhe permitem ver isso.

Pode ser uma pessoa racional, muito inteligente, que não se deixa levar pelas emoções e que pode dizer que todas essas ações de conexão são totalmente inúteis e que a busca pelos meninos sequestrados era uma questão militar e que não tinha nada a ver com ela. Se ela não sentia qualquer conexão com isso, não há nada que pudéssemos fazer. A fim de ver a conexão, ela tem que corrigir seus desejos para que eles sejam “a fim de doar” e, assim, ela vai descobrir dentro de si até que ponto a Luz superior está relacionada a esses desejos. Portanto, nós devemos simplesmente atrair essas pessoas para a conexão através de diferentes explicações que lhes mostrem que a conexão é benéfica e que através dela nós poderíamos ter ajudado a libertar os meninos e ajudá-los a voltar para casa em segurança.

Se uma pessoa se compromete a participar de um workshop, nós temos que fazê-la sentir que uma força especial desperta na conexão entre nós, e que esta pode fazer algo além de nossa natureza comum. Ela pode mudar a situação atual. Quando uma pessoa sentir a força da conexão, esta vai impressioná-la para além do seu nível atual. Nós podemos explicar que estamos todos conectados uns aos outros, que estamos todos num único sistema, que toda a humanidade está conectada e que se você corrige a si mesmo, você insere a força de correção em todos.

Na verdade, antes da revelação, é impossível provar qualquer coisa a uma pessoa, mas nós vemos que as pessoas estudam durante anos e não partem em função da expectativa da revelação. Elas acreditam que a revelação irá ocorrer em algum momento, já que uma iluminação à distância as sustenta. Uma pessoa que tenha participado de um workshop ou de um círculo também vai sentir tal iluminação à distância. A sensação de que essas ações podem realmente afetar e mudar a situação desperta nela, uma vez que a Luz age nela.

Há esperança. Caso contrário, eu não iria reunir as pessoas. Eu já estou comprometido com elas desta maneira e as transformo em minhas parceiras. Eu não posso mostrar-lhes o mundo do jeito que eu o veja, e elas não sabem que nós abrimos o caminho para a Luz que vai resolver tudo. Ela não só vai resolver com sucesso problemas como sequestros, mas também vai corrigir o mundo inteiro. Nós vamos subir até o topo, nos tornar mais respeitados e realmente nos transformarmos num reino de sacerdotes e uma nação santa.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/06/14, Escritos do Baal HaSulam

A Magia Do Egoísmo E Da Doação

Dr. Michael LaitmanCéu e Inferno

Pergunta: Você está dizendo que a bruxaria é um fenômeno psicológico. Como ela reflete sobre aqueles que sequer suspeitam que são os alvos?

Resposta: Esta é a maneira pela qual os nossos desejos são direcionados aos outros. Todos os nossos desejos compreendem um conjunto de forças que afetam todos ao nosso redor. Nossa atitude para com o mundo em geral e o ambiente em que vivemos é a contribuição de nossas energias pessoais para o sistema global.

Pergunta: Portanto, a feitiçaria é o desejo de uma pessoa orientado para o benefício ou prejuízo de outra pessoa?

Resposta: Os desejos são importantes, mas por que você os chama de bruxaria? Cada um de nós age dentro de uma rede geral de forças que existe entre nós. É um sistema extremamente complicado. Nós somos a fonte de um complexo de forças más, não corrigidas, chamado de ego. Nós temos que corrigir essas forças e fazer sua transição de maldade para a bondade, ou em outras palavras, sermos bom para os nossos vizinhos.

Isso significa que a partir do desejo de receber, que toma o máximo possível dos outros, nós temos que acabar doando a todos. Assim, o princípio fundamental, a regra universal da sabedoria da Cabalá, afirma: “Amarás o próximo como a ti mesmo”. Este princípio preenche a rede geral de energia positiva. Tudo que nós geramos deve trazer benevolência aos outros. É assim que uma rede positiva é criada.

Quando construímos uma rede desse tipo, nós entramos no mundo composto por benevolência completa, ou seja, entramos no Jardim do Éden. Assim, o céu é um estado em que todo mundo só pensa no bem-estar do outro.

Ao mesmo tempo, o inferno é o ódio mútuo, um estado em que todos nós sofremos.

Como Se Defender Contra O Negativismo?

Pergunta: Se alguém nos influencia perversamente através da rede geral, nós podemos nos defender de alguma forma?

Resposta: Sim. Para isso, nós temos que envolver forças positivas.

Pergunta: A quem devemos orientá-las?

Resposta: A todos. Mesmo que eu não tenha ideia de quem exatamente me envia uma influência negativa, isso não importa. Minha atitude positiva e gentil para com os outros se transforma num escudo por meio do qual a negatividade não pode penetrar.

O mecanismo é muito simples. Eu só posso ser ferido se estou em meus desejos egoístas e se me importo apenas comigo. Se eu doo, contribuo, dou, compartilho e amo os outros, ninguém pode me machucar. Eu sou invencível porque existo dentro dos outros.

É uma armadura psicológica muito forte. Graças a ela, não importa o quanto os outros queiram me machucar, não vão ter êxito.

Além disso, ao agir dessa forma, eu neutralizo todos os meus agressores, uma vez que existimos num sistema unificado, comum. Isso explica por que, ao contribuir com nossa atitude sincera com outros seres humanos e o desejo de levar bondade a todos, nós acentuamos a energia positiva na rede geral. O positivismo é capaz de destruir todo o negativismo dirigido contra nós. Assim, não só ninguém será capaz de nos machucar, mas ninguém sequer fazer uma tentativa de fazê-lo.

Esta é a forma como o sistema funciona. A Torá, particularmente a sabedoria da Cabalá, explica estas questões para nós em detalhes. Nós vemos isso quando alguém é uma fonte de bondade para com os outros, as forças do mal não são capazes de feri-lo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 18/01/15

Estar Dirigido Aos Amigos É Estar Dirigido À Luz

Laitman_524_01Nosso estudo e disseminação espirituais são derivados da correção da quebra de todo o Kli, o Kli da alma coletiva. Este processo pode ser dividido em três estágios de desenvolvimento.

Quando eu vim ao meu professor, o Rabash, eu conheci cinco ou seis pessoas que tinham estudado com Baal HaSulam.

Elas tinham uma abordagem particular de estudar: sentar calmamente, ler e falar um pouco entre si. Elas trocavam apenas algumas palavras entre si, porque entendiam o que era dito nos livros, e durante a leitura, estavam fazendo ações espirituais internas. É assim que elas avançavam. Como pessoas que caminham junto na floresta ou num campo, essa é a forma como elas trocavam impressões sobre o que “viam” no caminho, enquanto estavam lendo.

A tensão entre elas, e o trabalho interno durante o qual corrigiram seus desejos, era palpável. Ou seja, elas estavam trabalhando tanto junto como separadamente.

Naquela época, nós estudávamos apenas O Estudo das Dez Sefirot e O Livro do Zohar com o Comentário Sulam. Não havia artigos ou cartas do Baal HaSulam e Rabash.

Quando eu trouxe novos alunos para o Rabash, ele começou a escrever artigos, porque isso criou uma oportunidade para falar sobre a correção das pessoas, e o principal, o que nós poderíamos adicionar à Luz Superior.

A Luz Superior nos pressiona e nos move por esses estágios que devemos percorrer. Se não estamos prontos para isso, recebemos a sua influência como um golpe e contra a nossa vontade; nós damos voltas e nos esquivamos para reduzir o sofrimento. Afinal, quando você pressiona algo, o objeto que está sendo pressionado irá adotar a forma mais adequada para a sua condição.

Por outro lado, eu poderia me colocar sob a influência da Luz Superior e atraí-la da forma mais eficaz. A Luz não muda, mas desta forma eu mudo sua influência sobre mim.

Além disso, a minha posição, a minha localização, tomando a forma mais confortável e apropriada para a Luz, não é encontrada artificialmente; sim, eu devo mais ou menos me acomodar com o que devo alcançar. Eu não apenas me esquivo e fujo para algum lugar; em vez disso, eu intencionalmente procuro a influência da Luz.

Como alguém pode fazer isso, quando, afinal de contas, não vemos, não entendemos, e não sentimos a espiritualidade? Assim, o grupo me ajuda, pois nele eu posso encontrar a minha posição mais ideal em relação à Luz. Eu não me acomodo em relação à Luz, porque no nosso mundo, no mesmo plano em que eu me encontro, tenho a possibilidade mais clara e precisa de me dirigir à Luz. Isto não é em relação à Luz, mas no que diz respeito aos meus amigos.

Esta é a razão para a “Shevirat HaKelim” (quebra dos vasos); é assim que eu vou ter a possibilidade de trabalhar com eles. Assim, eu não me forço à Luz; em vez disso, eu posso alcançá-la por meio de características opostas, porque não estou trabalhando com ela, mas com meus amigos. É assim como isso funciona.

A principal coisa é não perder a oportunidade de escolher cada vez a forma ideal de adaptação mútua entre nós. Cada um de nós começa a perceber sua posição máxima em relação aos outros, e, desta forma, entra num quadro unificado como um mosaico ou um caleidoscópio.

Eu já começo a pensar em como meus amigos vão atingir sua forma ideal. Essa “união” é chamada de “centro do grupo”. Onde todo mundo está envolvido nisso, eles se estabilizam para se dirigir a este estado. Quando entrarmos nele, ele vai se fechar, e, nesse momento, nós nos tornamos como a Luz e a sentimos imediatamente. A característica comum de doação – essa é a Luz, o primeiro nível.

Da Convenção em Sochi 11/06/14, Lição 2

Precisamos Orar Por Todos

laitman_624_02_0Pergunta: Como nós nos dirigimos corretamente no momento de ler O Livro do Zohar para curar todos os problemas de cada pessoa individual, o povo de Israel e o mundo inteiro?

Resposta: É preciso orar, pedir, para estar integrado à dor das pessoas próximas a nós e também àqueles que estão longe. Mas não oramos por uma determinada pessoa que está doente, mas pela correção da doença geral que se revela diante de nós agora através do problema de uma pessoa em particular.

Uma pessoa deve orar pela correção geral, porque o que vemos é apenas uma expressão particular do problema geral. Assim é como a oração deve ser organizada.

Pergunta: Por que uma oração por todos é mais prática do que um pedido por uma pessoa especial que está mais perto do meu coração?

Resposta: Um pedido por uma determinada pessoa está perto do seu ego. Por um lado, você é mais estimulado pelo que está perto de você. Mas, por outro lado, qual é a diferença se o desejo de doação é o de doar a alguém perto ou alguém longe?

Não existem limites para a Ohr Hassadim (Luz de Misericórdia); ela se estende por todos os lugares com a mesma intensidade. Então, por que você quer orar por alguém em especial?

Nós sabemos que todo mundo está conectado com todo mundo e que só há uma alma. Portanto, cada defeito que é revelado em alguém é o resultado da doença geral. Então, como é possível curar uma pessoa em particular sem curar a doença geral? É necessário orar por todos.

Se você está pronto para corrigir todo mundo através da sua oração, então a pessoa em quem você viu algum tipo de doença também será curada. Caso contrário, isso não funciona. Afinal, nós estamos num sistema global, num único sistema. Suponha que alguém esteja doente com gripe, você não pode curar só ele; em vez disso, você deve curar a epidemia em todo o mundo, porque é um sistema geral.

Não pode ser que haja um defeito em um só lugar, mesmo que nos pareça que vemos apenas um componente danificado. O dano não está só nele, mas também em todo o sistema. É só em relação a você que isso é apresentado como um defeito num amigo. Você deve cuidar da sociedade em geral, e os problemas específicos que você vê são apenas uma resposta para o problema comum. Um componente isolado não existe de forma alguma, nem em mim ou em qualquer outro. Se eu vejo isso, é uma indicação de que o sistema está doente.

Nós vemos isso no mundo. Se quisermos corrigir alguma parte do governo ou da sociedade, nada vai ajudar, porque não abordamos isto corretamente.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/06/14, O Zohar

De Pessoa Para Pessoa

laitman_942Pergunta: Como é possível transmitir o método integral e compartilhá-lo com milhares de pessoas a fim de que elas evitem os golpes que temos recebido, e os erros que temos cometido?

Resposta: Com elas a realização do método integral vai ser levada a cabo de uma maneira diferente. Hoje uma criança pequena que ainda está sentada num carrinho de criança já está jogando os mesmos jogos que tínhamos medo de abordar.

E ela não só aperta os botões eletrônicos dos jogos, mas também, para nossa surpresa, entende o que está pressionando. Portanto, tudo será diferente, mas como, eu não sei, isso não me interessa. Eu preciso trabalhar agora, trabalhar com as tarefas de hoje.

Pergunta: Qual é o número de pessoas que precisamos abranger através do nosso método? Existe um número particular?

Resposta: Eu acho que o nosso método vai se espalhar de pessoa para pessoa na rede interna entre nós, porque todas as pessoas estão conectadas, como num micélio. Um micélio é uma rede que abrange tudo o que cresce numa floresta: árvores, cogumelos, flores, flores silvestres, e assim por diante. Tudo está ligado por fios finos. Essa é também a forma como estamos conectados.

A disseminação externa influencia a disseminação interna. E a disseminação interna é muito rápida; em apenas uma fração de momento, continentes inteiros são transformados. Pessoas de repente começam a responder às nossas palavras como se já tivessem ouvido enquanto estão sentadas na nossa frente. Nós não precisamos nos preocupar com isso. Nós só devemos fazer tudo o que pudermos.

É dito que no momento em que atingirmos o primeiro nível espiritual, a Luz Superior irá passar por nós a todo o resto dos níveis do mundo. Nós estamos trabalhando no público externo não para corrigir as massas, mas para nos elevar ao primeiro nível espiritual. Assim, a Luz que nos preenche vai ser derramada sobre a borda do nosso Kli e preenchê-las.

É para isso que estamos trabalhando com elas. A sua necessidade, a sua deficiência, é imperativa para nós.

Pergunta: Segue-se que o que mais nos interessa é quantos amigos ativamos nisso?

Resposta: O número de amigos que são ativados não nos interessa, mas sim a qualidade e a quantidade do seu valor total da quantidade e qualidade necessárias por nossa solicitação urgente para que a Luz nos corrija.

Se você estiver com medo antes de sair para disseminar, isso é muito bom, pois significa que você precisa do Criador. Se por enquanto isso não é tão forte, espere, Ele ainda está preparando uma surpresa para você.

Pergunta: Por que quando nós realizamos um workshop no centro pensamos muito mais no Criador e abordamos a unidade, mas quando saímos para um evento, este pensamento desaparece e começamos a pensar em coisas técnicas: como nos expressamos, o que devemos fazer e assim por diante? Como é possível manter o pensamento no Criador, pois afinal esta é a nossa principal tarefa?

Resposta: Certo, esta será a sua principal tarefa. Nesse meio tempo, vocês precisam sentir o quanto a sua aparência diante do público lhes traz o pensamento de que isso é o que está determinando tudo agora, e não o Criador. Por mais que vocês estejam sob a influência do ambiente, de repente vocês se tornam empresários, pessoas de alta tecnologia, e afins. Vocês estão imersos em pensamentos sobre como isso vai funcionar. De uma forma ou de outra, vocês vão esquecer imediatamente que o Criador está fazendo tudo isso. Mas isso não deve atingir os eventos. Tudo isso virá com o tempo.

Da Convenção em Sochi 14/07/14, Lição 3

Sair De Nossos Cantos Em Direção Ao Outro

Dr. Michael LaitmanNós temos que nos conectar com a mesma força que gerencia todas as partes da criação, a fim de melhorar a nossa situação. Cabe a nós fazer com que ela nos influencie de forma harmoniosa, porque ela é boa e faz o bem. Esta força produziu todo o universo, o planeta Terra, criou toda a nossa vida e nos desenvolve de acordo com o seu programa. Ela tem nos conduzido desde o Big Bang até os nossos dias através do processo de evolução. Com grande sabedoria, ela conecta todas as partes da realidade, mas, até agora, apenas uma pequena fração da realidade tem sido descoberta por nós e nós estamos confusos até mesmo com isso.

Nós ainda somos muito fracos na área da ciência, mas, em acréscimo, recebemos a ciência da conexão, possibilitando estarmos cientes da força geral da natureza. Esta força nos transmite um conhecimento chamado sabedoria da Cabalá. Enquanto nós investigamos a realidade com a ajuda de nossa inteligência física, nós recebemos os mais escassos fatos sobre a realidade. Nós obtemos pouco conhecimento sobre a física, química, biologia, botânica e astronomia.

Nós sabemos um pouco sobre tudo, mas não temos o quadro geral. Há tantas ciências diferentes, precisamente porque não estão prontos para digerir tudo junto e ver uma fórmula universal de toda a realidade, como Einstein sonhou.

Isso indica as limitações de nossa visão. E o principal na obtenção de realidade não é ver suas partes, mas a conexão entre as partes. É possível descobrir toda a ciência de acordo com esta conexão. De fato, em toda a realidade, só existe uma força que a avança para um propósito particular (o objetivo da criação). O objetivo da criação é desconhecido para nós e não entendemos por que e para onde algum tipo de força está nos empurrando, uma vez que não temos esse conhecimento.

A realidade é plena e a força geral da natureza é plena, mas a percepção humana é o oposto e não nos permite ver toda a realidade de uma forma geral e integral. Portanto, a realidade não nos parece tão boa. Para nos ajudar a corrigir a nós mesmos e a nossa percepção, o sentido da crise geral global tem sido dado a nós.

A crise foi criada porque a realidade está começando a se aproximar de nós como uma imagem completa. De repente, nós sentimos que tudo está conectado na política, economia, e na sociedade humana. Em geral, nós entendemos que, de acordo com as leis, é assim que deve ser, já que tudo está mutuamente conectado em nosso universo: todas as estrelas e galáxias. Mas nós ainda não sabemos como estamos conectados a tudo isso. Nós investigamos as leis da natureza inanimada e um pouco das leis da natureza vegetal e animal numa forma mais limitada. Mas as leis da conexão entre uma pessoa e outra não são conhecidas por nós. Agora, pela primeira vez, a rede de conexão que conecta todos tem sido revelada a nós.

Nesse meio tempo, nós não queremos estar cientes desta conexão e todos querem viver por si mesmos. Portanto, aparentemente, um processo inverso está ocorrendo, pois cada um tenta se isolar, porque não é confortável para nós sentir que estamos conectados. Nações inteiras se isolam e se fecham, ampliando o protecionismo.

Uma pessoa quer que todos a deixem sozinha e a deixem viver tranquilamente sem precisar de ninguém. Esta é a nossa oposição à conexão.

Mas a força geral da natureza que nos empurra para frente nos leva a um estado único. Nós descobrimos que estamos num sistema global e integral de conexão, conectados por milhões de conexões e canais, de tal forma que ninguém pode se mover, como um fantoche numa corda amarrada a um bilhão de outros segmentos que o conectam com todos os outros fantoches. Portanto, nós estamos todos conectados junto.

Se eu estivesse apenas conectado com todos os outros, estaria tudo bem. Mas, além disso, eles também me odeiam! E hoje, isso está sendo revelado a nós de forma gradual. Nós estamos num mundo que está se tornando cada vez mais ameaçador para todos nós.

Portanto, cada um quer se esconder em seu apartamento, em seu canto. Os jovens não querem sequer se casar e trazer filhos ao mundo. Eles não querem se comunicar com ninguém. Eles têm um telefone celular e um computador, e assim são obrigados a se comunicar com o mundo apenas por meio desses canais. Devido a isso, tudo o resto não os afeta.

Se houver a possibilidade de trabalhar em casa, isso é ótimo, pois não há necessidade de ver ninguém. Hoje as pessoas são atraídas para vidas como essas, cada um por si, ou, no máximo, por sua família. E até mesmo a família é temporária. É comum hoje em dia cortar as conexões familiares um número de vezes e construí-las novamente para quebrá-las mais uma vez.

Tudo isso está acontecendo porque nós estamos sendo obrigados desde cima a estar em conexão entre nós. Mas nós, do nosso lado, tentamos com todas as nossas forças romper com essa conexão. Não queremos ser dependentes uns dos outros porque esta conexão é obrigatória e ameaçadora. Sobre os nossos tempos, os profetas escreveram: “Os inimigos de uma pessoa estão sentados em sua casa”. Portanto, a pessoa evita todas as conexões. Apesar disso, nós temos que sair de nossos cantos e dar o primeiro passo em direção ao outro.

De KabTV “O Encontro dos Mundos” 16/06/14

Os Círculos E Linhas Da Raiz Espiritual São O Processo De Correção

laitman_947O livro mais importante que temos para estudar a criação é o Talmud Eser Sefirot (O Estudo das Dez Sefirot). Este livro é escrito de uma forma muito especial. Ele tem 16 partes, e a primeira parte explica o mundo do Infinito (círculo), onde o círculo é criado pela influência da Luz.

A Luz que criou o desejo preenche-o e determina tudo nele. Portanto, o desejo se assemelha a Luz em sua forma e está sob seu total controle. Este estado é chamado de “mundo do Infinito”. A segunda parte nos fala sobre círculos e linhas. Um círculo é criado pelo desejo, que é convertido numa linha. Esta linha, como um “tubo” que conduz a Luz, torna-se semelhante a Ele e preenche os círculos. Esta ação é realizada desde o inferior ao superior, ou seja, do ser criado que quer ser semelhante ao Criador.

De um modo geral toda a criação é criada desde cima pelo Criador. O ser criado egoísta preenche o mundo do Infinito através de tubos ou linhas. Esta é a forma como ele é construído.

Baal HaSulam, Talmud Eser Sefirot (Volume 1, Capítulo 1, Parte 5): O motivo foi que, visto que a Luz do Infinito era completamente plana, ela tinha que se limitar uniformemente por todos os lados, e não se limitar num lado mais do que no outros.

Sabe-se na sabedoria da geometria que não há nada tão plano quanto uma imagem como a imagem do círculo (200). No entanto, este não é o caso com Meruba (300), com o ângulo perpendicular protuberante, o Meshulash (triângulo) (400), e todas as outras imagens. Por esse motivo o Tzimtzum tinha que ter a forma de um círculo.

Nós sentimos cada revelação da Luz que vem do alto, o que significa que o Criador nos influencia, já que Ele criou tudo. Cada revelação dessa força nos afeta na forma de um círculo. Em outras palavras, isso afeta a todos igualmente. Nós temos que entender que tudo vem do Alto na forma de uma Luz que nos afeta de uma maneira única. Não há preferência de certos desejos sobre outros na influência do alto.

Há um desejo no nível da natureza inanimada, vegetal e animal. Há também muitas pessoas diferentes, grupos e diferentes tipos e jeitos. Não faz diferença como eles se dividem entre si ou quais são únicos, o Criador trata a todos de forma igual. A Luz Superior preenche tudo.

Ela nunca muda no que diz respeito a qualquer pessoa de forma alguma. Tudo decorre da Luz superior direta porque ela preenche tudo. Isto é o que se diz no Talmud Eser Sefirot.

Tudo o que acontece conosco já depende da resposta, do desenvolvimento que desperta o desejo. Os desejos mudam de acordo com seus atributos, de acordo com sua intensidade e constituição. Os desejos são diferentes e se integram entre si. Há muitos desejos, atributos, qualidades, etc., em cada um de nós, e, embora a Luz Direta afete a todos igualmente, cada um de nós reage de maneira diferente.

Curiosamente, na medida em que uma pessoa pode receber a Luz, ela também pode responder a ela. Por exemplo, se alguém é mais esperto do que os outros, seu trabalho também é maior já que é mais esperto e entende melhor e, portanto, também tem que investir seus esforços de forma relativa. Se alguém é mais forte do que os outros, também deve fazer mais do que alguém que é mais fraco, uma vez que o poder foi dado a ele de propósito. Mas não há nenhuma diferença na forma como a Luz considera cada um de nós em sua forma específica, privada e subjetiva.

Tudo é calculado de uma forma muito simples; cada um de nós tem genes espirituais, Reshimot (reminiscências), que determinam o efeito que a Luz tem sobre nós e nos revelam a existência da natureza inanimada, vegetal e animal e dos seres humanos. O Criador afeta cada um de nós de forma igual, e se a pessoa se sente infeliz ou oprimida, ou se está sob a influência positiva ou negativa do destino do Criador, da vida, ou de alguma outra coisa, ela simplesmente precisa procurar um pouco dentro de si. Assim, ela vai perceber que não é diferente de qualquer outra pessoa nos atributos que tem. O Criador trata a todos igualmente e não há injustiça em Sua atitude. Além disso, Sua atitude é a bondade absoluta, como se diz, Ele é “o bom e que faz o bem”. Mas onde nós vemos isso? Depende de como nós cumprimos o nosso atributo sob a influência do “bom e que faz o bem”.

O problema é que nós não queremos aprender, fazer um esforço, e crescer de acordo com a Sua influência. Atributos cada vez mais negativos são acumulados em nós de uma geração para a outra. No final, nós testemunhamos resultados muito infelizes. Embora a Luz superior infinita ilumine a todos igualmente, preenchendo tudo, nós nos afogamos nela, e nos sentimos tão desconfortáveis e desagradáveis, porque nos encontramos em atributos que são totalmente diferentes dos atributos da Luz. Quanto mais positivamente ela nos influencia, mais negativos são os sentimentos que despertam em nós, porque nos sentimos cada vez opostos a ela.

Há o sistema de correção que se destina a corrigir este estado e ensinar os seres criados a se assemelhar ao Criador, para elevá-los ao nível em que eles vão conhecer e alcançá-Lo, conectar-se e alcançar a adesão com Ele. Ele foi dado a nós como o método de correção, sob a forma de a sabedoria da Cabalá, como exercícios, workshops e outros modelos chamados de educação integral ou sabedoria da conexão.

Para onde nos leva este método?

Nós percebemos o mundo através dos nossos sentidos e se começarmos a executar determinados exercícios juntos, de forma semelhante às ações da Luz, do círculo, então, mesmo em nosso nível mais baixo, se nós quisermos de forma simples e mecânica nos assemelharmos à Luz, isso basta para nos aproximarmos dela, sem compreender e sem querer nada. É porque agora nós somos não apenas o oposto de seus atributos, mas também tentamos nos assemelhar a ela de alguma forma. Se atingirmos a equivalência de forma com a Luz, ela nos afeta internamente. Esta equivalência de forma é chamada de linha (Kav).

Talmud Eser Sefirot, Capítulo 1, Item 1: Estas linhas são como um “tubo” fino por onde passa água e fornece Luz aos mundos superiores .

Cada conexão que alcançamos com o Criador passa pelo chamado tubo (tsinor), pela linha. Nós tentamos nos assemelhar à Luz, embora sejamos totalmente o oposto dela. Se nós tentamos nos transformar num círculo que é semelhante ao círculo perfeito da Luz do Infinito, é como se conectássemos nossos dois círculos no tubo. Na realidade, não há tubos e círculos neste mundo e tudo se refere ao nível de conexão entre nós, à compatibilidade entre nós, e a Luz Superior. Assim, deve ficar claro a uma pessoa que se ela tenta fazer isso sozinha, ela simplesmente não tem sucesso. É porque ela não forma um círculo com alguém e por isso é impossível. Tem que haver pelo menos duas pessoas.

Além disso, nós sabemos que a Luz Superior constrói-se em relação ao desejo que ela criou através dos dez mundos, o que significa através de mudanças graduais. Ela constrói o desejo sob a influência de dez níveis, e por isso, se quisermos nos assemelhar à Luz Superior, devemos estar pelo menos entre dez pessoas. Isto porque, em nosso mundo, o homem simboliza o atributo de doação, e a mulher simboliza o atributo de recepção, de modo que o menor círculo (Minyan) é de dez homens que se conectam. Um círculo físico é o nosso encontro físico quando nos reunimos num círculo tentando cumprir essa forma corpórea pelas relações entre nós. Isto significa que nós nos anulamos com relação aos outros e nos conectamos, incorporamos um ao outro, e cada um recebe as deficiências dos outros como se fossem suas.

Depois, nós nos conectamos numa cadeia que obriga cada uma das partes a se incorporar em todas as outras partes, e a estar comprometida com elas e depender de todas as outras partes.

Baal HaSulam diz na parte 2 do Talmud Eser Sefirot que Malchut do superior se torna Keter do inferior. Portanto, Malchut conecta cada superior com o seu inferior, o que significa que há uma equivalência de forma entre eles: Malchut do superior se conecta com Keter do inferior, e, portanto, uma conexão entre as dez Sefirot do superior é estabelecida com as dez Sefirot do inferior; uma conexão entre todos os níveis, desde o mundo do Infinito até o mundo de Assia onde o nosso mundo se encontra como o nível mais baixo do mundo de Assia.

Assim, as dez Sefirot estão conectadas e depois uma e outra de acordo com o Kav. Há um total de 125 desses níveis e cada um é feito de dez Sefirot. Juntos, eles são chamados Kav (linha) e esta é a única maneira da conexão entre os vasos e a Luz do Infinito se estabelecida.

Somente a Luz do Infinito age em toda a realidade. Este é o único lugar para onde todos os nossos desejos ascendem e é só a partir daí que todas as ações que estimulamos por nossas deficiências descem até nós.

A conexão entre todos os círculos (Igulim) entre si passa pela linha. Só através dela é possível operar o sistema dos mundos superiores para que ele nos influencie. É somente através da linha que podemos influenciar a nossa realidade, que não sentimos ou vemos agora. Agora nós sentimos apenas a matéria que está num nível inferior ao nosso: a natureza animal, vegetal e inanimada, e nós não sentimos nada além disso. Nós não entendemos a nós mesmos, não sentimos a nossa essência espiritual, e não percebemos o que está além disso. Se quisermos sentir isso, temos que levar em conta que a única conexão entre os círculos é através da linha.

Por isso, nossa incorporação mútua durante os workshops deve ser de modo que eu sinto totalmente o outro. Eu o engulo com tudo o que ele tem. Não faz nenhuma diferença que atributos, sentimentos, ações ou intenções ele tem, ou se eles são positivos ou negativos. Eu estou totalmente incorporado nele, e ele está incorporado em mim.

Quando ocorre essa incorporação, cada um de nós já anula seu ego com isso. Nós já subimos e nos restringimos de acordo com a primeira restrição. É isso aí. Agora, outra pessoa está trabalhando no meu lugar e eu trabalho no lugar de outra pessoa e tenho saído de mim mesmo pelo menos por alguns momentos, e já executei uma ação espiritual. Além disso, há também a incorporação mútua aqui.

Por que nós devemos entender tudo isso? A fim de começar a mudar e sentir o que estamos fazendo para que possamos ser capazes de examinar a nós mesmos e nos desenvolver corretamente. Afinal, cada ação que fazemos no mundo espiritual, mesmo a menor ação, leva a uma resposta. Nós temos que entender esta conexão e ativá-la.

Baal HaSulam diz que toda a criação, em todas as suas manifestações, é inteiramente definida com antecedência de acordo com o mesmo objetivo: desenvolver-se como resultado desta criação total a raça humana, que será elevada em suas propriedades até que você possa sentir o Criador, bem como experimentar os outros.

Portanto, nós temos que nos concentrar em trabalhar com os outros como se nos concentrássemos no Criador exatamente da mesma maneira. Por quê? Porque, enquanto nossos atributos internos não estiverem concentrados nos atributos do Criador, não vamos começar a senti-Lo. Então, como podemos concentrá-Lo? Onde está o diapasão ou outros parâmetros de distância, força, peso, etc., que podemos usar em nosso mundo como o padrão para isso? Com relação ao que eu posso me concentrar para chegar perto de alguma coisa?

Eu não vejo o Criador. Eu não posso medir se chego mais perto ou mais longe Dele em meus atributos particulares. Além disso, meus atributos egoístas me levam em diferentes direções. Se eles me levassem para trás, eu poderia saber que tenho que resistir a eles constantemente e então saberia se estava avançando ou não, mas eu siu constantemente jogado de um lado para outro sem saber como agir. Isso significa que, além da minha falta de vontade de avançar contra a minha natureza, eu também não sei como fazê-lo. Por isso, eu recebo as condições adequadas: concentrar-me em meu amigo e, assim, concentrar-me no Criador. É por meio do amigo, como se diz, “do amor dos seres criados ao amor do Criador”.

Baal HaSulam diz em seu artigo “O Ensino da Cabalá e sua Essência”: que todas as ordens da criação em todas as suas manifestações são inteiramente determinadas com antecedência de acordo com o mesmo objetivo. Estes são todos os degraus da escada pela qual a raça humana se desenvolve e sobe até o propósito da criação. Estas duas realidades são explicadas em detalhes na sabedoria da Cabalá.

Nós temos que entender isso. Na medida em que pudermos sentir os outros e não a nós mesmos, o que significa as outras pessoas, apesar de nossos desejos egoístas, nós vamos ser capazes de sentir o Criador. “Outros” se refere àqueles que estão mais perto de nós como “O Meio” (intermediários), uma vez que os sentimos e não podemos mentir para nós mesmos no que diz respeito a eles. Eu posso dizer que amo o Criador, que O quero, mas estas são apenas palavras. No entanto, no que diz respeito aos outros, eu não posso dizer isso, porque não sinto atração por eles e não tenho ilusões. Nesse caso, eu percebo que só me preocupo comigo.

É exatamente neste momento, na fase inicial, que o nosso método chamado de educação integral ou sabedoria da conexão aparece. Nós nos sentamos em círculo e pelo exemplo pessoal nos concentramos gradualmente em estar incorporados e em nos aproximar mutuamente por diferentes jogos de exercícios e outros meios. Nós atraímos a Luz Superior a nós na medida em que nos conectamos no círculo e nos concentramos na linha, e a Luz Superior nos influencia.

Curiosamente este é um processo acumulativo. Não importa o que fazemos, isso significa que já fazemos algo. Um pouco de esforço e mais outro, e, assim, uma e outra vez, nada se perde. Tudo o que fazemos em nosso mundo, em nosso ego, é engolido e desaparece. Mas tudo o que fazemos acima do nosso ego entra na linha, que nos concentramos na Luz Superior, e essas linhas permanecem.

Cada vez que eu estou incorporado no círculo, no workshop, eu me transformo de um enorme egoísta redondo, de um pedaço egoísta, numa determinada linha e me conecto à Luz. Outra linha pequena, outro pequeno tubo, e depois outro e outro… assim, eu me transformo em muitas dessas linhas, e, gradualmente, uma vez que estas linhas acumulam o sentimento da força que atua em mim, a força do Criador é criada em mim. Este é um processo gradual. Ele invoca a influência da Luz pelos tubos até o meu pedaço egoísta, e em seguida, começa a perceber algumas das diferentes mudanças que vêm da Luz. Dessa forma, diferentes sentimentos e realizações são criados em mim. Eu saio de mim mesmo e começo a influenciar e a participar com os outros de uma forma mais concentrada. Assim, a pessoa muda gradualmente.

Portanto, nós precisamos de exercícios assim como em qualquer outro campo: nos estudos, nos esportes, etc. Nós precisamos de uma série de exercícios. É como um músico que pratica de manhã até a noite tocando as diferentes escalas musicais. É a mesma coisa aqui; não há nada que possamos fazer sobre isso e é preferível fazê-lo 24 horas por dia. Músicos dedicados praticam o tempo todo. O artista de circo está ocupado praticando todos os dias e um acrobata não faz nada, exceto trabalhar para melhorar a sua performance.

É o mesmo conosco! Esta é a forma como devemos nos sintonizar. Não é um instinto, mas a influência da Luz. Nós temos que nos acostumar com o fato de que nós cooperamos desta forma o tempo todo, mesmo se estamos num círculo. Não há outra maneira de atingir “do amor dos seres criados ao amor do Criador”, o que significa estabelecer dentro de nós os atributos do mundo superior. Nós temos que fazer um esforço real e prestar muita atenção para que não acabemos com nossa vida como as outras pessoas. Todo o nosso trabalho é chegar à sensação do Criador através do sentimento dos outros.

Rabash diz na Carta 42: E nós devemos entender como eles podem ser como “um homem com um só coração”, já que todos nós sabemos o que os sábios disseram, “assim como os seus rostos são diferentes uns dos outros, suas opiniões também são diferentes umas das outras”? Como eles podem ser como “um homem com um coração” se, para começar, são diferentes em seus atributos, desejos e intenções? E o Rabash responde: Se falamos sobre o fato de que cada um se preocupa com as suas próprias necessidades, é impossível ser como um só homem, uma vez que eles são diferentes entre si. Mas se todos se anulam, e cada um só se preocupa com o benefício do Criador, não há mais opiniões privadas, e todas as idiossincrasias são anuladas, e todos entram num único domínio. Assim, nós nos conectamos num nível superior.

Isso significa que o nosso único objetivo é subir acima de nossos corpos e se conectar por meio de diferentes exercícios. Todo mundo tem um corpo espiritual, uma só alma. Baal HaSulam diz que apenas uma alma foi criada, ou seja, Malchut do Infinito, um único desejo. Nós estamos incorporados nela e subimos acima de nossos corpos egoístas separados, e ao sentir a nós mesmos, nossos corpos e os estados da natureza inanimada, vegetal e animal, sentimos o nosso mundo. É porque de acordo com os nossos conceitos egoístas, isso é o que é percebido pelo nosso desejo não corrigido, e, portanto, esta é a forma como sentimos a nossa realidade.

No entanto, quando começamos a nos corrigir, começamos a sentir o que está para além dos níveis inanimado, vegetal, animal e falante e começamos a sentir as conexões entre eles. Mais tarde, quando subimos sobre essas conexões, já começamos a sentir o nosso mundo. Assim, a separação que sentimos desaparece, bem como as conexões, e tudo se funde numa gota, num só corpo pleno.

Do Acampamento Internacional de Verão Na Bulgária 11/07/14, Lição 1

É Impossível Esvaziar O Oceano Com Uma Pipeta

Laitman_120Pergunta: Como dez pessoas podem conter a informação sobre todo o universo?

Resposta: Você não precisa sequer de dez pessoas para isso: uma outra pessoa ao meu lado é suficiente. A principal coisa é que eu devo sair de mim mesmo. Eu percebo o mundo, a realidade, com os meus sentidos. Eu percebo a realidade interna na medida em que posso contê-la, ou a percebo de forma oposta ao jeito como está do lado de fora e saio de mim mesmo.

Assim, o Masach (tela) onde eu vejo a imagem do mundo não está mais dentro de mim, mas fora. Agora eu meço tudo do lado de fora no que diz respeito aos outros. Isso é chamado de “ama teu amigo como a ti mesmo”, que é a aquisição de um novo sentido.

Pergunta: Esta é provavelmente uma mudança qualitativa em nossa percepção e não quantitativa?

Resposta: É claro! Eu saio de mim mesmo e vivo lá. É assim que eu percebo a verdadeira realidade que é externa a mim. Eu não a distorço pelas corrupções em mim e, portanto, não a vejo como distorcida.

Eu só posso perceber toda a realidade no meu minúsculo vaso, como se estivesse usando minha minúscula pipeta para extrair de um vasto oceano de informações e perceber apenas o que ela pode conter, ou posso sair deste tubo e conter todo o oceano, já que saí de mim mesmo.

Comentário: Acontece que eu permaneço com este pequeno tubo.

Resposta: Não, eu simplesmente adquiro um novo sentido com esse tubo que é externo a ele. Assim, eu percebo tudo o que há no enorme oceano.

Pergunta: Eu não preciso adquirir muitos tubos para isso?

Resposta: Nós temos que simplesmente sair dele e deixar a percepção egoísta prévia. Isso significa que você adquire todas as dez Sefirot, e mesmo que elas sejam muito pequenas, são externas a você e isso é o suficiente para começar a sentir a realidade espiritual.

Nós nunca percebemos a verdadeira realidade que é externa a nós, mas nos desenvolvemos mais e mais e nos aproximamos da imagem real. Isso indica a nossa subida na escada espiritual.

Pergunta: Por que um grupo de duas pessoas é suficiente para sentir a verdadeira realidade que é externa a mim?

Resposta: Se muitas pessoas se conectam e estão prontas para se unir, é mais fácil para cada uma delas sair de si. Mas também é possível que duas façam isso se estão juntas. Há casos em que uma pessoa consegue atingir toda a revelação espiritual sozinha, mas é muito difícil. Quanto mais pessoas apoiam você, tentando fazer isso junto com você, mais fácil é. O melhor é quando existem pelo menos dez pessoas.

Então você começa a ver a realidade fora do seu corpo, ou seja, na Luz de Retorno. Ela não está dentro de você, mas do lado de fora, onde você se funde e se integra com a realidade externa.

De KabTV “Encontros dos Mundos” 20/06/14