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Por que o Criador nos Trata tão Mal?

Duas perguntas que recebi sobre a atitude dos Cabalistas em relação ao mundo:

Pergunta: O nosso grupo de estudo de Cabalá em Seattle foi convidado a dar uma apresentação sobre a Cabalá para um clube que se reúne para aprender sobre diferentes tradições espirituais. A conversa foi muito boa e depois que acabou um dos participantes perguntou: “O que os Cabalistas dizem que devemos fazer com os desejos quando eles emergem dentro de nós?”. Como você responderia essa pergunta?

Minha Resposta: Nós os satisfaremos com o entendimento do Criador.

Pergunta: Se os Cabalistas sabem e sempre souberam de tudo, na minha opinião, eles são responsáveis por explicar a toda a humanidade e até mesmo aos indivíduos, por que o Criador, aparentemente, trata-nos tão mal.

Minha Resposta: É você, e não os Cabalistas, que percebe a atitude do Criador desta forma. Você entenderá o resto sozinho, logo que suas impressões do mundo começarem a mudar.

Reflexão Interna


Tudo o que é acumulado externamente com saída para o monitor do “computador” é feito por mim, visto que só eu posso discernir a externalidade. Contudo, na realidade, todos os eventos acontecem no disco rígido. É daí que algumas formas são reflectidas no monitor. Eu sou capaz de entender essa forma e, consequentemente, envio de volta uma ordem para o disco rígido.

Esta forma externa reflectida no monitor é o nosso mundo. O Zohar quer nos levar para dentro do sistema, sendo este o Criador (disco rígido), para o lugar onde todos os eventos ocorrem e onde todas as forças agem.

Eu sou incapaz de mudar alguma coisa ao interferir com as acções no próprio monitor. É como tentar apagar ou adicionar dados à imagem do monitor. O monitor é necessário apenas com a finalidade de transmitir o que está a acontecer lá dentro.

Portanto, a coisa mais importante é tentar entrar lá dentro, penetrar para além de todas estas imagens externas. Ao fazer isto, revelaremos a forma das forças, informações e reminiscências (Reshimot) no mundo espiritual que estão neste “disco rígido”. Então, seremos capazes de trabalhar com todos os parâmetros e mudaremos tudo, a fim de recebermos satisfação. No entanto, isto irá acontecer sob uma condição: a de irmos mais para o interior.

Portanto, não importa que imagens O Zohar retrata. O mais importante, é querermos revelar a imagem interna, onde tudo acontece. Os nossos desejos agem dentro disto, já que não há mais nada no universo além do desejo e a Luz.

Seja uma Nova Pessoa a Cada Instante

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É difícil sentir e entender o que é a alma; todavia, os Cabalistas dizem-nos que a alma é uma parte do Criador, que é a qualidade de doação. Quando o desejo de receber prazer assume a forma de doação, ele começa a trabalhar como um desejo doador. Como resultado, ele sente-se semelhante ao Criador, como se fosse uma parte Dele.

Todas as vezes que sentimos uma mudança interna, temos uma alma nova e diferente. Durante cada uma das nossas acções de fusão com a Luz, vinte e cinco espirituais novos Partzufim, ou almas, nascem. Então, como é que nos identificamos no mundo espiritual? Neste mundo material, identificamo-nos com tudo o que nós percebemos como nosso, tal como as partes do nosso corpo (braços, pernas, cabeça, e assim por diante). Enquanto estivermos vivos, o mesmo corpo permanecerá connosco hoje e amanhã, e no dia seguinte, e assim por diante.

No entanto, o que é “nosso” no mundo espiritual? O que permanece connosco do estado anterior, se estamos a receber constantemente dez novas Sefirot e uma nova intensidade (Aviut) do desejo, com qualidades novas, uma nova tela, e nova Luz? Será que algo permanece que nos faça sentir que somos “nós” que avançamos em vez do nascimento de uma outra alma?

A verdade é que, na espiritualidade, cada dia e cada instante, você é uma pessoa nova. Nunca permanece algo do passado consigo. É o oposto da nossa vida material. Na espiritualidade, tudo é constantemente renovado, excepto o ponto no coração inicial.

Um Circulo de Perfeição


Todos os mundos se vestem uns aos outros; cada Sefira recebe Luz da sua raiz – a principal Sefira no Mundo do Infinito. Por exemplo, todas as Sefirot particulares de Bina recebem Luz de Bina do Mundo do Infinito; todas as Sefirot particulares de Tifferet recebem Luz da Sefira Tifferet do Mundo do Infinito, e assim por diante.

No caminho até o local de destino, a Luz atravessa todos os Partzufim e Sefirot, embora ela só os atravesse de passagem, à medida que se conecta à Sefira de sua raiz ou fonte. Nós corrigimo-nos desta maneira. Portanto, todas as Sefirot e Partzufim que estão no caminho da Luz para comigo, corrigem-se parcialmente ao ajudar a trazer a Luz de Tifferet até mim.

Eu corrijo a minha conexão com eles, porque eles trazem a Luz de Tifferet até mim, mas a correção mais importante da qualidade de Tifferet ocorre em mim. Todas as outras correções, ocorrem devido à nossa inclusão mútua uns nos outros, e desta forma podemos atingir um estado onde todos estamos incluídos uns nos outros, e formamos um círculo ou uma esfera – um símbolo de perfeição.

Culpa, Julgamento e Perdão


Três perguntas que recebi sobre a relação com os outros:

Pergunta: Estou ainda a entender, como é o homem responsabilizado por qualquer coisa se Não Há Ninguém Além D’Ele? Ele pré-determina tudo; então, porque você critica os problemas do mundo? Além disso, na tentativa de acreditar que só há Ele, não é prejudicial uma pessoa criticar tudo o que a rodeia, sendo que é dito que isso é apenas um reflexo de si mesma?

Minha Resposta: O egoísmo foi criado para ser mudado, enquanto tudo foi criado para ser usado na sua forma original.

Pergunta: Se nós observássemos sem julgamento e vivessemos cada momento com amor e compaixão, o sofrimento no mundo deixaria de existir?

Minha Resposta: Não, não é o suficiente. Nós temos que acrescentar semelhança à Força Superior, pois só assim conseguiremos alcançar o verdadeiro amor em vez do amor imaginário. Essa é a única maneira para todos os problemas deixarem de existir.

Pergunta: De tudo o que tenho lido de si sobre Cabalá, eu nunca ouvi uma discussão sobre o perdão a outro ser humano. Eu dirijo um grupo de apoio judaico e temos nos concentrado no perdão. Eu sinto que isso é muito importante para a saúde espiritual. Gostaria de saber o que você acredita.

Minha Resposta: Quando a pessoa está acima deste mundo, não há necessidade de perdoar alguém, porque ela não tem ressentimentos em conta.

A Luz Nos Corrigirá


Três perguntas que recebi sobre a correção espiritual:

Pergunta: Como um estudante da Cabala, eu naturalmente quero experimentar a sensação do Criador, mas parece que a coisa mais importante está sendo alterada ou corrigida para que o meu desejo seja de doar aos outros. Não estou certo sobre algo. Por sentir o desejo de doar aos outros experimento a sensação do Criador, ou há mais do que isso? Sentir a sensação do Criador é como uma espécie de “alta” ou euforia?

Minha Resposta: Mesmo antes de adquirir a qualidade da doação você vai sentir o Criador ligeiramente, de uma certa distância.

Pergunta: Eu entendo que você precisa ter a necessidade de correção profunda em seu coração e rezar para que isso aconteça. No entanto, quanto mais eu olho para as pessoas que me rodeiam e as suas ações, mais eu odeio elas. Por exemplo, eu me sinto assim cada vez que tocam música alta às 4 da manhã ou jogam todo o tipo de coisas no chão, ou são violentos uns com os outros. Como posso amar esta sociedade? Eu a odeio completamente, mas por outro lado, há a necessidade de correção. [Leia mais →]

A Inclinação ao Mal é o Nosso Leal Assistente


Se uma pessoa está na linha esquerda, desejando receber apenas a Luz de Hochma, então não há sensação de escuridão dado que lhe falta a Luz de  Hassadim. Por contraste, se uma pessoa está na linha direita, completamente na Luz de Hassadim, então ela não tem qualquer desejo de recepção, e não aspira à Luz de Hochma (o estado de pequenez).

Como podemos conectar estes dois estados opostos de Hassidim e Hochma? Uma vez que uma pessoa é dividida nestas duas metades sem a habilidade de as unir, a intervenção de uma terceira força é necessária. Esta terceira força causa que os dois estados opostos colidam para que uma nova acção possa começar.

A verdade da questão é que cada acção é um novo nascimento na espiritualidade. Ela é um novo estado que não existia previamente, e não sabemos como a executar. Na verdade, é impossível executá-la, uma vez que cada acção revela a nossa falta de conexão com o Criador e a nossa oposição a Ele.

Como pisamos em cima deste abismo e saltamos da corporalidade para a espiritualidade em todo e qualquer grau? Isto ocorre depois de muita preparação, quando uma força vem até nós e desperta a serpente em nós, que é a inclinação ao mal, ajudando-nos a executar este salto.

(Nota: Este principio vem de Kitrug HaYareyach, que ocorreu no quarto dia da criação.)

“Vaidade Das Vaidades” – O Significado Cabalistico


Uma pergunta que recebi: Parece-me que O Livro do Zohar tem muito mais da linha esquerda que da linha direita. É isto verdade?

Minha Resposta: O Zohar, como toda a Torá, é a linha do meio, não da direita ou da esquerda. Toda a Torá é escrita a partir da linha do meio.

Os autores destes livros revelaram sua realização espiritual ao alcançarem o Nível Superior, o Criador, e isto ocorre apenas na linha do meio da alma. Desta forma, nenhum dos livros Cabalisticos é escrito na linha direita ou esquerda. Contudo, pode haver uma inclinação para uma direcção ou outra, na maneira como o material é expresso externamente.

Por exemplo, o livro Kohelet (Eclesiastes) do Rei Salomão parece ser uma expressão da linha esquerda a nós, quando ele escreve frases como, “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. Contudo, “vaidade” (Evel), na verdade, refere-se à Luz Circundante. Desta forma, “vaidade das vaidades” significa que tudo é concretizado na Luz Circundante.

Quando lido desta maneira, vemos que todo este livro não está preenchido de desespero, como muitos pensam, mas precisamente o oposto. Ele fala dos anseios pela Luz Superior. Por exemplo, a mencionada frase do Rei Salomão em Eclesiastes na verdade significa, “Tudo é meu anseio pelo Criador”, em vez de como é frequentemente traduzida.

Tudo depende de um entendimento adequado do texto, unificação com o autor, e com o protagonista – o Criador.

É Impossível Não Ter Mal

каббалист Михаэль ЛайтманO Zohar, Capitulo “Ki Tissa (Quando Tomas)” Item 50: Não há pai tão misericordioso para Suas crianças como o Criador, como está escrito, “Que nem uma coisa tenha falhado de todas as coisas boas” . …Mas este disse, “De todas as coisas boas”, e deixou as más para trás, isto é, que Ele deixou as coisas más que Ele disse sobre Israel à parte, e elas não se concretizaram; é aí que Suas misericórdias são vistas. Isto porque Ele não deseja fazer uma coisa má.

O mundo existe baseado em duas forças; desta forma, é impossível não ter mal. A bondade é revelada a partir do mal e é construída dentro dele. Então, o problema não é que o mal exista no mundo, mas a maneira como o revelamos.

Ou o mal é revelado em toda a sua repugnância e imundice, através das piores e mais cruas imperfeições, ou nos armamos com a força da linha direita, sob a qual revelamos-o com alegria. Corrigimos-o, e imediatamente o transformamos em bondade.

De qualquer maneira, o mal deve ser revelado. Tudo depende da nossa aspiração.

“Pais” Espirituais Nunca Abandonam Seus “Filhos”


O Criador gosta de brincar com o homem tal como um pai gosta de brincar com seu filho. No nosso mundo, a natureza instigou nos pais um desejo de doar a seus filhos. Contudo, isto vem da raiz espiritual. Este exemplo corpóreo pode ajudar-nos a compreender o mundo espiritual. Tal como gostamos de cuidar dos nossos filhos, o pai espiritual, que é o Sistema Superior, gosta de cuidar de seus filhos espirituais. Nós somos esses filhos; nós simplesmente ainda não percebemos isso.

Quando se brinca com um filho, o jogo em si não importa. O que importa é a nossa atitude em relação ao filho e a sua atitude em relação a nós, em retribuição. Quando a criança pára de reagir, o jogo deixa de ser agradável para nós. Apenas recebemos prazer quando a criança recebe prazer, quando ela compreende o que fazemos por ela, e quando ela aprecia o que recebeu de nós. Isto requer uma similaridade de nossos desejos e qualidades. No nosso mundo, não compreendemos isto, pois quanto mais as crianças crescem, mais se afastam dos seus pais. Todavia, no mundo espiritual, é ao contrário: quanto mais velha a criança se torna, mais próxima ela se torna do seu pai e mais forte o seu laço com ele.

Porém, isto não significa que a criança se torna dependente do seu pai. A dependência da criança cessa tal como ela o faz no nosso mundo, ainda que  a conexão entre eles fortalece-se. Esta mesma coisa acontece aos pais e crianças no nosso mundo, que partilham actividades comuns e um objectivo; eles unem-se.

O Criador e a criação estão conectados através de um objectivo comum, pois eles querem preencher-se um ao outro. Eles querem retribuir prazer um ao outro, para que cada um compreenda quanto o outro valoriza o que recebeu, e para descobrir amor nesta recepção. Caso contrário, nunca sentiríamos e compreenderíamos o Criador.