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Abandonando o Mau e Buscando o Bem


Questão eu recebi: Como os problemas não desaparecem mesmo quando nós entendemos a sua causa?

Minha Resposta: Isso significa que falta a compreensão da sua causa ou origem. De onde é que esses problemas vêm? Eles vêm do teu egoísmo. Por que eles vêm? Eles vêm porque tuas qualidades estão contrárias, comparadas com as do Criador. O que tu tem que fazer? Tu tem que pedir ajuda da Luz Circundante, a fim de adquirir a qualidade de doação e uma conexão com o Criador. Esses são os teus objetivos iniciais.

Tu tem que passar por várias etapas. As dez Sefirotda Luz Direta despertam as dez Sefirot da Luz Refletida dentro de nós, fazendo-nos sentir dor a partir da primeira Sefira (Malchut). Após as primeiras nove Sefirot, sinto o mal como uma facada ou um golpe quando a Luz vem de Cima e colide com Malchut. E então eu devo transformar esse mal em uma reação apropriada – as nove Sefirot da Luz Refletida. [Leia mais →]

A Lente Espiritual


Nós não conhecemos as qualidades do Criador. Nós O percebemos da maneira como Ele é percebido por nossas almas, ou seja, da maneira como Ele nos é revelado quando Malchut (a alma) une-se com Ele através de Yesod – apenas por um ponto. Devido à sua unificação com Yesod, ele revela a imagem “do Criador”, algo que existe diante dele, dentro de si.

Isso funciona como uma lente ótica, através da qual a Luz chega até nós. Os raios focam num ponto, a partir do qual revelamos a Luz em Malchut. Este foco é Yesod, o único ponto de contato, e a revelação dele ocorre em Malchut.

Depois de passar por Yesod, os raios dispersam e criam uma imagem em nós, em Malchut. A imagem nos mostra o que existe antes deste ponto; todavia, nós ainda não conheçamos o Sistema Superior, pois não temos qualquer conexão com ele.

No entanto, ao reunirmos isso a partir deste ponto, que é o ponto mais inferior no sistema, nós revelamos toda a imagem daquilo que existe acima de nós. Assim, nós só precisamos encontrar o contato com este ponto; este é o nosso ponto de contato com o nível superior, Yesod. Para que isso aconteça, nós precisamos nos unir junto com Malchut, tornando-nos semelhante a Yesod. Nós temos que nos tornar um homem com um coração, com um objetivo, intenção e desejo, na mente e no coração.

Através deste ponto de contato com Yesod, dessa gota de unificação que nós alcançamos, o Mundo Superior, que está fora de nós, torna-se revelado. Está escrito: “Faça-Me uma abertura do tamanho do buraco de uma agulha, e eu Eu abrirei os Portões Superiores de Luz para você”. Através desses portõess revelaremos todo o Sistema Superior, mas o contato ocorre no ponto de menor foco. Exceto por isto, nada mais é sentido em Yesod.

Tudo é revelado em Malchut, a qual se chama, portanto, uma imagem (reflexão) do Criador.

Esteja Acima de Si Mesmo


Bom, mau ou indiferente – não importa como nos sentimos durante a leitura do Livro do Zohar. O mais importante é continuar o nosso esforço, independentemente daquilo que se pode ou não sentir. Se o deixarmos verter em nós mesmos como uma infusão, então irá fazer o seu trabalho dentro de nós.

Nós nos elevamos acima das nossas impressões egoístas ao não prestar atenção ao que o nosso desejo egoísta sente. Quer estejamos num estado de medo ou de alegria, quer nos sintamos irritados ou confusos, estamos acima dele. Por outras palavras, uma coisa não depende da outra e nós continuamos a trabalhar, apesar do que sentimos.

O Criador intencionalmente treina-nos através do nosso egoísmo e do desejo por prazer. No entanto, temos de superar constantemente essa sensação e continuar a andar pelo caminho como se nada tivesse acontecido.

Temos de dizer ao Criador, “Não são os Seus presentes que são importantes para mim; é Você que eu preciso! Não me confunda com todas as outras sensações!”. Somente este tipo de persistência renderá resultados.

Tudo Consiste das Mesmas Dez Sefirot


O Zohar, Capitulo “Miketz.” Item 178: O Criador fê-lo para que o homem se fortalecesse na Torá, e para que percorresse o caminho da verdade em direcção ao lado direito, e não ao lado esquerdo. E porque as pessoas precisam caminhar para o lado direito, elas devem aumentar o amor entre elas. Isto porque o amor é considerado “direito”, e não haverá ódio entre umas e outras, que é considerado esquerda, para não enfraquecer a direita – o lugar no qual Israel se apega.

Este parágrafo parece falar sobre a vida numa sociedade ou grupo corrigido, mas ainda temos de decifrar o que significa isso, através dos nossos discernimentos internos. Não há diferença quando O Zohar fala sobre uma assembléia aparentemente externa de pessoas ou sobre uma reunião de qualidades internas da nossa alma. É a mesma coisa, dado que tudo consiste das mesmos dez Sefirot. Todos nós contemos o recipiente (vaso) da nossa alma comum (Adam Rishon) e os mesmos estados internos das dez Sefirot existem em cada um de nós.

É por isso que por vezes O Zohar usa definições internas quando descreve as nossas propriedades ou quando nos conta sobre como o grupo deve ser; por vezes ele descreve apenas uma pessoa, ou animais. Devemos tentar ver múltiplos níveis ao mesmo tempo: o nível interno da nossa alma, o nível do nosso grupo e a nossa conexão com os amigos, e o nível de toda a humanidade. No futuro, todos estes níveis se irão unir.

Vendo o Mal Como Bem


O Zohar, Capitulo “Ki Tissa,” Item 16: “Todos os que estão em cólera contra você serão envergonhados e desonrados”. O Criador está destinado a fazer para Israel todo esse bem, que Ele disse através dos profetas da verdade, e pelo qual Israel sofreu grandemente no exílio. Não tivesse sido por todo esse bem que eles esperam e vêem, que está escrito na Torá, eles não seriam capazes de tolerar e suportar o exílio.

Isto significa que a pessoa ganha um desejo maior pela correcção, chamado “Isra-el” (directamente ao Criador), ao antecipar a bondade e a abundância que virão mais tarde. Além do mais, o seu desejo cresce ainda mais forte quando ela ganha uma conexao inicial com essa bondade.

No nosso mundo, a pessoa tem vontade de saber que irá receber uma recompensa futura por seu sofrimento. Mas, na espiritualidade, esse não é o caso. Lá, a pessoa não recebe alivio psicológico ao pensar que o mal se transformará em bondade. Aquele que estuda a Cabalá relaciona-se a isto diferentemente. Quando a pessoa está no caminho da verdade, ela sabe que o mal está lá para ajudá-la a alcançar a bondade. Ela vê que o mal está, na verdade, dentro dela. e ela tem de corrigí-lo, em vez de simplesmente enfrentá-lo. Então, em vez do sentimento do mal, ela sente bondade.

Uma pessoa não espera um golpe de sorte para seguir um ruim, mas sabe que o “golpe de má sorte” que experimenta é a revelação do mal dentro dela, que ela tem de revelar e, então, corrigir. Desta maneira, ela alcança a bondade interiormemente. Não é que o sofrimento ocorra num lugar e a recompensa apareça noutro, ou que ela faça um esforço ali e receba o pagamento acolá. Em vez disso, ao levar a cabo a correcção, ela transforma a “inclinação ao mal” na “inclinação ao bem” – e essa é a recompensa.

É por isso que a pessoa se rejubila quando os “ímpios são revelados” – porque isto lhe dá algo sobre o que trabalhar e corrigir. É graças a este trabalho que ela alcança a espiritualidade, o Criador, a propriedade de doação. Todavia, tudo acontece no mesmo lugar: no desejo de desfrutar.

O Que As Palavras Não Podem Transmitir


A coisa mais importante no estudo da Cabalá são os nossos sentimentos. É impossível para nós revelar uma impressão espiritual dentro dos nossos sentidos externos e terrenos. Esta só pode ser sentida dentro dos nossos recipientes (vasos) internos da alma, os Kelim.

Os livros Cabalísticos usam a linguagem dos ramos, em que cada palavra aponta e está conectada à sua Raiz Espiritual Superior. Cada raiz espiritual tem o seu ramo correspondente no nosso mundo; contudo, a própria palavra relacionada não é capaz de transmitir um sentimento. Isto porque precisamos, na verdade, estar no próprio sentimento.

Uma palavra representa um recipiente (vaso) e seu preenchimento. Este é o esqueleto do Kli, ou seja, a tela e a Luz Reflectida, e um estado dentro dele, que é o nome de quatro letras do Criador, HaVaYaH.

Nós construímos palavras e frases a partir de “pedaços” chamados “Taamim” (sabores), “Nekudot” (os pontos por baixo das letras), “Tagin” (pequenas coroas acima das letras), e “Otiot” (letras). Isto permite-nos,  de alguma forma, descrever estados espirituais, conexões, relações, e todo o processo de transição entre os estados.

Todavia, não podemos transmitir os próprios estados, pois cada um de nós tem um recipiente (vaso) único de compreensão. A única coisa que podemos transmitir uns aos outros é a informação externa sobre a preparação do recipiente (vaso) espiritual e o nível de conexão entre as forças. Porém, somos incapazes de transmitir os próprios sentimentos. Desta forma, cada um de nós deve “visualizar” (sentir no seu coração) internamente as acções que são descritas pelas palavras.

Encontrar a Linha Do Meio é a Nossa Grande Tarefa


Se você conceder menos do que você é capaz, então não é auto-outorga. É assim que a linha do meio funciona. Não pode surgir a menos que haja uma medida precisa de doação máxima. A linha do meio não existe inicialmente e não sabemos a sua medida, mas constitui todo o “ser humano” dentro de nós. Temos de criar esse ser humano que vai ser igual ao Criador. Então, como vamos construir e criar a linha média à imagem do Criador, se essa é composta de duas forças: masculina e feminina, direita e esquerda? Nós não sabemos o que essa conexão é ou de que forma essa criatura chamada “homem” deveria ter. Quando ele nascer, será chamado nosso “eu”. “Mas antes que isso aconteça, é como se não existisse. Nós não podemos saber nada disto antes do tempo porque não vemos o Criador. Quando completarmos esse trabalho e construirmos precisamente as dez Séfiras, ao invés de nove ou onze, então o resultado será chamado o Criador – “Vinde e Vede” (Bo-Re). Vamos revelar a nós mesmos e o Criador juntos, porque uma pessoa não pode ser revelada sem o Criador e o Criador – sem o homem, pois eles só podem existir juntos.

Nós não temos qualquer exemplo ou imagem do que a linha do meio é. Temos de procurar e pedir que ela nos mostre os exemplos e a conexão. É assim que vamos começar a ver O Jogo que o Criador está jogando conosco por despertar diferentes sentimentos em nós, esta é sua maneira de nos dar sugestões para nos ajudar a encontrar a linha média. Do contrário, não seremos capaz de compreendê-la; só poderemos encontrar a linha do meio através da procura, tentando imaginar o que é enquanto estivermos na escuridão. Essa é a arte e toda a obra de construção do “Templo” – a manifestação da imagem do Criador em todos os níveis do nosso desejo: assim, vegetativo, animal e humano.

Aprender a Construir a Perfeição


Apenas ao corrigir o que não está já corrigido é que nós podemos aprender a compreender o Criador e nos tornarmos similares a Ele. No nosso mundo uma criança aprende ao construir uma casa de blocos ou ao reunir um puzzle. Tudo se constrói a partir de peças quebradas do todo. Primeiro, a criança tem que desmontar um brinquedo para ver o que está lá dentro, e, então, ela monta todas as peças novamente para ganhar de novo a sua forma perfeita; é assim que ela se desenvolve.

Na espiritualidade, nós avançamos da mesma maneira. Temos de saber quais são as nossas falhas ou transgressões, onde a quebra ocorreu e como o repará-la – conectando todas as partes desmontadas cada vez mais, e colocando mais as partes quebradas juntas novamente. A percepção e a realização vêem do Criador para a criação, do todo e perfeito para o imperfeito. Quanto maior a distância entre a perfeição e imperfeição, mais conexões de um para o outro irão haver e mais significativa será a sabedoria resultante. A Sabedoria nasce da sua união, sob a condição de que há disparidade de forma e separação entre eles. Desta forma, quanto mais quebrado, separado, confuso, desiludido, e oposto à perfeição eu sou, tanto melhor.

Se eu sou capaz de aplicar todos os esforços possíveis, usando todos os recursos disponíveis a mim, então eu devo começar a montar a perfeição a partir da imperfeição, de forma a deixar a “escuridão brilhar como Luz”, e trazer todas as partes para a harmonia e equilíbrio dentro de uma fonte. Isto significa que eu compreenderei quem é o Criador – Aquele que criou esta criação quebrada. A palavra “criação” (Beria) significa “tirada além dos Seus limites”. No principio o Criador fez o mal, uma propriedade que é oposta a Ele e deu-nos a oportunidade de O conhecer apenas ao criar as conexões certas, e ao atravessar o processo de correcção. É por isso que não nos devemos queixar sobre as nossas dificuldades; elas vêm até nós para que ao as corrigirmos, construímos a perfeição.

Ele e Eu, e Nós Juntos

Uma pergunta que recebi: Como eu faço para acompanhar o entendimento sobre O Livro Do Zohar enquanto procuro qualidades dentro de mim e, ao mesmo tempo, penso sobre a minha conexão com os outros?

Minha Resposta: Até agora, nós não sentimos como todos esses processos estão interligados, e que todos nós estamos incluídos numa única imagem – o Criador e eu. Nós estamos todos conectados de uma forma muito pequena e simples, conforme a nossa equivalência com Ele. O que chamamos de “eu” é, na verdade, o resto do mundo – os níveis  inanimado, vegetativo, animado e humano dentro de mim. E o Criador é o conjunto de forças e causas.

Portanto, nós devemos usar O Livro do Zohar de forma prática, para percebermos a unidade e o ponto de nossa conexão. “Eu” sou um, “o Criador” é um, e juntos, “Nós” estamos unidos como um todo. Enquanto isso não acontecer, nós nos sentiremos alienados, separados, e confusos, mas aos poucos começaremos a mudar. Do mesmo modo que uma criança que está crescendo, somente o esforço que fizermos nos ajudará.

Preenchendo a Lacuna Entre Nós e o Criador

Duas perguntas eu recebi em relação ao relacionamento com o Criador e o estudo da Cabalá:

Pergunta: Eu estou estudando Cabalá, mas agora eu sinto que estou muito longe do Criador. É como estar em um lugar onde Ele não existe. Eu me sinto vazio e isso me deixa triste, porque sei que Ele está em algum lugar, mas não consigo encontrá-lo. Isso é normal?

Minha Resposta: O que você está sentindo é real e, portanto, normal. Agora você tem que transformar esse deserto em terra de leite e mel. Você tem que atravessar o deserto até a Terra de Israel, o estado em que a pessoa está conectada ao Criador.

Pergunta: Eu estou num estado estranho, onde eu me desconecto de tudo: das aulas, do grupo, e dos livros por uma semana, e depois volto a eles com um grande apetite por mais aprendizagem e conexão. Mas agora eu estou novamente desconectado. Você pode aconselhar-me sobre o que fazer, e será que isso pode ter algo a ver com as minhas ambições e sonhos materiais?

Minha Resposta: Este é um processo comum e continuará até que você adquira um desejo grande e persistente, e sinta o Criador dentro dele.