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Criando o Criador a Partir da Quebra

A quebra cria uma realidade imaginária, espaço, e distâncias. Partes de Malchut afastaram-se uma da outra durante a quebra da alma comum. É precisamente neste espaço entre as suas partes que eu diferencio a mim mesmo e os outros, os que estão perto de mim e os que estão longe. Dentro desta esfera, eu imagino uma distância entre estas partes separadas, que não estão conectadas como um todo.

Então, é como resultado da quebra que eu começo a sentir esta realidade. Se tal realidade não existisse, eu não seria capaz de trabalhar para me aproximar e me conectar aos outros. Eu não teria uma oportunidade de alcançar algo. Afinal, toda a minha realização vem da inspiração de aprender, “O que é isto?”. Então eu aproximo-me do objecto que me interessa, muito mais como uma pequena criança que trás tudo à sua boca, o seu sentido mais desenvolvido, de forma a provar isso.

Dado que a quebra existe, eu começo primeiro a ansiar egoisticamente para unir as partes individuais de mim mesmo; então, eu desejo unir-me com elas na doação. Se eu desejo unir-me com elas egoisticamente, eu desejo alcançar apenas as minhas sensações internas. Contudo, se eu desejo unir-me com os outros em doação a eles, desta forma eu alcanço a Luz que desapareceu durante a quebra. Eu desejo preencher o vazio entre nós com esta Luz.

Eu construo uma imagem do Criador dentro dos desejos (Kelim), que estão distantes um do outro. Eu preencho este espaço vazio entre eles com a minha Luz Reflectida. Isto significa que eu construo uma imagem do Criador. Desta forma, o Criador (Bore) é chamado “Vem e Vê” (Bo-Re), dado que EU crio-O.

Quem Observa a Realidade do Criador?

Uma pergunta que recebi: Quem é esse observador, que vê a realidade do Criador?

Minha Resposta: Ele é o desejo de receber. Este desejo é a quarta fase (Dalet) do seu desenvolvimento de quatro degraus, o qual tem a qualidade de ser capaz de ver a si mesmo de uma maneira diferente da do desejo de receber nos níveis inanimado, vegetativo ou animal. Nesses níveis o desejo sente apenas a si mesmo, e vê todas as suas partes internas: a natureza inanimada, vegetativa e animal, e o ser humano neste mundo, de dentro de si mesmo.

O desejo de receber, que se desenvolveu até à quarta fase, tem outra parte, que é chamada “o ponto no coração” – uma “partícula do Criador acima” da qual ele pode também observar. Este ponto de observação é novo, e deste ponto, ele vê a si mesmo como se estivesse do lado do Criador.

É apenas necessário ver este ponto para lhe dar grande importância, energia e alcance. Tudo isto é executado ao extrair este ponto de dentro de si mesmo, “colando-o” aos outros.

Estes “outros” existem meramente na sua imaginação. Na realidade, nada existe fora da pessoa. Contudo, é assim que agora sentimos como consequência da quebra.

Nosso Trabalho É Muito Simples

Rabash, “O Significado da Torá e o Trabalho no Caminho do Criador”: Quando alguém tenciona estudar a Torá, ele deve manter o objectivo, a razão pela qual ele tenciona estudar, perante seus olhos. O objectivo, isto é, o beneficio que ele deseja extrair da Torá é a Luz que Corrige que se encontra nela.

Essencialmente, nós não precisamos de mais nada. Nós devemos imaginar e tentar sentir que tudo acontece devido à Luz Superior, de que “não há ninguém além D’Ele”, que Ele é o governante e o senhor, e apenas Ele executa tudo.

Desta forma, nós precisamos apenas desejar e esperar pelas Suas acções e suas consequências. Todo o nosso trabalho consiste em atrair Suas acções sobre nós, sentindo que estamos num grau inferior, enquanto que Ele é o Superior, e tornar-nos similares ao grau Superior, à Luz. Ele irá agir sobre nós e tornar-nos similares a Ele tanto quanto aspirarmos por Ele, isto é, desejarmos tornar-nos como Ele.

Portanto, segue-se que o nosso trabalho é muito simples. Não é importante que passagem de O Zohar estamos a ler ou do que ela trata; não importa o quanto compreendemos do que estamos a ler. Existe um sistema de conexão entre nós e a Luz Superior, chamado “O Livro do Zohar.” Nós temos de utilizá-lo e aspirarmos em nos tornarmos similares à Luz durante o estudo.

Este desejo irá despertar a Luz, e ela irá agir sobre nós. Lentamente, iremos começar a sentir os resultados de sua influência.

Agradeça O Criador Pelas Perturbações

Uma pergunta que eu recebi: Durante a classe do Zohar nas aulas de manhã, eu sinto que não entendo nada. Mas, apesar disso, sinto uma aspiração e conexão com o material.

No entanto, durante as aulas noturnas, eu não sei o que fazer comigo mesmo. Eu me sinto completamente desprendido do material, oprimido por pensamentos dos problemas diários, e incapaz de me concentrar na aula. O que eu posso fazer para começar a me concentrar no material? Existe alguma ação automática e instantânea que pode ser realizada em tal estado?

Minha Resposta: A ação automática para combater as perturbações é agradecer ao Criador que as envia. Afinal, “Não há ninguém além d’Ele”. Ele cria essas perturbações para você; Ele controla o seu coração e sua mente. É lógico que Ele sabe melhor o que lhe enviar em cada momento. Ele envia-lhe todas estas coisas justamente para confundi-lo, para fazer você se sentir incompetente, incapaz de se concentrar, para distraí-lo, obrigando-o a pensar sobre as atividades, problemas e preocupações do seu dia.

Por quê? Se, no meio de toda esta confusão, da enorme quantidade de problemas e distrações, você for capaz de reunir todas as suas forças para se agarrar e se conectar a pelo mesmo uma pequena fração do texto, por apenas alguns momentos, aí reside o seu lucro. Por outro lado, se você está sentado na aula com uma mente clara, sentindo como se estivesse praticamente subindo no mundo espiritual, você pode não estar no lugar certo. Na verdade, o seu esforço consiste em tentar se conectar ao mundo espiritual, mesmo um pouco, apesar de todas as suas pequenas “cobras” (desejos egoístas). É exatamente isso que você precisa.

Depois, de repente, virão as grandes revelações. É exatamente das dificuldades e partidas que as revelações são alcançadas. Como está escrito: “A Torá virá de Zion (Partida da Luz)”.

Portanto, se sua mente não estiver em funcionamento ou o seu humor estiver sujo, não pense que seja inútil vir à aula e ouvir O Zohar. Esse cálculo é totalmente incorreto; sua clareza de espírito ou estado emocional não é importante. Se você está realmente lutando com o sentimento individual, cansado e confuso, mas ainda tenta se conectar ao material, tanto quanto possível, mesmo se você fizer apenas uma pequena conexão momentânea, você ganha muito mais do que durante os estados de grande inspiração. Isso ocorre porque a inspiração é concedida do Alto e ela apenas infla você como um balão de ar. No entanto, o verdadeiro benefício é produzido pelo trabalho e o esforço, apesar das perturbações.

Egoísmo Causa Seu Próprio Sofrimento


O Criador não me manda o sofrimento. O desejo que não é semelhante à Luz Superior desperta dentro de mim e eu sinto esta dissimilaridade como sofrimento com relação à saúde, dinheiro, honra, poder, segurança, cônjuge, filhos, e todo o mundo.

Eu sinto pressão, dificuldades e problemas diversos. De quem é e qual é a culpa? É porque o meu desejo é oposto à Luz. Meu desejo de ser contrário à Luz desperta a sensação de sofrimento dentro de mim. Esta sensação não vem da Luz. A luz está em repouso absoluto; é boa e traz bondade tanto para os ímpios como para os justos. Sou eu que não sou semelhante à Luz, minhas qualidades, que são diferentes da Luz.

Por exemplo, se um desejo de 10 kg desperta em mim, eu tenho que tornar-me equivalente à Luz nos 10 kg. Ou seja, eu tenho que cultivar a “intenção em prol da doação” sobre esse desejo e depois vou me encontrar no meu “pequeno” Mundo da Infininidade. Posteriormente, o desejo aumentará para 12 kg, e eu vou ter que corrigir a minha intenção de doação para os 2 kg adicionais, e então eu me sinto em um mundo maior do Infinito, e assim por diante. [Leia mais →]

Dois Anjos No Mesmo Caminho

O Zohar, Capítulo “Ve’Eleh Toldot Itzhak (Estas São As Gerações de Isaac)“, item 172: Como Jacob confiou no Criador e todos os seus modos eram para o Seu nome, seus inimigos fizeram as pazes com ele. E Samuel, que é o poder e a fortaleza de Esaú, fez as pazes com Jacob. E como ele fez as pazes com Jacob, ele agradeceu as bênçãos, e Esaú também fez as pazes com ele.

Porém, enquanto Esaú não fez as pazes com esse encarregado que foi nomeado por ele, que é Samuel, Esaú não fez as pazes com ele. Isso porque em todos os lugares, o poder de baixo depende do poder de cima. E enquanto o infrator acima não está enfraquecido, que são os ministros nomeados sobre eles acima, é impossível enfraquecer o infrator abaixo neste mundo.

É proibido para uma pessoa pensar que existem forças que trabalham contra ela, forças que resistam à obra do Criador e não querem que ela atinja a meta da criação. Não há tal coisa. Todas as forças, tanto da linha direita quanto da linha de esquerda, trabalham juntas para o mesmo objetivo. Nós acreditamos que o mal vem para nos destruir e nos enganar, mas isso não é verdade. O mal existe para nos mostrar os nossos erros, para que possamos ver quando fazemos coisas que são opostas à meta. Essa é a missão dos dois anjos, mau e bom: acompanhar a pessoa no caminho para o objetivo da criação.

Podemos Ver o Nosso Futuro Mundo Hoje


O Zohar, Capitulo“BeHaalotcha (Quando Subires as Velas),”Item 142: “Uma pessoa caminha neste mundo e o Criador dá-lhe riqueza para que ela seja recompensada no mundo vindouro com isso, e irá permanecer com um capital do seu dinheiro. O capital é o dinheiro que existe para sempre, um local para unir a alma. É por isso que ela deve manter este capital diante dela, e ela irá receber este capital depois de partir deste mundo”. Item 143: “…embora o capital exista para ela naquele mundo, para ser recompensada com a vida superior, acima”.

Se a pessoa não tem uma tela anti-egoísta, ela não pode receber a Luz em prol da doação, e então, ela não tem nada com a qual continuar a sua vida. Desta forma, a pessoa é ou forçada a viver como uma besta e então morrer e voltar a este mundo novamente, ou mudar-se para o mundo espiritual, para ascender ao próximo nível.

Depois da Convenção do Zohar, nós recebemos Luz Circundante adicional, que despertou egoísmo adicional dentro de nós. Este é o desejo de desfrutar que não está a ser revelado em cada pessoa. Cada pessoa está a começar a sentir a escuridão e o peso, perda de energia, força e desejo. Se ultrapassarmos este estado com a ajuda do estudo, do trabalho de disseminação, e do nosso meio ambiente, iremos começar a ligar o novo desejo a esta Luz Circundante que brilhou para nós durante a Convenção. Ao o fazer, iremos construir o nosso próximo nível e avançaremos.

A Mente É Inútil Se Não Confia Nos Sentimentos


Quando o Baal HaSulam explica O Livro do Zohar usando a terminologia da Cabalá, ele visa fornecer uma explicação que irá desenvolver a nossa alma e as sensações, em vez de nossa mente. Realmente, este é um desafio, porque a linguagem Cabalística é muito precisa, lógica, científica e árida, e, portanto, a pessoa enfrenta a armadilha de ficar muito absorta nela, mentalmente. Isso é especialmente verdade em nosso tempo, quando o egoísmo é tão desenvolvido que o seu desenvolvimento ocorre através da mente. O homem moderno está inclinado a procurar uma explicação científica usando a mente material, em vez de sentir o Mundo Superior dentro de seus desejos corrigidos.

Como resultado, quando a pessoa ouve uma explicação, ela é atraída para a Klipa. Se ela aceita tudo numa base puramente racional e começa a apresentar explicações para o que está acontecendo, sem relacionar isso à correção de suas sensações, então ela não irá aspirar à realização espiritual. Ela ficará satisfeita com as explicações no nível de sua razão material,o que interromperá o seu progresso espiritual. Além disso, ela continuará confundindo os outros, que não entendem que suas belas palavras não têm qualquer realização espiritual, mas apenas o conhecimento abstrato.

É por isso que o meu professor, o Rabash, conduzia suas aulas de uma forma que fizesse com que seus alunos abandonassem as aulas confusos, sem entender nada. Eles não desejavam adquirir o conhecimento puro, mas esperavam adquirir a capacidade de sentir o que liam. Há também uma abordagem diferente no ensino da Cabalá, onde o aluno regozija-se depois da aula por receber certo conhecimento e ser capaz de conectar tudo magnificamente numa única imagem do mundo. Estas são duas abordagens completamente diferentes.

De qualquer maneira, a vida colocará tudo em seu devido lugar. A crise global, o sofrimento, os problemas, e o desenvolvimento do egoísmo trarão um fim ao nosso interesse superficial pela ciência. As pessoas se tornarão mais espertas e perceberão que o conhecimento abstrato não é útil,  porque não prevê qualquer solução para seus problemas. Nós temos que revelar e sentir a espiritualidade, em vez de construir teorias baseadas em coisas escritas nos livros.

Quando a mente funciona com base no sentimento e na realização, nós realmente revelamos a natureza, o Criador. No entanto, quando a mente continua crescendo, em vez de alcançar a verdadeira realização, ela é descrita pelo verso, “o conhecimento de uma pessoa excede suas ações” (Hochmato Merubeh Mi Maasav), e isso pára o desenvolvimento espiritual da pessoa. Ela começa a ser um sabe-tudo, embora esteja, na verdade, em total escuridão e não sinta o que fala.

Portanto, é meu desejo prevenir qualquer pessoa de se deixar levar por comentários especulativos, e ajudar que todos aspirem apenas à auto-correcção e à realização da verdadeira revelação.

A Luz É Concebida À Meia-Noite


O Zohar, Capitulo “Ve’Eleh Toldot Itzhak (Estas São as Gerações de Isaac)”, Item 14: Embora todas as pessoas no mundo sejam de Israel, todas elas são dignas de abençoar o Criador. Mas bênçãos pelas quais superior e inferior são abençoados, quem são os que O abençoam? São os servos do Criador. E quem são os cuja bênção é uma bênção? São os que permanecem na casa de Deus à noite, os que se levantam à meia noite e despertam para ler na Torá. Eles são os que permanecem na casa de Deus à noite. E eles precisam de ambos: de serem servos do Criador, assim como de levantar à meia-noite, pois então o Criador vem para entreter com os justos no Jardim do Éden.

Na ciência da Cabala, “meia-noite” não corresponde ao tempo acertado pelas horas astronómicas e a rotação do planeta terra. Em vez disso, ela corresponde ao estado de uma pessoa que constrói sentidos espirituais (Kelim) no interior.

Esta pessoa está no estado de escuridão, pois o seu nível anterior já se esgotou completamente a si mesmo como um grão que apodrece no solo. É uma condição necessária para adquirir um novo grau; o seu estado prévio deve “apodrecer” em respeito a ela.

Então, ela começa a ver um novo nível de dentro da escuridão, que é formado pelo seguinte nível e a Luz Superior que residem à sua frente. Por agora eles aparentam como escuridão a ela, pois ela vê-os através das suas atuais qualidades. Afinal, o nível subsequente é um grau maior de doação em relação ao desejo de desfrutar não corrigido que se torna revelado a ela.

Por um lado, uma Luz maior brilha para ela, mas por outro lado, ela revela um desejo de desfrutar adicional por corrigir dentro dela. Ela já tem um novo nível dentro dela, mas percepciona-o como escuridão, uma falta de Luz dentro do desejo.

Como o seu desejo adicional ainda não está corrigido, ela experimenta a Luz como escuridão. Isto a faz procurar uma maneira de mudar a sua atitude para com a sua realidade percepcionada. Em si mesma a realidade é apenas uma parte da corrigida Malchut, que gradualmente se torna revelada a ela mais e mais.

A pessoa muda constantemente a sua percepção, sensação, e consciência, assim como a realização do seu estado. Então, ela exige à Luz que Corrige; todavia, ela não o faz para mudar a realidade, mas para mudar a sua percepção da realidade.

Desta forma, esta pessoa é chamada “um servo do Criador”, pois compreende que em cada estado, tudo vem de “Não há ninguém além D’Ele”. Apenas a percepção da realidade da pessoa muda, como resultado dela corrigir as suas qualidades (Kelim).

O Que O Zohar Nos Ensina

O que o Zohar nos ensina? Sabemos que a partir da ciência da Cabalá que o Criador criou um desejo, no qual todos os desenvolvimentos ocorrem. Esse desejo abrange uma grande multidão de vontades individuais, ligadas entre si em um único sistema chamado “Adam,” a alma comum.

Então, de acordo com o seu programa, o criador começa a estragar a relação que existia entre as partes do mesmo desejo. Assim, eles começaram a perder a conexão um com o outro, e como um organismo doente, os órgãos pararam de interagir uns com os outros corretamente. Semelhante a um desequilíbrio quando nosso corpo está doente – e então sintomas como aumento da pressão arterial e temperatura, ou alterações químicas do sangue ocorrem. É uma doença em que o organismo não é capaz de equilibrar-se.

Por que é que o Criador age desta maneira em relação às almas? É para que nós venhamos a sentir a corrupção e, em seguida, corrigi-la. Esta doença ou corrupção de ligação entre nós como partes de um sistema permeia em nosso estado inicial, e vamos começar a nos sentir cada vez menos ligados uns aos outros. Essa perda de conexão entre nós compreende 125 níveis de descida do Infinito, o estado onde fomos infinitamente ligados uns aos outros e até um estado onde essa ligação desaparece completamente. [Leia mais →]