Desejo Corrigido

962.3Pergunta: Por que o desejo de receber é considerado um décimo do desejo?

Resposta: Porque é assim que parece.

Pergunta: Como posso sentir que estou saindo do meu desejo de receber e que este é o Sof do Parzuf que estou deixando, com o qual não consigo trabalhar?

Resposta: Não funciona assim. Você sente cem por cento da realização do Criador e não deseja dividi-la em um décimo e nove décimos. Você quer agir exatamente como o Criador age sobre você. Isso é o que é o desejo corrigido.

Da Lição Diária de Cabalá de 14/04/25, Escritos do Baal HaSulam, “O que é Grandeza e Pequenez na Fé?”

Fé Perfeita

945Pergunta: Como acrescentamos fé? Isso é algo que nós mesmos fazemos?

Resposta: O Criador faz isso, mas é graças ao fato de que nós, constantemente, todos juntos, queremos aumentar a fé. Cada um faz isso à sua maneira, mas, em princípio, juntos. Queremos ter fé perfeita.

A fé perfeita é a fé que substitui completamente o conhecimento, a sensação e tudo o que podemos receber do Criador.

Pergunta: Como podemos ajudar uns aos outros a superar uma constante falta de fé que acabará substituindo nosso conhecimento e sentimentos?

Resposta: Os amigos podem dar o exemplo e apoiar, e então você verá o que lhe falta para obter fé completa.

Da Lição Diária de Cabalá 19/04/24, Escritos do Baal HaSulam, “O que é Grandeza e Pequenez na Fé?”

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 113


Palestras sobre os Degraus da Escada , Parte 113

Podemos determinar quais são nossos desejos durante o estágio de preparação?

Durante a fase de preparação, não conseguimos determinar em que desejos estamos. Não sabemos onde estão a recepção ou a doação. Não sabemos ou não compreendemos exatamente no que estamos trabalhando.

A chave para o trabalho correto durante a fase de preparação é atribuir tudo ao superior. Isso ocorre porque o estado espiritual mais baixo em que entramos e no qual somos incluídos, após cruzarmos a barreira (Machsom), é chamado de “embrião” (Ubar). É um estado em que nos anulamos diante do superior e deixamos que ele aja em nós como quiser. Isso se chama atribuir tudo ao superior e reconhecer a grandeza do Criador, que Ele é quem age e que Ele faz tudo dentro e em volta de nós.

Esta é a verdade, mas precisamos exercê-la, pois não podemos atribuir tudo ao superior. Ela nos escapa repetidamente, e precisamos retornar a essa verdade repetidas vezes, lavar nossas mentes com ela e nos convencer de que ela é realmente a verdade. Mas simplesmente não podemos fazer isso sozinhos, pois somente vendo o Criador, vivenciando essa realidade em primeira mão, podemos nos convencer.

O desejo de receber é muito pragmático. “Mostre-me e pronto”. “Deixe-me provar”. Por que as fontes dizem que “Prove e veja que o Senhor é bom”? Por que provar é necessário? Por que ver não é suficiente? Porque somente provando recebemos uma imagem sensorial clara do que experimentamos, assim como crianças pequenas e bebês experimentam objetos e os percebem através do paladar. Este é o sentido mais confiável. É por isso que os bebês não se contentam apenas em ver, mas colocam tudo na boca para provar.

Da mesma forma, até que experimentemos o Criador como luz interior (Ohr Pnimi), não teremos conhecimento claro do que Ele é. É por isso que não podemos alcançar o conhecimento verdadeiro antes que a barreira se abra para nós, antes que a luz penetre em nossos vasos.

Devemos almejar o primeiro estado espiritual que está mais próximo de nós. Se desejarmos todas as oportunidades que nos são dadas do alto, se esgotarmos todas as nossas possibilidades, então verdadeiramente entraremos nesse estado, porque fizemos todo o esforço necessário.

Quando o esforço chega ao fim? Não sabemos com antecedência. Depende da estrutura de cada alma. Qual é o sinal de que o trabalho está completo? É quando os céus se abrem. Até lá, devemos simplesmente continuar a agir.

A Torá completa, tanto para iniciantes quanto para aqueles que posteriormente ascenderão os degraus até o fim da correção, está contida no primeiro artigo do Shamati, intitulado “Não Há Outro Além Dele”. Além da barreira, a obra assume uma forma diferente. No entanto, a tarefa é sempre, em cada estado, alcançar o sentimento de que “Não Há Outro Além Dele”, independentemente do que aconteça e não importa o que venha a acontecer.

Precisamos superar a resistência e alcançar esse sentimento sem nos desconectarmos da realidade deste mundo. Não é sensato viver em um lugar isolado. Precisamos viver em toda a realidade, através da qual todos os tipos de perturbações nos influenciam, interagem conosco e, por meio delas, descobrimos que “Não Há Outro Além Dele”.

Se completarmos este trabalho, teremos completado nosso trabalho neste mundo e encontraremos outras perturbações espirituais. Através delas, continuamos a progredir, aproximando-nos cada vez mais da plena compreensão de que “Não Há Outro Além Dele”.

O que significa “Não Há Outro Além Dele”? É o conhecimento absoluto de que, no fim das contas, o Criador, nós mesmos e todo o caminho que percorremos — as ações, as perturbações, os desejos corrigidos e não corrigidos — são um só.

Duas Qualidades No Homem

276.01Pergunta: Se entendi corretamente, no artigo “Três Orações – 2”, o Rabash descreve dois estados. O primeiro é quando o homem pensa que possui boas ações, a Torá, e desfruta disso.

O segundo estado é quando ele se move em direção à Lishmá (por Sua causa). E aqui, o Faraó desperta, que é contra isso, e Moisés, que se opõe ao Faraó. Nesses estados, quando um homem pensa estar em Lishma, ele acumula esforços que levam ao nascimento da qualidade de Moisés no homem?

Resposta: Sim, isso é necessário. Não há um único estado pelo qual passamos, seja em subidas ou descidas, que não nos seja útil.

Pergunta: Então, se entendi corretamente, Faraó é o desejo de receber. Ele também ora ao Criador, mas em um nível animal. E o novo ponto, que se relaciona ao Criador, é de um nível mais elevado, mas ainda fraco?

Resposta: Correto.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 15/04/25, “Pessach”

Em Contato Com O Criador

278.03Pergunta: Você nos aconselha a dialogar internamente com o Criador e a nos anularmos diante dos nossos amigos. A que devemos prestar atenção especial? Afinal, não podemos nos concentrar em tudo ao mesmo tempo.

Resposta: Você não precisa se concentrar em tudo; não há necessidade de se dispersar. Pelo contrário, é importante se concentrar e entender claramente o que você está buscando. O objetivo deve ser muito simples: dirigir-se ao Criador com o coração completamente aberto e fundir-se com Ele.

Este é o seu trabalho interior pessoal, seus pensamentos e intenções. Imagine que você está constantemente em contato com o Criador e veja o que surge disso.

Da Lição Diária de Cabalá de 14/04/25, Escritos do Baal HaSulam, “O que é Grandeza e Pequenez na Fé?”

Basta Pedir!

236.01Pergunta: Sinto que cada palavra que meu amigo diz me afasta da adesão ao Criador. Podemos dizer que as falhas que sinto são as Hisaronot (deficiências) que aceito em mim?

Resposta: Você não quer senti-las, então não se pode dizer que você as aceita verdadeiramente.

Pergunta: Nesse caso, qual é o momento em que começo a querer enfrentá-las?

Resposta: Peça. Basta pedir!

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 17/04/25, “Pessach”.

Cabalistas Ocultos

533.02Pergunta: Você disse que os Cabalistas podem se esconder uns dos outros. Será mesmo que um Cabalista não consegue sentir o outro?

Resposta: Se ele se fecha, então sim.

Pergunta: O que significa se fechar? Como fazer isso se existe um sistema e sensações comuns?

Resposta: Não importa. Ele se fecha pessoalmente. Acontece exatamente como em nosso mundo. Suponha que você e eu sejamos cientistas e estejamos conversando sobre temas em comum, trocando opiniões e assim por diante, mas há certas coisas que eu não revelo. Por exemplo, tenho alguns desenvolvimentos especiais nos quais você se interessa muito, mas evito delicadamente o assunto, não me entrego. O que você pode fazer?

Pergunta: Então a analogia é mais ou menos a mesma da percepção comum neste mundo? Ou seja, um Cabalista não é onipresente, não é capaz de sentir tudo por completo?

Resposta: Não, ele sente apenas o que lhe é permitido. É assim que será até a correção final. Quando todos nós estivermos totalmente corrigidos e todo o sistema nos for revelado, não haverá limitações: “E todos Me conhecerão, do menor ao maior deles”, absolutamente todos.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Cabalistas Ocultos”, 08/08/10

Equilíbrio Entre O Bem E O Mal

591Pergunta: Como você mantém o equilíbrio entre o bem e o mal?

Resposta: Não podemos manter tal equilíbrio. Não precisamos disso de forma alguma, pois esses cálculos são inerentemente egoístas. Devemos tentar nos render totalmente ao Criador.

Viva em um estado em que você se sinta completamente aberto ao Criador. Gradualmente, esses sentimentos se instalarão em você e tomarão o lugar deles.

Da Lição Diária de Cabalá de 19/04/24, Escritos do Baal HaSulam, “O que é Grandeza e Pequenez na Fé?”

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 112


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 112

Capítulo 12. Na Minha Cama à Noite

O que significa “E através da Torá, o homem foi criado”? Humano (Adão) vem da expressão Adameh leElyon (“Eu serei como o superior”), e está escrito: “Você é chamado de Adão, mas as nações do mundo não são chamadas de Adão”. Isso significa que se o desejo de receber passa por uma correção chamada “em prol da doação”, a parte corrigida é chamada de “humano”. Como isso é feito? Através da Torá. Como é feito através da Torá? Nós recebemos várias oportunidades para realizar diferentes ações neste mundo, e através de nossos sucessos e fracassos, nosso desejo de receber se desenvolve.

Após o desenvolvimento dos desejos bestiais por comida, sexo e família, e o desenvolvimento dos desejos sociais por riqueza, honra e conhecimento, alcançamos o desenvolvimento do desejo espiritual. O desenvolvimento do desejo espiritual não é uma expansão adicional do desejo. Em vez disso, é a direção do desejo rumo ao Criador e, consequentemente, seu crescimento. Se, antes do desenvolvimento do ponto no coração, que é esse novo desejo por espiritualidade, trabalhamos para desenvolver nosso desejo, geralmente inconscientemente, sem saber por que ou como, impulsos e anseios surgem em nós, simplesmente corremos atrás deles e os realizamos. Tal trabalho nem sequer é considerado uma única linha, e certamente não duas ou três linhas. Mas o desejo espiritual só pode ser desenvolvido, expandido e corrigido na forma de linhas.

“Linhas” significam que o pequeno desejo não é simplesmente inflado em algo cada vez maior, sem direção, o que tornaria sua forma um círculo, mas sim endireitado para que vise a um objetivo específico e se destine a um uso específico. O desejo não é direcionado à pessoa em si, que é o ponto central dentro dos círculos, mas ao Criador, a partir do ponto central até a fonte de luz.

Portanto, no desenvolvimento do desejo espiritual, existem diversas forças, condições e estados que o influenciam, de modo que o processo de correção do desejo não segue as leis de outros desejos. Ele opera de maneira muito complexa e precisa, de modo que o desejo cresce apenas de acordo com o grau de sua correção em direção ao uso adequado, em direção ao Criador. Suponha, por exemplo, que alguém seja inspirado pelo desejo de construir uma casa, um desejo que já está conectado à espiritualidade. Essa pessoa precisa relacionar cada detalhe do processo de construção, o planejamento, a ordenação dos materiais, a construção em si, a seleção dos trabalhadores e até mesmo a si mesma, ao propósito da criação. Ela deve se lembrar constantemente de que essa casa se destina a um uso relacionado ao propósito da criação.

Essa pessoa fica tão imersa no trabalho que esquece a direção, o significado por trás de cada ação. Então, o trabalho aparentemente para e várias perturbações começam a surgir. Essas perturbações não são obstáculos reais, mas sinais, sinais, de que ela se esqueceu de algo muito importante: a intenção, o motivo de cada ação. Como o progresso espiritual acontece passo a passo, às vezes ficamos presos em um determinado estágio, tentando teimosamente encontrar uma solução por conta própria, insistindo em continuar a construção a todo custo. Mas percebemos que não podemos avançar até que nos lembremos de que o problema é que esquecemos a intenção.

Isso significa que, em vez de nos movermos da linha da esquerda para a da direita, pensamos que poderíamos completar o trabalho apenas com nossas próprias forças. Então, nos lembramos da linha da direita, do Criador, do alinhamento com Ele. Ou seja, lembramos que devemos estar conectados a Ele com todo o nosso coração e alma enquanto realizamos a ação. Só então podemos progredir novamente até que nos esqueçamos mais uma vez, e o ciclo se repita.

Em todo o nosso trabalho neste mundo, esquecemos constantemente o objetivo. Esquecemos que o objetivo não é trabalhar de acordo com a maneira como pensamos neste mundo, mas que o trabalho em si é um esforço para permanecer conectado com aquele que nos deu o trabalho e usá-lo como um meio de manter o pensamento e, mais importante, como um meio de aumentar a intenção. O trabalho em si é apenas uma ferramenta apenas na medida em que se destina a construir e desenvolver a intenção. Pensamos que estamos construindo uma casa, como se a casa em si fosse o que importasse. Mas, na realidade, devemos construir uma estrutura de intenção em vez de uma estrutura de tijolos.

Como somos feitos de matéria e espírito, intenção, recebemos tarefas materiais para que possamos construir uma estrutura espiritual paralela à física. É verdade que não podemos construir uma estrutura puramente espiritual, embora, em última análise, essa seja a única estrutura de que realmente precisamos. Isso significa que devemos estabelecer apenas a intenção, a tela (Masach) e a luz refletida (Ohr Chozer), enquanto o desejo de receber, os “tijolos”, estará sempre disponível para ser usado adequadamente, de acordo com a intenção de doação.

É assim que construímos uma casa, e é assim que nos construímos como um ser humano (Adão). Como? Através dos 248 órgãos e 365 tendões, que são 613 componentes ou desejos dentro de nós, que devemos construir. Queremos usar esses desejos tanto quanto a forma espiritual correspondente permitir. Precisamos organizar nossos desejos de acordo com as intenções de doação, para que esses dois aspectos — o uso de todos os desejos, por um lado, e o alinhamento desses desejos com a intenção de doar, por outro — estejam em harmonia e trabalhem juntos.

Quando O Caminho Se Torna Difícil

120No início, o caminho espiritual parece agradável, atraente e convidativo; promete realizações extraordinárias, revelações e elevação espiritual. Mas então começamos a entender o preço que devemos pagar por tudo isso e o que é exigido de nós para nos alinharmos ao nível espiritual. Assim, o caminho se torna cada vez mais difícil, não mais tão atraente, mas sim repulsivo, confuso e até humilhante.

Este é o período simbolizado por Maror (ervas amargas). Na verdade, não é fácil atravessá-lo, pois é como buscar um objetivo na escuridão total, enfrentando caminhos perigosos e pontes estreitas e escalando uma montanha em direção ao palácio do rei. Alcançá-lo parece tão provável quanto atirar uma pequena moeda a uma grande distância.

É por isso que precisamos aguçar nossa percepção e nos acostumar a um novo estado, elevando-nos através da fé acima da razão, rumo a um novo sentido. A única coisa que pode ajudar aqui é fortalecer a grandeza da meta e a grandeza do Criador.

Caso contrário, o objetivo espiritual perde o significado para o nosso desejo egoísta. Vemos como muitos que são incapazes de cultivar e desenvolver o senso da importância do objetivo espiritual acima de toda a escuridão e dificuldades abandonam este caminho.

“Somente os heróis”, como escreve Baal HaSulam, alcançam a meta por não verem outra escolha diante Deles e graças à Arvut (garantia mútua). Este é o tempo do amargo Maror. Somente aqueles que se estabelecem corretamente desenvolverão um novo sistema chamado “fé” dentro de si e começarão a trabalhar em doação, desapegados de seu egoísmo. Eles escaparão do exílio e adentrarão a terra que mana leite e mel.

Da Lição Diária de Cabalá de 22/03/18, Escritos do Rabash, “O que é, se ele engolir a erva amarga, ele não sairá, na obra?”