Textos na Categoria 'Educação'

Um Jogo Como Oportunidade De Auto-Expressão

Dr. Michael LaitmanPergunta: No sistema integral de educação para crianças, os grupos não devem ser grandes, apenas com cerca de dez pessoas, duas das quais são instrutores. Este princípio também vale para os adultos?

Resposta: É muito mais fácil com os adultos, uma vez que eles são pessoas mais responsáveis. Eles se concentram alegremente no instrutor e participam das discussões com ele. Um instrutor é mais do que suficiente para 30-40 pessoas, ou talvez dois para 50 pessoas. Você não precisa manter os adultos unidos, motivá-los, ou ser brincalhão com eles, mas apenas educá-los na forma de um jogo. Essa é a primeira coisa.

Em segundo lugar, precisamos entender que as pessoas devem passar por uma transformação interior muito séria. É um tremendo trabalho psicológico da pessoa no seu próprio eu; é sua introdução em si mesma: Quem sou eu? É por isso que é necessário filmá-la neste jogo para que ela se veja de fora.

Afinal, nós estamos jogando o tempo todo. Eu represento certa imagem que eu vi há muitos anos atrás, adotei-a e estou recriando-a hoje. É assim que conduzimos a nós mesmos. Isso está claro na psicologia. É por isso que a tarefa mais importante nesses cursos práticos é prover a pessoa com o máximo sortimento dessas imagens para que ela possa reproduzir depois.

Baseado no fato de que a pessoa as criará e controlará, ela entenderá quem realmente ela é, porque suas faculdades e atributos interiores constantemente se revelarão em relação à imagem que ela representou no jogo. Essa distância, a diferença entre quem eu sou e o que estou interpretando, ajudará a pessoa a finalmente alcançar e conhecer a si mesma. Essa é a coisa mais importante. Então, ela vai realmente ser capaz de expressar a si mesma, suas qualidades internas, propriedades e talentos inatos. É aí que o mundo vai realmente tornar-se integral, porque cada um terá a oportunidade de se expressar.

Além disso, temos que preparar instrutores para a nova sociedade integral de todos e cada um dos nossos estudantes, mesmo os mais atrasados. A pessoa não tem o direito de ser apenas um aluno passivo e estudar somente para si: ela tem que estudar a fim de educar os outros. Ela tem que sentir que, na medida em que adquire essa nova forma de conexão entre as pessoas, ela mesma se torna parte ativa desta conexão e deve necessariamente levá-la adiante.

Assim, os estudantes que estudam conosco por meio ano a um ano devem necessariamente conduzir grupos de iniciantes. A princípio, claro, eles devem abranger apenas tópicos muito limitados e trabalhar com instrutores seniores. Para eles isso é totalmente necessário. É precisamente ali onde eles desenvolvem suas habilidades!  É exatamente assim que os outros aprendem com eles!

Nós não precisamos esconder o fato de que estamos preparando nossos alunos para se tornarem professores, e devemos colocá-los imediatamente numa estrutura de ensino apropriada. Primeiro de tudo, isso deveria forçá-los a estudar o material mais cuidadosamente e compreendê-lo melhor. Em segundo lugar, isso vai desenvolver uma conexão mais estreita entre eles e os outros. A coisa mais importante em todo esse estudo é precisamente as atividades práticas.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Educação Mista Ou Educação Em Separado

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual deve ser a composição da classe nos cursos de educação integral? Homens e mulheres devem estudar juntos, ou é melhor estudar em separado, como acontece com as crianças?

Resposta: Eu acho que precisamos eliminar tantos obstáculos quanto pudermos. Quando homens e mulheres sentam-se juntos, como uma regra, isso leva a obstáculos adicionais. Afinal, todos nós somos pessoas e temos instintos normais, mas o melhor é eliminá-los enquanto estudamos.

Até hoje existem muitas instituições de ensino em todo o mundo que praticam a educação em separado. E a prática mostra que ela é mais eficaz do que a educação mista. Portanto, é melhor separar homens e mulheres.

No entanto, após certo período de preparação dos grupos masculino e feminino, estes precisam ser reunidos com o objetivo de discutir e esclarecer questões comuns em conjunto. Então, nós seremos capazes de ver como, com base no material coberto e tendo mudado e recebido uma visão objetiva integral do mundo, eles usam as discussões ou disputas para começar a estabelecer um novo sistema de relações. Ao controlar um ao outro, eles começam a criar algo em comum: não uma parte masculina ou feminina, mas comum a todos; o protótipo da futura sociedade integral.

Mas aqui nós precisamos discutir nossa atitude para com as crianças e os pais, incluindo várias gerações, e esclarecer, debater e atualizar estas coisas nesse sentido.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

O Benefício Inestimável das Excursões

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que outras secções estão incluídas no curso de educação integral?

Resposta: A parte mais importante nos nossos estudos é perceber, em teoria e prática, a integração de todas as pessoas entre elas próprias, independentemente da idade ou género: homens, mulheres, e crianças. Estudos, treinos psicológicos, levar esta mensagem às massas e a grupos menores, e a criação de novos meios de comunicação social que eduquem uma pessoa em fez de a deformarem, tudo isto deve ser o nosso curso prático principal e primário.

Os outros cursos que discutimos também incluem estudos práticos com crianças e adultos, conduzidos por um psicólogo. Mas os cursos mencionados acima são os principais.

Também incluídas como componente principal na educação das crianças estão as excursões a fábricas, planetários, e outros locais. Introduzimos as crianças à agricultura e ao reino animal para lhes mostrar como a natureza existe na sua forma pura, por que os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza se desenvolvem da forma como o fazem em relação a uns e outros. As ferramentas que usamos para este fim incluem filmes educacionais, excursões às florestas, ao lago, ao mar, e por aí fora ,com explicações e conclusões muito precisas e correctas sobre a integração e a interconexão na natureza.

Depois continuamos com o estudo da sociedade humana: como ela evoluiu da parte animal da natureza, saiu das grutas, desceu das árvores, e o que alcançou no seu desenvolvimento, isto é, o que construímos para nós próprios para substituir as tocas que eram as nossas casas, as empresas que fundámos para não ter nunca mais de caçar mamutes, e como estabelecemos a nossa assistência e suporte interligado, mútuo. Nós estudamos a estrutura de todo o tipo de instituições médicas, financeiras, industriais, e de pesquisa, como a oferta e a procura funcionam, e como a humanidade está conectada através de todos estes sistemas. E, com certeza, estudamos o universo.

Nos nossos esforços para examinar a vida e o mundo, conduzimos excursões muito sérias, e não apenas para crianças. Nós vemos como as excursões expandem a perspectiva das crianças e as transformam em adultos pensadores. Depois de cada excursão pedimos às crianças que façam um relatório: onde elas foram, o que elas viram, e porquê as coisas funcionam desta ou daquela forma. Isso é seguido por uma discussão. Todas estas coisas juntas asseguram um olhar muito completo do material. Uma excursão por si mesma não pode acontecer mais do que uma vez por semana porque leva tempo para discuti-la, escrever composições sobre os assuntos, e por aí fora.

O mesmo se aplica aos adultos, que são também da opinião que pastéis nascem nas árvores, ou seja, que não estão familiarizados com processos de produção e não fazem idéia do que a humanidade faz por eles. Excursões para adultos também levam à integralidade e interdependência, razão pela qual o entendimento de que você existe graças ao mundo inteiro que trabalha para o seu benefício é crucial do ponto de vista da educação, suporte moral, e o sentimento de cooperação. Se nós apresentamos esta informação à pessoa desta forma, a sua perspectiva de tudo no mundo muda drasticamente.

A parte mais importante que vem destas excursões é que então nós analisamos se precisamos desta empresa em particular ou não, se é uma necessidade ou um prazer sem o qual podemos viver sem ser à nossa custa, mas simplesmente porque não iríamos ter saudades dela se fosse abandonada. Assim nós ensinamos gradualmente à pessoa a prestar mais atenção ao mundo interior, e não ao exterior.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

Os Elementos De Uma Realidade Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: A psicologia comportamental fala do chamado “triângulo de compreensão mútua”.  Dois de seus cantos representam a comunicação e a empatia, e o terceiro é a realidade compartilhada. Na educação integral a comunicação é conduzida num círculo. Do ponto de vista da psicologia comportamental, supõe-se que no processo de crescimento da compreensão mútua, a empatia também aumente. Agora, surge uma pergunta: essa própria integralidade é uma realidade compartilhada?

Resposta: Nós temos que existir dentro dela. Não dentro de nós mesmos, mas fora do eu, dentro desta realidade compartilhada que nós criamos, porque isso é exatamente o que significa a realidade objetiva. Tudo o que existe dentro de mim é subjetivo, isto é, pura mentira. Eu minto para mim mesmo sobre a construção do meu próprio eu. Esse mundo é totalmente irreal, inventado por mim.

Às vezes, eu estou conversando com alguém e admiro como nós percebemos o mundo de forma diferente. Eu estou falando de uma coisa, e ele vê uma imagem completamente diferente e fala sobre outra coisa. Ele é totalmente sincero, assim como eu, porque cada um de nós vem de suas próprias sensações.

Assim, é necessário subir mais alto, no desejo comum, na mente comum, no coração e no cérebro comum, e observar o mundo de dentro da imagem coletiva do homem que representa a totalidade de todos nós. Então, nós veremos o mundo de forma totalmente diferente: não individualizado, não distorcido pelas nossas qualidades interiores intrínsecas.

Se o máximo possível de pessoas se reunirem no sistema comum do “homem” (a imagem conjunta do homem), então, naturalmente, vamos ver uma imagem completamente diferente do mundo, do universo e de nós mesmos. E esta vai ser muito diferente da que vemos hoje. Afinal, a imagem do mundo depende da percepção subjetiva, e os psicólogos sabem muito bem disso.

Nós só precisamos mostrar que se você pegar os seus desejos e qualidades internas e compará-los aos outros, isto é, à imagem coletiva emergente do homem como um todo, então, de dentro dela, você vai começar a observar um mundo verdadeiramente diferente.

Você se eleva acima de si mesmo e se distancia do seu corpo, de suas qualidades pessoais, de modo que o corpo não importa mais para você. Como vemos a partir da experiência, é muito provável que isto começará a ser percebido como algo estranho, como um animal que existe perto de você. Quando você entra nessa imagem coletiva do homem, você vê seu corpo existindo num nível animal. E a imagem generalizada do homem pertence ao nível humano.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Substituindo A Conexão Física

Dr. Michael LaitmanPergunta: Existe o mundo psicológico interno da pessoa, mas existe também um nível mais externo, social, que inclui a família e as interações com os entes queridos. Se a pessoa existe dentro deste sistema integral, será que ela percebe todos como se fossem seus entes queridos?

Resposta: A sensação de “proximidade animal”, chamada de proximidade por parentesco de sangue, desaparece completamente. Todas as pessoas tornam-se igualmente próximas. Com isso, nós apagamos totalmente todas as fronteiras.

Eu não estou falando dos pais e seus filhos – esses laços são muito estreitos, mas mesmo eles já se manifestam de forma diferente. Nós literalmente observamos isso em nossa experiência.

Nós vemos que no mundo de hoje as conexões naturais básicas estão em colapso, pois elas não são mais tão estreitas como eram antes. Os pais dão seus filhos para outras famílias criarem, adandonando-os. Os filhos deixam seus pais muito cedo, pois não sentem uma conexão especial com eles. A conexão entre as gerações está desaparecendo.

É como se a própria natureza nos impulsionasse em direção a esse estado desde dentro, para que pudéssemos perceber todos da mesma maneira. Naturalmente, a nossa educação eleva a pessoa acima da conexão animal.

Por “conexão animal” eu quero dizer a conexão física. Afinal de contas, de nascença, nós pertencemos ao nível animal. E o nível humano é o nível coletivo, geral, onde nos unimos num só desejo e ascendemos juntos acima de nossas qualidades inatas.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

Cursos De Gestão Familiar

Dr. Michael LaitmanCada curso no sistema de educação integral carrega uma enorme carga de sentido na mudança de cada um de nós como uma personalidade e como um indivíduo integrante da sociedade. A partir daqui surgem mais cursos práticos sobre a gestão familiar. Isso envolve a conduta numa família, entre cônjuges, com os filhos e com os pais, a educação, e a gestão da casa. Uma grande quantidade de questões de natureza ética e moral surgem aqui.

Eu acho que todos esses cursos devem ser conduzidos por um psicólogo, com muitos exemplos de nossa vida: o que era e o que deveria ser, como construir uma ponte para fazer a transição dos nossos estados do passado (doméstica, conjugal, pertencente à manutenção da casa e a educação dos filhos) para os novos estados.

A educação das crianças e a influência dos pais sobre seus filhos são consideradas separadamente. Nós não desagregamos a família, não exercemos nenhuma pressão sobre os pais, e não os afastamos de seus filhos, como foi feito durante os tempos soviéticos, quando as crianças eram enviadas para o internado ou os kibutzim israelenses, quando eram simplesmente tiradas de seus pais e foram criadas separadamente. De um modo geral, eles perseguiram metas boas, mas tudo veio para exercer força sobre o indivíduo. Não deve ser desta forma.

Sob nenhuma circunstância nós destruímos a família. Nós simplesmente ensinamos às pessoas a inclusão correta entre si. Elas devem se fundir internamente, se conectar de tal forma que a família se torna um pilar da sociedade integral e incorpora uma unidade, um único sistema de pequeno porte que se une com outros sistemas.

Comentário: Como isso pode ser feito? Como eles podem ser unidos?

Resposta: Se tanto os pais como as crianças completarem, essencialmente, os mesmos cursos, exceto que cada um segundo sua idade e mentalidade, então não há problema deles começarem a mudar involuntariamente e discutir essas mudanças em seu círculo familiar. Vergonha e censura não têm lugar aqui, porque toda a sociedade é obrigada a mudar.

Agora todos nós temos que jogar este jogo especificamente, a fim de posicionar-nos sob a influência da natureza. Caso contrário, a natureza vai nos forçar a fazer isso com o seu desenvolvimento posterior mostrando nossa contradição com ela, e vamos experimentar tremendo sofrimento.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

“Livre Arbítrio” Involuntário

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde reside o livre arbítrio?

Resposta: Em nosso mundo, a pessoa não tem livre arbítrio. Ela nasce num estado já concluído e desenvolve as qualidades inatas com as quais nasceu e que não escolheu por si mesma sob a influência do ambiente. Nem os seus parâmetros internos nem os externos que a influenciam não são escolhidos por ela, e é por isso que não há liberdade nisso.

A liberdade só existe na escolha de um ambiente específico, de modo que ele me molde para estar no caminho que eu quero estar. Eu escolho o meu ambiente de acordo com o tipo de pessoa que quero ser.

Há um problema aqui também: baseado no que eu acho que exatamente este ambiente me serve e não outro? Basicamente, existem ainda muitos mais esclarecimentos internos aqui, até que a pessoa se desenvolva plenamente e entenda o que ela precisa. Em princípio, ela entende isso em seu coração, ela sente isso: onde exatamente está o seu livre arbítrio. E isso não é fácil. Mas nós temos que levar praticamente todo mundo a este estado.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

Harmonia Que Nós Mesmos Criamos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual a mensagem que devemos transmitir às pessoas num curso de economia racional?

Resposta: Nós temos que transmitir estatísticas muito interessantes: a quantidade de recursos que a humanidade deve gastar, a maneira eficiente de usar os recursos naturais e humanos, a energia e assim por diante. Em outras palavras, nós ensinamos às pessoas um curso de harmonia com a natureza, quando não tomamos nada desnecessário dela, como os animais.

Afinal, em nossas vidas regulares nós não somos diferentes dos animais. Então, por que devemos tomar da natureza mais do que precisamos? Um animal cava um buraco para si, armazena alimentos, procria instintivamente, cria sua prole, mata as outras criaturas e as come, mas nunca além de suas necessidades. E nós devemos agir da mesma maneira.

Tudo deve funcionar apenas em harmonia com a natureza. A única diferença é que no nosso caso essa harmonia deve ser algo que alcançamos de forma consciente, em oposição à harmonia nos níveis inanimado, vegetal e animal, que é mantida instintivamente. Nós devemos criar a harmonia por nós mesmos.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Receita Para A Paz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os movimentos extremistas de direita na Europa estão ficando mais fortes. Em geral, quando uma pessoa não vê uma solução para um problema, ela tende a aceitar a aparente simplicidade das reivindicações radicais. Como podemos apresentar nossa mensagem em contraste a isso?

Resposta: Em primeiro lugar, há muitos fatos científicos. Mas os cientistas não podem fornecer uma plataforma séria no momento. Por isso, nós temos que organizá-la de uma maneira que irá mostrar a “semente” racional nas nossas recomendações.

Além disso, nós não devemos esquecer que as tendências radicais unem as pessoas por um lado, mas por outro lado, levam a conflitos e guerras. Aqui nós temos que explicar que essas tendências estão em contraste com a natureza. Nas condições atuais de conexão mútua total, qualquer conflito terá sérias implicações.

É por isso que a Europa não pode quebrar agora. Em primeiro lugar, não é a favor da Alemanha. Os alemães estão dispostos a pagar bilhões de euros apenas para impedir que isso aconteça. Afinal, eles vêem para onde isso levará: à perda de seu mercado. Se você se isola, no dia seguinte a sua economia começará a sufocar. Então, todo mundo vai perder como resultado da desintegração da União Europeia.

Dia a dia torna-se mais claro que o protecionismo não é a solução para os problemas atuais. Ele é usado de forma muito limitada, mas, no geral, todo mundo já entende o fato de que estamos todos mutuamente conectados e que esta conexão não pode ser quebrada. Ela só pode ser destruída pela guerra, ou seja, pelas ações extremas, mas não há formas intermediárias.

Eu espero que sejamos capazes de preparar o nosso método e envolvê-lo de uma forma que permitirá que as pessoas entendam a idéia básica. Nós oferecemos, “Vamos verificar juntos a sua eficácia”, “Vamos continuar a desenvolvê-lo juntos”; como resultado, nós precisamos criar uma plataforma que leve a conexão mútua entre as pessoas a um novo nível qualitativo, que é a base para todas as mudanças que ocorrem no mundo, na humanidade.

O ambiente é o fator que trará a mudança nas pessoas de uma forma que as ajudará a se adaptar à conexão que já existe entre nós, a concordar com ela, a compreendê-la e, não tendo escolha, a participar dela. Eu não preciso ser um anjo. Eu simplesmente entendo que não há outro caminho, e que eu tenho que estar em boas relações com todos, e tentar ajustar-me à mesma onda internamente: nos pensamentos e desejos. Por quê? Porque eu dependo deles.

Apenas a influência externa é necessária para conseguir isso, e todos vão entender a essência do que está acontecendo. As pessoas têm de receber diferentes exemplos e explicações, e assim as diretrizes básicas da mensagem serão compreendidas. Isto por si só é suficiente para trazer mudanças positivas no mundo.

O nosso problema é o egoísmo. Ninguém duvida do fato de que ele é a força negativa no nível pessoal, a nível político, e em todos os outros níveis. Ele só deve ser “adoçado” um pouco, isso é tudo. Se sentirmos a dependência mútua entre nós, vamos sentir que não temos que mentir um para o outro, e nós vamos ser capazes de concordar, também no nível do governo, não destruir o nosso planeta.

Tudo depende da educação, que deve ser baseada numa verdade simples: nós dependemos uns dos outros, e não há nada que possamos fazer sobre isso. Não há outra maneira. O mundo se tornou nossa casa coletiva e nesta casa coletiva não há nada mais sensato do que concordar. Que outras formas pode haver? É tempo de pararmos de chamar isso de “utopia”. Hoje, isso já é uma necessidade crucial.

Nós já falamos sobre isso na ONU e na UNESCO. No futuro, iremos apresentar esta plataforma para o público e seus representantes. Primeiro, nós vamos obter a opinião de especialistas e depois vamos implementá-la. Em primeiro lugar, nós devemos abrir, desenvolver e adaptar o método para a humanidade.

Da 4ª parte Lição Diária da Cabalá 1/1/12, “A Liberdade”

“Amor” À Venda

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nos países ocidentais, a publicidade em geral usa, na maioria das vezes, as mulheres num contexto sexual que é mais ou menos óbvio. Por que os homens modernos consideram a mulher como objeto sexual?

Resposta: Isso porque ao longo dos anos, a nossa inclinação ao mal (desejo egoísta) atingiu dimensões enormes. Nós não a corrigimos e ela ainda permanece num nível animal. A atração sexual é a chamada mais simples e natural de se implementar. Praticamente tudo gira em torno dela; é muito fácil criar toda uma “indústria do amor” composta de filmes, TV, música, etc.

Nunca no passado houve tal ideal de “amor” construído. Não importa a forma como nós percebemos os velhos tempos, as pessoas costumavam ser mais diretas e simples. Um homem se casava com uma mulher “adequada” de seu bairro e criava uma família sem envolver tais “questões de elevadas”. A glorificação maciça do “amor” foi lançada cerca de 150 anos atrás; antes, nunca houve qualquer “culto” associado a ele.

Esta noção semelhante a um culto do amor não surgiu por acaso; afinal, o homem deve ter algo para desfrutar. Com o que os homens poderiam se satisfazer? O que eles poderiam encontrar de bom na vida? É assim que a indústria do “amor por atacado” foi criada. Ela usa um prazer simples, poderoso e acessível, que, ao contrário dos outros, não requer quase nenhum investimento. Hoje, ele é usado em demasia na Internet e TV, sem quaisquer restrições.

Além disso, nós alimentamos à força nossos filhos com os efeitos colaterais da “revolução sexual”. Com a ajuda da mídia, a sociedade oprime a criança com os estereótipos do adulto que não são naturais para a geração mais jovem. Junto com os hormônios que as crianças ingerem nos alimentos, nós violamos o processo natural de crescimento e, literalmente, forçamos as crianças a “se modificar.” Este é apenas um lado da crise geral.

Nós nos consideramos uma sociedade racional e inteligente, com certos princípios e considerável experiência; em caso afirmativo, como podemos permitir que tais coisas aconteçam? No passado, os pais se esforçavam em proteger seus filhos das más influências, davam-lhes o melhor que podiam e cultivavam em seus filhos os valores espirituais elevados. O que fazemos com nossos filhos agora? Por que permitimos que meios de comunicação contemporâneos repletos de crueldade, cinismo e sujeira interferiram na vida de nossos filhos?

Por que nós toleramos a vulgaridade consentindo silenciosamente com ele?

A criança vai à escola, assiste TV e navega na Internet. O ambiente a molda de uma forma que ela se torna semelhante a ele. Por que nós não preocupamos ao menos com isso? Será que nós temos algo mais precioso do que os filhos?

Nós não podemos confiná-los em quatro paredes; assim, os canais envenenam os ouvidos de nossos filhos devem ser desligados. Vamos, pelo menos, cuidar de nossos filhos, uma vez que já fracassamos com os adultos. A sociedade deve ser responsabilizada pelo conteúdo que está sendo oferecido para a nossa geração mais jovem. Coisas desnecessárias não devem ser impostas à geração mais jovem.

Voltando ao tema da mulher. Nós não devemos obrigar as meninas a pensar que elas nasceram para seduzir os homens e, portanto, devem olhar dessa forma. Ao fazer isso, nós aumentamos a prostituição e criamos padrões errados nas relações entre os sexos, só porque alguém ganha dinheiro com isso. De uma forma ou de outra tudo gira em torno do dinheiro.

Enquanto deixarmos a mídia “educar” as pessoas, distorcendo-as, não poderemos esperar nada de positivo delas. Ao mesmo tempo, a situação só pode ser melhorada com a ajuda dos meios de comunicação, mas nós devemos controlar sua atividade.

A sociedade deve ser chamada à ordem; entre outras coisas, isso significa que a mídia tem que ser regulamentada. Nós não estamos falando da liberdade de expressão, mas sim sobre da liberdade do apelo animal. Os meios de comunicação devem ser organizados de forma diferente e continuar a trabalhar para o benefício público, em vez de deixar agências de publicidade e suas afiliadas ganhar mais dinheiro.

Nós temos que começar com a educação em massa; caso contrário não há ninguém com quem conversar. As pessoas já foram “esculpidas” e percebem o atual estado das coisas como a única possibilidade.

Assim, os pais transmitem prioridades vagas, pois observam com indiferença os seus filhos se degradarem.

Se uma pessoa em particular – alguém mais velhos ou um adulto – estivesse prejudicando meu filho, eu faria tudo ao meu alcance para evitar qualquer contato entre eles. Mas, de alguma forma, nós não agimos contra a mídia. Pelo contrário, nós conscientemente permitimos que ela entre em nossa casa e concordamos com o que está fazendo. O mesmo se aplica às escolas.

As pessoas simplesmente desistiram. Nós preferimos manter o nosso bom humor mantendo a situação e pensando que está tudo bem. Nosso problema comum é que nós estamos completamente (não parcialmente) consolados.

Alterar o ambiente nos trará alívio. Mas primeiro nós temos que limpá-lo um pouco. Até o momento, enquanto nós estamos sendo suprimidos pela nossa indiferença, o tempo passa…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/11, “A Liberdade”